Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Programa Grandes Negócios, com Marta Rangel. 1ª parte e 2ª parte.


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publicado por Fernando Nobre às 19:53
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

A entrevista que dei, dia 6 de Janeiro, a Mário Crespo, pode ser vista aqui.


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publicado por Fernando Nobre às 13:16
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

De regresso em pleno à minha actividade na AMI, estou, actualmente, em missão de avaliação no Senegal, país onde mantemos projectos desde 1996.

 

A presença da AMI neste país está à vista de todos.

Orgulho-me, como qualquer português se pode orgulhar, do nosso trabalho aqui.

Muitas vezes, o que nos dizem ser impossível é apenas difícil. A AMI é uma prova disso mesmo. E hoje, aqui, estou certo disso. 

 

 


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publicado por Fernando Nobre às 13:55
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

Mais do que nunca, gostaria que repensassem neste desafio, por mim proposto há alguns anos também neste blog: ser ou ter?

 

Desafio gratuito? Debate e opção fúteis e inúteis? Escolha impossível? Penso que não. Será um desafio gratificante, julgo eu, se a opção “ser”, a acertada para mim, for a escolhida; não é seguramente a mais fácil mas será aquela que, nos momentos derradeiros, mais nos realizará e nos reconfortará!

 

Acredito plenamente que o “ser” tem que se sobrepor ao “ter”. Sei que não é o sentimento dominante neste início de século preocupado por uma globalização essencialmente financeira e especulativa, pelo vírus da ganância que galopa na mente de certos “yuppis” e de certas “empresas”, por uma tecnologia que parece tudo explicar e dominar e por uma visão maniqueísta das relações humanas que pretende conduzir-nos para perigosos desvios militaristas assim como para um choque de civilizações e religiões obsoleto porque retrógrado, sem cabimento e esperança e causador de tanto sofrimento e morte. O terrorismo e o combate que lhe está a ser travado são epifenómenos que decorrem das contradições e efeitos negativos quando o “ter”, irreflectidamente, tem a pretensão e ousadia de se sobrepor ao “ser”. A actual guerra contra o terrorismo está enferma de inutilidade e morte porque manifestamente desadequada e incompleta: só feita de tiros, torturas, prisões arbitrárias e cárceres fora das normas jurídicas, humilhações e mortes não nos levará  a parte nenhuma a não ser a mais terror: será uma espiral infernal para todos, mesmo para aqueles, os do “ter”, que pensam ter-se posto ao abrigo nos condomínios fechados ou outras torres de marfim...

 

Meus amigos, há poucos anos ouvi no Centro de Convenções de Washington o então presidente da Organização Cooperação e Desenvolvimento da Europa, Sr. Jean Roger Bovin fazer uma análise da situação mundial que me reconfortou ainda mais na minha opção de pretender apenas “ser” e de lutar nesse sentido. Disse então o Sr. Bovin que “a pobreza impede o desenvolvimento social e o progresso”, “que o crescimento económico não conduz obrigatoriamente ao desenvolvimento social”, e que “ o desenvolvimento social não é alcançado sem um investimento sério na saúde e na educação”. Afirmou também que “a democracia e a miséria não podem coexistir” e que por isso “é fundamental investir no desenvolvimento social para se almejar ter democracia”. E alertou para o facto da ”Nova Ordem Mundial” sonhada pelo presidente George Bush (pai!) ter falido e se assistir a um aumento acelerado das disparidades! E mais, alertou também que previa para 2020 (amanhã!) que a África iria pôr no mercado de trabalho duas vezes mais jovens do que a Europa, EUA, Japão e Rússia, juntos!, o que provocaria uma corrente migratória Sul – Norte nunca vista... Sábias observações e temíveis previsões... Pois é, eis o resultado que a aposta no “ter” estéril produziu no nosso planeta: um crescimento económico sem desenvolvimento social integrado e global.

 

O “ter” é ilusão, é pura aparência, é efemeridade, é indiferença, é intolerância, é enfermidade, é solidão. O “ter” não tem esperança porque se esgota nele próprio, alimenta-se dele próprio exigindo sempre mais “ter”! Que saída para essa quadratura do círculo, para esse não senso que alguns tentam erguer em novo paradigma querendo fazer-nos crer que é a única via para a resolução dos problemas da humanidade? Só há uma: inversão de marcha em direcção ao “ser”. Não é fácil, espera-nos muita frustração (tanto maior quanto menos “ser” houver...) e alguma satisfação sobretudo aquela de sabermos que, no mais íntimo do nosso ser, estamos no caminho certo, na única via para a criação da Paz e da Harmonia entre os seres humanos.

 

“Ser” é humanidade, consciência social, livre arbítrio, liberdade, igualdade, fraternidade, solidariedade, cultura, preocupação ambiental, ecumenismo, tolerância, aceitação e preocupação do outro... Este é o meu pensamento, a minha opção, o meu testamento. Não de um rato de sacristia!, mas de um cirurgião que muitas vezes teve vidas entre as mãos, de um operacional que percorreu o Mundo e de um homem que sabe perfeitamente como é a morte e que gostaria de a enfrentar olhos nos olhos com o mínimo de angústia e medo. Só e apenas isso. Tentar “ser”.

 

E se tentássemos todos?



publicado por Fernando Nobre às 13:41
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

Faço questão de republicar o texto que escrevi quando completei 56 anos (e que aqui publiquei depois, em Dezembro de 2008). Hoje celebro os meus 60 anos e continuo a sentir-me a viver este Outono da Vida.

 

 

Amor, Compaixão e Liberdade: vale a pena viver e lutar!

 

Não sei quanto tempo me resta de vida. Nenhum de nós sabe ao certo e é bom que assim seja. Quando temos 20 anos, pensamos ter a eternidade terrena e ainda bem! Temos então forças e sonhos, ou pensamos ter!, para mudar o Mundo, torná-lo muito melhor, se possível no paraíso reencontrado.

Não há então montanha inacessível, obstáculo inultrapassável, desafio impossível. Já tive 20 anos. Era de aço, dizia o meu Pai, e tinha muitos sonhos. Foi lindo. Pensava que nascíamos todos puros, ingénuos e bons. Magnífica primavera com miragens idílicas: teria o meu hospital no mato tal Albert Schweitzer!

Hoje, ao completar 56 anos, já não sou de aço, já não consigo ficar três dias sem dormir, sempre a trabalhar a olhar pelos meus doentes, como fazia nos hospitais de Bruxelas… Estou no Outono da minha vida e o Inverno vem a galope… Já não há eternidade terrena, já sonho menos, já só há efemeridade e bastante inquietude pelo estado do Mundo. Numa altura em que às vezes os filhos se afastam, estão no seu direito, em que a morte nos ceifa ou ameaça ceifar, amigos, familiares próximos… as interrogações nos tiram o sono… A nossa pequenez interpela-nos: ainda bem.

Vai-se alguma ingenuidade, fortalecem-se algumas certezas.

Assentadas as poeiras estéreis das vaidades, das importâncias e das ambições, só já a valsa das galáxias e o amor dos nossos entes mais queridos nos encantam. Já sabemos que não vamos endireitar o Mundo (de que enorme arrogância padecíamos!), mas sabemos algumas coisas. Sim, sei com a máxima certeza absoluta que vale a pena ainda continuar a viver e a lutar pelo Amor, pela Compaixão e pela Liberdade. Com Paixão. É indeclinável. Sem apelo.

Aos 56 anos, já tudo o resto é fútil, ilusão. Foi-se o aço mas ficou a certeza: não me acomodar com a insensibilidade, com a indiferença, com a falta de amor, de compaixão e de liberdade com que alguns nos querem prender… Envenenando-nos, envenenando-me.

Numa altura em que folhas secas já começaram a cair da minha árvore, levadas por um vento cada vez mais fresco, há meia dúzia de flores que se agarram ao meu tronco com a tenacidade da perenidade.

São as flores que me acompanharão até ao fim e que vos gostaria de oferecer neste final de ano com o desejo sincero que elas se incorporem no vosso tronco e nunca vos abandonem, estejam vocês onde estiverem e seja qual for a estação que estejam a viver.

Amor, compaixão, liberdade, sensibilidade, harmonia, tolerância. Vivam com elas, lutem por elas. Vale a pena. Eu vou fazê-lo. A AMI vai continuar a expandi-las. É em nome dessas flores que chamo filhos a todas as crianças do Mundo e amigos a todos os seres humanos. Já não consigo viver de outro modo.

É essa hoje a minha luta. É ela que me mantém ainda vivo. Afinal ainda tenho sonhos…

 

 



publicado por Fernando Nobre às 13:11
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

O texto que se segue foi proferido numa conferência, no dia 27 de Junho de 2010, por ocasião de uma iniciativa da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, denominada "Concelho de Estado" e que dedicou esta primeira edição ao Doutor Mário Soares, sua vida e obra.

Fui convidado para participar, dando a minha opinião sobre o futuro de Portugal.

 

Aqui fica, tal e qual foi escrito e dito no que ao futuro do nosso país diz respeito.

 

Como tudo poderia ser tão diferente se estes gritos tivessem sido ouvidos e entendidos e as soluções aqui preconizadas tivessem sido adoptadas e concretizadas...

 

 

Doutor Mário Soares,

Excelências,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Meus Amigos,

 

 

Ao falar do futuro de Portugal não posso, nem por um instante, não ter permanentemente em mente todos os portugueses, nos quais incluo todos os falantes da língua portuguesa, seus ascendentes e descendentes.

 

Portugal é uma Nação com quase nove séculos de história e é uma das poucas nações que marcou indelevelmente a história da Humanidade. Portugal é da dimensão do mundo!

 

O futuro de Portugal não é pois despiciendo! Importa assim, que o acautelemos desde já!

 

É bem verdade que atravessamos momentos muito difíceis mas também não é menos verdade que no nosso percurso histórico já atravessámos momentos semelhantes, ou até bem piores. E a verdade é que o povo português sempre encontrou força anímica, líderes, arte e engenho para encontrar soluções inteligentes, criativas, humanistas e positivas que permitiram a nossa caminhada colectiva enquanto nação até aos nossos dias.

 

Embora esse dado histórico alentador deva obstar ao derrotismo, ao pessimismo e ao fatalismo do momento, o que é facto é que Portugal se encontra hoje numa encruzilhada muito delicada que exige decisões e acções coerentes, urgentes e de médio a longo prazo que precisam de ter como base de sustentação o mais largo consenso nacional possível.

  

Se é verdade que a situação hoje é muito mais complexa porque enquadrada num contexto financeiro, económico, político e social mundial e europeu extremamente instável, e sobre o qual não temos talvez qualquer ou nenhum meio de intervenção, como factor extrínseco que está fora do nosso alcance, também é verdade que temos factores intrínsecos particularmente gravosos e sobre os quais podemos actuar a menos que aceitemos, de ânimo leve, perder a soberania que ainda nos resta.

 

Para mim é aqui que está o cerne da questão. Ou abdicamos e aceitamos ser a curto prazo uma espécie de protectorado da liderança europeia (entenda-se: Alemanha) ou reagimos já, combinando um plano de emergência nacional, de curtíssimo prazo, e um plano estratégico nacional de médio-longo prazo. Esses planos exigem consenso e o empenho da mais vasta plataforma nacional possível: partidos políticos, sindicatos, associações patronais, mundo associativo, mundo académico e cidadãos. Temos e devemos, quanto antes, alcançar, repito, um consenso nacional perante a eminência de uma gravíssima crise nacional. E, mais importante, ninguém pode ou poderá eximir-se dessa tarefa. Portugal precisa de trabalho e acção. Só com pura retórica não vamos lá!

 

Nós sabemos quais são os nossos problemas: dívida externa e juros da dívida incomportáveis, défice insustentável, desemprego desmoralizador, justiça pouco célere e não equitativa, administração pública pesada e não isenta, que já consome 14% do PIB e 30% das despesas públicas, sistema fiscal pouco incentivador, educação medíocre e que não premeia a excelência, falta de pontualidade, desrespeito por prazos e compromissos, falta de competitividade, salários baixos, dependência energética e alimentar francamente estrangulador, destruição do nosso tecido produtivo (agricultura, pescas…)… e despesismo excessivo do Estado e das famílias que há pelo menos duas décadas vivem largamente acima das suas possibilidades, recorrendo aos créditos fáceis e não se preocupando nada em constituir poupanças…

 

 

Chegou pois o momento de dizer BASTA com verdade e frontalidade. Permitam-me a metáfora: estamos com uma hérnia estrangulada e temos que a operar antes que surja a peritonite e a morte.

 

Como?

 

 

A – UM PLANO DE EMERGÊNCIA QUE IMPLIQUE:

 

1 - O corte nas despesas públicas a começar pelo encerramento imediato de centenas ou milhares de institutos e fundações públicas inúteis, salvo para os seus gestores, que só aprofundam o défice das nossas contas públicas.

 

2 - O terminar com certas parcerias público-privadas que têm penalizado gravemente o orçamento do Estado.

 

3 - A adopção de medidas moralizadoras nos salários, mordomias e reformas dos servidores de topo do Estado inclusive das empresas públicas.

 

4 - A racionalização dos meios utilizados em todos os serviços da Administração Pública, evitando desperdícios e duplicação de funções, sejam eles civis ou militares.

 

5 - A discriminação positiva do IVA e do IRS a fim de que os esforços dos cidadãos sejam equitativamente e proporcionalmente repartidos evitando penalizar a fracção mais pobre ou remediada da nossa população.

 

6 - O congelamento de todos os megaprojectos apostando os investimentos públicos no apoio às PME para a redinamização do nosso tecido produtivo (agricultura, pescas, energias limpas) e a reabilitação dos nossos centros históricos, monumentos e museus essenciais para a nossa atracção turística (Ásia/China).

 

 

B – UM PLANO ESTRATÉGICO DE MÉDIO A LONGO PRAZO (=DESÍGNIOS)

 

Deverão ser constituídos já grupos de trabalho com peritos das diferentes áreas estratégicas entendidas como “Desígnios ou Causas Nacionais” que permitam garantir a sustentabilidade da nossa Paz Social, do nosso Desenvolvimento e da nossa Democracia.

 

Esses peritos deverão ser reconhecidos e respeitados pela sua integridade e competência e ser nomeados pelos partidos políticos, sindicatos, associações patronais, associações cívicas, academias e universidades. Esses grupos de trabalho deveriam ter metas temporais para apresentarem as suas propostas de modo a atingir os objectivos pretendidos.

 

As áreas em análise deveriam ser quanto a mim:

 

  • A Segurança Social: deveria ter em conta a protecção dos mais desfavorecidos e criação das condições para uma distribuição equitativa da riqueza nacional entre os cidadãos e entre as regiões do País

 

  •  O Sistema Fiscal: justo, equitativo e incentivador.

 

  • A Educação: qualidade, rigor e excelência que prepare os portugueses para a cidadania e competência profissional.

 

  • A Saúde: qualidade tendo em atenção, sobretudo, os mais carenciados e uma classe média depauperada.

 

  • A Justiça: independente, imparcial e liberta de sujeições políticas.

 

  • A Economia: pautada pela iniciativa privada assente numa economia social de mercado atenta às necessidades das populações e aos direitos e deveres dos trabalhadores e na qual o Estado teria uma efectiva e célere função reguladora e fiscalizadora não se demitindo de participar e, se necessário, controlar pilares da economia essenciais para a soberania do Estado.

 

  • A Administração Pública: isenta e apartidária, ao serviço do povo e subordinada à competência e ao mérito nas nomeações.

 

  • O Sistema de Segurança Interna:que equacione ajustadamente as necessidades de protecção do Estado e das vítimas, observando os direitos, garantias e liberdades dos cidadãos.

 

  • A Alimentação, Energia e Ambiente: procura tanto quanto possível, da auto-suficiência alimentar e energética e sustentar sem falhas a preservação do nosso ambiente.

 

  • A nossa Zona marítima exclusiva: valorização e exploração integral da nossa área exclusiva (águas e subsolo).

 

  • O Espaço da língua e influência portuguesa: potenciar o nosso espaço a nível mundial com a afirmação da representação externa de Portugal e a exportação dos nossos produtos, serviços e cultura tendo em conta o formidável trunfo que constituem o universo dos falantes da língua e cultura portuguesa no Mundo e onde as nossas comunidades antigas e recentes são do maior relevo.

 

  • A Nossa Juventude ter uma atenção muito especial pois sem ela não há nem haverá futuro para Portugal.

 

  • A Preservação Ambiental: essencial para o futuro sustentável do nosso País.

 

 

Excelências,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Meus Amigos,

 

 

Acredito sinceramente num futuro próspero e sustentável para Portugal desde que saibamos criar sinergias e consensos entre nós e aceitemos TODOS sacrifícios proporcionais aos nossos meios num diálogo construtivo em prol da salvaguarda da soberania do nosso Estado. Já não há volta a dar. Chegou a hora de encarar a realidade. Possamos estar todos nós à altura das nossas responsabilidades enquanto cidadãos a fim de darmos a resposta que a situação da Nação clama e exige.

 

É tempo de marcharmos todos contra os novos canhões que nos atingem: o fatalismo, o chico-espertismo, a partidarite aguda, paralisante e sufocante, a corrupção, a irresponsabilidade, a incompetência, o laxismo. É tempo de aprender a premiar o esforço, o trabalho, o talento, o mérito, a competência, o espírito de sacrifício e valorizar o conhecimento, acabando com as nossas crónicas e destrutivas maledicência e inveja.

 

Portugal e os Portugueses merecem e querem ter um futuro condigno para que os Capitães de Abril e uma das insignes figuras do País, o Doutor Mário Soares, brilhem sempre na História de Portugal!

 

É este o meu desejo mais sincero.

É esta a minha visão para o futuro de Portugal. Exemplaridade e Esperança!

 

Muito obrigado!

 



publicado por Fernando Nobre às 12:45
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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

 

Chegado aos meus 60 anos, interventor e observador global há mais de três décadas, é com tristeza que constato que chegámos a um fim de ciclo. Se a Humanidade não reagir, como um todo que é - com coerência, ética e preocupação social - perante a crise que vivemos (e que deve ser entendida talvez como uma derradeira oportunidade), mergulhará num precipício e as guerras regressarão também ao continente europeu, mercê de um colapso ético, social, politico, económico e financeiro já evidentes.

 

Vivemos actualmente a quarta grande crise/oportunidade global dos últimos 22 anos. Se todas elas, e já desperdiçámos as três últimas, tivessem sido devidamente interpretadas e conducentes a um novo paradigma humano, individual e colectivo, com a correcta hierarquização das prioridades e valores, não teríamos chegado ao ponto de desnorte e aparente, porque desejada por alguns, impotência a que chegámos.

 

 A primeira grande crise/oportunidade recente deu-se em 1989 com a Queda do Muro de Berlim e o subsequente desmoronar do império soviético. Nesse ano deu-se também o massacre na Praça Tiananmen, em Pequim, na China. Os povos mostraram então que estavam sedentos de liberdade, entendimento e fraternidade humanos. Os decisores globais assim não entenderam.

 

Um novo mundo esteve então ao nosso alcance: poderia ter passado a ser mais ético, mais fraterno, com menos exclusão, melhor ambiente, menos alterações climáticas. O ocidente, e nós europeus também, em vez de estendermos uma união e uma mão fraterna aos povos russo e chinês, só reagimos em termos de xadrez geopolítico no sentido do poder e da hegemonia: quisemos esmagar a Rússia, esfomeando-a e humilhando-a e fizemos ouvidos de mercador aos gritos de Tiananmen. O mercado falou mais alto. Permitimos o fracasso da Cimeira do Rio em 1992, o genocídio no Ruanda em 1994 e a miséria no Congo, Somália…

 

A segunda grande crise/oportunidade global dos últimos 22 anos aconteceu dia 11-09-2001 em Nova Iorque (que presenciei ao vivo). A tragédia do 11-09-2001 (toda a gente já esqueceu o 11-09-1973 entre o médico Allende e o carniceiro Pinochet!) foi a manifestação brutal do ódio e da rejeição totais e de uma nova forma de terrorismo.

 

Sem pensar nas causas, o que nos deveria ter impelido a secar o pântano das misérias e das humilhações diárias que matam milhões de seres humanos, liderados por Bush, Rumsfeld, Cheney, Wolfowitz, Perle, Blair, Berlusconi e …. Barroso, fixámo-nos todos apenas no castigo, no petróleo e num terror sem fim. Esquecemos o verdadeiro desenvolvimento e aprofundámos o desentendimento. Deu-se o caos no Afeganistão* e no Iraque*…  e não ajudámos a resolver a situação entre Israel* e a Palestina*, a bem dos dois povos, dos dois Estados e do mundo. Há 10 anos que o impasse persiste e a situação parece fora de controlo.

 

A terceira crise/oportunidade perdida eclodiu em 2008 com a falência do Lehman Brother que pôs a nu os subprime e o sistema financeiro tipo casino. Num efémero despertar das consciências, ou talvez numa peça de teatro bem encenada, orquestrada e repleta de cinismo e hipocrisia, os decisores globais falaram de uma mais eficiente regulação e fiscalização, do controlo dos bónus obscenos e dos off-shores

 

Tudo palavras que o vento levou. Ficaram, segundo o Banco Mundial, mais duzentos milhões de pobres e uma profunda revolta e humilhação dos povos!

 

Sempre em crescendo e complementando-se, 1989, 2001, 2008, eis-nos em 2011-12, o fim de ciclo, a quarta crise/oportunidade. Talvez a derradeira crise que, se não for vista como derradeira oportunidade, nos poderá levar ao precipício, à falência do sistema, à implosão social e a novas guerras no prazo de uma década.

 

Já o disse e escrevi há vários anos, mercê de décadas de observação directa da questão humanitária, social e política no mundo: temos, não há quanto a mim volta a dar, de conseguir uma mudança de paradigma individual e colectivo que permita três coisas:

  1. Sobrepor a ética e os valores altruístas e humanos às questões sociais, questões sociais essas que devem sobrepor-se às questões políticas, as quais, por sua vez, se devem sobrepor às económicas que, por fim, se sobreporão às questões financeiras. Ou seja, uma ordem de valores diametralmente oposta à que vigora na sociedade actual.
  2. O estado e o mercado devem estar ao serviço do bem-estar e da felicidade dos cidadãos e não, como acontece hoje em dia, o estado e os cidadãos ao serviço do mercado, com a subsequente e permanente socialização dos prejuízos e privatização dos lucros! Tal não é aceitável nem sensato. Para isso precisamos de cidadãos activos, políticos e empresários esclarecidos, conscientes e determinados.
  3. Sinergias francas e totais de todos os centros de investigação do mundo a fim de conseguirmos os melhores resultados no espaço, no mar, na saúde, no ambiente, na alimentação……

 

Se tal não acontecer rapidamente o sistema financeiro desregulado nos conduzirá aos limites da desumanidade. Assim já o afirmava o Presidente Jefferson, por outras palavras, há mais de duzentos anos.

Se assim não for, e rapidamente, já não será possível sobrepor o optimismo da vontade ao pessimismo da razão!

Que cada um faça a sua opção. Eu tenho feito a minha e por isso travei todos os meus combates, sempre, em nome de uma Cidadania exigente e sempre ao serviço das pessoas e da Humanidade.

 

(Escrito em Dakar a 20 de Setembro de 2011)

   

*Poderia referir muitas outras situações. Essas vivi-as eu e muito me ensinaram.

 



publicado por Fernando Nobre às 19:56
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Uma vez que foi ontem votado, em reunião plenária, o parecer sobre a minha renúncia ao mandato de deputado, publico hoje a carta que enviei à Presidente da Assembleia da República, Dra. Assunção Esteves, na qual explico as razões da minha decisão.

 

 

Lisboa, 1 de Julho de 2011

 

Senhora Presidente da Assembleia da República,

Excelência,

 

Venho por esta via, com a máxima consideração e o total respeito pelos deputados eleitos e pela insubstituível função exercida pela Assembleia da República, como genuína casa da representatividade nacional na sua pluralidade e da Democracia portuguesa, apresentar a minha renúncia, a partir do dia de hoje, ao mandato de Deputado, eleito como independente e primeiro candidato da lista do Partido Social Democrático pelo círculo de Lisboa, para a XII Legislatura que teve início a 20 de Junho de 2011.

 

Independentemente da grande honra que é ser deputado, decidi em consciência que, perante os grandes desafios sociais que teremos de enfrentar e viver no futuro próximo, serei mais útil na acção, no terreno, ajudando os Portugueses mais afectados pela crise e desprotegidos a combater a miséria, a exclusão social e a injustiça, promovendo a dignidade e a esperança entre os mais pobres, voltando à minha actividade de mais de trinta anos de intervenção cívica, humanitária e de ajuda ao desenvolvimento em Portugal e no Mundo, no quadro dos Médecins Sans Frontières e da Fundação AMI, instituição que tive a honra de fundar em 1984 e a que presido.

 

É nessa área, e diante dos tempos duros que nos esperam de real emergência social, que a minha experiência, o meu empenho e o meu trabalho melhor poderão servir o País na resolução dos problemas concretos de pessoas concretas.

 

Nesse sentido, ao longo de mais de três décadas, creio ter ajudado a prestigiar Portugal no Mundo e contribuído para a diminuição das desigualdades e exclusão social no nosso País.

 

O Parlamento é a Casa da Democracia e os partidos políticos os seus pilares insubstituíveis e incontornáveis. Estou certo que chegará um dia em que o reconhecimento da pluralidade de modelos de representação política aclamará o Parlamento também como a Casa da Cidadania.

Quero também deixar expresso, nesta minha carta de renúncia ao mandato de deputado, o meu sentido respeito e a minha profunda amizade pela Excelentíssima Senhora Presidente da Assembleia da República, Dra. Assunção Esteves, e a minha elevada consideração pelas  Senhoras Deputadas e pelos Senhores Deputados eleitos.  É com alguma tristeza que me afasto das funções de recém-eleito deputado, mas estou certo e ciente de que serei, como já referi, mais útil aos portugueses, a Portugal e ao Mundo na acção cívica e humanitária que constitui a minha marca identitária.

 

Quero aqui expressar o meu mais sentido agradecimento ao Senhor Presidente do Partido Social Democrata, Dr. Pedro Passos Coelho, pelo desafio que me lançou para encabeçar a lista de Deputados pelo Círculo de Lisboa e pela honra que me deu o grupo parlamentar do PSD, como partido vencedor das últimas eleições legislativas, ao propor-me, como cidadão independente e oriundo da Sociedade Civil, como primeiro candidato do Partido Social Democrata a Presidente da Assembleia da República.

 

Travar esta batalha ao lado do Senhor Dr. Pedro Passos Coelho e da grande maioria do PSD constituiu um enorme desafio que muito me orgulha e uma imensa honra. O Senhor Dr. Pedro Passos Coelho e a maioria do grupo parlamentar do PSD tiveram sempre para comigo uma atitude de grande estímulo e apreço. Tentei retribuir dando toda a minha energia, disponibilidade e genuíno empenhamento.

 

Pressinto no Senhor Dr. Pedro Passos Coelho, nosso mui digno Primeiro-Ministro, a inteligência determinada, a coragem, o bom senso e o sentido de Estado necessários para resgatar Portugal do caos económico, político e social, irresponsavelmente por outros criado.

 

Acredito também que a Assembleia da República, por si tão dignamente presidida, dará um significativo contributo para o futuro positivo de Portugal.

 

Por fim, quero agradecer, uma vez mais, aos Deputados do PSD pelo Círculo de Lisboa, e em particular à JSD, que me acompanharam, apoiaram e defenderam, durante toda a campanha. O sucesso eleitoral do PSD no Círculo de Lisboa, que tive a honra de encabeçar, deveu-se a uma equipa de gente extraordinária, generosa, e de coragem. Guardá-los-ei sempre nas minhas mais gratas recordações. 

 

Às Senhoras Deputadas e aos Senhores Deputados, as minhas sinceras saudações e o desejo de grande êxito para o exercício do seu mandato.

Estou seguro de que todos nós, independentemente do lugar onde exerceremos o nosso dever de cidadania, saberemos cumprir as nossas responsabilidades e responder com honra aos desafios do nosso tempo e de Portugal.

Com os meus respeitosos cumprimentos,

  

Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre

 

 



publicado por Fernando Nobre às 18:44
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Terça-feira, 3 de Maio de 2011

Senhor Presidente do Partido Social Democrata, Dr. Pedro Passos Coelho

Senhores Dirigentes dos TSD,

Caras Amigas, Caros Amigos,

 

É com satisfação que estou aqui, neste encontro com os Trabalhadores Social-Democratas, especialmente num dia com tanto significado como é o Dia do Trabalhador. Faço-o na qualidade de cabeça-de-lista dos candidatos do PSD pelo distrito de Lisboa.

 

Mas faço-o, também, porque sempre vi no Trabalho com salário justo, o elemento essencial para a dignificação do ser humano. 

 

Aceitei o desafio proposto pelo Dr. Pedro Passos Coelho, motivado apenas por uma ideia simples mas poderosa: a de que poderia ter um pequeno papel na construção de um Portugal melhor.

 

Por isso, estou aqui para partilhar convosco algumas preocupações mas também confiança e esperança.

 

Nos tempos que vivemos, e muito concretamente neste Primeiro de Maio de 2011, falar do Dia do Trabalhador é falar dos trabalhadores que não têm trabalho.

 

É falar dos 620 mil portugueses – homens, mulheres e jovens – que querem trabalhar e não têm trabalho e, por isso, não têm nenhuma razão para festejar.

 

 

Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos, e dos 620 mil desempregados, 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses, e uma percentagem muito significativa já não tem sequer qualquer subsídio de desemprego.

 

É falar dos milhares de famílias portuguesas que vivem situações precárias, e por vezes mesmo dramáticas, dia após dia, mês após mês e ano após ano, com filhos para educar, filhos para alimentar, numa incrível luta pela sobrevivência e pela dignidade, situações que, a mim, me tocam especialmente fundo - porque sou alguém particularmente atento às questões sociais e humanas e porque pensava já não ser possível voltar a encontrar estes cenários no meu País.

 

Também é falar dos milhares e milhares de jovens sem emprego, cuja taxa é assombrosamente alta nesta faixa da população, acima dos 21%.

 

Jovens recém-formados que não conseguem inserir-se no mundo do trabalho, ou que o fazem em áreas que nada têm a ver com as suas formações e qualificações.

 

Jovens que, cada vez mais, encontram no estrangeiro as oportunidades de carreira e de futuro que o seu País lhes nega, o que constitui uma perda irreparável de força e de talentos cuja pesada factura iremos pagar mais tarde, se não formos capazes de inverter esta nova e preocupante tendência de emigração: Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE e temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos, uma emigração que, pela primeira vez, está a afectar directamente o distrito de Lisboa, algo inédito na nossa história.

 

Isso são factos, e contra factos não há argumentos. Só pode haver políticas adequadas e acção urgente.

 

 

O desemprego é hoje uma das maiores chagas sociais em Portugal. E é também, convém não esquecermos, uma das marcas mais profundas do  insucesso das politicas erradas dos últimos anos. O fracasso de um governo  que antes das ultimas eleições prometeu criar 150 mil empregos, e que em vez disso, o que tem para apresentar aos portugueses é a destruição de mais de 211 mil postos de trabalho.

 

Esta semana, ficámos a conhecer o programa com que a actual liderança do Partido Socialista quer convencer os portugueses de que este ainda é o seu tempo.

 

Não nos espanta que não haja uma palavra sobre os 620 mil desempregados, nem nos espanta que não haja uma ideia nova para reverter esta situação.

 

E não nos espanta, porque simplesmente, a actual liderança do partido Socialista falhou estrondosamente, capitulou e por isso o seu tempo chegou ao fim.

 

A actual liderança socialista quer que o país fale a uma só voz, a voz dela entenda-se, e pela voz dela não existem 620 mil portugueses sem trabalho.

Segundo dizia Einstein, e cito de memória, “com os mesmos homens, com as mesmas ideias e com as mesmas metodologias, chega-se sempre aos mesmos resultados”. Por isso, precisamos urgentemente de mulheres e homens novos, de ideias novas, de abordagens novas e de acções novas.

 

E é também por isso que estou aqui. A minha voz não se submete à ilusão, à fantasia, e à camuflagem cínica da realidade.

Pior do que cometer erros é neles persistir e não os assumir.

Quem assim age não é digno da confiança dos portugueses, nem merece estar à frente dos destinos do País.

 

Chegou o momento das grandes opções e decisões pelos portugueses e por Portugal. Aqui e agora, a minha voz solta o grito da cidadania,  em nome dos que estão inconformados e revoltados com o estado a que o País chegou por culpa da actual liderança.

Por isso dou a minha voz à necessária força da mudança.

 

Minhas amigas e meus amigos, esta é a hora de mudar. É a hora de cada um de nós assumir as suas responsabilidades: as passadas e as futuras. É a hora de encararmos a realidade. É a hora dos portugueses reconquistarem o direito à verdade, à confiança e à esperança.

E esta mudança também tem um rosto e um nome: Pedro Passos Coelho.

 

Um homem com uma visão para Portugal, o único que não tem qualquer responsabilidade política directa destes últimos seis anos de desnorte e desvario e também por isso, o único com capacidade para liderar o País nestas circunstâncias tão difíceis e tão duras, o único capaz de devolver a confiança e a esperança a um País que está desmoralizado e descrente.

 

É pelo Dr. Pedro Passos Coelho que também estou aqui hoje. Por ser um homem com visão de Estado, por ser um homem de coragem, coerente, digno e íntegro e por ser um homem com marcadas convicções e preocupações sociais.

 

O combate ao desemprego e à precariedade que assola muito dos trabalhadores portugueses está, por isso, no centro das nossas preocupações. Ao contrário de outros, não fingimos que esse problema não existe nem lhe viramos as costas.

 

O combate ao desemprego, é uma emergência a que todos devemos acudir e uma causa nacional que todos temos de abraçar. Não com medidas que nunca saem do papel ou que nunca têm o efeito desejado. Mas com políticas sérias e realistas. Com as reformas necessárias e inadiáveis que é preciso fazer, em diálogo e em concertação com os sindicatos, o sector empresarial e a sociedade civil.

 

Para a economia crescer e prosperar, e ela tem de crescer e prosperar para termos políticas sociais dignas e sustentáveis, é preciso o envolvimento de todos os cidadãos.

 

Necessitamos de empresas bem sucedidas. No entanto, não há empresas bem sucedidas sem trabalhadores motivados e empenhados. Mas para termos trabalhadores motivados e empenhados, precisamos de exemplaridade por parte das lideranças, dando o exemplo da transparência e do mérito.

 

Minhas amigas e meus amigos, nunca podemos perder de vista que 620 mil desempregados não são apenas um número, não são simples estatística, não são um mero indicador económico. São portugueses, são pessoas, são cidadãos de pleno direito, como qualquer um de nós nesta sala.

 

Todos temos interesse em assegurar que o mercado seja eficaz e transparente, que recompense aqueles que são honestos e não os que são capazes de iludir o sistema.

Se os últimos meses nos ensinaram alguma coisa, foi que todos sofrem por causa do excesso de alguns. Os portugueses já pagaram que chegue. Chegou a vez do Estado cortar nas suas excessivas gorduras. Um Estado eficaz, “elegante”, transparente, regulador e fiscalizador também é essencial para políticas sociais sustentáveis.

 

Esta também é uma luta para refazer a esperança.

 

A esperança de que, com as políticas certas, os portugueses serão capazes de arranjar trabalho com um salário justo, terão cuidados de saúde acessíveis e de qualidade quando ficarem doentes, poderão educar os filhos, e que no fim de uma vida inteira de trabalho árduo, vão poder reformar-se com segurança e tranquilidade.

 

São esperanças comuns e básicas e encontram-se no centro da luta pela dignidade e humanidade.

 

Este é o tempo de agir! É altura de virar a página! É altura de escrevermos todos um novo capítulo feito de verdade, de justiça, de confiança, de esperança e com futuro, a bem dos trabalhadores portugueses, de todos os portugueses e de Portugal.

 

Convosco, todos juntos com o Dr. Pedro Passos Coelho, vamos conseguir!

 

Muito obrigado!



publicado por Fernando Nobre às 20:48
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011

Decidi hoje escrever este texto por respeito às pessoas verdadeiramente livres e independentes que, tendo ou não votado em mim nas últimas eleições, não compreendem a minha mais recente decisão e se sentem, de certa forma, defraudadas ou desiludidas. Não incluo assim, nos destinatários destas palavras, aqueles que, orquestrada, sistemática e militantemente, agora me insultam, a mim e à instituição que dirijo, revelando uma intolerância inaceitável em democracia.

A minha decisão pessoal de aceitar o desafio que o Dr. Pedro Passo Coelho me lançou foi fruto de uma profunda reflexão e foi, acreditem, dificílima. Sabia o que me esperava caso aceitasse, mas também sabia que tinha a possibilidade de poder fazer algo de concreto pelo meu país. E a minha decisão foi essa: a de não ficar nos bastidores, mas antes assumir a minha missão em nome de Portugal.

Só quem não age, é que não é criticado. E eu ajo e agirei sempre que a minha consciência me ditar.

Sei que muita gente considera que “desperdicei” os quase 600 000 votos que tive em Janeiro. Não concordo. Eu apresentei um conjunto de ideias e elas “valeram” o voto de confiança de quase 600 000 pessoas. As eleições são isso mesmo: apresentação de projectos e sua submissão ao eleitorado. Mas não me considerei, desde então, a voz dessas pessoas. Sempre afirmei que só era dono do meu voto.

Se alguns daqueles que confiaram no meu projecto para a Presidência da República o acham incompatível com o desafio que decidi agora abraçar, eu afirmo que não é. A intenção foi, é e continuará a ser melhorar Portugal. O objectivo foi, é e continuará a ser poder fazer, poder concretizar. Os tempos que vivemos são duros. São difíceis e conturbados. Pouco haverá a fazer para minimizar o impacto que os próximos anos terão na vida dos Portugueses. Mas ainda há espaço de manobra. E eu decidi, em consciência, estar presente e contribuir com as minhas ideias, os meus ideais e valores, para, naquilo que puder, tentar minimizar esse impacto. Quem critica tem que estar disponível para deitar mãos à obra. Criticar é disponibilizarmo-nos para participar na mudança.

Eu critiquei. Não podia assim, quando alguém (que sabe o que penso, o que defendo e quem sou) me desafia a deitar mãos à obra, dizer não. Ou melhor, podia, mas estaria a ser cobarde e, aí sim, incoerente comigo próprio. Se critico é porque acho que é possível fazer melhor. Achar que é possível fazer melhor e ficar sentado é cobardia. É desonestidade. É desinteresse. É incoerência.

Quem me lançou este desafio sabe que sou independente. E aceitou respeitar essa independência. E eu aceitei estar ao seu lado, nos tempos mais próximos. E ajudar a que este país seja mais justo e socialmente mais equilibrado. O Dr. Passos Coelho decidiu dar uma continuidade àquele que tem vindo a ser um sinal do eleitorado: vontade de ver cidadãos independentes com poder para agir. Corajosa, esta opção. A sua prossecução é difícil, mas exequível. O debate político não se esgota nos rótulos de direita ou de esquerda. O exercício da política é mais: é principalmente honestidade, abnegação, exemplaridade, rigor, transparência e sentido de Estado. Sempre o disse.

Gostaria que aqueles que hoje se sentem zangados, tristes, desiludidos e até traídos, se dessem ao trabalho de me ver agir. Não estou a pedir votos. Estou a afirmar que, se tiver oportunidade, farei a diferença e que, disso, ninguém duvide! Mas tal, só o tempo poderá demonstrar…

Duas notas apenas:

1 – Este blog nunca publicou e nunca publicará comentários com vocabulário desapropriado. Muitos têm sido os posts aqui publicados que geraram controvérsia. E sempre todos os comentários foram publicados, desde que argumentados e educados. Nunca insultei ninguém. Liberdade de expressão não é poder insultar. É poder exprimir opiniões.

2 – Lamento que a AMI esteja a ser alvo de uma campanha suja, para denegrir a sua imagem. A quantidade de pessoas que esta instituição ajuda, diariamente, é merecedora de um pouco mais de respeito, assim como a equipa de mais de 200 pessoas e muitas centenas de voluntários que trabalham, afincadamente, para o bem comum. Um puro acto de egoísmo este o de alguém que prefere, para atingir os seus fins, não olhar à quantidade de pessoas que pode estar a prejudicar… Intolerável e inaceitável!

 

 



publicado por Fernando Nobre às 20:15
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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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