Apesar de este blog servir para expressar o que sinto e penso como cidadão livre que sou (e não me sentindo, neste espaço, "apenas" o Presidente da AMI), vou usa-lo para convosco partilhar um desejo meu: encontrar-vos no evento referido aqui e celebrar, convosco ao meu lado, os 25 anos da AMI, que é como quem diz, grande parte dos últimos 25 anos da minha vida.
São 25 anos de concretização de um sonho, que está ainda longe de estar realizado.
Tanto e tão pouco...
É com muito gosto que convido todos os leitores deste blog a estarem presentes nos dois momentos que a seguir enuncio:
Dia 23 de Novembro, na FNAC do Chiado, às 18h30 - Lançamento do meu segundo livro de histórias infantis "Mais Histórias que contei aos Meus Filhos" - Oficina do Livro/Leya
Apresenta Sofia Sá da Bandeira.

Dia 3 de Dezembro, na Sala Algarve da Sociedade de Geografia de Lisboa, às 18h30 - Lançamento do livro "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária" - Temas e Debates/Círculo de Leitores
Apresenta a Dra. Teresa Patrício Gouveia.

Muito me honraria a presença daqueles que, afinal de contas, são os leitores mais assíduos das linhas que escrevo.
Poderá parecer estranho a muitos, e em particular a quem me julga conhecer, que eu me debruce, mesmo que sucinta e superficialmente, sobre um tema difícil, sensível, para alguns esotérico ou nebuloso até.
Eu, médico, especialista em cirurgia e em urologia, que participei em tantas missões humanitárias concretas, na tentativa quantas vezes infrutífera e inglória de salvar umas vidas. Eu, o homem com os pés bem enraizados no solo terreno, porque se assim não fosse não teria sobrevivido sem enlouquecer, de tanto ter convivido com o sofrimento alheio, e até com o meu, o que tenho eu a ver com a espiritualidade e até mesmo com a religiosidade?
Mas tudo! Nunca poderia ter feito o pouco que fiz se não tivesse os pés bem enterrados e simultaneamente a cabeça, nas “nuvens”! Foi porque permanentemente me interroguei sobre a minha própria essência e sobre a razão profunda de ser da minha efémera existência, que sempre levantei os olhos para os meus semelhantes e para o “céu” à procura de explicações e, porque não dizê-lo, de consolo.
À eterna questão que sempre se me colocou com particular acuidade, “de onde venho e para onde vou”, questão eterna que desde tempos imemoriais o ser humano racional se coloca (ainda há uns anos a vi gravada no México numa estela Olmeca do século VIII d.C.), a pouco e pouco fui encontrando resposta no contacto com outros povos, outras culturas e com alguns violentos embates que a vida, geralmente generosa para comigo, me foi reservando.
Hoje sei (é das poucas certezas que tenho nesta fase outonal da minha passagem terrena) que a razão de ser da minha existência é - sortudo que fui em nascer com o acesso ilimitado à cultura, ao conhecimento e aos outros povos – a de tentar dar o meu contributo para que os meus irmãos do mundo sofram menos e para que todos eles, assim como a minha mulher, meus filhos, familiares e amigos possam viver com dignidade e, se possível, contribuir um pouco para a sua felicidade.
Membro de uma cadeia fraterna sem fim, vinda de nenhures e a caminho da sua total plenitude e harmonia, eu, poeira infinitérrima, sou insubstituível, como todos vós, porque sou único e parcela dessa entidade que se convencionou apelidar de Deus ou de outros milhares de nomes. Sem mim, sem vós, sem todos nós em união, esse Deus está incompleto e possivelmente ferido de morte.
Para mim, é esse o sentido da Espiritualidade. Sem essa Força que move montanhas, continentes, planetas e galáxias, nada seria possível! Só Ela permitirá que ultrapassemos os nossos mortíferos egoísmo, indiferença, intolerância e ganância que tantos genocídios tem praticado entre nós, fazendo-nos compreender o seu completo “não senso”.
Só ela, a Espiritualidade, nos permitirá, com “os pés no chão e a mente no rodopio das galáxias” vencer os desafios globais que descrevo na primeira parte do presente livro e outras que venham a surgir e implementar as soluções esperançosas que descrevo na segunda parte, terminando pela mais esperançosa de todas: a Espiritualidade Global Fraterna.
Já tenho idade, vivências e conhecimentos acumulados suficientes para dizer exactamente o que penso, quando e onde entender, nomeadamente neste livro, sem insultar ninguém.
A Espiritualidade exige frontalidade com Amor. Pouco me importa o que as carpideiras disserem. A minha preocupação é deixar bem claro quais são as minhas opções de fundo e qual é a visão que eu tenho para o Mundo, o Universo e o meu País, Portugal. Esse é o meu Dever e o meu Direito mais sagrados de que não abdicarei jamais como ser livre e centelha divina que sou, à semelhança de todos vós.
Acredito que a verdadeira e bem entendida Espiritualidade nos conduz inevitavelmente para o valor mais sublime: a Solidariedade activa para com o nosso irmão mais infeliz, último nome de Amor.
Assim acredito. Assim tento e tentarei actuar até ao fim: com dignidade e coerência teimarei em dar o meu singelo contributo para que entendamos todos que o que está verdadeiramente em causa é uma imperiosa e profunda mudança do paradigma das relações entre os seres humanos. Se assim não for, nada será duradouro e as Crises suceder-se-ão com o seu infindável cortejo de sofrimento para muitas centenas de milhões de seres humanos.
Temos que apostar nos Valores Universais, tais como o Amor, a Ética, a Equidade, a Justiça, a Tolerância, o Perdão, a Solidariedade, a Fraternidade, a Dignidade, a Honra e o Civismo… sem os quais nada será possível, nomeadamente o restabelecimento da insubstituível e indispensável confiança entre os Cidadãos, o Estado e o Mercado. Isso também é Espiritualidade…
A recente atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Presidente Barack Obama causa-me, devo confessar, alguma perplexidade.
Tenho pelo Presidente Obama a maior consideração e deposito nele, como já o escrevi, uma enorme esperança no que concerne a concretização de políticas e acções globais que permitam uma real melhoria nas relações internacionais conducentes a uma evolução positiva da Humanidade.
Só pelo facto de ter sido eleito Presidente dos EUA e de ter conseguido travar a estapafúrdia e incompetente política da equipa do seu desastroso antecessor (cuja política belicosa, altamente mortífera para a convivência pacífica entre povos, civilizações e religiões, era sustentada no vício da mais descarada mentira, da mais despudorada e prepotente arrogância, com o apoio, diga-se, dos seus serventuários e apaniguados europeus, por uma ganância sem limites, por um catastrófico desprezo ambiental, por um permanente enxovalho dos Direitos Humanos mais elementares e por um unilateralismo perigoso e estéril que colocou o Mundo à beira de um precipício apocalíptico), constituiu um acto notável e o Presidente Obama seria sempre merecedor, só por isso, de ser futuramente galardoado com o Prémio Nobel da Paz.
Afirmadas estas minhas considerações e convicções, considero que a atribuição já este ano do Prémio Nobel da Paz ao Presidente Obama foi precipitada.
As excelentes e vitais disposições do Presidente Obama, homem de bem e de paz, estão ainda quase todas por concretizar e por validar ao escrutínio do tempo.
Se é incontestável que, graças à vontade e à dinâmica do Presidente Obama, constatamos hoje, o que é extraordinário, a existência de um clima mais sadio no nosso Planeta, na abordagem das questões globais e no relacionamento internacional (a luta contra a miséria, o tratamento das questões do continente africano, o combate às alterações climáticas, a limitação do armamento nuclear, o fim da provocação à Rússia com a decisão dos EUA em suspenderem a polémica instalação de mísseis nas fronteiras ocidentais da Rússia, o reforço dos contactos multilaterais, o respeito pelas Nações Unidas concretizado na postura, nos discursos e no pagamento das suas contribuições em atraso, o empenhamento na questão palestiniana, a tentativa de implementação de regras na especulação financeira e nas renumerações de certos gestores…) não é menos verdade que certas violações dos Direitos Humanos, assim como alguns desafios e ameaças globais, continuam e poderão agravar-se!
Concretamente: a persistência da inqualificável prisão de Guantanamo, pese embora a decisão do seu encerramento há quase nove meses, o quebra-cabeças iraquiano sem resolução à vista e de imprevisíveis negativas consequências, o lamaçal afegão com a já mais que previsível retomada de poder pelos talibãs devido a erros tácticos e estratégicos de palmatória, o impasse político e humano na crucial questão da Palestina, o latente e crescente confronto com o Irão devido ao seu programa nuclear (sem que ninguém, perante um silêncio ensurdecedor, se interrogue sobre se o programa nuclear de Israel assim como de outros países já detentores de arsenais atómicos estão a ser devidamente supervisionados e escrutinados, o que não acontece que se saiba, pela Agência Internacional de Energia Atómica! Quem decide, como tão bem se interroga o meu querido Amigo Professor Adriano Moreira, quais os estados “fiáveis” que podem ter a arma nuclear e os “não fiáveis” que não a podem ter?), as tremendas consequências das alterações climáticas (que resultados concretos sairão da conferência de Copenhaga em Dezembro próximo? Serão nulos se os países ricos não aceitarem modificar o seu paradigma de desenvolvimento, diminuindo drasticamente as suas emissões de CO2, permitindo assim que os BRIC e todos os outros países em desenvolvimento possam prosseguir com os seus planos de crescimento), …
É por tudo isso que sinceramente penso, sem qualquer desprimor para com um Ser Humano que admiro, que a atribuição do Prémio já este ano ao Presidente Obama foi prematura. Poderia ter esperado dois ou três anos para que o tempo permitisse ver a concretização de certas intenções!
Não obstante, percebo perfeitamente qual a mensagem que, com essa decisão muito política, o Comité do Nobel quis dar: Premiar desde já uma vontade notável no discurso e na postura (apesar do seu último discurso e do “ultimato” feito ao Irão…), pese embora ainda com poucos efeitos práticos concretizados nos desafios e ameaças que acima referi, e incentivar, pressionando, concretizações futuras e sustentáveis de Paz no Próximo e Médio Orientes, sem esquecer um empenho decisivo na luta contra a miséria e no combate às alterações climáticas, seguramente os maiores e mais urgentes desafios e ameaças para o nosso advir colectivo.
Faço sinceros votos para que tal se verifique. Tenha o Presidente Obama força, engenho e arte para “rasgar” as camisas de sete varas, os fortíssimos lóbis, capazes de imobilizar essas suas boas vontades! Refiro-me concretamente aos seguintes lóbis: o petrolífero, o armamentista e o que bloqueia qualquer solução para a insustentável questão palestiniana e para o imbróglio da questão nuclear iraniana, questões só ultrapassáveis com muito bom senso, equidade, paridade e determinação política inquebrantável.
Se assim conseguir, defendo que durante os próximos cinco anos o Prémio Nobel da Paz seja atribuído ao Presidente Obama. Senão temo muito que este Prémio Nobel da Paz não venha a encontrar a sua plena justificação, à semelhança do que aconteceu com vários outros no passado.
Aqui fica o último texto que escrevi para editorial da AMInotícias, distribuída na passada semana. Da Cidade do México, onde estou para a reunião anual do Departamento de Informação Pública das Nações Unidas com a Sociedade Civil, na qual faço questão de participar sempre (que este ano, com toda a pertinência, versa sobre o desarmamento - pela paz e pelo desenvolvimento), deixo uma nota pessoal: aceitei integrar a Comissão de Honra da recandidatura de António d'Orey Capucho à Autarquia de Cascais, uma vez que sou munícipe deste Concelho há 15 anos e me sinto, naturalmente, envolvido no futuro do Município. Mais uma vez, a minha decisão tem como única origem a minha consciência e única causa o que penso ser o meu dever de cidadão independente e livre.
O meu envolvimento em iniciativas relacionadas com eleições nacionais (legislativas ou autárquicas) fica, garantidamente, reduzido a esta opção, que, repito, é estritamente pessoal.
Só a partir de Galileu, pese embora a ortodoxia das cúpulas da Igreja Católica que insistiam na tese de Copérnico em ver não só o nosso Planeta como ponto central do nosso Sistema Solar, mas até de todo o Universo, a Humanidade começou a entender, progressivamente, que o nosso Planeta mais não era do que um dos corpos em movimento à volta da estrela Sol, como esta não era mais do que um dos centenas de milhar de pontos luminosos da nossa Galáxia Via Láctea e que esta mais não era do que uma das mais pequenas galáxias das centenas de milhar, ou milhões, de galáxias em perpétuo valsar no infinito Universo, em expansão (para onde… se ele já é infinito?) ou em contracção o que simplesmente ultrapassa o meu fraco entendimento de ser finito.
Agora uma coisa é certa: desde o Renascimento, em poucos míseros séculos à escala temporal universal, passámos, com o nosso Planeta, da centralidade do Universo para mais não sermos do que uma poeira insignificante e invisível que, qual neutrão, rodopia numa imensidão que nos ultrapassa.
Depois chegou-nos o conhecimento da esmagadora velocidade a que a luz se propaga (300.000 km/s) e os muitos milhares de anos-luz que separam a nossa estrela, o Sol, da mais próxima estrela, outro “Sol”, e do seu provável sistema planetário…
Com a teoria da Relatividade de Einstein e a sua celebérrima fórmula E= MC2 ficámos atarantados. Que energia será essa, onde estará ela, que permitirá impulsionar uma massa, por exemplo uma nave espacial, à velocidade da luz no espaço inter-estelar, inter-galáctico ou intersideral mesmo privado de gravidade, e mesmo assim levando milhares de anos até ao mais próximo sistema planetário eventual…. Evidentemente só à velocidade do pensamento poderíamos lá chegar…
Para já, com os nossos foguetões a atingirem uns míseros 30000 km/h… E tal impossibilidade de atingirmos outros sistemas solares, muito provavelmente perdurará para as próximas centenas, ou milhares, de anos, pese embora a evolução tecnológica fabulosa que se perspectiva. É verdade que muitas vezes, como não me canso de repetir, a realidade ultrapassa a ficção…
Foi então que os nossos cientistas se puseram a estudar com afinco o nosso próprio sistema solar, uma vez descartadas as míticas aventuras dos marcianos e outros venusianos, para ver onde, ainda que com múltiplas adaptações (Gravidade, O2, Água, Temperatura, Luz…), as nossas espécies vivas, incluindo a humana, poderiam instalar-se e sobreviver caso a vida se tornasse impossível no nosso Planeta.
Entretanto nós, portugueses, tínhamos iniciado, com as descobertas e os achamentos, a grande aventura da globalização do Planeta que, com a evolução tecnológica, hoje é um facto irreversível: nos anos 60 do século XX foi lançado o conceito de “Aldeia Global”…
Com a sedentarização, a melhoria da alimentação, das normas de higiene e os progressos da medicina preventiva e curativa, a explosão demográfica aconteceu. Se em 1900, desde o início da humanidade com as cidades sumérias e mesopotâmicas há uns 10 mil anos, só éramos 1000 milhões de habitantes no planeta, em 1921, quando a minha Mãe nasceu, já éramos uns 2000 milhões e em 1951, quando eu nasci, passámos a ser 3000 milhões. Hoje, já ultrapassámos os 6000 milhões a consumir cada vez mais e a esgotar os recursos do planeta (fontes minerais, energéticas, mares, solos…) e a poluir o ar (atmosfera), os rios e oceanos (hidrosfera) a explorar a terra (fontes minerais, energéticas, solos…) e a arruinar a nossa biodiversidade.
Estes números querem dizer apenas isto: desde o ano em que a minha querida Mãe nasceu a população do Planeta mais do que triplicou e desde que eu nasci mais do que duplicou, com o consumo a disparar tanto na vertente alimentar - mais carne (o que consome muito mais energia para a sua produção: no mínimo 6 vezes mais do que os cereais para o mesmo número de calorias), mais carros, mais televisões, mais computadores, mais telemóveis, mais i-pods…
Tornou-se então necessário, indispensável, calcular a pegada das pessoas, empresas e nações (consumo e subsequente produção do nocivo CO2) para chegar à impossível conclusão, a presente quadratura do círculo: o Planeta não aguenta mais! Tanto mais que os povos dos países emergentes e os outros prosseguirão as suas ambições, estão no seu mais estrito direito, de quererem adoptar o nosso modo de vida e consumo…
Pese embora os vários alertas que os cientistas e os ambientalistas foram dando, sobretudo com o grande grito que foi a Cimeira do Rio, em 1992, e o subsequente Protocolo de Quioto, até à Cimeira de Bali, em 2008, os resultados práticos são manifestamente timoratos e por isso francamente insuficientes.
Perante isto, os grandes centros credíveis de investigação científica mundiais tal como o CNRS (Centre National de Recherche Scientifique) em França, cuja seriedade melhor conheço, devido à minha formação francófona, já estão a elaborar estudos concretos quanto à necessidade e possível viabilidade da evacuação dos habitantes do Planeta Terra, num período de 100 a 300 anos. Calcula-se que será possível evacuar um máximo de um milhão de pessoas (será difícil incluir um português a menos que entre disfarçado de norte-americano ou chinês…), para os únicos três lugares possíveis do nosso sistema planetário: a Lua, Marte e uma lua de Júpiter chamada Europa… E mesmo assim talvez antes se revele indispensável ir-se viver para o fundo dos Oceanos…
Pois bem, é perante esta situação bem real, que já não é de ficção, que têm surgido acções extremamente pertinentes e louváveis como o Projecto 350.org liderado por Bill McKibben, um movimento de cidadania global para alertar e combater o problema do aquecimento global e o movimento “Condomínio da Terra”, de que me orgulho ser um dos Embaixadores.
O movimento “Condomínio da Terra” www.condominiodaterra.org deu o seu verdadeiro pontapé de saída na cidade de Gaia, nome da deusa Terra, na mitologia grega, dia 4 e 5 de Julho de 2009 e contou com a participação de nacionais, nos quais me incluí, e estrangeiros, que se preocupam seriamente com o advir do nosso planeta.
Este projecto, coordenado pelo Dr. Paulo Magalhães, honra lhe seja feita pelo extraordinário mérito da iniciativa, conta com os patrocínios da Quercus, Comissão Nacional da UNESCO, Câmara Municipal de Gaia e outras entidades públicas e empresas cidadãs que felizmente entenderam a positiva mensagem e acção que esse movimento pretende concretizar: a nossa Terra como condomínio global que, à semelhança de qualquer imóvel, tem áreas comuns, de que todos são co-responsáveis pela conservação e preservação. No caso da Terra: a Atmosfera, a Hidrosfera e a Biodiversidade! Simples, não? Mas genial e com muito para fazer. Esta esperança só será concretizável, e é imperativo que o seja rapidamente, com a empenhada e inequívoca participação dos 3 pilares das Nações e Estados do Mundo! Vamos a isso: não há tempo para mais delongas… É de projectos inovadores e esperançosos como este que precisamos todos e por eles temos o dever de nos empolgar!
O Planeta Terra assim o exige.
Porque, sei-o bem, uma imagem vale mais que mil palavras, deixo-vos uma pequena selecção de fotografias da autoria de Isabel Nobre, minha filha.
Talvez assim o meu grito tenha mais força.
Meus amigos,
Após uma longa ausência, devida à escrita de dois livros que serão publicados este ano (um de análise sobre os desafios e esperanças no Mundo e outro de histórias infantis), às múltiplas tarefas na AMI, conferências, aulas e ausências do país, estou de regresso antes de partir de férias, como marido e pai, em deambulações por este lindo Portugal (Beira Baixa e sobretudo Douro e Minho, onde estão, há muitos séculos, as minhas raízes paternas).
Mas antes de me ausentar para descansar, olhar, ler e ser marido e pai quase a tempo inteiro, quero deixar aqui algumas reflexões sobre o que vi durante a minha última estadia no Bangladesh, que terminou há dias. Nos últimos dez anos, foi a terceira vez que fui ao Bangladesh, cuja capital Dhaka (floresta) foi fundada por padres portugueses no sec. XVII e onde ainda hoje continuam a morrer habitantes, de uma minoria católica, com apelidos portugueses: Albergaria, Soares, Costa…
O Golfo de Bengala, onde desagua o delta do Rio Ganges, foi, inclusivamente, uma área muito frequentada pelas nossas caravelas, na sua epopeia pelo Oceano Índico. Desta vez fui ao Bangladesh acompanhado, pelo meu irmão José Luís, excelente operacional logístico que me acompanha há 15 anos nas missões mais difíceis e, raríssimo, pela minha filha Isabel, antropóloga e fotógrafa, que decidiu seguir-me pelos caminhos do Mundo.
O objectivo desta viagem foi o de contactar uma ONG local em Jessore, uns 280Km para sul de Dhaka, para financiarmos projectos que aprovei, nas áreas da saúde e educação, e tomar contacto com a realidade das tragédias repetitivas que ocorrem no delta do Ganges.
O Bangladesh, com cerca de 150 000Km2 (1,5 vezes Portugal) tem uma população de cerca de 150 milhões de pessoas (15 vezes Portugal) e autonomizou-se do Paquistão com a ajuda militar da Índia em 1971 deixando então de ser o “Paquistão Oriental” que nada tinha a ver com o “Paquistão Ocidental”, actual Paquistão, a não ser o islamismo.
Os bengalis do Bangladesh são o mesmo povo que habita o estado indiano do West Bengal, que tem como capital Calcutá, onde já estive muitas vezes. Com a densidade populacional que tem (é como se Portugal tivesse 100 milhões de habitantes), qualquer tragédia climática, como tem acontecido em crescendo nas últimas duas décadas no delta do Ganges (maioritariamente situado no Bangladesh), afecta centenas de milhares ou milhões de pessoas nesse país. Até há duas ou três décadas havia, em média, um ciclone que fustigava o Golfo de Bengal com efeitos temíveis no delta do Ganges, todos os 7 a 10 anos.
Desde 1991 (ano em que um ciclone matou nesse delta mais de 200 000 pessoas) que os ciclones, como os furacões no Golfo do México, mercê das gravíssimas e aceleradas alterações climáticas em curso, fustigam o Golfo de Bengala, 2 a 3 vezes por ano. O último foi em Maio do corrente ano e foi isso que me levou aos dois distritos de delta (Satkhira e Khulna). Foram dias intensos de carro, estradas perigosíssimas com autocarros bailarinos lançados que nem mísseis, de travessias de jangadas, de barcos, de canoas…
O delta continua gravemente submerso, afectando profundamente a vida de muitas dezenas de milhares de pessoas que vivem em situações de insalubridade e de precariedade inimagináveis, amontoados em tugúrios, frágeis e instáveis, ao longo dos caminhos-estradas, os pontos mais altos que circundam os campos, hoje imensos lagos ou mares… As latrinas, múltiplas, à beira das águas correm directamente para as mesmas, salobras e extremamente poluídas mas de onde se bebe…
Não espanta que 80% das enfermidades tenham a ver com essa água infecta! Essas populações precisam de tudo embora ainda alguns consigam apanhar uns peixitos, que comem, e alguns camarões para venda. Precisam de água potável, comida, assistência médica, abrigos, saneamento básico (latrinas estanques) embora o espaço para tal seja milimétrico… Como sempre os três elos mais fracos dessa cadeia humana, toda flagelada, são as crianças, as mulheres, os idosos… seres humanos como nós!... caso alguém tenha esquecido, ou finja não ver, que eles são seres humanos como nós…
Perante tudo o que vi, e após conversas com as autoridades locais das comunidades afectadas em Satkhira, decidi que a AMI vai financiar a construção e apetrecho (equipamento, medicamentos, médico e enfermeiro locais) de um hospital rural com 10 camas, no ponto mais alto possível e com estrutura para resistir a cheias e furacões, e a sanitação (clorificação da água e latrinas). É pouco, mas é o que podemos fazer. Para os pseudo-cientistas, sem ética nem coluna vertebral, que insistem em dizer e escrever que as alterações climáticas são um mito proponho-lhes, se tiverem coragem, uma viagem ao delta do Ganges no Bangladesh.
O futuro será bem pior: degelo progressivo também dos Himalaias (origem do Ganges, Rio Amarelo…) e subida do nível das águas dos oceanos… Ainda mais dramático: centenas de milhões de pessoas serão afectadas ou mortas, em regiões e países densamente povoados e financeira e tecnologicamente frágeis, que não podem já construir os diques, como os meus familiares holandeses…
Desculpem-me: vou continuar a gritar!
Até breve!
PS: Para aqueles que ainda me enviam cartas com impropérios, porque aceitei ser o mandatário nacional do BE ao Parlamento Europeu, dou um conselho: não percam o vosso tempo. Os sectários, donos da verdade e dos julgamentos maniqueístas não mudarão o meu pensamento. É-me grato reconhecer que a maioria assim não é. O Concelho de Gaia, presidido pelo meu amigo e colega Dr. Luís Felipe Menezes, demonstrou a sua tolerância, por unanimidade, ao me concederem a Medalha de Honra e a Cidadania Honorária. Foi a decisão, cidadã, que muito me honrou. Não luto por medalhas. Senão adoptava o discurso politicamente correcto… Abraço!
As instituições da Sociedade Civil não estão lançadas na conquista do poder - conceito cada vez mais ilusório, efémero, diluído, relativo e pouco substantivo no mundo actual - mas estão, sim, empenhadas numa cruzada pelo reconhecimento sem ambiguidades da utilidade e mesmo da indispensabilidade de uma sociedade civil organizada, forte, credível, transparente, participativa, exigente, frontal, coerente, empreendedora, activa e atenta, em Portugal como no resto do Mundo.
De facto, a implicação sistemática da Sociedade Civil organizada nos processos de decisão de assuntos que dizem respeito à vida dos cidadãos, é decisiva, se quisermos um Portugal, uma Europa e um Mundo aberto e democrático que, efectivamente, pretenda, e talvez consiga, erradicar a pobreza e promover um desenvolvimento sustentado e durável para todos.
É este, hoje, o novo paradigma de sociedade pelo qual lutamos democraticamente pois estamos perfeitamente conscientes e convictos de que, sem uma Sociedade Civil atenta e participativa, não há Cidadania plena, não há Democracia duradoira, não há Desenvolvimento harmonioso.
Disso também as Nações Unidas estão cientes quando tentam incentivar e implementar o conceito de “Diplomacia Democrática” que mais não é do que o indispensável diálogo activo e construtivo entre Sociedade Civil, Governos e Nações Unidas, na expectativa de que as decisões tomadas, nomeadamente nas Assembleias Gerais, sejam seguidas de implementação e não se acumulem em arquivadas e inúteis resmas legislativas que só contribuem para a Globalização Armadilhada em curso.
Pessoalmente e em nome da AMI, creio sinceramente que só uma Sociedade Civil forte, politicamente independente e, por isso, obrigatoriamente, financeiramente independente, pode fazer ouvir a sua voz sobre temas candentes que condicionam o futuro da Humanidade, contribuindo assim decisivamente para a perenidade da Democracia que é, convenhamos, o bem mais precioso que a Humanidade alcançou um dia.
Não estamos à procura da usurpação do poder dos órgãos democraticamente eleitos nem de protagonismos fúteis e estéreis mas sim, prontos a darmos um contributo, que pensamos ser positivo, na procura das soluções para os problemas que nos afligem, sejam eles nacionais ou globais.
O que nós pretendemos e ousamos até exigir, em nome da Sociedade Civil Portuguesa e Mundial e das centenas de milhões de seres humanos que diariamente são vítimas da globalização economicista e autista em curso, pese embora a violentíssima crise que abalou a economia de Mundo e cujos efeitos sociais e políticos ainda não são conhecidos em toda a sua amplitude, é uma globalização com marcadas preocupações humanas, sociais, ambientais e culturais, em que os direitos humanos, enfim respeitados, possam andar de mãos dadas com uma maior equidade no que diz respeito a uma melhor redistribuição da riqueza, dos cuidados de saúde e dos alimentos assim como a uma boa acessibilidade à educação, à cultura e à água para todos!
Para nós, é de todo impensável e inaceitável que a Humanidade continue a trilhar, por mais 30 anos, o mesmo caminho intolerante, indiferente e autista que vem percorrendo nas últimas três décadas sob a batuta feroz e cega de uma economia liberal selvagem, unicamente preocupada com o lucro fácil e o seu deus-mercado que tudo parece condicionar e justificar, esquecendo-se das suas responsabilidades sociais, morais e éticas. Tal evolução, a ser mantida, não seria compatível com a sobrevivência da Humanidade! Os senhores de Davos e os governantes têm que entender esta evidência!
A nossa visão do Mundo é partilhada por milhares de organizações espalhadas pelo mundo, com preocupações humanistas e sociais, actuantes, que sonham e trabalham para a construção de um mundo melhor e até já ousam falar da necessidade de uma cidadania planetária participativa e actuante.
O perdão da dívida dos países em desenvolvimento e o congelamento das contas bancárias astronómicas dos seus corruptos e insensíveis governantes, a defesa das mulheres no mundo, a luta pela democracia participativa em todos os países, mesmo nos actualmente ditos democráticos, o fim dos regimes ditatoriais e corruptos, a luta pela salvaguarda do meio-ambiente, o fim do trabalho e da prostituição infantis, o fim da violação dos Direitos Humanos, a luta sem tréguas contra as doenças esquecidas (nomeadamente a Sida, a malária, a tuberculose), o fim das manipulações genéticas dos alimentos, o fim das crianças-soldados, o fim das armas biológicas, nucleares e químicas, sejam elas “empobrecidas” ou não, continuarão a ser, entre muitas outras, a razão da luta sem quartel que os movimentos da Sociedade Civil Mundial continuarão a travar em prol do Ser Humano, até que sejam ouvidos!
Que ninguém tenha dúvidas a esse respeito: o movimento de mudança começado em Seattle e organizado em Porto Alegre não tem retorno e far-se-á pacificamente, espero, ou senão, violentamente, bem o receio.
Estou convicto, como li algures, que o optimismo da vontade ainda se pode sobrepor ao pessimismo da razão. Este é o meu sonho, possivelmente e provavelmente o vosso também, mas sei que só é possível atingirmos esse objectivo se estivermos juntos.
Notas:
a) De notabilizar o lançamento, pelas Nações Unidas, da oportuna e indispensável iniciativa “Condomínio da Terra” (salvaguarda dos espaços comuns do Planeta Terra: atmosfera, hidrosfera e biosfera), do qual sou um dos Embaixadores em Portugal.
b) Sábado, dia 27 de Junho, estava previsto decorrer um jantar de gala, seguido de leilão de obras de arte, a favor da AMI, no Porto. Foi cancelado, por ter havido demasiadas desistências quanto às presenças. Dizem-me que terá tido a ver com as minhas opções pessoais, enquanto cidadão, durante a campanha para as eleições europeias, o que muito lamento. Felizmente, ainda há Pessoas que sabem separar o trigo do joio e compreender o outro para além do juízo de valor fácil e gratuito… o Doutor Mário Soares convidou-me para apresentar o seu último livro, mesmo sabendo da minha opção pessoal nas eleições europeias; no próprio dia 27 de Junho (amanhã) receberei a medalha de ouro da cidade de Vila Nova de Gaia, atribuída pela Autarquia, presidida por Luís Filipe Menezes; e da parte dos meus ilustres e queridos Amigos Dra. Leonor Beleza, Prof. Doutor Adriano Moreira, Senhor Dom Duarte Pio e Senhora Dona Isabel de Herédia não senti a mínima alteração na relação de profunda amizade e respeito que mantemos.
Admitir a diferença, e respeita-la, é o valor basilar da Paz e de uma Cidadania esclarecida.
c) Sei que tenho estado bastante ausente deste espaço. E não posso prometer que nos próximos tempos vá ser diferente… Em Julho estarei em “retiro”, durante duas semanas, para estruturar e alinhavar o meu próximo livro, que consistirá num conjunto de reflexões pessoais sobre o actual estado do Mundo, seus problemas e, quanto a mim, caminhos a seguir. Perdoem-me os que acharam que este blog teria uma outra cadência. É, isso sim, inversamente proporcional ao ritmo da minha vida…
Em Janeiro de 2007, escrevi este texto, hoje prefácio de um livro prestes a ser publicado: "Comércio Justo para Todos", de Joseph Stiglitz e Andrew Charlton. Com a actual crise e os novos proteccionismos, como já era previsível em 2007, a ronda de Doha foi remetida para as calendas gregas... com essa atitude, os países ricos contribuem para que os ditos PVD não se possam desenvolver... A emigração continuará!...
Não sendo eu economista – e por isso não dispondo de todas as ferramentas que me permitam escalpelizar algumas análises ou capítulos mais técnicos deste livro – ouso, mesmo assim, afirmar, como médico-cirurgião humanitário que há quase 30 anos intervém nos grandes dramas do nosso desregulado e desequilibrado Mundo, que o livro "Comércio Justo para Todos”, de Joseph Stiglitz e Andrew Charlton, deveria ser de leitura e estudo obrigatórios para todos aqueles (economistas, políticos, estudantes – em especial da área socio-económica –, governantes de todos os hemisférios e latitudes, dirigentes das ONG, responsáveis do FMI, BM, OCDE, Clube de Roma, Clube de Paris, OMC, UE, G8...) que realmente querem contribuir para um melhor equilíbrio socio-económico do planeta Terra, condição sine qua non para a edificação de um mundo mais ético, mais harmonioso e de Paz.
Todos sabemos que não existe uma panaceia para tal alteração, pelo que passará necessariamente pelo advir de um novo paradigma humano e civilizacional. Mas todos sabemos igualmente que a aplicação de novos códigos de conduta nas transacções económicas entre Povos, Nações e Estados representa um passo essencial na caminhada de construção de uma humanidade com valores.
O comércio justo para todos, com tudo o que tal implica e como tão bem demonstra Stiglitz neste livro, é parte obrigatória de um cocktail ético e de justiça que deverá também integrar:
• o perdão da dívida e dos juros de dívida dos países mais pobres e endividados (alguns deles já pagaram várias vezes essas dívidas espúrias);
• o controlo da corrupção (moralização do binómio corrupto-corrupto) ;
• o desenvolvimento do micro crédito (é essencial que os decisores globais e o sistema bancário tenham em atenção as pessoas e entendam, por isso mesmo, que a microeconomia é necessária e indissociável da macroeconomia);
• o congelamento de todas as contas bancárias dos governantes corruptos (toda a gente sabe quem são), verdadeiros agentes do terror que matam à fome e mantêm reféns os seus povos miseráveis;
• a criação de um fundo de emergência e salvação para a África subsariana, constituído pelos fundos das contas dos corruptos, por uma taxa sobre as transacções financeiras (tipo Taxa Tobin), por uma taxa sobre as transacções de armamentos e por uma taxa sobre os voos aéreos;
• o desenvolvimento do comércio justo que incentive e proteja a sobrevivência dos pequenos agricultores do Sul;
• o investimento privilegiado na educação, saúde e mundo rural agonizante dos PVD;
• a moralização, nomeadamente da OMC e da sua nefasta política proteccionista de patentes de certos medicamentos e espécies agrícolas;
• a sobrevivência e o reforço da sociedade civil do Sul – único garante da democratização de certos regimes políticos, assim como da escolha de políticas de sustentabilidade;
• o reforço da intervenção pública das mulheres.
Como é evidente, só com uma acção multi-sectorial o que implica vontade e determinação políticas, até hoje não encontradas, por parte sobretudo dos países ricos, devidamente esclarecidos, sensibilizados e éticos – será possível estancar a hemorragia que está a matar grandes franjas populacionais nos países mais pobres. E é exactamente nesta matéria que o livro de Stiglitz é terrivelmente esclarecedor, e deveria servir de detonador para um novo amanhã nas relações comerciais entre os Estados.
Stiglitz, pelas funções económicas e políticas que desempenhou ao mais alto nível no Banco Mundial e na Administração Clinton, assim como pelo manancial económico, teórico e prático que possui e pelo profundo conhecimento que tem dos palcos (e dos bastidores!) das grandes rondas comerciais globais, sabe perfeitamente do que fala. Das denúncias de atitudes e comportamentos aos egoísmos e autismos que prevaleceram até hoje nas negociações do Uruguai Round e nas cimeiras falhadas de Cancun e Doha, Stiglitz aponta caminhos e soluções credíveis e exequíveis! Se houver visão e vontade políticas globais. Como ele tão bem afirma a dado momento, “uma verdadeira ronda de desenvolvimento deveria ir para além do acesso ao mercado”. Sem dúvida: deveria ir ao encontro dos profundos desejos das pessoas e dos povos que anseiam, antes de mais, por equidade, justiça e direito a viverem dignamente, sem serem permanentemente humilhados pelas suas indigências e misérias diárias!
Os caminhos apontados por Stiglitz, acoplados aos que já enunciei e a outros possíveis, vão seguramente na direcção certa: a única que, cortando o mal pela raiz, permitirá evitar a emigração em massa (que já apavora a Europa) e o terrorismo e as consequentes derivas securitárias (em breve ditatoriais?) que tantas vidas ceifam e tanto nos preocupam.
É sintomático e reconfortante constatar como grandes personalidades ligadas aos sistemas bancário, financeiro, comercial e institucional – tais como Joseph Stiglitz, George Soros, Jacques Attali, Muhammad Yunus, Bill Gates – tomam consciência de que é necessário um novo paradigma económico e institucional para evitar que o mundo regresse à barbárie e mergulhe no apocalipse. Nessa constelação, Stiglitz, que foi um verdadeiro insider do sistema económico dominante e opressor ao serviço das grandes economias ocidentais (com muitos dos seus programas de reestruturação económica e de privatização que se revelam verdadeiramente desestruturantes, senão mesmo verdadeiros assassinos económicos das economias débeis dos países mais frágeis) –, melhor do que ninguém sabe que é necessário inverter rapidamente a marcha fúnebre das últimas décadas... A esse respeito, hoje já não restam dúvidas: a globalização económica em curso, verdadeiro rolo compressor impulsionado pelas economias dominantes e as suas empresas globais, aumenta a pobreza dos mais pequenos e fracos, porque não são tidos em conta, votados que estão ao esquecimento.
Stiglitz demonstra também que não há apenas uma estratégia económica única de crescimento e de desenvolvimento e que a liberalização total da economia associada a uma desregulamentação desenfreada e a uma demissão total do Estado, é, para as economias fracas – mesmo se tendencialmente emergentes – contraproducente. Os casos de Singapura, Malásia, Coreia, China e Índia são disso exemplo: afirmaram-se como casos económicos de sucesso, porque os seus governos actuaram sempre como reguladores dos factores de crescimento que mais lhes convinham e que melhor se adaptavam ao estado das suas economias e sobretudo das suas fragilidades conjunturais. Como é bom ler Stiglitz e compreender que a Economia, no seu todo, não é um dogma e que há caminhos que interessa trilhar com bom senso e sensibilidade humana.
Para mim, que passo a vida a palmilhar o nosso planeta e convivo com as suas mais gritantes e insuportáveis assimetrias geradoras de tanto sofrimento, é reconfortante constatar que Stiglitz, economista prestigiado, mas também ser humano pungente, coloca o homem no cerne da economia e dos seus rounds comerciais globais, quase sempre norteados por egoísmos nacionais ferozes e visões tacanhas, sem rasgo nem futuro para o colectivo humano!
É essencial que se perceba que é necessário promover uma repartição mais justa das riquezas do mundo – e 2007 dirá se as negociações comerciais do ciclo de desenvolvimento encetadas em 2001 (em Doha), continuarão a ser um rotundo fracasso ou não. É necessário que as empresas globais e os governos que têm incentivado e dominado as estratégias do subdesenvolvimento perene dos mais fracos assumam compromissos claros de não estrangulamento da sobrevivência dos pequenos agricultores do Sul. Como podem competir estes pequenos agricultores com os grandes monopólios do Norte que definem as regras e são, ainda por cima, maciça subvencionados e têm os seus mercados protegidos?
Permitam-me uma metáfora: como pode um perneta famélico competir com um campeão olímpico superalimentado e medicamente assistido e ainda por cima dopado? É impossível.
Há, pois, que criar mecanismos que permitam reequilibrar as hipóteses de sucesso para que a competição em curso, nesta globalização pervertida, tenha algum interesse e lhe sobeje uma réstia de equidade. É disso que Stiglitz trata, e bem, quando aborda o tema “Tratamento especial para os países em vias de desenvolvimento”. Não basta, como faz a OMC, que lhes sejam reconhecidas “necessidades particulares”.É preciso actuar; passar dos discursos à prática; ter a coragem política e técnica para aplicar já os correctivos necessários (que são conhecidos) e que Stiglitz magistralmente apresenta. É lamentável que até hoje tenham sido sistematicamente rejeitados os pedidos dos países africanos para que os subsídios pagos aos agricultores do Norte sejam reduzidos e que a compensação seja paga aos agricultores africanos.
Há muito mais economia para além do consenso de Washington e da sua prática neo-liberal extremada! Stiglitz demonstra sabê-lo, mas demonstra sobretudo coragem e inteligência. Lamy Summers, que foi ministro de Bill Clinton, dizia recentemente: “A redistribuição dos dividendos da globalização é hoje a questão mais importante colocada às democracias desenvolvidas”. Tanto Stiglitz como Summers têm, quanto a mim, total razão: se não corrigirmos e actuarmos por humanidade, como tenho afirmado inúmeras vezes, façamo-lo por inteligência e até por mero egoísmo de sobrevivência. É o mínimo que podemos exigir! Sabemos que, infelizmente para alguns, os tubarões, os assassinos económicos que desmantelam Estados e Economias em benefício próprio ou dos seus mandantes, só há uma palavra: “rentabilidade-lucro”. Mas, e repito-o, só para alguns”! Desconhecem ou desprezam a palavra solidariedade. Tudo bem. Mas será que são tão cegos ou burros que não alcançam o que a Inteligência hoje exige para a salvaguarda das Novas Democracias e da Paz no Mundo? Porque, ao fim e ao cabo, é disso que se trata quando se negoceia, quer seja em Seattle, Doha, Monterey, Cancun ou no Fórum Económico Mundial de Davos!
Escrevo este prefácio – que muito me honra, embora não conheça pessoalmente Joseph Stiglitz – em Nairobi, onde decorre o Fórum Social Mundial 2007 e onde estive em 1992. Preocupa-me a SIDA, os campos de refugiados somalis e a tragédia em curso na Somália desde 1991. O que os cidadãos do mundo exigem é o reconhecimento de uma cidadania global, ética e responsável, e compromissos sérios a favor de um desenvolvimento global durável, únicos garantes de uma Paz sustentada. Acreditamos que um outro Mundo, mais justo, mais social, mais ambiental, mais intelectual, mais pacífico é ainda possível. Acreditamos ainda que é possível construirmos um mundo de diálogo, de pontes, de inclusão e de Paz social.
Não tenho dúvidas de que Stiglitz está nessa démarche. O seu livro faz um diagnóstico certeiro e propõe terapêuticas alternativas que são, para mim, convincentes. Stiglitz não é nenhum fundamentalista dogmático e por isso merece, no mínimo, ser escutado e entendido. Acredito que este livro, como outros que escreveu recentemente, merece ser divulgado e lido, pois é indubitavelmente um contributo positivo que, se seguido, permitiria minorar muito sofrimento no mundo. Como disse no início deste prefácio, o comércio justo é uma das ferramentas essenciais à correcção dos desequilíbrios e assimetrias hoje existentes. Não é a única, mas se aplicada, seria com certeza uma alavanca poderosa para fazer surgir e avançar as outras que lhe são complementares, pois demonstraria que seria possível vislumbrar um novo paradigma nas relações comerciais globais.
A esse respeito, enquanto cidadão, no que concerne às rondas negociais sobre patentes e direitos intelectuais sobre os medicamentos, considero essenciais que se prevejam acordos de partilha justos sobre as descobertas científicas e as suas implicações económicas, com os países do Sul (fornecedores das matérias-primas florestais essenciais às investigações e às descobertas de novos fármacos por parte das indústrias farmacêuticas do Norte!). Eis um exemplo muito concreto de justiça e de moralidade que, se inserido, aplicado e respeitado nas rondas comerciais globais permitiria o acesso aos tratamentos, a um preço enfim acessível a muitos milhões de pessoas que hoje morrem por não os conseguirem comprar!
É disso também que se trata quando se fala, no concreto, de comércio justo! Este livro, ao desmontar claramente os mecanismos de distorção processuais das negociações globais (GATT, OMC), aponta caminhos e soluções e mostra-nos o que está em jogo: evitar a curto e médio prazo, a explosão da Bomba Social Global que permitimos que se criasse e armadilhasse. O que não se fez até agora – por não se escutar Josué de Castro (Geopolítica da Fome) e René Dumont (A África Começa Mal) que muito nos alertaram sobre os caminhos perversos que nos conduziram ao presente inquietante – podemos ainda fazê-lo se tivermos enfim a inteligência de Stiglitz.
O subdesenvolvimento – e Stiglitz demonstra-o tão bem – não é o resultado de um qualquer atavismo genético, geográfico ou climático de que padecem certos povos. Também não é inultrapassável nem incurável. Há soluções. Stiglitz aponta algumas das mais importantes. Para as pôr em prática, serão necessários inteligência, vontade e capacidade políticas e, porque não, humanismo. O busílis da questão, quanto a mim, está na vontade e capacidade políticas. Receio que essa “vontade e capacidade políticas” dos decisores globais só se manifeste sob pressão de uma Cidadania Global responsável, actuante e exigente. Essa Cidadania Global está em fase de constituição de forma acelerada e estou certo de que será decisiva na génese de um novo paradigma humano e societário que obrigará a uma nova abordagem nas negociações comerciais globais, assim como em tantas outras matérias decisivas, que permitirão uma Sociedade Humana mais justa e equilibrada.
Stiglitz é hoje uma referência e as suas Prioridades para uma Ronda de Desenvolvimento – verdadeiro roteiro para se sair do embuste em que caíram as rondas comerciais actuais (dirigidas por mentes tacanhas, insensíveis e, ouso afirmá-lo, incompetentes por tanta tecnocracia mal dirigida) – deveriam ser de aplicação imediata.
Desejo sinceramente que o conjunto de ferramentas económicas e políticas que Stiglitz desenvolve e propõe seja adoptado por quem de direito: todos nós.
Talvez assim, com inteligência, valores e uma economia virada para o Ser Humano, ainda se vá a tempo de se erguerem muralhas eficazes contra a tragédia já anunciada, mas ainda evitável. Talvez assim o optimismo da vontade ainda se possa sobrepor ao pessimismo da razão...
Bem hajam por isso, Joseph Stiglitz e Andrew Charlton por terem escrito este livro e a ASA por o publicar em Portugal.
Nairobi, 25 de Janeiro de 2007
Peço-vos desculpa. Estou em falta: não tenho arranjado tempo para vos falar das amadas Tombouctou e Guiné e dos famigerados vírus, o da gripe que apavora o visível mundo ocidental e o da meningite que mata aos milhares, silenciosamente, no Chade, no Níger...países invisíveis com povos sem rosto e sem voz... patético!
Há 25 anos fundava a AMI. Faço questão de assinalar esta efeméride com um pedido:
NÃO NOS ESQUEÇAMOS DOS NOSSOS POBRES! É TEMPO DE AGIRMOS TODOS PARA CONSTRUIRMOS UM MUNDO DE PAZ!
Meus Amigos, não obstante várias “Cimeiras Mundiais” aflorarem constrangidas e muito ao de leve a questão da pobreza, com promessas do género “redução da pobreza em 50% no Mundo até 2015” (!!) (quem se responsabilizará pelo infelizmente já anunciado fracasso?), falar de pobreza e de exclusão social ainda não está verdadeiramente na ordem do dia nem em Portugal nem no Mundo (ainda que a miséria seja a causa principal da insegurança que a todos amedronta).
É importantíssimo que nós portugueses não tenhamos pejo em falar e não nos esqueçamos nunca que sobre essa “matéria” somos, para nossa infelicidade e vergonha, os recordistas da União Europeia (o que seria se incluíssemos os remediados e a pobreza escondida que se cala entre nós?). A esse respeito, a União Europeia considera que 20% dos portugueses são muito pobres e que 60% dos nossos compatriotas assumem-se como pobres! Relembro que temos muitos idosos a sobreviverem com uma pensão de miséria de cerca de duzentos euros mensais e trezentos mil com menos de trezentos euros mensais. A título meramente indicativo refiro que a evolução do número de novos casos atendidos nos 11 Centros Sociais da AMI tem vindo sempre a crescer desde o ano 2000. Devo confessar que, perante as perspectivas reais do aumento do desemprego entre nós, estou até francamente assustado. Na AMI, pese embora a abertura já programada de mais dois centros sociais (um segundo centro Porta Amiga em Almada e um Centro Social em Ponta Delgada), temo muito seriamente que tenhamos já atingido a nossa capacidade máxima de atendimento.
Não é vergonha nenhuma reconhecermos esta nossa situação; triste é fazermos a política da avestruz, silenciando o problema. Até hoje, em Portugal, nenhum governo teve a coragem, lucidez e sensibilidade de eleger essa questão como “A CAUSA NACIONAL” (outras “causas nacionais conexas” deveriam ser a Saúde, a Educação, a Justiça, o Civismo, a competitividade empresarial, a produtividade individual e colectiva... que resultassem num verdadeiro modelo de desenvolvimento nacional sustentado). Tenho para mim que é crucial lançar-se, com carácter de emergência, esta CAUSA NACIONAL E MUNDIAL, sensibilizando, incentivando, motivando, pedindo e exigindo sem tibiezas o esforço e o empenhamento de TODOS nessa vital tarefa para Portugal e para a Humanidade. Diga-se de passagem que já em 1994, em França, as organizações não governamentais se juntaram por “um pacto contra a exclusão”, como Grande Causa Nacional. Há uns 10 anos que apelo, sem sucesso, pelo lançamento e dinamização dessa nobre causa!
Essa atitude é de primordial importância para o País numa altura em que se perspectiva muito seriamente o aprofundamento da crise económica mundial (a europeia e a portuguesa também!). Crise essa provocada pela ganância e irresponsabilidade, pelo esbanjamento e má distribuição dos recursos, instabilidade mundial pela instalada desconfiança generalizada no sistema financeiro, enfermo de ganância ávida e de falta total de ética. Mas acima de tudo devida à ausência gritante de uma liderança global esclarecida e responsável que se recusa a analisar as verdadeiras causas do mal estar global instalado (que a conduziria aos diagnósticos e aos tratamentos que urgentemente se impõem), parecendo optar pela fuga para a frente, empurrando-nos para o caos. Trata-se da concretização da justamente anunciada “geopolítica do caos”, geradora de maior pobreza e miséria, também entre nós!
Mais do que nunca precisamos de SOLIDARIEDADE e ÉTICA: não é com o egoísta e nefasto “salve-se quem puder” individual e selvagem, tão ao gosto de certas multinacionais; não é com o fatal e inaceitável “os civilizados e os não civilizados” do inenarrável Senhor Aznar (como o ouvi há dias nas Conferências do Estoril); tão pouco é com a tragédia permanente em curso, embora hoje silenciada, na Palestina e em Israel, que poremos fim ao caos anunciado e que alguns, poucos, teimam em tornar realidade. Relembro apenas que a pobreza é uma violação profunda dos cinco grupos dos Direitos Humanos Fundamentais (civis, políticos, culturais, económicos e sociais)! Por outro lado a violação sistemática de um qualquer desses direitos degenera rapidamente em pobreza! Há pois uma ligação estreita entre pobreza e violação dos Direitos Humanos!
Sempre o disse e repito: nunca nenhum cidadão, evidentemente ainda com maior ênfase para os que têm responsabilidades políticas, digno da sua humanidade e cidadania, o que, ipso facto, implica direitos mas também deveres, poderá dar-se por satisfeito e dormir tranquilo enquanto um único dos seus concidadãos viver na miséria! O que acabo de dizer tem ainda maior relevância no mundo em que vivemos; a luta pela segurança, tão na ordem do dia, não surtirá nenhum efeito duradouro se simultaneamente não trabalharmos também afincadamente para acabar com a pobreza e a injustiça social no nosso País e no Mundo! Pode não ser politicamente correcto mas é humanamente correcto! Ou será que queremos todos viver amanhã em condomínios fechados e armados, verdadeiras “prisões com grades de ouro” ou mesmo bunkers?
Relembro as vergonhosas estatísticas da União Europeia sobre a nossa pobreza e que 40.000 das nossas crianças estão em risco! Dirão alguns espíritos, sempre satisfeitos desde que a miséria não lhes bata à porta, que sou um ingénuo, um sonhador ou um demagogo em imaginar sequer que este assunto tem solução! Sonhador, sim. Ingénuo e demagogo, não! Estou consciente da dificuldade e complexidade da questão mas também sei que, com determinação, esforço, inteligência, sensibilidade e vontade, poderíamos todos juntos, se para isso fôssemos devidamente consciencializados, motivados e alentados, fazer face ao problema e em grande parte resolvê-lo: acredito que o povo português tem força anímica (já o demonstrou com D. João II) e humanismo suficientes para levar com determinação tal tarefa que, repito, deve ser indiscutivelmente “A CAUSA NACIONAL”, o objectivo por excelência para os próximos anos pois condicionaria positivamente, estou certo, o nosso futuro colectivo!
Dentro desse espírito apelo desde já à criação de “ Um Dia Nacional Contra a Exclusão Social e a Pobreza” que deveria pôr, entre outros, a tónica nos casos de sucesso no País que servissem de dinâmica mobilizadora para todos e nos empolgassem!
Uma vez decidida, dita e explicada claramente esta “ CAUSA”, ouso pensar que, politiquices à parte, a larga maioria dos portugueses estaria de acordo quanto à estratégia e aos meios que permitissem rectificar o estado de pobreza do nosso País: investimento a sério na educação e na saúde, incentivos à formação profissional e à produtividade (se sabemos ser eficazes e produtivos no Luxemburgo, na Bélgica, na Austrália ou nos Estados Unidos porque não em Portugal? Ousemos pois interrogar-nos!...), combate determinado à fraude e evasão fiscais (o que será facilitado se o Estado for visto como pessoa de bem!), desenvolvimento do fundamental conceito de “Cidadania Empresarial”, valorização da competência profissional, do método e da organização em detrimento do laxismo, do amiguismo e do clientelismo político que já tanto prejudicaram o País, investimento numa verdadeira cultura cívica de responsabilidade e de solidariedade entre os cidadãos e entre estes e o Estado e vice-versa, investimento sem contemplações na investigação e na ligação entre as universidades e as empresas (o eterno problema da ideal união entre a teoria e a prática / “mens sana in corpore sano”!) tornando-nos mais operacionais e deixando-nos de ser o povo da cátedra e do bla-bla-bla (com licenciaturas, mestrados e outras pós-graduações que se multiplicam, sem nenhum valor acrescentado para as pessoas e o País), valorização do nosso interior, dos nossos agricultores e pescadores....
Temos que dar meios e confiança à sociedade civil organizada, sedenta de acção positiva que poderia canalizar utilmente o enorme potencial de voluntariado dos nossos jovens, reformados e pré-reformados...enfim mil e um meios que só funcionarão se o povo português ACREDITAR e se para isso for positivamente MOTIVADO: é de causas, de UMA CAUSA que todos nós precisamos. Se no-la derem, acreditaremos que somos capazes e, não tenho dúvidas, resolveremos a questão tão bem ou melhor do que outros! SOMOS CAPAZES: PRECISAMOS TÃO SÓ DE UMA CAUSA JUSTA E NOBRE E DE SER MOTIVADOS! Que imenso bem tal causa bem sucedida faria ao nosso tão abalado ego nacional. É difícil? Pois é, mas só as causas difíceis são merecedoras do nosso povo. Lembram-se do “...e deram novos Mundos ao Mundo...” e do “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!”? Pois bem, esse é também o nosso Património, e por ele temos o dever indeclinável de acabar uma vez por todas com esta vergonha nacional: a Pobreza gritante e intolerável que dilacera a barriga de muitos dos nossos concidadãos.
Aceitar como normal, ou inevitável, a pobreza e a miséria humana é que NÃO! NÃO aceito e estou pronto a enfrentar todos os moinhos de vento! Reconheço que é esgotante, e por vezes desmoralizante, tais são a inércia e os obstáculos com que diariamente nos confrontamos mas penso que, modéstia à parte, temos demonstrado que é possível! Sou daqueles que entende que vale a pena realizar sonhos e utopias. Não se diz que “Deus quer, o Homem sonha, e a Obra nasce”? Pois então, vamos todos sonhar e acredito que conseguiremos! Este é o nosso dever: amanhã os nossos filhos viverão num Mundo melhor se, desde já e sem ambiguidades ou tibiezas, assumirmos este indeclinável dever! E quem pensar que estou a divagar, está enganado. Embora com mil dificuldades e incertezas (ainda mais agravadas hoje em dia pela crise económica e orçamental, para já não falar da insensibilidade decorrente da “cultura” da Indiferença e do Egoísmo, e do famoso e mortífero “ Vírus da Ganância” estou convicto que podemos, e devemos, vencer o contra-senso que são a pobreza e a miséria.
Ainda assim continuo a ter vergonha sempre que vejo uma mão estendida em Portugal e no Mundo e não consigo dormir tranquilo! Mais do que nunca quero sonhar que é possível: é a sobrevivência do nosso colectivo, são as nossas dignidade e honra de Seres Humanos e Portugueses que estão em causa! Não nos é permitido falhar! Sonhemos e actuemos!
Oxalá assim, consigamos todos dormir tranquilos amanhã !