Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

 

Por boa governação entendo uma governação exclusivamente norteada para o bem da Res Publica e da Humanidade.


Boa governação exige ética, rigor, verdade, responsabilidade, coerência, compromisso e respeito pelas promessas contidas nos programas eleitorais ou feitas em campanha o que a coloca nos antípodas da corrupção, demagogia, manipulação, mentira…


Boa governação implica preocupação com os mais fragilizados e desprotegidos da sociedade, estar à escuta e em diálogo com as mais íntimas aspirações dos cidadãos e colocar o Estado Nacional e o Mundo acima dos momentâneos interesses partidários e pessoais.


Boa governação requer ideias claras quanto às verdadeiras causas Nacionais e Globais existentes e lutar, contra ventos e marés, por elas.


A boa governação deve impelir a um diálogo singular e colectivo com os povos, olhos nos olhos, explicando bem e claramente a razão de certas decisões deveras difíceis e sensíveis como são certas decisões económicas e todas as guerras, mesmo as incompreensíveis, como a do Iraque. Exige ainda que se consulte os povos quando a opção da guerra não consta de nenhum programa eleitoral ou de governo, pelo que, de seguida restará apenas acatar a decisão soberana e sem apelo dos povos.


A boa governação não aceita que se façam guerras baseadas na trapaça e na mentira (como aconteceu com a guerra do Iraque) e que se encete, em período próximo de eleições, malabarismos de marketing, afirmando e prometendo tudo e o seu contrário ou pura e simplesmente que se fuja às suas responsabilidades, sobretudo se for para ocupar um lugar de maior destaque… Esses espúrios comportamentos e atitudes vergonhosas contribuíram decisivamente para a descredibilização das classes políticas e dos governantes responsáveis pela actual desorientação e desmotivação dos povos.

 

Boa governação exige experiência de vida, cultura nacional, regional e global assim como conhecimentos profundos do Mundo, que não apenas livrescos ou teóricos, coluna vertebral e seriedade sobre os quais os povos possam alicerçar fundamentadamente a sua Confiança.


Boa governação não se faz sem que o exemplo motivador e esclarecedor venha das lideranças com um imprescritível sentido do Dever pois ser-se líder é sobretudo ter Deveres e pouquíssimos direitos.


Quem não está pronto a sujeitar-se a este imperativo exigente e inegociável não pode pretender ser líder e de tal pretensão deve ser de imediato afastado, seja onde for no Mundo.
As pseudo-lideranças enfermas de vaidades, calculismos, oportunismos, direitos (apenas direitos e só direitos), do fartar vilanagem, de incompetência e irresponsabilidades, devem ser erradicadas do Planeta Terra, seja onde for, pois os povos já estão fartos.


Essa boa governação é exigível aos três pilares das Nações e do Mundo!


Serão chamadas a responder, sem possibilidade de qualquer salvaguarda imunitária, todas as lideranças de todos os poderes dos Estados, das Instituições Multinacionais, das Forças do Mercado e da Sociedade Civil no Mundo.


É a esse justo preço que se recuperará o Crédito e a insubstituível Confiança nos três pilares indispensáveis dos Estados e do Mundo.


Ao fim e ao cabo, a liderança global já existe! Infelizmente, actualmente ela é secreta, feita de cima para baixo e nada democrática. Ela está inoperativa, descoordenada, cacofónica e descredibilizada com as guerras do Iraque e Afeganistão com as confusões do Kosovo (estendidas à Ossétia do Sul e à Abacásia), com a Crise Financeira e Económica sistémica, com as piratagens no mar da Somália e a desgovernação na República Democrática do Congo, no Zimbabué, na Somália, na Chechénia, Birmânia…


Por tudo isso é que a nada clara governação global, não assumida, constituída pelas Nações Unidas, FMI, BM, OMC, Clube de Roma, o G8, o G20, G2+18, G2 e, menos globalmente, a OPEP, a ASEAN, a União Europeia, a OCDE, a OSCE… está caduca. A Governação Global tem que ser absoluta e urgentemente reformada, reenquadrada e democraticamente legalizada, tendo em conta a premência de Soluções Globais. Não há volta a dar!

 

Exige-se a reforma das instituições e a renovação das lideranças comprometidas com desvarios passados, assim como sucedeu nos EUA com a substituição do senhor Bush filho pelo senhor Obama, a fim de que sejam tratadas com eficácia, humanismo e urgência a Crise financeira, económica, social e política presente, a Crise ambiental, a Crise da violação constante dos Direitos Humanos, a Crise da corrida armamentista, a Crise do Direito Internacional, a Crise da Insegurança e dos Terrorismos, a Crise dos Refugiados, a Crise dos já débeis Sistemas Democráticos, a Crise Cultural e Religiosa, a Crise do Desenvolvimento Global (implementem-se já os Objectivos do Milénio e um Comércio Justo!), a Crise da Confiança…


A Terra precisa de um Sistema de Governação Global (SGG) ético, credível, respeitado e operativo. É vital que se integrem nesse SGG personalidades de grande craveira moral, ética e sábios. Elas existem! Alguns, poucos, Prémios Nobel da Paz, da Economia, da Literatura… Bem peneirados, pois não há nenhum prémio, como não há nenhum grau ou qualidade científica e académica que garanta, de per si, aos seus titulares a integridade, seriedade e coragem necessárias. Precisamos de espíritos livres com coluna vertebral!

 

Até o Papa Bento XVI, que algumas “brasas” tem espalhado no seio do mundo islâmico (de propósito? irreflectidamente?), em 29 de Junho de 2009, na Encíclica Caritas in Veritate, apelou à criação de uma Nova Ordem Mundial ao serviço da Justiça e da Fraternidade. Tal exige um Governo Mundial com tino e força para regular e fiscalizar a globalização. Tal facto implicará, forçosamente, um novo paradigma das mentalidades e uma Organização das Nações Unidas renovada, mais ética e equilibrada. Não basta que se faça apenas a gestão da actual crise económica! Porquê só económica? E as outras crises, que também exigem uma abordagem e soluções globais? Nomeadamente, os fundamentalismos religiosos…

 

Sabemos, sei, que a ideia e a concretização de um Sistema de Governação Global não vai ao encontro dos ideais sectários e nacionalistas daqueles que ainda sonham, querem e lutam, com todos os meios legítimos e ilegítimos ao seu alcance, pela constituição de governos imperialistas sustentados por determinadas ideologias, que sempre excluem o outro. São esses ideólogos sectários, ainda actuantes e até influentes, que estão por detrás das corridas armamentistas e prontos a tudo varrer, se necessário, com bombas atómicas, mesmo se o preço for centenas de milhões de mortos, desde que não sejam eles e as suas mulheres, filhos e pais…. Nas perversas mentes de certos ferozes predadores, tudo é possível e o egoísmo não tem limites!


Uma vez decidida a inevitabilidade de um SGG, o resto é trabalhar, escolher as pessoas certas (porventura o mais difícil, tamanhas são as ambições, os egoísmos e as armadilhas…) e tomar as decisões urgentes que se impõem para já: normas jurídicas e globalização das instituições, objectivos da governação global (claros e definidos), reforma das instituições internacionais…

 



publicado por Fernando Nobre às 13:25
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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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