Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Em Janeiro de 2007, escrevi este texto, hoje prefácio de um livro prestes a ser publicado: "Comércio Justo para Todos", de Joseph Stiglitz e Andrew Charlton. Com a actual crise e os novos proteccionismos, como já era previsível em 2007, a ronda de Doha foi remetida para as calendas gregas... com essa atitude, os países ricos contribuem para que os ditos PVD não se possam desenvolver... A emigração continuará!...

 

Não sendo eu economista – e por isso não dispondo de todas as ferramentas que me permitam escalpelizar algumas análises ou capítulos mais técnicos deste livro – ouso, mesmo assim, afirmar, como médico-cirurgião humanitário que há quase 30 anos intervém nos grandes dramas do nosso desregulado e desequilibrado Mundo, que o livro "Comércio Justo para Todos”, de Joseph Stiglitz e Andrew Charlton, deveria ser de leitura e estudo obrigatórios para todos aqueles (economistas, políticos, estudantes – em especial da área socio-económica –, governantes de todos os hemisférios e latitudes, dirigentes das ONG, responsáveis do FMI, BM, OCDE, Clube de Roma, Clube de Paris, OMC, UE, G8...) que realmente querem contribuir para um melhor equilíbrio socio-económico do planeta Terra, condição sine qua non para a edificação de um mundo mais ético, mais harmonioso e de Paz.

 

Todos sabemos que não existe uma panaceia para tal alteração, pelo que passará necessariamente pelo advir de um novo paradigma humano e civilizacional. Mas todos sabemos igualmente que a aplicação de novos códigos de conduta nas transacções económicas entre Povos, Nações e Estados representa um passo essencial na caminhada de construção de uma humanidade com valores.

 

O comércio justo para todos, com tudo o que tal implica e como tão bem demonstra Stiglitz neste livro, é parte obrigatória de um cocktail ético e de justiça que deverá também integrar:

• o perdão da dívida e dos juros de dívida dos países mais pobres e endividados (alguns deles já pagaram várias vezes essas dívidas espúrias);
• o controlo da corrupção (moralização do binómio corrupto-corrupto) ;
• o desenvolvimento do micro crédito (é essencial que os decisores globais e o sistema bancário tenham em atenção as pessoas e entendam, por isso mesmo, que a microeconomia é necessária e indissociável da macroeconomia);
• o congelamento de todas as contas bancárias dos governantes corruptos (toda a gente sabe quem são), verdadeiros agentes do terror que matam à fome e mantêm reféns os seus povos miseráveis;
• a criação de um fundo de emergência e salvação para a África subsariana, constituído pelos fundos das contas dos corruptos, por uma taxa sobre as transacções financeiras (tipo Taxa Tobin), por uma taxa sobre as transacções de armamentos e por uma taxa sobre os voos aéreos;
• o desenvolvimento do comércio justo que incentive e proteja a sobrevivência dos pequenos agricultores do Sul;
• o investimento privilegiado na educação, saúde e mundo rural agonizante dos PVD;
• a moralização, nomeadamente da OMC e da sua nefasta política proteccionista de patentes de certos medicamentos e espécies agrícolas;
• a sobrevivência e o reforço da sociedade civil do Sul – único garante da democratização de certos regimes políticos, assim como da escolha de políticas de sustentabilidade;
• o reforço da intervenção pública das mulheres.


Como é evidente, só com uma acção multi-sectorial o que implica vontade e determinação políticas, até hoje não encontradas, por parte sobretudo dos países ricos, devidamente esclarecidos, sensibilizados e éticos – será possível estancar a hemorragia que está a matar grandes franjas populacionais nos países mais pobres. E é exactamente nesta matéria que o livro de Stiglitz é terrivelmente esclarecedor, e deveria servir de detonador para um novo amanhã nas relações comerciais entre os Estados.

 

Stiglitz, pelas funções económicas e políticas que desempenhou ao mais alto nível no Banco Mundial e na Administração Clinton, assim como pelo manancial económico, teórico e prático que possui e pelo profundo conhecimento que tem dos palcos (e dos bastidores!) das grandes rondas comerciais globais, sabe perfeitamente do que fala. Das denúncias de atitudes e comportamentos aos egoísmos e autismos que prevaleceram até hoje nas negociações do Uruguai Round e nas cimeiras falhadas de Cancun e Doha, Stiglitz aponta caminhos e soluções credíveis e exequíveis! Se houver visão e vontade políticas globais. Como ele tão bem afirma a dado momento, “uma verdadeira ronda de desenvolvimento deveria ir para além do acesso ao mercado”. Sem dúvida: deveria ir ao encontro dos profundos desejos das pessoas e dos povos que anseiam, antes de mais, por equidade, justiça e direito a viverem dignamente, sem serem permanentemente humilhados pelas suas indigências e misérias diárias!

 

Os caminhos apontados por Stiglitz, acoplados aos que já enunciei e a outros possíveis, vão seguramente na direcção certa: a única que, cortando o mal pela raiz, permitirá evitar a emigração em massa (que já apavora a Europa) e o terrorismo e as consequentes derivas securitárias (em breve ditatoriais?) que tantas vidas ceifam e tanto nos preocupam.

É sintomático e reconfortante constatar como grandes personalidades ligadas aos sistemas bancário, financeiro, comercial e institucional – tais como Joseph Stiglitz, George Soros, Jacques Attali, Muhammad Yunus, Bill Gates – tomam consciência de que é necessário um novo paradigma económico e institucional para evitar que o mundo regresse à barbárie e mergulhe no apocalipse. Nessa constelação, Stiglitz, que foi um verdadeiro insider do sistema económico dominante e opressor ao serviço das grandes economias ocidentais (com muitos dos seus programas de reestruturação económica e de privatização que se revelam verdadeiramente desestruturantes, senão mesmo verdadeiros assassinos económicos das economias débeis dos países mais frágeis) –, melhor do que ninguém sabe que é necessário inverter rapidamente a marcha fúnebre das últimas décadas... A esse respeito, hoje já não restam dúvidas: a globalização económica em curso, verdadeiro rolo compressor impulsionado pelas economias dominantes e as suas empresas globais, aumenta a pobreza dos mais pequenos e fracos, porque não são tidos em conta, votados que estão ao esquecimento.

 

Stiglitz demonstra também que não há apenas uma estratégia económica única de crescimento e de desenvolvimento e que a liberalização total da economia associada a uma desregulamentação desenfreada e a uma demissão total do Estado, é, para as economias fracas – mesmo se tendencialmente emergentes – contraproducente. Os casos de Singapura, Malásia, Coreia, China e Índia são disso exemplo: afirmaram-se como casos económicos de sucesso, porque os seus governos actuaram sempre como reguladores dos factores de crescimento que mais lhes convinham e que melhor se adaptavam ao estado das suas economias e sobretudo das suas fragilidades conjunturais. Como é bom ler Stiglitz e compreender que a Economia, no seu todo, não é um dogma e que há caminhos que interessa trilhar com bom senso e sensibilidade humana.

 

Para mim, que passo a vida a palmilhar o nosso planeta e convivo com as suas mais gritantes e insuportáveis assimetrias geradoras de tanto sofrimento, é reconfortante constatar que Stiglitz, economista prestigiado, mas também ser humano pungente, coloca o homem no cerne da economia e dos seus rounds comerciais globais, quase sempre norteados por egoísmos nacionais ferozes e visões tacanhas, sem rasgo nem futuro para o colectivo humano!

 

É essencial que se perceba que é necessário promover uma repartição mais justa das riquezas do mundo – e 2007 dirá se as negociações comerciais do ciclo de desenvolvimento encetadas em 2001 (em Doha), continuarão a ser um rotundo fracasso ou não. É necessário que as empresas globais e os governos que têm incentivado e dominado as estratégias do subdesenvolvimento perene dos mais fracos assumam compromissos claros de não estrangulamento da sobrevivência dos pequenos agricultores do Sul. Como podem competir estes pequenos agricultores com os grandes monopólios do Norte que definem as regras e são, ainda por cima, maciça subvencionados e têm os seus mercados protegidos?

Permitam-me uma metáfora: como pode um perneta famélico competir com um campeão olímpico superalimentado e medicamente assistido e ainda por cima dopado? É impossível.

Há, pois, que criar mecanismos que permitam reequilibrar as hipóteses de sucesso para que a competição em curso, nesta globalização pervertida, tenha algum interesse e lhe sobeje uma réstia de equidade. É disso que Stiglitz trata, e bem, quando aborda o tema “Tratamento especial para os países em vias de desenvolvimento”. Não basta, como faz a OMC, que lhes sejam reconhecidas “necessidades particulares”.É preciso actuar; passar dos discursos à prática; ter a coragem política e técnica para aplicar já os correctivos necessários (que são conhecidos) e que Stiglitz magistralmente apresenta. É lamentável que até hoje tenham sido sistematicamente rejeitados os pedidos dos países africanos para que os subsídios pagos aos agricultores do Norte sejam reduzidos e que a compensação seja paga aos agricultores africanos.

 

Há muito mais economia para além do consenso de Washington e da sua prática neo-liberal extremada! Stiglitz demonstra sabê-lo, mas demonstra sobretudo coragem e inteligência. Lamy Summers, que foi ministro de Bill Clinton, dizia recentemente: “A redistribuição dos dividendos da globalização é hoje a questão mais importante colocada às democracias desenvolvidas”. Tanto Stiglitz como Summers têm, quanto a mim, total razão: se não corrigirmos e actuarmos por humanidade, como tenho afirmado inúmeras vezes, façamo-lo por inteligência e até por mero egoísmo de sobrevivência. É o mínimo que podemos exigir! Sabemos que, infelizmente para alguns, os tubarões, os assassinos económicos que desmantelam Estados e Economias em benefício próprio ou dos seus mandantes, só há uma palavra: “rentabilidade-lucro”. Mas, e repito-o, só para alguns”! Desconhecem ou desprezam a palavra solidariedade. Tudo bem. Mas será que são tão cegos ou burros que não alcançam o que a Inteligência hoje exige para a salvaguarda das Novas Democracias e da Paz no Mundo? Porque, ao fim e ao cabo, é disso que se trata quando se negoceia, quer seja em Seattle, Doha, Monterey, Cancun ou no Fórum Económico Mundial de Davos!

Escrevo este prefácio – que muito me honra, embora não conheça pessoalmente Joseph Stiglitz – em Nairobi, onde decorre o Fórum Social Mundial 2007 e onde estive em 1992. Preocupa-me a SIDA, os campos de refugiados somalis e a tragédia em curso na Somália desde 1991. O que os cidadãos do mundo exigem é o reconhecimento de uma cidadania global, ética e responsável, e compromissos sérios a favor de um desenvolvimento global durável, únicos garantes de uma Paz sustentada. Acreditamos que um outro Mundo, mais justo, mais social, mais ambiental, mais intelectual, mais pacífico é ainda possível. Acreditamos ainda que é possível construirmos um mundo de diálogo, de pontes, de inclusão e de Paz social.

 

Não tenho dúvidas de que Stiglitz está nessa démarche. O seu livro faz um diagnóstico certeiro e propõe terapêuticas alternativas que são, para mim, convincentes. Stiglitz não é nenhum fundamentalista dogmático e por isso merece, no mínimo, ser escutado e entendido. Acredito que este livro, como outros que escreveu recentemente, merece ser divulgado e lido, pois é indubitavelmente um contributo positivo que, se seguido, permitiria minorar muito sofrimento no mundo. Como disse no início deste prefácio, o comércio justo é uma das ferramentas essenciais à correcção dos desequilíbrios e assimetrias hoje existentes. Não é a única, mas se aplicada, seria com certeza uma alavanca poderosa para fazer surgir e avançar as outras que lhe são complementares, pois demonstraria que seria possível vislumbrar um novo paradigma nas relações comerciais globais.

 

A esse respeito, enquanto cidadão, no que concerne às rondas negociais sobre patentes e direitos intelectuais sobre os medicamentos, considero essenciais que se prevejam acordos de partilha justos sobre as descobertas científicas e as suas implicações económicas, com os países do Sul (fornecedores das matérias-primas florestais essenciais às investigações e às descobertas de novos fármacos por parte das indústrias farmacêuticas do Norte!). Eis um exemplo muito concreto de justiça e de moralidade que, se inserido, aplicado e respeitado nas rondas comerciais globais permitiria o acesso aos tratamentos, a um preço enfim acessível a muitos milhões de pessoas que hoje morrem por não os conseguirem comprar!

É disso também que se trata quando se fala, no concreto, de comércio justo! Este livro, ao desmontar claramente os mecanismos de distorção processuais das negociações globais (GATT, OMC), aponta caminhos e soluções e mostra-nos o que está em jogo: evitar a curto e médio prazo, a explosão da Bomba Social Global que permitimos que se criasse e armadilhasse. O que não se fez até agora – por não se escutar Josué de Castro (Geopolítica da Fome) e René Dumont (A África Começa Mal) que muito nos alertaram sobre os caminhos perversos que nos conduziram ao presente inquietante – podemos ainda fazê-lo se tivermos enfim a inteligência de Stiglitz.

 

O subdesenvolvimento – e Stiglitz demonstra-o tão bem – não é o resultado de um qualquer atavismo genético, geográfico ou climático de que padecem certos povos. Também não é inultrapassável nem incurável. Há soluções. Stiglitz aponta algumas das mais importantes. Para as pôr em prática, serão necessários inteligência, vontade e capacidade políticas e, porque não, humanismo. O busílis da questão, quanto a mim, está na vontade e capacidade políticas. Receio que essa “vontade e capacidade políticas” dos decisores globais só se manifeste sob pressão de uma Cidadania Global responsável, actuante e exigente. Essa Cidadania Global está em fase de constituição de forma acelerada e estou certo de que será decisiva na génese de um novo paradigma humano e societário que obrigará a uma nova abordagem nas negociações comerciais globais, assim como em tantas outras matérias decisivas, que permitirão uma Sociedade Humana mais justa e equilibrada.

 

Stiglitz é hoje uma referência e as suas Prioridades para uma Ronda de Desenvolvimento – verdadeiro roteiro para se sair do embuste em que caíram as rondas comerciais actuais (dirigidas por mentes tacanhas, insensíveis e, ouso afirmá-lo, incompetentes por tanta tecnocracia mal dirigida) – deveriam ser de aplicação imediata.

 

Desejo sinceramente que o conjunto de ferramentas económicas e políticas que Stiglitz desenvolve e propõe seja adoptado por quem de direito: todos nós.


Talvez assim, com inteligência, valores e uma economia virada para o Ser Humano, ainda se vá a tempo de se erguerem muralhas eficazes contra a tragédia já anunciada, mas ainda evitável. Talvez assim o optimismo da vontade ainda se possa sobrepor ao pessimismo da razão...

 

Bem hajam por isso, Joseph Stiglitz e Andrew Charlton por terem escrito este livro e a ASA por o publicar em Portugal.

 

Nairobi, 25 de Janeiro de 2007

 



publicado por Fernando Nobre às 11:27
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21 comentários:
De Viagens a 28 de Novembro de 2010 às 20:54
Força e que Portugal acorde antes das eleições! Abraço!


De Olga Velez a 20 de Fevereiro de 2010 às 00:02
A minha gratidão Dr. Fernando Nobre, pela sua Obra, pelo Homem e Humanista que é.
Bem-haja por me "obrigar" a votar novamente. Quando me desiludi, entendi que não mais daria o meu voto. Ele é demasiadamente importante, para que o conspurquem com a política de compadrio, com que não pactuo.
Agora sei que posso voltar a ter esperança no meu País!

Obrigada
Olga velez


De Fernando Faria a 18 de Fevereiro de 2010 às 13:08
Muito obrigado Dr. Fernando Nobre pela iniciativa que tomou, finalmente uma luz ao fundo do túnel aparece para muitos portugueses, desiludidos com a falta de objectividade criada por muitos intervenientes políticos que põem os seus interesses pessoais acima dos do Estado.
Conte comigo "incondicionalmente".
Fernando Faria


De Graça a 26 de Julho de 2009 às 16:47
Dr. Fernando Nobre

È com muito prazer que tive conhecimento do deu blog.

Quando vi um programa na Televisão sobre o Senhor Dr. e o seu trabalho ainda fiquei a admirá-lo mais.

Admiro as pessoas que na vida ajudam e amam o próximo incondicionalmente.

Dar mais sem nada receber deveria ser o lema de vida para muitos.

A nossa recompensa deveria ser o bem estar dos outros, isto já nos fáz feliz.

Sempre gostei de ajudar e de me preocupar pelos outros, mas não à sua escala. Por isso o admiro tanto e respeito.

Já andei no site da AMI para ficar com mais informações.

Dr. Fernando Nobre, gostaria que me desse indicação do que poderei enviar como donativo no contigente que parte em Setembro para Timor.

Deram-me indicação de material de higiéne oral material de higiene pediátrico.

Já tenho disponível algum material, mas gostaria, se possível, que o Sr. me desse mais alguma informação.

Seria optimo para poder enviar produtos necessários.

Mais uma vez, a minha admiração por si, pelo seu trabalho.

Bem haja

Um abraço

Graça Lobato









De Fernando Nobre a 13 de Setembro de 2009 às 22:22
Peço imensa desculpa mas só hoje, revisitando o meu blog, vi o seu texto e outros sobre este texto. Espero que ainda vá a tempo! Para Timor tudo o que lhe disseram é válido. Seria bom acrescentar material escolar: cadernos, lápis, borrachas, marcadores, pastas... Mais uma vez mil desculpas. Abraço amigo.


De Rui Herbon a 23 de Junho de 2009 às 13:47
Prezado Fernando Nobre,

Decidi, na sequência do prémio que me foi concedido e em virtude do mérito evidente deste espaço, atribuir-lhe o Prémio Lemniscata:

http://ainutildeambulacaodaescrita.blogspot.com/2009/06/um-premio-e-o-efeito-boomerang.html

(Existe o dever de informar o premiado, e este decidirá por distribuir, ou não, sete novos prémios.)

Um abraço,
Rui Herbon


De Fernando Nobre a 13 de Setembro de 2009 às 22:26
Obrigado pela atenção. Não mereço distinções. Faço apenas o que em dever me compete. Abraço amigo.


De Bastet Ailuros a 22 de Junho de 2009 às 22:52
Houvesse neste planeta muitos "homo sapiens" como o Dr. Fernando Nobre. E houvesse vontade de mudar a economia do mundo, pois a que temos não serve.

Aqui fica um prémio virtual, é muito pouco em comparação com o que merece.

Obrigada por existir.

http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com/2009/06/premio-lemniscata.html


De Fernando Nobre a 13 de Setembro de 2009 às 22:24
Obrigado e abraço amigo.


De paula batista a 15 de Junho de 2009 às 20:03
Caro Dr. Nobre,

Em primeiro lugar PARABENS pela AMI e pelo seu magnifico trabalho!
Leio sempre com atenção todos os textos publicados e também eu tenho um sonho: será que é possível ensinar cuidados de saúde mesmo nas regiões mais pobres e esquecidas da Terra?
Agradeço toda a informação pois acredito que ela constituirá a base do meu futuro.

um abraço AMIgo :-)

maria paula batista



De Fernando Nobre a 17 de Junho de 2009 às 15:17
Cara Amiga é sempre possível ensinar e ao fazê-lo aprendemos sempre. O que varia é o grau de persistência que por vezes é necessário para se atingir resultados. Na AMI já o fizemos até nas montanhas da Papua. Sempre é possível. Abraço.


De paula batista a 17 de Junho de 2009 às 17:39
Obrigada Dr. Nobre pelo apoio e palavras de incentivo, seria importante saber como posso entrar nestas equipas, uma vez que sozinha pouco posso fazer mas em grupo aprenderia muito:-)

maria paula


De Fernando Nobre a 30 de Junho de 2009 às 18:08
Contacte por favor com o Departamento Internacional da AMI para ver se é possível... Outra forma, para se ter uma experiência embora curta, é o projecto " Aventura Solidária " da AMI (ver site). Força e nunca desista. Se não for com a AMI é com outra instituição portuguesa ou outra... Abraço.


De ana lopes a 14 de Junho de 2009 às 18:02
nobre doutor:
tenho 1 aperto no peito, uma espinha cravada na garganta desde a notícia do real (eu que sou adepta ferrenha, das q vai à bola no barnabéu e tudo!). qd por forma a tornarem o número mais compreensível referiram os milhões de bocas que seria possível alimentar com tantos euros, senti-me sem força, triste, desiludida, desesperançada da humanidade. porque não é só o dinheiro que se gasta, mas a importância que se dá ao acontecimento, como se de um grande feito se tratasse realmente. o adriano correio de oliveira, escrevia num livro sobre o zeca que "o mundo está feito ao contrário"... eu vou mais longe, está primorosamente retorcido (qual vólvulo a requerer cirurgia urgente). e nestas alturas, a comichão (incómodo) da vontade que sinto dentro de mim, faz-se quase insuportável, e tenho necessidade de começar ontem a fazer alguma coisa para colocar em andamento o meu plano (o tal que é megalómano para alguns). dele faz parte uma ideia que muito gostaria de lhe expôr. digamos em abono da verdade que a ana lopes não pode mexer uma palha, mas a AMI tem já (Graças a Deus) um impacto e uma força consideráveis. eu tenho esta ideia do turismo solidário, e acho que tem potencial (embora às vezes pense que só é realizável na minha cabeça), mas preciso de a traduzir em palavras, para alguém que possa acreditar nela, e que talvez a consiga converter (ou pelo menos ajudar nesse sentido) em algo palpável. se me puder facultar um contacto para onde possa escrever-lhe, agradecia-lhe imenso. desculpe estar a amaçá-lo, acredito que sejamos muitos diariamente com ideias e pensamentos e desabafos e coisas e tudo... é a sua cruz:)
the last but not the least, há uma coisa que quero mesmo dizer-lhe. quando se sentir desanimar, cansado, ou descrente da humanidade, pense em nós... nos espíritos que a sua força e o seu amor pelo próximo vão inflamando. não há melhor herança para deixar neste 3ro calhau a contar do sol... o seu trabalho nunca vai acabar, porque mesmo quando sentir que tem de parar para recuperar forças, os seus outros braços vão estar no máximo da capacidade, a produzir e a manter o seu projecto a crescer.

abraço amigo
ana:)


De Fernando Nobre a 15 de Junho de 2009 às 10:19
Amiga Ana escreva ou contacte com a minha secretária na AMI que arranjaremos os dois, estou certo, tempo para falarmos... Força e Abraço.


De paula a 11 de Junho de 2009 às 17:18
Esta semana:
Real Madrid paga 65 milhões de euros por Kaká, 38 milhões por David Villa e 96 milhões por Ronaldo
Não há uma comissão de ética internacional que controle isto quando tantos milhões morrem de fome?


De Fernando Nobre a 12 de Junho de 2009 às 17:25
A minha amiga tem razão. Há dias que gostaria de deixar este Planeta porque também eu, às vezes, perco a esperança que me conduziu e em nome da qual lutei até quase à exaustão e pouco dormi... (Há poucos dias parti o 6º carro a dormir: foi o 6º sinistro total em poucos anos!).

Ando com pouca paciência, confesso. Até alguns amigos tomam isso como falta de humildade ... Se soubessem quanto por vezes é pesada a cruz e como é bom receber um verdadeiro abraço de um amigo! É fácil julgar. Sentido abraço e até um dia.


De paula a 12 de Junho de 2009 às 23:45
Daqui da distância que limita o julgamento, atenta, pelo que leio, vejo e ouço, e não pertencendo ao seu círculo de amigos, confesso que por vezes parece-me transparecer, não falta de humildade, mas de abertura (talvez vá dar ao mesmo). Eu sei que o cansaço e a desilusão tomam muitas caras, sei que é difícil parar, mas pelo bem de todos que precisam de si, por si, descanse.


De Anabela a 15 de Junho de 2009 às 12:10
Olá Dr Fernando!
Pelo que já soube tem um anjo da guarda muito bom e que o tem protegido em inúmeras situações, nomeadamente nestas dos acidentes automóveis... Talvez o faça porque sabe e vê o que faz pelas pessoas, porque o conheçe bem e sabe que faz falta a muita gente aqui neste mundo. No entanto, convém não abusar, porque ele também poderá estar a dormir um dia destes...
Por isso humildemente lhe peço, como sua amiga, que pense só mais um bocadinho em descansar e que não ande constantemente a esticar os limites para durar muitos e longos anos...
Um abraço amigo
Anabela


De Beatriz a 6 de Junho de 2009 às 21:55
Dr. Fernando Nobre

Eu estive presente na conferência sobre os Crimes da Guerra, que deu na escola onde sou aluna, a Secundária José Falcão, em Coimbra.

Para mim teria sido um motivo de felicidade e uma grande honra, poder dizer-lhe pessoalmente que gostei imenso da sua palestra e que o que disse mudou definitivamente a forma como vou passar as minhas férias nos próximos anos.

Por favor nunca deixe de ser a fonte de inspiração e de esperança que foi para mim.

Tenho a certeza que as suas palestras podem influenciar os jovens a quererem ajudar.

Muito Obrigada


De Fernando Nobre a 8 de Junho de 2009 às 17:57
O futuro é vosso! Agarrem-no bem e nunca o larguem... Força e muito obrigado pela força que me deu!


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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