É tempo de, para além de se cuidar dos sobreviventes, começar, desde já, a estruturar o futuro: com cabeça, tronco e membros.
O desafio é imenso, e não deixa de ser uma oportunidade para o Haiti.
Espero, sinceramente, daqui a uns anos podermos todos afirmar ter sido um caso de sucesso.
http://diario.iol.pt/noticia.html?id=113
Meus amigos,
Até ter algum tempo livre para vos escrever novamente, aqui têm a última actualização sobre a equipa da AMI no Haiti.
O sentimento de gratidão por todas as mensagens de apoio é, da minha parte, imenso.
Obrigado por me fazerem sentir que a AMI tem um batalhão de almas empenhadas, todos vós, a suportarem a sua vontade de tornar alguns momentos da vida de algumas pessoas, um pouco menos dolorosos.
Depois de alguns percalços, infelizmente naturais nestas situações, a equipa da AMI que partiu na quinta-feira rumo ao Haiti, integra neste momento o comboio humanitário da Cruz Vermelha Internacional e da União Europeia que partiu da República Dominicana para Port-au-Prince.
A equipa médica está de novo no ar, a bordo do C130.
A frustração que sentimos quando as viagens não correm como planeado tem que ser gerida de forma a não nos tirar a força de que vamos precisar, quando chegarmos ao local. É difícil ter que ultrapassar tantos obstáculos, quando a única coisa que queremos é chegar e começar a trabalhar. Mas a força que move equipas como as da AMI não esmorece.
E esta força também nos é dada por tantas manifestações de apoio e solidariedade que temos vindo a receber.
Saibamos nós transformá-las em ajuda concreta, junto de quem, desesperadamente, precisa.
Obrigado!
Caros Amigos,
A equipa médica da AMI está prestes a levantar voo, rumo ao Haiti.
2 médicos e 2 enfermeiros irão prestar assistência médica a cerca de 700 pessoas. Sei que a equipa que está a caminho (de uma competência inquestionável e com longa experiência em emergência) vai dar tudo o que puder, para que a vontade de cada português de ajudar, seja concretizada na sua acção no terreno.
Compreendo que, neste momento, muita gente tenha vontade de se fazer ao caminho e deitar mãos à obra, ajudando. Mas não podemos - seria, inclusivamente, prejudicial - ir todos. Que vá quem mais falta faz!
Também compreendo que, quando não podemos arregaçar as mangas no terreno, queremos arregaçá-las onde podemos, tendo uma série de iniciativas concretas de angariação de bens, porque as imagens que nos apresentam são incomportáveis. Esta vontade de ajudar e esta mobilização cívica é, em tudo, de louvar.
No entanto, temos que ser realistas e perceber que, neste momento, mandar bens como roupa ou água, de Portugal para o Haiti, é impossível. A melhor maneira de contribuir, neste momento, repito, é fazendo donativos e aderindo às campanhas das organizações que estão no local a trabalhar e a tentar angariar os bens necessários nos países vizinhos. A ajuda internacional está a organizar-se e, em breve, começará a ser efectiva. E daqui a algum tempo talvez seja possível enviar outro tipo de ajuda.
Uma coisa é certa: as mãos de Portugal, muito em breve, estarão a ser estendidas aos Haitianos. Com humanismo, com eficácia e competência e com um sorriso.
Espero que ajude a minimizar o cenário dantesco que por lá está montado.
Cá estaremos para continuar a trabalhar.
Obrigado a todos pelas mensagens que aqui têm deixado.
Não é a equipa da AMI que precisa de força. É a população do Haiti, pois o terramoto passou, mas o caos e o pesadelo estão longe de ter o fim à vista.
Quem quiser acompanhar mais de perto a missão poderá encontrar mais informações no site e no blog da AMI.
Muito obrigado.
Caros amigos,
Umas breves palavras para vos dizer que a AMI parte amanhã para o Haiti, com uma equipa de dois elementos, que avaliará in loco as necessidades reais e as possibilidades que teremos de ajudar aquele povo.
Custa-me, mais uma vez, constatar que a injustiça continua a ser grande e que catástrofes com dimensões idênticas por vezes têm consequência menores (basta que aconteçam em países ditos "avançados"), outras dizimam populações inteiras. Mas apraz-me perceber que cada vez mais os cidadãos do Mundo se unem, estão alerta, têm iniciativa e agem.
Apercebo-me que, globalmente, a indiferença vai sendo combatida. Porque pobres ou menos pobres, todos sonhamos, porque todos somos seres humanos.
A AMI lá estará, a partir de amanhã. A fazer o que puder, com o que tiver para dar.
Por boa governação entendo uma governação exclusivamente norteada para o bem da Res Publica e da Humanidade.
Boa governação exige ética, rigor, verdade, responsabilidade, coerência, compromisso e respeito pelas promessas contidas nos programas eleitorais ou feitas em campanha o que a coloca nos antípodas da corrupção, demagogia, manipulação, mentira…
Boa governação implica preocupação com os mais fragilizados e desprotegidos da sociedade, estar à escuta e em diálogo com as mais íntimas aspirações dos cidadãos e colocar o Estado Nacional e o Mundo acima dos momentâneos interesses partidários e pessoais.
Boa governação requer ideias claras quanto às verdadeiras causas Nacionais e Globais existentes e lutar, contra ventos e marés, por elas.
A boa governação deve impelir a um diálogo singular e colectivo com os povos, olhos nos olhos, explicando bem e claramente a razão de certas decisões deveras difíceis e sensíveis como são certas decisões económicas e todas as guerras, mesmo as incompreensíveis, como a do Iraque. Exige ainda que se consulte os povos quando a opção da guerra não consta de nenhum programa eleitoral ou de governo, pelo que, de seguida restará apenas acatar a decisão soberana e sem apelo dos povos.
A boa governação não aceita que se façam guerras baseadas na trapaça e na mentira (como aconteceu com a guerra do Iraque) e que se encete, em período próximo de eleições, malabarismos de marketing, afirmando e prometendo tudo e o seu contrário ou pura e simplesmente que se fuja às suas responsabilidades, sobretudo se for para ocupar um lugar de maior destaque… Esses espúrios comportamentos e atitudes vergonhosas contribuíram decisivamente para a descredibilização das classes políticas e dos governantes responsáveis pela actual desorientação e desmotivação dos povos.
Boa governação exige experiência de vida, cultura nacional, regional e global assim como conhecimentos profundos do Mundo, que não apenas livrescos ou teóricos, coluna vertebral e seriedade sobre os quais os povos possam alicerçar fundamentadamente a sua Confiança.
Boa governação não se faz sem que o exemplo motivador e esclarecedor venha das lideranças com um imprescritível sentido do Dever pois ser-se líder é sobretudo ter Deveres e pouquíssimos direitos.
Quem não está pronto a sujeitar-se a este imperativo exigente e inegociável não pode pretender ser líder e de tal pretensão deve ser de imediato afastado, seja onde for no Mundo.
As pseudo-lideranças enfermas de vaidades, calculismos, oportunismos, direitos (apenas direitos e só direitos), do fartar vilanagem, de incompetência e irresponsabilidades, devem ser erradicadas do Planeta Terra, seja onde for, pois os povos já estão fartos.
Essa boa governação é exigível aos três pilares das Nações e do Mundo!
Serão chamadas a responder, sem possibilidade de qualquer salvaguarda imunitária, todas as lideranças de todos os poderes dos Estados, das Instituições Multinacionais, das Forças do Mercado e da Sociedade Civil no Mundo.
É a esse justo preço que se recuperará o Crédito e a insubstituível Confiança nos três pilares indispensáveis dos Estados e do Mundo.
Ao fim e ao cabo, a liderança global já existe! Infelizmente, actualmente ela é secreta, feita de cima para baixo e nada democrática. Ela está inoperativa, descoordenada, cacofónica e descredibilizada com as guerras do Iraque e Afeganistão com as confusões do Kosovo (estendidas à Ossétia do Sul e à Abacásia), com a Crise Financeira e Económica sistémica, com as piratagens no mar da Somália e a desgovernação na República Democrática do Congo, no Zimbabué, na Somália, na Chechénia, Birmânia…
Por tudo isso é que a nada clara governação global, não assumida, constituída pelas Nações Unidas, FMI, BM, OMC, Clube de Roma, o G8, o G20, G2+18, G2 e, menos globalmente, a OPEP, a ASEAN, a União Europeia, a OCDE, a OSCE… está caduca. A Governação Global tem que ser absoluta e urgentemente reformada, reenquadrada e democraticamente legalizada, tendo em conta a premência de Soluções Globais. Não há volta a dar!
Exige-se a reforma das instituições e a renovação das lideranças comprometidas com desvarios passados, assim como sucedeu nos EUA com a substituição do senhor Bush filho pelo senhor Obama, a fim de que sejam tratadas com eficácia, humanismo e urgência a Crise financeira, económica, social e política presente, a Crise ambiental, a Crise da violação constante dos Direitos Humanos, a Crise da corrida armamentista, a Crise do Direito Internacional, a Crise da Insegurança e dos Terrorismos, a Crise dos Refugiados, a Crise dos já débeis Sistemas Democráticos, a Crise Cultural e Religiosa, a Crise do Desenvolvimento Global (implementem-se já os Objectivos do Milénio e um Comércio Justo!), a Crise da Confiança…
A Terra precisa de um Sistema de Governação Global (SGG) ético, credível, respeitado e operativo. É vital que se integrem nesse SGG personalidades de grande craveira moral, ética e sábios. Elas existem! Alguns, poucos, Prémios Nobel da Paz, da Economia, da Literatura… Bem peneirados, pois não há nenhum prémio, como não há nenhum grau ou qualidade científica e académica que garanta, de per si, aos seus titulares a integridade, seriedade e coragem necessárias. Precisamos de espíritos livres com coluna vertebral!
Até o Papa Bento XVI, que algumas “brasas” tem espalhado no seio do mundo islâmico (de propósito? irreflectidamente?), em 29 de Junho de 2009, na Encíclica Caritas in Veritate, apelou à criação de uma Nova Ordem Mundial ao serviço da Justiça e da Fraternidade. Tal exige um Governo Mundial com tino e força para regular e fiscalizar a globalização. Tal facto implicará, forçosamente, um novo paradigma das mentalidades e uma Organização das Nações Unidas renovada, mais ética e equilibrada. Não basta que se faça apenas a gestão da actual crise económica! Porquê só económica? E as outras crises, que também exigem uma abordagem e soluções globais? Nomeadamente, os fundamentalismos religiosos…
Sabemos, sei, que a ideia e a concretização de um Sistema de Governação Global não vai ao encontro dos ideais sectários e nacionalistas daqueles que ainda sonham, querem e lutam, com todos os meios legítimos e ilegítimos ao seu alcance, pela constituição de governos imperialistas sustentados por determinadas ideologias, que sempre excluem o outro. São esses ideólogos sectários, ainda actuantes e até influentes, que estão por detrás das corridas armamentistas e prontos a tudo varrer, se necessário, com bombas atómicas, mesmo se o preço for centenas de milhões de mortos, desde que não sejam eles e as suas mulheres, filhos e pais…. Nas perversas mentes de certos ferozes predadores, tudo é possível e o egoísmo não tem limites!
Uma vez decidida a inevitabilidade de um SGG, o resto é trabalhar, escolher as pessoas certas (porventura o mais difícil, tamanhas são as ambições, os egoísmos e as armadilhas…) e tomar as decisões urgentes que se impõem para já: normas jurídicas e globalização das instituições, objectivos da governação global (claros e definidos), reforma das instituições internacionais…
Apesar de este blog servir para expressar o que sinto e penso como cidadão livre que sou (e não me sentindo, neste espaço, "apenas" o Presidente da AMI), vou usa-lo para convosco partilhar um desejo meu: encontrar-vos no evento referido aqui e celebrar, convosco ao meu lado, os 25 anos da AMI, que é como quem diz, grande parte dos últimos 25 anos da minha vida.
São 25 anos de concretização de um sonho, que está ainda longe de estar realizado.
Tanto e tão pouco...
É com muito gosto que convido todos os leitores deste blog a estarem presentes nos dois momentos que a seguir enuncio:
Dia 23 de Novembro, na FNAC do Chiado, às 18h30 - Lançamento do meu segundo livro de histórias infantis "Mais Histórias que contei aos Meus Filhos" - Oficina do Livro/Leya
Apresenta Sofia Sá da Bandeira.

Dia 3 de Dezembro, na Sala Algarve da Sociedade de Geografia de Lisboa, às 18h30 - Lançamento do livro "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária" - Temas e Debates/Círculo de Leitores
Apresenta a Dra. Teresa Patrício Gouveia.

Muito me honraria a presença daqueles que, afinal de contas, são os leitores mais assíduos das linhas que escrevo.
Poderá parecer estranho a muitos, e em particular a quem me julga conhecer, que eu me debruce, mesmo que sucinta e superficialmente, sobre um tema difícil, sensível, para alguns esotérico ou nebuloso até.
Eu, médico, especialista em cirurgia e em urologia, que participei em tantas missões humanitárias concretas, na tentativa quantas vezes infrutífera e inglória de salvar umas vidas. Eu, o homem com os pés bem enraizados no solo terreno, porque se assim não fosse não teria sobrevivido sem enlouquecer, de tanto ter convivido com o sofrimento alheio, e até com o meu, o que tenho eu a ver com a espiritualidade e até mesmo com a religiosidade?
Mas tudo! Nunca poderia ter feito o pouco que fiz se não tivesse os pés bem enterrados e simultaneamente a cabeça, nas “nuvens”! Foi porque permanentemente me interroguei sobre a minha própria essência e sobre a razão profunda de ser da minha efémera existência, que sempre levantei os olhos para os meus semelhantes e para o “céu” à procura de explicações e, porque não dizê-lo, de consolo.
À eterna questão que sempre se me colocou com particular acuidade, “de onde venho e para onde vou”, questão eterna que desde tempos imemoriais o ser humano racional se coloca (ainda há uns anos a vi gravada no México numa estela Olmeca do século VIII d.C.), a pouco e pouco fui encontrando resposta no contacto com outros povos, outras culturas e com alguns violentos embates que a vida, geralmente generosa para comigo, me foi reservando.
Hoje sei (é das poucas certezas que tenho nesta fase outonal da minha passagem terrena) que a razão de ser da minha existência é - sortudo que fui em nascer com o acesso ilimitado à cultura, ao conhecimento e aos outros povos – a de tentar dar o meu contributo para que os meus irmãos do mundo sofram menos e para que todos eles, assim como a minha mulher, meus filhos, familiares e amigos possam viver com dignidade e, se possível, contribuir um pouco para a sua felicidade.
Membro de uma cadeia fraterna sem fim, vinda de nenhures e a caminho da sua total plenitude e harmonia, eu, poeira infinitérrima, sou insubstituível, como todos vós, porque sou único e parcela dessa entidade que se convencionou apelidar de Deus ou de outros milhares de nomes. Sem mim, sem vós, sem todos nós em união, esse Deus está incompleto e possivelmente ferido de morte.
Para mim, é esse o sentido da Espiritualidade. Sem essa Força que move montanhas, continentes, planetas e galáxias, nada seria possível! Só Ela permitirá que ultrapassemos os nossos mortíferos egoísmo, indiferença, intolerância e ganância que tantos genocídios tem praticado entre nós, fazendo-nos compreender o seu completo “não senso”.
Só ela, a Espiritualidade, nos permitirá, com “os pés no chão e a mente no rodopio das galáxias” vencer os desafios globais e implementar soluções esperançosas como a Espiritualidade Global Fraterna.
Já tenho idade, vivências e conhecimentos acumulados suficientes para dizer exactamente o que penso, quando e onde entender, sem insultar ninguém.
A Espiritualidade exige frontalidade com Amor. Pouco me importa o que as carpideiras disserem. A minha preocupação é deixar bem claro quais são as minhas opções de fundo e qual é a visão que eu tenho para o Mundo, o Universo e o meu País, Portugal. Esse é o meu Dever e o meu Direito mais sagrados de que não abdicarei jamais como ser livre e centelha divina que sou, à semelhança de todos vós.
Acredito que a verdadeira e bem entendida Espiritualidade nos conduz inevitavelmente para o valor mais sublime: a Solidariedade activa para com o nosso irmão mais infeliz, último nome de Amor.
Assim acredito. Assim tento e tentarei actuar até ao fim: com dignidade e coerência teimarei em dar o meu singelo contributo para que entendamos todos que o que está verdadeiramente em causa é uma imperiosa e profunda mudança do paradigma das relações entre os seres humanos. Se assim não for, nada será duradouro e as Crises suceder-se-ão com o seu infindável cortejo de sofrimento para muitas centenas de milhões de seres humanos.
Temos que apostar nos Valores Universais, tais como o Amor, a Ética, a Equidade, a Justiça, a Tolerância, o Perdão, a Solidariedade, a Fraternidade, a Dignidade, a Honra e o Civismo… sem os quais nada será possível, nomeadamente o restabelecimento da insubstituível e indispensável confiança entre os Cidadãos, o Estado e o Mercado. Isso também é Espiritualidade…