Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

Meu Deus como ouso eu escrever-te esta carta quando de Ti tanto duvidei e ainda por vezes duvido embora não entenda o Universo sem Ti. É certo que de Ti, ou dos teus mensageiros (Abraão, Moisés, Boudha, Jesus, Maomé), retive o que norteou e norteia a minha vida: “Não matarás”, “Que aquele de entre vós que não cometeu pecado lhe lance a primeira pedra” e “...perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido...” e, sobretudo, que o Amor é a essência da vida!

E é por isso, Jahvé, que ouso escrever-Te. Faço-o porque, confesso, estou perplexo, revoltado e perdido. Se Tu és único, e por isso necessariamente o Pai de todas as criaturas, independentemente da crença que professam ou não, como entender que todos os apologistas do ódio, da guerra e da exclusão, independentemente da crença que professam ou não, ousem sem vergonha invocar permanentemente o Teu nome para justificarem os seus crimes, a sua ganância e o sofrimento que infligem aos seus irmãos? Dir-me-ás que sempre assim foi...mas será que teremos de continuar sempre nesta senda absurda, intolerante e mortífera? O “olho por olho, dente por dente” está-nos a deixar a todos cegos e desdentados...Recuso-me a aceitar-Te como qualquer “deus” menor, vingador, castigador e sectário...

Allah o que poderemos nós fazer, nós, simples poeiras efémeras, para que todos na Terra e no Universo entendam que só há um caminho para acabarmos com tanta loucura: o Amor, outro dos teus Nomes. Tu que és Luz, será que conseguirás acabar com todos os fundamentalismos e terrorismos? Será que a Tua centelha sagrada perfurará a muralha empedernida de estupidez e de indiferença assassina presente em tantas mentes tacanhas e cegas que ainda não sabem o que é humildade e sensibilidade? Se as próprias galáxias são poeiras no infinito Universo, que crias em permanência, será que esses inconscientes que são menos que átomos, assim como nós todos, se deixarão iluminar por Ti? Ainda haverá esperança? Quantos milhões de anos luz até que Tu, a Luz, os penetres e retires, e nos retires também!, das trevas?

Tu, O Inacessível, que tantas vezes procuro na dor das guerras, da fome, dos campos de refugiados...serás mesmo inacessível ou sou eu que não te sei encontrar porque emaranhado nas minhas contradições, nos meus medos? Será que só és O Invisível porque não Te queremos ver? Permanentemente mergulhados no horror ou nas névoas das nossas mentiras e ilusões estaremos condenados à cegueira e à desorientação perpétuas?

Tu, porque não te imagino de outro modo, que és Compaixão, Solidariedade e Ponte de Diálogo entre todos os teus filhos, nós todos, como é que te sentes há milénios perante tanta barbaridade? Será verdade que tudo isso é só teatro, ilusão e sonho? Será verdade que todos os terrores e atrocidades a que diariamente assistimos são indispensáveis ao nosso desenvolvimento espiritual colectivo da mesma maneira que só a escuridão dá sentido á luz? Será que um dia farás que acordemos e percebamos que todo esse não senso era só encenação? Será que a morte é o acordar, o renascer...? Andamos todos equivocados e daí a minha desorientação?

Tu, o Grande Arquitecto do Universo, como consegues manter o equilíbrio, a serenidade? Porque és o único verdadeiro sábio, conhecedor e fazedor do princípio e do fim, o alfa e o ómega da nossa caminhada aparentemente sem nexo. Sim porque só Tu, o Inalcançável, sabes donde viemos e para onde vamos. A nós restam-nos as suposições, as frustrações, os desejos, as crenças...

Só Tu, que és a única e verdadeira Força, o coreógrafo da valsa das galáxias, entendes o que a harmonia e a beleza encerram e pretendem. Para mim são necessariamente o objectivo último da Humanidade para o qual tanto gostaria de poder contribuir com a minha pincelada. Será? No Outono da minha vida, sem certeza nenhuma de alcançar o Inverno letárgico, ou revigorante, estou, meu Deus, cheio de dúvidas e de medos para o Mundo, para os meus, para mim...Mais do que nunca sinto-me uma inexistência...

Olho para a montanha que me reservaste para subir e receio já não ter forças para escalar o que me resta ainda vencer e ter assim uma possibilidade de chegar ao arbusto ardente, a Ti.

Se não conseguir garanto-Te que tentei e continuarei a tentar até ao último dos meus suspiros pois, como sempre me ensinaste, e acredito, “o que tem de ser tem muita força”. Tu tens que ser. Se assim não for já nada tem sentido para mim e terei vivido uma falácia. Não pode ser!

Desde aquele dia, na Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, em que não me senti merecedor de um sinal que me enviaste (assim hoje creio) e por isso, descrente, Te pedi confirmação (o que evidentemente não me concedeste), que me julgo indigno de Ti. Não estava preparado. Mais uma vez, pecador, nesse dia duvidei de Ti, da tua força, duvidei de mim e do meu merecimento.

Só espero que no fim dessa minha permanente andança pelo mundo, onde tento apenas ser um bombeiro que distribui umas gotas de água (a pressão na mangueira é quase nula), esteja um dia pronto para Te reconhecer se tiver a felicidade de Te encontrar.

Possa o arco em que me transformaste ter força suficiente para que as acções e as preces que tem lançado se tenham aproximado de Ti. Se assim não foi é porque errei. A minha única defesa será dizer: pelo menos tentei! Será?

Até esse momento derradeiro em que espero fundir-me em Ti, e impregnar-me de uma ínfima parcela da tua sabedoria, faz-me entender este mundo que tanto me machuca e me tritura. Para tal eis-me aqui pronto para beber a taça de fel que eventualmente me tenhas destinado. “Caminho plano não leva ao céu”... diz a sabedoria popular.

Dá-me então forças para continuar a subir a montanha e um dia ter a suprema felicidade de beber uma taça de mel e leite contigo.

Tenho pois que continuar a subir a montanha...
 


 



publicado por Fernando Nobre às 23:59
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

Ao ouvir as notícias dos últimos 3 dias (200 mortos em Gaza) só posso, mais uma vez , lamentar a escalada de violência na Terra Santa. 

Como é que é possível que, no lugar em que as três religiões do Livro veneram de igual modo os três patriarcas (Abraão, Isaac e Jacob), se assista, continuamente, a tamanha barbárie e que a política do "olho por olho, dente por dente" esteja a deixar-nos a todos cegos e desdentados? 

Esperemos que a próxima liderança norte-americana tenha capacidade para sentar à mesa de negociação os envolvidos e encontrar uma solução. 

Continua actual o texto que escrevi em 2002, como editorial da AMInotícias:

 

Tenho apenas uma pretensão: a de ser um espírito livre. Acredito que a consciência humana é o que há de mais belo porque, quando impoluta, é inquebrantável, indomável e não se vende, e dou como exemplo admirável o insigne Cônsul Aristides de Sousa Mendes, de ilustre memória para toda a Humanidade, na sua intransigente e justa defesa dos judeus durante a 2ª Guerra Mundial.


Dito isto, entendo que há momentos em que, como todo o ser humano, tenho o dever indeclinável de dar um grito de protesto, por imperativo de consciência: é o que tenho feito e espero poder continuar a fazer, enquanto tiver força e oportunidade, contra as injustiças, venham elas de onde vierem.


Hoje, não me posso calar perante o insuportável e intolerável drama do sacrificado e mártir povo palestino, e o cortejo atroz das suas inocentes vítimas israelitas.


O exacerbado drama humano em curso na Palestina e em Israel explica-se, como é evidente, por factores históricos mas, actualmente, sobretudo: 

 

1º- pela intolerância e arrogância do governo israelita tendo à cabeça um primeiro ministro com marcadas tendências neonazis que julga, com o álibi da “luta contra o terrorismo”, tudo lhe ser permitido para matar a Autoridade Palestina, que manifestamente abomina, sem que haja ninguém para o parar na sua louca e suicidária aventura que, manifestamente, já vai longa! Lembro-me do cerco de Beirute em 1982 (estive lá!) e das matanças nos campos de Sabra e Chatila.... E não me venham com o argumento de que “é democrático porque foi eleito”, porque, nesse caso, o famigerado, louco e assassino Hitler também era democrático porque também ele foi eleito em 1933 e, nesse caso, se o Le Pen um dia fosse eleito também se tornaria, ipso facto, democrático...! Como é possível que um povo, o judaico, que tem uma história milenar repleta de sofrimento e de vultos importantíssimos para a Humanidade aceite ser governado por tal carrasco? Interrogo-me, não compreendo. Seria importantíssimo relerem, entre outros, MILA 18, EXODUS, OH JERUSALEM... e repensarem nos Dez Mandamentos de Moisés e no suicídio colectivo em MASSADA durante a ocupação romana para entenderem que não têm o direito de fazerem aos outros o que injustamente lhes fizeram... Por isso sofri ao visitar os campos de extermínio de Auschwitz e de Dachau. Nunca entenderei a barbárie!

2º- pela incompetência e corrupção de uma certa elite política palestiniana e árabe completamente alheada dos verdadeiros interesses dos seus povos, que pouco ou nada fizeram para melhorar as suas tristes e miseráveis condições de vida, nomeadamente nos campos de refugiados, enquanto vultuosos financiamentos da União Europeia, do Japão, da Arábia Saudita, dos Emiratos Árabes e da importante diáspora palestiniana iam chegando... De salientar que o pouco que tinha sido feito está hoje reduzido a escombros pelo vandalismo arrasador das invasões das forças israelitas...

3º- pela indiferença, falta de coerência, inoperância, cobardia e parcialidade da comunidade internacional, em todo o seu espectro e esplendor, dos Estados Unidos da América à União Europeia, passando pelas Nações Unidas e outros ...


Nenhum espírito minimamente bem formado e informado, inclusivamente sobre o sumário da História dos últimos 3000 anos!, pode aceitar ou sequer alhear-se das acções e tendências em curso nem deixar de estar seriamente preocupado com o futuro da Democracia e, por isso, da Paz no Mundo.


Porque no fim de contas é “apenas” e “só” isto que está em causa: a Paz e a Democracia no Mundo. Com o “cair da máscara”, acção cinicamente legitimada com o trágico 11 de Setembro de 2001, instalou-se, sem a mínima vergonha, a política de dois pesos e duas medidas, do mais forte, da indiferença, da intolerância, do desprezo, da arrogância e do “quero, posso e mando” que em nada se coaduna com um Mundo harmonioso e sustentado, que legitimamente pretendemos para todos.

 

Um Requiem pela Humanidade, orquestrado e dirigido por maléficos maestros, está a ser tocado. Oxalá seja interrompido a tempo dando lugar, a nível global, a um novo sistema baseado em Princípios, Valores e Ética com os mesmos Deveres e Direitos para todos, sem excepção.

 

A utilização do vocábulo “terrorista” tem manifestamente, e sobretudo após o 11 de Setembro, intenções e estigmas que importa desmascarar. Não está em causa o profundo sentimento de dor que sentimos pelas vítimas, sejam elas israelitas ou palestinianas, martirizadas pela violência bárbara que a todo o momento as despedaça, (até que seja a nossa vez!), seja às mãos de um homem ou mulher bomba (amanhã, quem sabe?, uma criança), seja às mãos de um condutor de um buldozer que lhes desfaz a casa por cima das cabeças só porque não querem abandoná-las ou porque não as abandonam suficientemente depressa! O que está evidentemente em causa é a perversa manipulação na utilização da palavra “terrorista”. “Terroristas”, poderemos vir a ser considerados todos nós amanhã, você e eu, tal como foram sempre considerados todos os resistentes e, por isso, executados quando apanhados, como sucedeu, por exemplo, com muitos europeus (tais como os heróicos resistentes judeus do Gueto de Varsóvia) assassinados pelos nazis alemães durante a segunda guerra mundial. “Rebeldes” ou “Terroristas” já o foram, ou de tal seriam apelidados hoje!, todos os Resistentes, Libertadores ou Fundadores de Estados, alguns hoje quase endeusados pelos seus povos, tais como Dom Afonso Henriques, Simon Bolívar, José de San Martin, George Washington, General De Gaule, Ben Gourion, Agostinho Neto, Patrício Lumunba, Mao Tse Tung, Ho Chi Minh e milhares de outros que sentiram a necessidade de, em nome dos seus povos, resistir por todos os meios ao seu alcance, mesmo os mais cruéis, à opressão, à humilhação e ao desespero infligidos aos seus povos ou para os levar rapidamente à vitória... Todos eles comanditaram e ordenaram acções de terror contra os seus dominadores ou inimigos vitimando dezenas, centenas, milhares, centenas de milhares, ... de vítimas inocentes: trata-se de factos. Tudo o resto são interpretações históricas, políticas e morais ajuizadas em função da visão ou do interesse dos que tiveram a sorte de saírem vencedores!


Ai dos perdedores, porque para esses não há nem nunca houve perdão: muitos acabaram fuzilados, enforcados ou a apodrecer em masmorras! Assim teriam acabado todos os que citei, como aconteceu com o Patrício Lumunba, se tivessem perdido! Outros houve, porém, embora também terroristas, tais como Fouché, Estaline, Menahem Beguin, Pinochet... que foram adulados acabando as suas vidas feitos duques, presidentes, primeiros ministros e mesmo Prémio Nobel da Paz, pasme-se!


Assim nos querem vender hoje o Arafat e certos palestinos como “terroristas” mas não o fazem com os “terroristas” Ariel Sharon e alguns dos seus seguidores.
No entanto, ambas as partes têm folhas de serviço de puro terror, a primeira como entidade dominada, humilhada e resistente e a segunda como entidade dominadora e opressora ... embora sempre com as palavras Deus, Paz, Democracia e Povo nos lábios.

 

Ouso pois afirmar que para haver Paz na Palestina tem de haver absolutamente: Equidade, Equilíbrio, Respeito, Humanidade e Tolerância.
Quero com isso dizer:
- Dois Estados Independentes (e não um Independente, Israel, e o outro uma Colónia, um Bantustão ou um Protectorado desmilitarizado, sem controlo das suas fronteiras e sem direito a uma política externa autónoma...), o que obrigatoriamente impõe 
- o desmantelamento e o fim dos colonatos israelitas no futuro Estado da Palestina (que já só representa 22% da antiga palestina) e exige que 
- Jerusalém, Cidade Santa, seja reconhecida universalmente como Cidade de Paz, seja desmilitarizada (já que infelizmente, pelos vistos, não se pode desmilitarizar todo o Mundo!), e seja a Capital dos dois povos e dos dois Estados, que deverão ser Estados Irmãos, pois só assim sobreviverão.

 

Judeus e Palestinos deveriam ter sempre em mente que têm o mesmo Patriarca: Abraão, o Pai das três religiões monotéistas do Mundo: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo! É tempo, após desavenças milenares, de viverem como Irmãos em nome de Abraão, Ismael, Isaac e Jacob: a Paz no Mundo assim o exige!

 

É pois, simplesmente, em nome desse Ideal de Justiça e de Humanidade e por isso forçosamente de Respeito pelo Outro (Liberdade, Fraternidade e Igualdade... lembram-se?), que é, para mim, o único que poderia e deveria levar à Paz no nosso Mundo, que eu tenho gritado e continuarei a gritar: por imperativo de consciência! Pode-vos parecer uma Utopia mas... garanto-vos que continuo a achar que vale a pena lutar por utopias, mesmo quando “brindado” com “avisos-ameaças” como recentemente me aconteceu. Está a tornar-se perigoso dizer o que se pensa. Será? Se assim for, maior razão para gritar, por imperativo de consciência, o meu protesto de homem livre.



publicado por Fernando Nobre às 14:12
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Encontro-me na mítica Taprobana, cantada por Luís Vaz de Camões.
Actualmente Sri Lanka, após ter sido Ceilão. Fez ontem quatro anos que, com a AMI, aqui cheguei para prestar socorro após o trágico tsunami de 26 de Dezembro de 2004.
 

Desde então, a AMI desenvolveu nesta ilha inúmeros projectos, estando actualmente a decorrer três que importa salientar:

- Um em Batticaloa, na costa leste da ilha, por intermédio da Fundação Portugal-Sri Lanka, que a AMI aqui fundou e de que sou patrono. Está em fase adiantada de construção o Centro Social e Cultural Dom Lourenço de Almeida (3000m2), que dará apoio, essencialmente, aos luso-descendentes da ilha. Simultaneamente, com essa Fundação, estamos a financiar projectos de formação profissional e capacitação da sociedade civil.
- Segundo, no Orfanato D. Bosco, em Berwala, construímos um dormitório para 150 crianças, um centro social e, actualmente, financiámos o alargamento e modernização das infra-estruturas para a criação de porcos que permitirão a sustentabilidade financeira do orfanato.
- Terceiro, em Colombo, o Centro para a Sociedade e Religião, que foi inteiramente renovado graças ao nosso apoio. Trata-se de um centro vital, num país em guerra civil há 25 anos, guerra essa que já terá provocado para cima de 200 mil mortos e onde os atropelos aos direitos humanos, os atentados e as crianças soldado são sempre, infelizmente, notícia.


Mais uma vez, constato que o conflito divulgado como religioso (tamil/hinduísmo e cingaleses/budismo) é, de facto, um conflito pelo poder económico e político.


Até quando, no nosso mundo, continuaremos a assistir à manipulação da religião com fins outros que nada têm a ver nem com Deus, nem com a fé?


Com a AMI, continuarei a luta pela paz como tem sido para mim nos úlitmos 30 anos.

 



publicado por Fernando Nobre às 14:36
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Domingo, 28 de Dezembro de 2008

Todos nós, que somos Portugal, necessitamos urgentemente de Causas que nos motivem e nos mobilizem.
Essas Causas têm que corresponder a carências gritantes, os nossos grandes anseios, que deverão ser assumidas por todos, como sendo indeclináveis e acima de qualquer interesse partidário, pois da sua resolução, ou não, depende o futuro de Portugal!
A recente crise financeira global, com os seus inevitáveis impactos negativos económicos, laborais, sociais, culturais e ambientais, também em Portugal, com particular incidência para os mais fracos, só coloca mais ênfase e urgência na correcta definição dos desafios que enfrentamos e que cerceiam o nosso desenvolvimento. Só assim nos poderemos empenhar determinadamente na sua resolução.
Esses desafios conhecidos de todos (e de há longa data), carecem de resolução urgente e, por isso mesmo, devem ser transformados em Causas Nacionais por parte de todos nós.
Os empecilhos que nos bloqueiam, empobrecem e deprimem são:
• o elevado nível da pobreza e exclusão social,
• o deficiente funcionamento da educação, da justiça e da saúde,
• os baixos níveis de produtividade,
• a deficiente responsabilidade social de muitos dos nossos empresários,
• a falta de transparência na gestão da Res Publica,
• o grave e paralisante conluio entre governação/futebol/construção,
• a nossa fraca afirmação externa (devida, entre outros factores, a uma insuficiência crónica de meios, vontades e à incorrecta valorização das nossas comunidades emigrantes),
• a nossa falta de brio e de orgulho nacional.
Não podemos continuar a ignorar essas questões por meros tacticismos e oportunismos eleitorais partidários de curto prazo, fazendo a política da avestruz, hipotecando assim a sua resolução.
Nós, portugueses já não o toleramos mais. Há que o gritar!
Façamos do seu combate e, se possível da sua erradicação, verdadeiras Causas Nacionais. Elejamos Causas Nacionais que nos empolguem, nos motivem e voltaremos a ter orgulho em ser quem somos: um dos raros povos, 12 a 15, da História da Humanidade, que marcou indelevelmente a sua caminhada, quando guiado pela visão, estratégia e vontade ímpares do nosso Rei D. João II.
Acabemos pois com essas questões que nos envergonham!
Penso que tudo o que hoje nos entristece, deprime e humilha é rapidamente ultrapassável se assim o quisermos e decidirmos como colectivo formidável que somos. Tenhamos nós vontade de o fazer.
Não existe nenhum atavismo lusitano que nos condene irremediavelmente.
Esse combate pode e deve ser ganho por um povo, o nosso, que definitivamente não é pequeno! Mas tal só será possível se as três componentes do nosso Estado (as forças políticas, os agentes empresariais, a sociedade civil organizada e todos os cidadãos) se mobilizarem e empenharem. É por isso que precisamos de CAUSAS NACIONAIS.
 



publicado por Fernando Nobre às 11:00
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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Parto hoje para o Sri Lanka /Ceilão a fim de inaugurar o Centro Social e Cultural Dom Lourenço de Almeida, filho do Vice Rei da Índia Dom Francisco de Almeida, que achou a Taprobana em 1505. Este centro foi financiado pela AMI por intermédio da Fundação Portugal-Ceilão, que lá criamos, e situa-se na costa oriental do Sri Lanka, em Batticaloa. Visitarei ainda uma série de outros projectos em Magona e em Colombo que a AMI financia nesse país e regressarei dia 31. Tentarei manter contacto convosco desde o Ceilão. Pelo sim, pelo não, deixo alguns textos de reflexão à vossa consideração que serão aqui colocados com alguma regularidade... Até breve e abraço.


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publicado por Fernando Nobre às 11:59
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Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008

Dia 28 de Julho de 2008, mercê de uma autorização especial do governo ucraniano, visitei o complexo nuclear de Chernobyl.
Vinte e dois anos antes, dia 26 de Abril de 1986, após poucos meses da sua inauguração, explodiu (Erro humano? Técnico? Até hoje não se sabe…) o reactor nuclear nº 4, o mais recente e moderno dos quatro reactores do complexo nuclear lançado em 1970, deixando escapar desde então material radioactivo, equivalente disseram-me in loco, a umas 500 bombas nucleares semelhantes às que foram lançadas em Nagasaki ou Hiroshima.
Nesse dia a Ucrânia, a Europa e o Mundo estiveram à beira de uma imensa tragédia. Felizmente:
1. O vento levou a maior parte da nuvem radioactiva para a floresta fronteiriça com a Bielorrússia e não para a capital ucraniana, Kiev a mais ou menos 100 km, já então com cerca de 4 milhões de habitantes;
2. O incêndio provocado pela explosão do reactor nº 4 não se propagou aos reactores nº 3 (instalado paredes meias com o nº 4), nem aos outros dois situados a uns 500 metros...
Mesmo assim foram evacuadas à volta de 600 000 pessoas de Chernobyl e das vilas e aldeias vizinhas num raio de 60 km, ainda hoje fantasmagóricas ou apenas retomando lentamente vida.
Terão morrido centenas ou milhares de pessoas (efeitos imediatos ou a longo termo): ninguém sabe ao certo!
O que eu sei é que ainda hoje, passados mais de 22 anos da tragédia:
1. Não mais de 60% das salas do reactor nº 4 foram exploradas, estando as outras 40% inacessíveis pelo nível de radioactividade, sendo que os trabalhadores que entram na central ou tentam tapar os buracos da cobertura do deficiente caixão betão/metal (ferrugento e apodrecido), só ali podem trabalhar 10 a 12 minutos por dia mesmo devidamente apetrechados.

2. Por onde andei, nas vizinhanças do reactor nº 4, sempre acompanhado por um contador de radioactividade, fui submetido a radiações 20 a 300 vezes superiores ao normal!

3. Num hospital especializado de Kiev, que visitei em Fevereiro de 2008, continuam a morrer em quantidade anormal, pessoas com cancros diversos, devido à catástrofe de Chernobyl.

4. Na cidade de Chernobyl, junto ao complexo nuclear, só vivem hoje cerca de 1 500 pessoas das 136 000 que ali habitavam. De salientar, que os reactores nucleares nº 1, 2 e 3 só foram encerrados em 1991, 1996 e 2000 respectivamente! Ou seja, 5, 10 e 12 anos depois da tragédia…

5. É preciso urgentemente fazer um novo e definitivo sarcófago que isole o reactor nº 4. Lamentavelmente, até hoje, a Comunidade Internacional ainda não encontrou os fundos necessários…

6. Os rios e lençóis freáticos foram e continuam a ser contaminados e ainda hoje ninguém sabe ao certo o que se passa no “coração” do reactor que explodiu em 1986.

7. Na Bielorrússia 20% da população vive em regiões contaminadas e setenta aldeias foram para sempre soterradas ou abandonadas.
Por tudo isto, não obstante me garantirem que a próxima geração das centrais nucleares na Europa será 100% segura (?!) quando no nosso país, se começa a aventar a possibilidade da necessidade de energia nuclear, pese embora os “incidentes” recentes na França, Espanha, Suécia, Alemanha… afirmo, mais do que nunca, NÃO à energia nuclear.
Em Portugal temos tantas alternativas! Sol, vento, rios, marés…! Não temos qualquer desculpa para hipotecar, nem que seja com os resíduos nucleares, o futuro de dezenas ou centenas de gerações.


Haja bom senso!
 

 



publicado por Fernando Nobre às 15:48
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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

No passado mês de Agosto, na Geórgia, ex-república da URSS que bem conheço, devido ao aventurismo intempestivo do seu pouco democrático presidente, tivemos a primeira consequência concreta da aventura irresponsável da “independência” do Kosovo.
Independência essa, incentivada e reconhecida à revelia do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas, pelos EUA, a maioria dos Estados Europeus (Espanha e poucos outros povos foram até hoje, honrosas excepções) e a própria U.E.


À força do direito sobrepôs-se o direito da força.


Não contentes com este acto violador, verdadeira cereja em cima de um bolo de irresponsabilidade e leviandade, o “Ocidente” (entenda-se os EUA e alguns países europeus) resolveu cercar a Rússia com o alargamento da NATO às suas fronteiras e a instalação de mísseis nas suas mais próximas cercanias, sob pretextos falaciosos de melhor interceptar hipotéticos mísseis iranianos… O “Ocidente” quis esfolar o urso pensando-o morto ou agonizante.
Erro crasso: o urso - a Rússia - só estava adormecido. Acordou: ainda tem garras e dentes fortes e não aceita ser esfolado vivo.
O anão político e militar europeu, sem liderança nem estratégia, anuiu, consentiu e calou-se perante essa estratégia de afrontamento contra a Rússia e fragilizou-se ainda mais. Em vez de se construir a Europa (do Atlântico aos Urais) incluindo a Rússia, o que teria todo o cabimento histórico, cultural, religioso, económico, energético, politico, militar e geográfico, para edificar um verdadeiro pilar europeu sólido no Mundo, que tanto faz falta, optou-se pela exclusão da Rússia.
Os “líderes” europeus, na sua subserviência aos EUA, esqueceram-se mais uma vez que os interesses estratégicos vitais para a Europa não são sempre, nem necessariamente, os mesmos que para os EUA!


Para as organizações humanitárias o futuro anuncia-se, para já, negro de conflitos independentistas. Com o Kosovo e agora também a Ossétia do Sul e a Abecásia, a caixa de Pandora está escancarada. Se a moda dos referendos independentistas pega e se alastra pelo mundo, fazendo tábua rasa sobre o conceito de intangibilidade das fronteiras estatais actuais (pós-coloniais por exemplo), teremos tragédias sem fim em todos os continentes.


A Europa tem que encetar já, porque tem tudo a ganhar com isso, todos os esforços para incluir a Rússia no seu seio. Só assim a Rússia poderá aperfeiçoar e acelerar a sua caminhada para a democracia e se evitará mais cenários de guerra na Europa.
Ainda não é tarde mas é urgente, começar-se um diálogo construtivo em vez da política da exclusão, da humilhação e do confronto que se tem levado a cabo contra a Rússia, desde 1991.


Essa política pode interessar os EUA mas não interessa certamente à Europa.
Portugal, país pequeno e militarmente frágil, ainda que dos raríssimos Estados-Nação no Mundo, deve defender sempre o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas. Já nos chegou o erro grosseiro do Iraque.
Assim actuando, daremos um contributo importante para a nossa própria salvaguarda futura, para a paz e para amenizar as tragédias humanas que se avizinham.


 



publicado por Fernando Nobre às 16:00
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008

 

Não sei quanto tempo me resta de vida. Nenhum de nós sabe ao certo e é bom que assim seja. Quando temos 20 anos, pensamos ter a eternidade terrena e ainda bem! Temos então forças e sonhos, ou pensamos ter!, para mudar o Mundo, torná-lo muito melhor, se possível no paraíso reencontrado.
Não há então montanha inacessível, obstáculo inultrapassável, desafio impossível. Já tive 20 anos. Era de aço, dizia o meu Pai, e tinha muitos sonhos. Foi lindo. Pensava que nascíamos todos puros, ingénuos e bons. Magnífica primavera com miragens idílicas: teria o meu hospital no mato tal Albert Schweitzer!
Hoje, ao completar 57 anos, já não sou de aço, já não consigo ficar três dias sem dormir, sempre a trabalhar a olhar pelos meus doentes, como fazia nos hospitais de Bruxelas… Estou no Outono da minha vida e o Inverno vem a galope… Já não há eternidade terrena, já sonho menos, já só há efemeridade e bastante inquietude pelo estado do Mundo. Numa altura em que às vezes os filhos se afastam, estão no seu direito, em que a morte nos ceifa ou ameaça ceifar, amigos, familiares próximos… as interrogações nos tiram o sono… A nossa pequenez interpela-nos: ainda bem.
Vai-se alguma ingenuidade, fortalecem-se algumas certezas.
Assentadas as poeiras estéreis das vaidades, das importâncias e das ambições, só já a valsa das galáxias e o amor dos nossos entes mais queridos nos encantam. Já sabemos que não vamos endireitar o Mundo (de que enorme arrogância padecíamos!), mas sabemos algumas coisas. Sim, sei com a máxima certeza absoluta que vale a pena ainda continuar a viver e a lutar pelo Amor, pela Compaixão e pela Liberdade. Com Paixão. É indeclinável. Sem apelo.
Aos 57 anos, já tudo o resto é fútil, ilusão. Foi-se o aço mas ficou a certeza: não me acomodar com a insensibilidade, com a indiferença, com a falta de amor, de compaixão e de liberdade com que alguns nos querem prender… Envenenando-nos, envenenando-me.
Numa altura em que folhas secas já começaram a cair da minha árvore, levadas por um vento cada vez mais fresco, há meia dúzia de flores que se agarram ao meu tronco com a tenacidade da perenidade.
São as flores que me acompanharão até ao fim e que vos gostaria de oferecer neste final de ano com o desejo sincero que elas se incorporem no vosso tronco e nunca vos abandonem, estejam vocês onde estiverem e seja qual for a estação que estejam a viver.
Amor, compaixão, liberdade, sensibilidade, harmonia, tolerância. Vivam com elas, lutem por elas. Vale a pena. Eu vou fazê-lo. A AMI vai continuar a expandi-las. É em nome dessas flores que chamo filhos a todas as crianças do Mundo e amigos a todos os seres humanos. Já não consigo viver de outro modo.
É essa hoje a minha luta. É ela que me mantém ainda vivo. Afinal ainda tenho sonhos…

 


 



publicado por Fernando Nobre às 10:00
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Os resultados práticos da última Cimeira Europeia, que terminou dia 12 do corrente mês em Bruxelas, são dúbios.
Terá sido positiva, espero, no que diz respeito às medidas para estimular a retoma das economias europeias no actual cenário de crise financeira e económica global (nomeadamente o montante financeiro disponibilizado, 200 mil milhões de euros, e as medidas adjuvantes tais como a antecipação na disponibilidade dos fundos comunitários e a autorização para que a meta dos 3% no deficit possa ser ultrapassada…).
Importa no entanto sublinhar que persiste em todos nós uma profunda incerteza: será que essas medidas serão suficientes para estancar a profundíssima crise de confiança que se instalou em todos os sectores da actividade e na mente dos cidadãos (mais do que justificada pelos comportamentos espúrios e irresponsáveis de lideranças financeiras e políticas que perderam qualquer réstia do Sentido do Dever que deve sempre nortear as acções das “elites” e está na origem da derrocada actual)?
Nesse sentido, a fim de se restaurar a indispensável e insubstituível confiança, seria importante, por uma simples questão de salubridade pública, que os responsáveis desse descalabro fossem exemplarmente julgados e punidos, se culpados. Seria bom que, de uma vez por todas, se entendesse que ser-se líder, seja do que for, é antes de mais e sobretudo ter-se deveres! Quando a liderança dos deveres é substituída pela liderança dos direitos, e só dos direitos, a derrocada está sempre anunciada e é inevitável. Seja em Monarquia, seja em República!
No que diz respeito à Defesa do meio ambiente, as medidas anunciadas pecam por serem manifestamente insuficientes.
É de lamentar profundamente tamanha falta de ambição, perante a premência da questão, pese embora os equilíbrios e cedências necessários numa reunião a 27…
Efectivamente é uma quase miséria aceder a reduzir apenas em 20% a emissão de gases de efeito de estufa, valores de 1990 note-se, até 2020 (20% em 30 anos…) como é ridículo aumentar só de 20% a utilização de energias renováveis até 2020 e propor-se atingir apenas os 10% no uso dos biocombustíveis nessa altura...
Com esse caminhar de cágado, com as indevidas cedências aos lóbis da indústria petrolífera e do carvão, compreendo que já se preveja, e se façam estudos e projectos em centros de estudos avançados, para a evacuação do planeta Terra nos próximos 100 a 300 anos (para Lua, Marte e a lua Europa de Júpiter, o que irá exigir adaptações no que concerne a Oxigénio, a Água, a Temperatura, a Pressão Atmosférica…). O problema é que essa evacuação de sobrevivência só será possível para algumas pessoas… as eleitas!

Está-se mesmo a ver quem serão elas!

 



publicado por Fernando Nobre às 15:22
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Já começa a ser difícil acordar e não sermos de imediato inquietados por mais um caso de ganância e desnorte totais que aprofunda a seriíssima crise de desconfiança instalada em todos nós.
Desta vez foi o até agora celebrado guru da alta finança, o muito “estimado” Sr. Madoff, que chegou a ser presidente do mercado bolsista Nasdaq, que actuou impunemente durante mais de uma década, liderando uma roubalheira, porque de um ladrão se trata, de dimensão global: no mínimo 50.000 milhões de dólares. O impacto no nosso país será de, pelo menos, 76 milhões de euros.
Mais uma vez ficou patente que a derrocada é inevitável quando a liderança dos Deveres é substituída pela liderança dos Direitos, apenas e só dos Direitos, porque quando assim é está sempre enferma de Irresponsabilidade, de Vaidade, de Indiferença!
Essas “lideranças dos direitos insaciáveis” já são do foro psiquiátrico: estamos a lidar com doentes mentais. Precisam de ser internados: em hospitais prisionais. É tempo de se parar com essa loucura desenfreada de Ganância. Onde andam os legisladores, reguladores e fiscalizadores? Incompetentes, distraídos ou cúmplices?
A irresponsabilidade e o desvario, e ainda não sabemos que outras bolhas de verdadeira loucura estarão para rebentar amanhã, já ultrapassaram todos os limites imagináveis com impactos ainda inimagináveis na vida de inúmeras famílias no nosso Mundo.
Está chegado o momento de todos os Seres Humanos de Bem, porque os há, no Estado, em todos os Partidos Políticos, no Mercado e na Sociedade Civil dizerem alto e bom som: Basta!
Como tão bem dizia Burke, para que o mal triunfe basta que as pessoas de bem não reajam!
 



publicado por Fernando Nobre às 10:28
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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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LIVROS QUE PUBLIQUEI

- "Viagens Contra a Indiferença",
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- "Gritos Contra a Indiferença",
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- "Imagens Contra a Indiferença",
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- "Histórias que contei aos meus filhos",
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- "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária", Temas e Debates/Círculo de Leitores

- "Um conto de Natal", Oficina do Livro
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