Sexta-feira, 6 de Março de 2009

É chegado o tempo da acção e da opção: sempre pela Positiva!
Pois a Esperança não pode morrer!

 

É sabido que estamos a viver tempos muito difíceis e que os próximos, 2010- 2011…, serão provavelmente ainda mais duros.
Sabemos que o ultra liberalismo selvagem, erguido como novo “deus” inquestionável e dogmático, foi o errado paradigma de sociedade que enfermou boa parte das mentes das “elites” políticas, económicas e financeiras que governaram o nosso Mundo nas últimas décadas.


Esse sistema que estava errado nas suas premissas, a boa auto-regulação dos mercados e a correcta redistribuição da riqueza produzida, e que favoreceu de forma medonha o egoísmo feroz e o ego doentio da esmagadora maioria dos seus mentores e executantes, provocou uma derrocada de dimensões ainda inimagináveis.


Porque indiferentes perante a miséria e o sofrimento da maioria significativa da população do nosso planeta, esses “líderes” dos Direitos, e apenas e só dos Direitos, entraram em levitação estratosférica, eufórica e irresponsável, drogados e dopados por todos os produtos tóxicos que criaram, sem os controlar, e pelas engenharias financeiras que engendraram conscientemente para justificarem os seus obscenos salários e miríficos bónus. A infernal espiral estava montada e tinha que ruir, como ruiu, agravando terrivelmente a exploração, o sofrimento e a morte dos mais frágeis no Mundo.


Estamos nesse ponto e caímos num poço que parece não ter fundo. O sistema ruiu de podre e exige ser substituído, e não remendado depressa e toscamente...


Atenção: querem-nos fazer crer, os mesmos que puseram o Mundo num caos e com isso se enriqueceram imenso, criando e beneficiando-se de todo esse desvario, que tudo tem solução com umas pequenas operações plásticas, um pouco de ervanária e muita acção de mau malabarismo. Errado!, como já grito há pelo menos dez anos.


Temos, TODOS, de criar um novo paradigma de Sociedade HUMANA, com novas políticas e novos políticos sempre supervisionados pelos CIDADÃOS.


Na Europa, e em todos os países, tal como aconteceu com Obama nos EUA, pese embora as resistências e limitações existentes à indispensável MUDANÇA que ele tenta introduzir, temos que encontrar NOVOS POLÍTICOS capazes de implementar NOVAS POLÍTICAS mais solidárias, corajosas, éticas e transparentes, e capazes de traçar novos rumos a fim de que possamos sair do charco lamacento e desesperante onde estamos.


Os actuais líderes europeus estão comprometidos, até ao tutano e à exaustão, com o regime que ruiu porque foram eles que o criaram, impulsionaram, defenderam ou permitiram até há bem poucos dias. Lembram-se? Para mim eles JÁ não servem porque não merecem CONFIANÇA, por não terem a mínima CREDIBILIDADE e porque tenho as mais sérias dúvidas da sua genuína vontade e capacidade em serem os agentes da mudança que o Mundo reclama. Não são capazes: é uma questão de coluna vertebral!


Então, o que nos resta? O desespero total? NÃO, nada disso.


Restamos NÓS, OS CIDADÃOS, com o DEVER indeclinável de agarrarmos o nosso futuro, votando em quem quisermos sem nunca mais permitirmos que os políticos, sejam eles quem forem, usem os nossos votos como cheques em branco e com isso fazerem o que bem entendem sem nos consultar como se fossemos uns débeis ou uns carneiros que se deixam levar docilmente ao abate. Esse tempo tem que acabar de vez ou seremos todos co-responsáveis da destruição das nossas vidas e do nosso Planeta.


Como disse tão bem um dia o Doutor Mário Soares temos o direito sagrado à indignação!


Temos que ter a coragem e determinação:
1º - de exigirmos e conseguirmos desde já, na presente crise, que os responsáveis directos desta tremenda derrocada, sejam eles quem forem, sejam responsabilizados criminalmente, sem apelo nem agravo, e tenham os seus bens penhorados até ao limite dos desfalques (= roubos) feitos ao longo dos últimos anos,


2º - de fazermos compreender aos políticos, presentes e futuros, sejam eles quais forem, que não toleraremos nunca mais que:
- o sentido dos nossos votos seja desvirtuado e que, de ora em diante, exigiremos que os compromissos eleitorais sejam respeitados por eles, uma vez eleitos, e que não abdicaremos de ser consultados sempre e quando matérias de relevante interesse Nacional, ou municipal, estejam em causa (como, por exemplo, nos casos recentes: cobertura política e logística vergonhosa da iníqua guerra contra o Iraque, inclusive os voos da CIA, a ratificação ou não do Tratado de Lisboa, a descaracterização da estação fluvial de Alcântara por contentores…).
- o dinheiro dos nossos impostos seja desbaratado pela corrupção ou projectos desnecessários (ex: 10, dez!, estádios de futebol para o Euro 2004)
 

São apenas exemplos… Poderia escrever muito mais mas seria redundante. Penso que ficou claro o que quero dizer:
TEMOS QUE APERFEIÇOAR A DEMOCRACIA REPRESENTATIVA COM UMA COMPONENTE, ESSENCIAL, DE DEMOCRACIA PARTICIPATIVA EM TERMOS GLOBAIS E LOCAIS E TEMOS QUE REFORÇAR O CONCEITO E A PRÁTICA DA “CIDADANIA GLOBAL SOLIDÁRIA”, NUMA REDE FORTE E COESA, PORQUE INADIÁVEL E INSUBSTITUÍVEL.


Agora em Consciência e Liberdade totais que cada um vote e actue agora e no futuro como lhe aprouver!
 



publicado por Fernando Nobre às 21:56
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42 comentários:
De Humberto Sá a 5 de Maio de 2009 às 01:16
Humilde e sinceramente digo: -Que nobreza de pensamento ! Como o mundo seria outro se déssemos ouvidos a tão sábios conselhos !


De Fernando Nobre a 16 de Agosto de 2009 às 19:09
Somos todos nós os obreiros do Mundo que queremos. Vamos conseguir. Abraço amigo.


De Alanna a 1 de Abril de 2009 às 13:19
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De Fernando Nobre a 16 de Agosto de 2009 às 19:06
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De Manuela Magno a 15 de Março de 2009 às 11:40
Tomei a liberdade de publicar este seu texto no http :/ respublicar.blogspot.com /
Obrigada!
Abraço amigo


De Fernando Nobre a 16 de Agosto de 2009 às 18:59
Obrigado por tê-lo feito. Abraço amigo.


De Pedro Candeias a 14 de Março de 2009 às 21:11
Querido Fernando,
Permita que o trate desta forma carinhosa, pois apenas assim poderei expressar a minha admiração pelo ser que realmente é, e por toda essa estrondosa força de vontade em realmente dar de si, em prol de um equilíbrio e sustentabilidade existenciais de todos os seres vivos do nosso planeta. É com base neste entendimento de si, que me aventuro nas seguintes questões:
Não acha que, qualquer acção empreendida em direcção aos objectivos acima referidos, está à partida comprometida, face a um sistema capitalista totalmente desumano, onde os políticos e a democracia (como a conhecemos) são uma mera ferramenta, na perpetuação de um ciclo esclavagista, que nos mantém totalmente ofuscados e facilmente controláveis? Não acha que sem mudanças de fundo (independentemente do que isso implique...) ao nível do que está instituído e do que é percebido como aceitável, será impossível alterar a implementação de valores de intolerância e desigualdades entre seres humanos e todas as consequências trágicas que daí advenham? Não sente que, e apesar de todos os Fernandos Nobres do Mundo, os interesses de alguns nos continuarão a empurrar para o precipício?
Eu continuo a acreditar em mim, em nós todos, mas sem dúvida que temos que despertar deste pesadelo e entender que apenas nós poderemos levar a cabo a mudança... pois temos a força e o dever de o fazer!!
Um grande abraço




De Fernando Nobre a 15 de Março de 2009 às 21:49
O meu amigo tem toda a razão. O que está em causa é o ser humano e os valores que o norteiam. Cabe a cada um de nós, individualmente e actuando no colectivo que todos representamos, agir para que a mudança aconteça e que sejam traçados novos rumos para a Humanidade. Vai levar muito tempo? Vai. Mas tal constatação , triste, não nos pode levar ao conformismo e ao comodismo. Assim penso e tento actuar em conformidade. Sou uma gotinha de água? Sou. Mas não abdico, nem abdicarei nunca enquanto tiver forças e vida, de tentar dar o meu contributo para a mudança que entendo ser necessária para que amanhã os meus filhos, todas as crianças do Mundo, possam vislumbrar, e até viver, a Aurora tão desejada. Aproveito para pedir desculpas por andar um pouco alheado do diálogo convosco; tal deve-se apenas a problemas de saúde passageiros. Obrigado a todos.


De Anónimo a 17 de Março de 2009 às 22:58
Que se passa consigo, que está tão ausente, Homem de Deus??? olhe que há muita gente, anónima, e não, preocupada consigo. Trate-se bem e dê o ar da sua graça para desinquietar quem lhe quer bem, para além do que diz, do que faz, do que escreve. Enfim, gente que lhe quer bem.


De Fernando Nobre a 18 de Março de 2009 às 16:01
Não se preocupe meu amigo. Em breve estarei de regresso com a mesma força.


De Anónimo a 18 de Março de 2009 às 16:45
ainda bem, ainda bem. obgd pelas noticias


De Jorge Delfim a 14 de Março de 2009 às 03:56
Vejo que se prega (designadamente nos comentários) muita solidariedade e alguns mesmo invocam um grandioso “curriculum” de muita acção.

Eu não vou falar do que faço (certamente podia fazer bem mais) ou não faço (e devia fazer, mas como ser humano que sou, sou naturalmente imperfeito) em prol do que julgo ser o bem comum.

Mas porque aqui se refere – por razões óbvias – muitas vezes a AMI, e porque não me escondo por detrás de nenhuma letra, ou pseudónimo, o meu nome é mesmo Jorge Delfim, vou só dizer que, entre outras instituições de solidariedade a quem procuro ajudar, sou o AMIGO da AMI nº 5446.

Convido todos os participantes neste BLOG a tornarem – se, se o não são já, amigos da AMI.

Hajamos de facto em vez de pregarmos apenas boas – intenções (da qual diz a voz do povo está o inferno cheio) ou de pregarmos apenas acção.

Uma vez mais Bem – haja Doutor Fernando Nobre, porque o senhor é dos que não prega apenas pelas palavras, prega palavras e obras.

Para quem estiver interessado nesta dicotomia entre pregar apenas pela palavra (o que pouco importa) ou pregar pelas palavras e obras (assim se podendo mudar o mundo) aqui fica outra sugestão, a leitura dos Sermões Escolhidos, do Padre António Vieira, Ulisseia, pág., 50 e seguintes.






De Jorge Delfim a 31 de Maio de 2009 às 02:10
Relendo este comentário, que mantenho na íntegra, reparei que escrevi, por lapso, hajamos, com H, quando, obviamente, é ajamos (de agir, portanto sem H). A bem da nossa língua materna aqui fica a correcção.


De Jorge Delfim a 13 de Março de 2009 às 02:33
No céu cinzento, sob o astro mudo,
Batendo as asas pela noite calada,
Vêm em bandos, com pés de veludo,
Chupar o sangue fresco da manada.

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas, à chegada:
Eles comem tudo, Eles comem tudo,
Eles comem tudo e não deixam nada.
A toda a parte chegam os vampiros,
Poisam nos tectos, poisam nas calçadas...
Trazem no ventre despojos antigos
E nada os prende às vidas acabadas.
Eles comem tudo, Eles comem tudo,
Eles comem tudo e não deixam nada.
No chão do medo, tombam os vencidos,
Ouvem-se os gritos, na noite abafada,
Jazem nos fossos vítimas de um credo
E não se esgota o sangue da manada.
Se alguém s engana com seu ar sisudo
e lhes franqueia as portas à chegada!
Eles comem tudo, Eles comem tudo,
Eles comem tudo e não deixam nada.

José Afonso


De Jorge Delfim a 13 de Março de 2009 às 02:27

«OS TRISTES PEDANTES DO SÉCULO»
«Se eu, ..., manejasse o arado, apascentasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse um fato, ninguém faria caso de mim, raros me observariam, poucos me censurariam, e facilmente poderia agradar a todos. Mas, por eu ser delineador do campo da natureza, atento ao alimento da alma, ansioso da cultura do espírito e estudioso da actividade do intelecto, eis que me ameaça quem se sente visado, me assalta quem se vê observado, me morde quem é atingido, me devora quem se sente descoberto. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos. Se quiserdes saber por que isto acontece, digo-vos que a razão é que tudo me desagrada, que detesto o vulgo, a multidão não me contenta, e só uma coisa me fascina: aquela, em virtude da qual me sinto livre em sujeição, contente em pena, rico na indigência e vivo na morte; em virtude da qual não invejo aqueles que são servos na liberdade, que sentem pena no prazer, são pobres na riqueza e mortos em vida, pois que têm no próprio corpo a cadeia que os acorrenta, no espírito o inferno que os oprime, na alma o error que os adoenta, na mente o letargo que os mata, não havendo magnanimidade que os redima, nem longanimidade que os eleve, nem esplendor que os abrilhante, nem ciência que os avive».
Giordano Bruno, in «Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos»



De F a 12 de Março de 2009 às 13:49
Aqui há tempos fui assistir ao lançamento de um livro (http://blogscraps.blogspot.com/2008/10/origem-da-vida-livro.html), e um dos convidados dos autores era o Prof Alexandre Quintanilha. Ele falou sobre a Teoria da Evolução das Espécies e sobre o quanto, hoje, se conclui que Darwin não estava assim tão certo. Acontece que, segundo Darwin, as espécies evoluem graças "à lei do mais forte", graças à competição entre espécies, células. Hoje, a ciência está mais inclinada para seguir o modelo de que existe evolução devido à "cooperação" entre espécies / células. É muito curioso, não é?


De yulunga a 11 de Março de 2009 às 21:44
No post anterior o Dr. acabou por falar de polidas capas que escondem más pessoas. Felizmente que o oposto existe e deixa em nós marcas muitissimo boas.
O Dr. conhece e deve compreender África como ninguém, por isso gostaria de partilhar consigo um video que julgo irá gostar bastante.
Não deixe ver.
http://www.dailymotion.com/video/x7j7oh_le-seul-orchestre-symphonique-de-rd_music


De Jorge Delfim a 14 de Março de 2009 às 04:24
Belíssimo o vídeo que nos deu a conhecer.
Faz -nos ter esperança e acreditar que mesmo das pedras calcinadas podem nascer flores. Obrigado.



De Diogo Ribeiro a 10 de Março de 2009 às 20:35
Concrodo Dr. Fernando Nobre!

Da minha opinião pessoal, é tempo de pensar e de abrir os olhos. Sobretudo os sr.s dos diferentes governos por este mundo. A nossa democracia tem que ser repensada, e cabe a nós dar esse passo e não esperar que alguém, do nada, o faça. Nós, como seres humanos, como seres pertencentes a uma sociedade, temos esse dever e direito, o de ALERTAR.

Já está formado um lobbie entre diversas "instituicoes" (politicas e não só) e onde "todos" envolvidos "tiram beneficios".

Talvez um dia os nossos lideres, de todo o mundo, se juntem para tentar REALMENTE combater as desigualdades sociais, para tentar garantir a saude como um direito de todos, para combater a pobreza, e muito, muito mais. Mas isso só poderá, um dia, ser uma realidade, se todos nós agirmos, gritar-mos. E isso, começa em cada um de nós, agindo. Temos que nos mexer, o tempo não pára, as desigualdades aumentam, a saúde do mundo piora.

A verdade é que o nosso "mundo" está "doente", e quem o devia "curar", apenas pensa em lucro e poder.

Vamos lá! Força amigos!


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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- "Viagens Contra a Indiferença",
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- "Gritos Contra a Indiferença",
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- "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária", Temas e Debates/Círculo de Leitores

- "Um conto de Natal", Oficina do Livro
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