Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Aqui fica o último texto que escrevi para editorial da AMInotícias, distribuída na passada semana. Da Cidade do México, onde estou para a reunião anual do Departamento de Informação Pública das Nações Unidas com a Sociedade Civil, na qual faço questão de participar sempre (que este ano, com toda a pertinência, versa sobre o desarmamento - pela paz e pelo desenvolvimento), deixo uma nota pessoal: aceitei integrar a Comissão de Honra da recandidatura de António d'Orey Capucho à Autarquia de Cascais, uma vez que sou munícipe deste Concelho há 15 anos e me sinto, naturalmente, envolvido no futuro do Município. Mais uma vez, a minha decisão tem como única origem a minha consciência e única causa o que penso ser o meu dever de cidadão independente e livre.

 

O meu envolvimento em iniciativas relacionadas com eleições nacionais (legislativas ou autárquicas) fica, garantidamente, reduzido a esta opção, que, repito, é estritamente pessoal.

 

 

Só a partir de Galileu, pese embora a ortodoxia das cúpulas da Igreja Católica que insistiam na tese de Copérnico em ver não só o nosso Planeta como ponto central do nosso Sistema Solar, mas até de todo o Universo, a Humanidade começou a entender, progressivamente, que o nosso Planeta mais não era do que um dos corpos em movimento à volta da estrela Sol, como esta não era mais do que um dos centenas de milhar de pontos luminosos da nossa Galáxia Via Láctea e que esta mais não era do que uma das mais pequenas galáxias das centenas de milhar, ou milhões, de galáxias em perpétuo valsar no infinito Universo, em expansão (para onde… se ele já é infinito?) ou em contracção o que simplesmente ultrapassa o meu fraco entendimento de ser finito.
Agora uma coisa é certa: desde o Renascimento, em poucos míseros séculos à escala temporal universal, passámos, com o nosso Planeta, da centralidade do Universo para mais não sermos do que uma poeira insignificante e invisível que, qual neutrão, rodopia numa imensidão que nos ultrapassa.
Depois chegou-nos o conhecimento da esmagadora velocidade a que a luz se propaga (300.000 km/s) e os muitos milhares de anos-luz que separam a nossa estrela, o Sol, da mais próxima estrela, outro “Sol”, e do seu provável sistema planetário…
Com a teoria da Relatividade de Einstein e a sua celebérrima fórmula E= MC2 ficámos atarantados. Que energia será essa, onde estará ela, que permitirá impulsionar uma massa, por exemplo uma nave espacial, à velocidade da luz no espaço inter-estelar, inter-galáctico ou intersideral mesmo privado de gravidade, e mesmo assim levando milhares de anos até ao mais próximo sistema planetário eventual…. Evidentemente só à velocidade do pensamento poderíamos lá chegar…
Para já, com os nossos foguetões a atingirem uns míseros 30000 km/h… E tal impossibilidade de atingirmos outros sistemas solares, muito provavelmente perdurará para as próximas centenas, ou milhares, de anos, pese embora a evolução tecnológica fabulosa que se perspectiva. É verdade que muitas vezes, como não me canso de repetir, a realidade ultrapassa a ficção…
Foi então que os nossos cientistas se puseram a estudar com afinco o nosso próprio sistema solar, uma vez descartadas as míticas aventuras dos marcianos e outros venusianos, para ver onde, ainda que com múltiplas adaptações (Gravidade, O2, Água, Temperatura, Luz…), as nossas espécies vivas, incluindo a humana, poderiam instalar-se e sobreviver caso a vida se tornasse impossível no nosso Planeta.
Entretanto nós, portugueses, tínhamos iniciado, com as descobertas e os achamentos, a grande aventura da globalização do Planeta que, com a evolução tecnológica, hoje é um facto irreversível: nos anos 60 do século XX foi lançado o conceito de “Aldeia Global”…
Com a sedentarização, a melhoria da alimentação, das normas de higiene e os progressos da medicina preventiva e curativa, a explosão demográfica aconteceu. Se em 1900, desde o início da humanidade com as cidades sumérias e mesopotâmicas há uns 10 mil anos, só éramos 1000 milhões de habitantes no planeta, em 1921, quando a minha Mãe nasceu, já éramos uns 2000 milhões e em 1951, quando eu nasci, passámos a ser 3000 milhões. Hoje, já ultrapassámos os 6000 milhões a consumir cada vez mais e a esgotar os recursos do planeta (fontes minerais, energéticas, mares, solos…) e a poluir o ar (atmosfera), os rios e oceanos (hidrosfera) a explorar a terra (fontes minerais, energéticas, solos…) e a arruinar a nossa biodiversidade.
Estes números querem dizer apenas isto: desde o ano em que a minha querida Mãe nasceu a população do Planeta mais do que triplicou e desde que eu nasci mais do que duplicou, com o consumo a disparar tanto na vertente alimentar - mais carne (o que consome muito mais energia para a sua produção: no mínimo 6 vezes mais do que os cereais para o mesmo número de calorias), mais carros, mais televisões, mais computadores, mais telemóveis, mais i-pods…
Tornou-se então necessário, indispensável, calcular a pegada das pessoas, empresas e nações (consumo e subsequente produção do nocivo CO2) para chegar à impossível conclusão, a presente quadratura do círculo: o Planeta não aguenta mais! Tanto mais que os povos dos países emergentes e os outros prosseguirão as suas ambições, estão no seu mais estrito direito, de quererem adoptar o nosso modo de vida e consumo…
Pese embora os vários alertas que os cientistas e os ambientalistas foram dando, sobretudo com o grande grito que foi a Cimeira do Rio, em 1992, e o subsequente Protocolo de Quioto, até à Cimeira de Bali, em 2008, os resultados práticos são manifestamente timoratos e por isso francamente insuficientes.
Perante isto, os grandes centros credíveis de investigação científica mundiais tal como o CNRS (Centre National de Recherche Scientifique) em França, cuja seriedade melhor conheço, devido à minha formação francófona, já estão a elaborar estudos concretos quanto à necessidade e possível viabilidade da evacuação dos habitantes do Planeta Terra, num período de 100 a 300 anos. Calcula-se que será possível evacuar um máximo de um milhão de pessoas (será difícil incluir um português a menos que entre disfarçado de norte-americano ou chinês…), para os únicos três lugares possíveis do nosso sistema planetário: a Lua, Marte e uma lua de Júpiter chamada Europa… E mesmo assim talvez antes se revele indispensável ir-se viver para o fundo dos Oceanos…
Pois bem, é perante esta situação bem real, que já não é de ficção, que têm surgido acções extremamente pertinentes e louváveis como o Projecto 350.org liderado por Bill McKibben, um movimento de cidadania global para alertar e combater o problema do aquecimento global e o movimento “Condomínio da Terra”, de que me orgulho ser um dos Embaixadores.
O movimento “Condomínio da Terra” www.condominiodaterra.org deu o seu verdadeiro pontapé de saída na cidade de Gaia, nome da deusa Terra, na mitologia grega, dia 4 e 5 de Julho de 2009 e contou com a participação de nacionais, nos quais me incluí, e estrangeiros, que se preocupam seriamente com o advir do nosso planeta.
Este projecto, coordenado pelo Dr. Paulo Magalhães, honra lhe seja feita pelo extraordinário mérito da iniciativa, conta com os patrocínios da Quercus, Comissão Nacional da UNESCO, Câmara Municipal de Gaia e outras entidades públicas e empresas cidadãs que felizmente entenderam a positiva mensagem e acção que esse movimento pretende concretizar: a nossa Terra como condomínio global que, à semelhança de qualquer imóvel, tem áreas comuns, de que todos são co-responsáveis pela conservação e preservação. No caso da Terra: a Atmosfera, a Hidrosfera e a Biodiversidade! Simples, não? Mas genial e com muito para fazer. Esta esperança só será concretizável, e é imperativo que o seja rapidamente, com a empenhada e inequívoca participação dos 3 pilares das Nações e Estados do Mundo! Vamos a isso: não há tempo para mais delongas… É de projectos inovadores e esperançosos como este que precisamos todos e por eles temos o dever de nos empolgar!
O Planeta Terra assim o exige.
 



publicado por Fernando Nobre às 11:10
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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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