Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

Na Cimeira do Milénio, em Setembro de 2000, na Sede das Nações Unidas em Nova Iorque, 189 Chefes de Estado presentes comprometeram-se a que, em 2015, fossem concretizados Oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) entendidos como essenciais para a luta contra o Subdesenvolvimento e a favor da pacificação do Planeta.

 

Para que as metas concretas desses oito ODM fossem cumpridas, foi pedido, pelas Nações Unidas aos países doadores, um investimento de 25 mil milhões de USD/ano durante 15 anos, por isso, um total de 375 mil milhões de USD.

 

Tal nunca foi cumprido, como ficou claro na cimeira entre as Nações Unidas e a Sociedade Civil na mesma cidade, em Setembro de 2005. Desde então, a tendência, nada abonatória para a Comunidade Internacional, manteve-se.

 

No dia Mundial da Saúde, impõe-se uma reflexão sobre dois temas intrinsecamente ligados e abordados pelos Objectivos do Milénio, a fome e a saúde.

 

Segundo o Programa Alimentar Mundial, existem, actualmente, 1.02 mil milhões de pessoas desnutridas no mundo, o que significa que 1 em cada 6 pessoas não recebe comida suficiente para ser saudável. A fome e a malnutrição são o principal risco para a saúde mundial, um risco maior que a junção da SIDA, da malária e da tuberculose.

 

A fome, quando não mata, debilita e deixa graves sequelas no desenvolvimento físico e mental.

Em função de certas carências específicas que ela engloba, vitamina A, B, C, D…ferro, acido fólico, iodo, deixa marcas para o resto da vida: cegueira, neuropatias como o beribéri, escorbuto, raquitismo, anemias, bócio…

É intolerável ver morrer alguém à fome porque já se chegou tarde demais e enfrentar o seu olhar.

 

É tanto ou mais intolerável quando nunca se produziu tanto e nunca se desperdiçou tanto, deitando toneladas de alimentos para o lixo. Absurdo inaceitável.

Temos, nos nossos países sobrealimentados, as doenças da fartura (obesidade, diabetes, arteriopatias, devido ao excesso de colesterol e de tabaco…) que, em conjunto com as depressões, mais pesam em morbilidade e nos nossos orçamentos da saúde … E temos, nos países mais pobres, pessoas tão debilitadas pela fome - adultos e crianças - que não resistem a uma gastroenterite (por rotavírus por exemplo) ou a uma banal pneumopatia.

Enquanto nos nossos países se morre sobretudo de acidentes cardiovasculares, cancros, acidentes de viação e “velhice”, lá morre-se de múltiplas doenças infecciosas que silenciosamente, porque esquecidas, matam mais de 15 milhões de pessoas por ano!

 

Esse é um dos motivos, pelos quais 3 dos Objectivos de Desenvolvimento dizem directamente respeito à Saúde, nomeadamente:

  • Reduzir em 2/3 a taxa de mortalidade infantil de crianças com menos de 5 anos;
  • Reduzir em 3/4 a taxa de mortalidade materna;
  • Parar e começar a inverter a propagação do HIV/SIDA, da Malária e de outras doenças graves…

Infelizmente, esses objectivos também não serão atingidos em 2015 não obstante os progressos realizados na América Latina e na Ásia Meridional e a criação do Fundo Global para o HIV/SIDA, Malária e Tuberculose. Os resultados são ainda decepcionantes: sobretudo na África Subsaariana por falta de infraestruturas médicas devidamente apetrechadas e uma continuada escassez de recursos humanos na área da saúde, agravada pela fuga maciça dos quadros (infelizmente incentivada pela política de “imigração selectiva” da União Europeia!).

Assim, por ano, continuam a morrer mais de 15 milhões de pessoas de doenças infecciosas esquecidas para a erradicação das quais nada ou pouco se investe em investigação farmacológica… As Leis do Mercado assim o obrigam! Não existindo poder de compra, não há mercado motivador e não há investigação…

 

Ainda por cima, nos últimos anos, novos surtos virais têm vindo a ensombrar o nosso futuro colectivo, fazendo-nos temer, para já infundadamente, períodos históricos que pensávamos definitivamente afastados:

- O vírus de Ébola, de surgimento episódico, com elevadíssima taxa de mortalidade (superior a 70%) tem-se confinado para já, à Bacia Central Africana, sobretudo na zona do baixo Congo (Kikwit);

- O vírus da gripe das aves A (H5N1) com origem asiática e, sobretudo, o mais recente, o vírus suíno A (H1N1) que começou por ter particular incidência no continente norte-americano (México, EUA, Canadá) mas que se generalizou em pandemia. Felizmente que hoje temos um bom arsenal terapêutico (vacinação, antivirais, antibióticos, ventilação assistida) e que o vírus H1N1 é de virulência fraca com uma mortalidade inferior a 0,5%. Só que essa mortalidade poderá vir a ser muito superior nas regiões menos desenvolvidas do mundo…Como é óbvio.

Pese embora estarmos ainda longe das metas dos objectivos para a saúde global previstos para 2015, tem havido, à excepção da África Subsaariana, uma evolução positiva na Ásia e na América Latina (esperando que a actual crise financeira, económica e social não deite tudo a perder). A mortalidade infantil global, até à idade dos 5 anos, foi reduzida em 27% entre 1990 e 2005 (de 12,5 milhões de mortos para 9 milhões) devido sobretudo a um melhor re-hidratação nos casos de diarreia, a uma melhor e maior distribuição de redes mosquiteiras impregnadas de insecticida no caso da malária, a uma melhor cobertura dos planos de vacinação e à melhoria da qualidade da água e do saneamento básico.

A mortalidade materna, ligeiramente menor, continua alta com 400 mortes (900 em África) por 100.000 partos em 2005: todos os anos, no Mundo, continuam a morrer de parto cerca de 540.000 mulheres.

 

Os maiores sucessos em termos de saúde têm sido obtidos na luta contra a tuberculose, com a introdução generalizada da toma diária presencial (DOTS) embora cresça, sobretudo nas ex-repúblicas soviéticas, o receio da resistência do bacilo de Koch, (mesmo aos tratamentos múltiplos) enquanto na África Subsaariana a associação HIV-Tuberculose se tem mostrado particularmente letal.

 

Na questão do acesso à água potável e ao saneamento básico houve também francas melhorias. Mas ainda em 2006, cerca de 900 milhões de pessoas não tinham acesso a água potável e 2,5 mil milhões viviam sem saneamento básico.

 

Muito trabalho resta pois por realizar…

Espero que, a partir de agora, haja a decência, a inteligência e o bom senso de encontrar os meios financeiros para se alcançar os 8 Objectivos de Desenvolvimento do Milénio definidos na Cimeira do Milénio. Para tal, apenas são necessários 25 mil milhões de USD por ano, durante 15 anos (até 2015), um valor menor, se atentarmos que, segundo dados financeiros compilados pelas próprias Nações Unidas, estima-se que num ano apenas, a actual crise financeira e económica já tenha absorvido, em injecções directas de capital e em avais financeiros, 18 milhões de milhões de USD: num ano apenas foi gasto 50 vezes o que seria necessário, em 15 anos, para a concretização dos vitais ODM!

Ficam bem a nu as prioridades da péssima governação global em curso…

 



publicado por Fernando Nobre às 10:58
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16 comentários:
De JORG ROQUE a 24 de Agosto de 2010 às 12:12
Apesar de não nos conhecermos, permita-me enviar-lhe daqui um abraço solidário com tudo o que acabo de ler, sobre o que é a Humanidade vista pelo Dr. Fernando Nobre.

Quero lhe informar que há cerca de 15 anos que não voto, por que me enoja a nossa classe política. Custo o que custar a quem ler estas simples palvras, mas infelizmente grande parte da nossa população já chegou à mesma conclusão.

Mas, vou confessar uma das minhas grandes surpresas da minha vida, como cidadão deste triste mas grande país que é Portugal. É então a minha surpresa: Quando , no convívio com os meus amigos e familiares, e a conversa descamba na política, todos nós nos manifestamos com os mais negativos adjectivos acerca de todos os nossos políticos, e outra razão não poderia assistir, pois eles têm feito tudo para os denegrir. Mas, é aqui que me deixam num empasse, quando falo que finalmente temos um candidato que merece o respeito de todos nós , até de Deus, esse Supremo que tanta gente acredita e venera, terá uma admiração sublime por este Homem (poucos de nós merecemos um H grande). Pois a resposta dos meus amigos à minha observação é que: Têm uma grande admiração pelo Dr. Fernando Nobre, trata-se de um Homem com um coração sublime, mas que não se vêm a votar nele porque não tem estilo de político!!!!
Bem!! Dr. Fernande Nobre, se tiver algum tempo para responder a este meu comentário, na sua qualidade de médico, ainda que não seja da area da Psicologia, diga-me por favor se acha que a mente portuguesa, por ter sido tão maltratada nestes últimos anos da dita " democracia", se encontra doente??? Não consigo entender a resposta dos meus amigos. Por um lado a conversa dos políticos ofendem-nos , consideram-nos gente suja, é verdade, do meu ponto de vista, mas não o querem em Presidente da República porque o Senhor não fala com a demagogia que é apanágio da escomalha que nos governa !! Por favor diga-me, se for oportuno se sou eu que estou doente. Então se assim for começo a pensar sriamente na minha doênça. Esou confuso com que se passa na nossa sociedade. Não queremos o, desonesto, mas, o honesto também não, porque não fala como falam os desonestos.

Jorge Roque


De Fernando Nobre a 10 de Setembro de 2010 às 15:39
Caro Amigo,

Infelizmente, não é o senhor que padece de qualquer mal, é a sociedade que está enferma! Daí que eu faça questão de repetir até à exaustão que se as pessoas pretendem que a situação actual se mantenha, que continuem a votar como até agora, mas que assumam a sua decisão e não se lamentem mais tarde.

Eu, quanto a mim, terei cumprido o meu dever.

Abraço,


De Anónimo a 25 de Abril de 2010 às 12:49
NOBRE REVOLUÇÃO

Assinalam-se hoje os 36 anos do 25 de Abril de 1974. Acha que o país precisa de uma nova revolução?

Sem dúvida: 5021 (69%)

Talvez: 1261 (17%)

Não: 1013 (14%)

http://www.sapo.pt/#/noticias


De Pedro Maximino a 25 de Abril de 2010 às 00:10
“Trinta e seis anos”

Trinta e seis anos Abril madrugada
Ruas cheias, cravos na espingarda,
Mandado às urtigas regime mal amado
Má a memória de quem foi torturado;

Conquistas muitas e ilusões mil
Muitos já sonham com o novo Abril,
Do primeiro resta lindo foguetório
E na manhã seguinte grande oratório.

Pagamos agora a quem mal nos governa
E já Amália não temos p’ra nos distrair
Com a bolsa vazia uns tintos na taberna,

Dos outros falando limpam aos milhões
Muitos mais que antes e mais hão-de vir
São vidas faustosas e lautas refeições.


De Pedro Maximino a 23 de Abril de 2010 às 22:00
“Golden Boys”

SCUT, vias sem custos para o utilizador, pura ilusão, a sua designação deveria ser estradas com custos para o utilizador e para o não utilizador, pois todos nós já contribuímos com os nossos impostos para a sua construção, contribuímos regularmente para a sua manutenção e no final se as portagens forem implementadas, aí irão ser pagas pelo utilizador uma segunda vez.

Os primeiros custos derivam do facto de haver uma decisão de administração do território que justificará a sua existência, para nosso conforto, os segundos custos resultam de uma decisão política tendo em conta a necessidade de mais receita para o estado, é para isto que elegemos os políticos e lhes pagamos, para tomarem as boas e as más decisões.

Todos estes custos resultam da governação legitimada por todos nós, embora possam ser suportados como se viu em boas ou más decisões, mas quem nunca errou que atire a primeira pedra, eu não o farei certamente, agora quando se trata de outros custos “ilegítimos” que somos obrigados a suportar aí por vezes já sinto a vontade de atirar com uns blocos de granito, embora até agora tenha conseguido controlar-me.

Estes casos recentes têm ajudado a tornar transparentes uma série de situações de que todos já suspeitávamos, em primeira análise a tradicional derrapagem nas obras públicas, que vai servindo para alimentar os pagamentos, lembra-me agora a canção de Ney Matogrosso, É por debaixo dos pano, Prá ninguém saber, É por debaixo dos pano, O que a gente faz, É por debaixo dos pano, Prá ninguém saber, É por debaixo dos pano, Se eu ganho mais, e mais não canto.

E estão também a tornar-se transparentes os custos com a atribuição dos luxuosos prémios de gestão que saem do nosso bolso a troco das golden shares que o estado mantem numas quantas empresas, para poder fomentar a prática, agora muito mais transparente, da dança das cadeiras que serve para rodar os altos quadros, que pululam de governação para administração e de administração para governação, pagos a peso de ouro, os famosos golden boys.


De Lara Mendes a 17 de Abril de 2010 às 16:48
Ex.mo Sr. Doutor
Fernando Nobre

Tenho acompanhado o seu trabalho sobre o qual lhe admiro a coragem e persistência.
A questão humanitária faz-nos grandes, nobres e impacientes com a vida à qual passamos a dar uma nova dimensão, um novo sentido e, ... em que o supérfluo deixa de fazer ruído.
Através da TV e Internet somos confrontados mediaticamente com as misérias humanas..., ainda consigo ficar chocada com informação que daí chega. As imagens de mães com bebés a tentarem mamar dos peitos secos, crianças iguais aos judeus dos holocausto, mulheres/homens/crianças com feridas permanentes de guerras ...
Enfim, nada que já não tenha visto, sentido e denunciado!
Antes de lhe desejar toda a força para prosseguir a candidatura, pergunto se os nossos parcos contributos para a UNICEF são na pratica aplicados, ou se haverá outra forma de melhor ajudar quem mais precisa?
Não o faço perder mais tempo, apenas aproveito para deixar o meu voto de esperança para e em Si, futuro Presidente da República de Portugal.



De Fernando Nobre a 29 de Abril de 2010 às 15:04
Cara amiga,

obrigado pelas suas gentis palavras.
Relativamente à UNICEF, trata-se de uma agência das Nações Unidas, que merece todo o respeito e consideração pelo trabalho que desenvolve.
Porém, se desejar mais informações sobre esse organismo, o melhor será consultar o respectivo site em www.unicef.pt.

Abraço amigo.


De Pedro Maximino a 16 de Abril de 2010 às 23:20
“Nova alvorada”

Destruídas finalmente
Alma nossa renovada
Foi uma nova alvorada
Em Abril novamente,

Não houve reacção ardente
Deste povo, ingratidão
Mas sentiu-se a multidão
Sinais dum tempo diferente,

Nos seus diversos locais
Cada um para seu canto
Soltar uns urros tais,

Desfeito de vez o quebranto
Nestes tempos digitais
CD’s destruídos, garanto.


De elmanofilo a 16 de Abril de 2010 às 17:06
Meu Deus, porquê tanta miséria,
Fome e doenças tão letais?

Regressa à Terra! A coisa é séria!
OU:

MANDA O NOBRE ... E OUTROS QUE TAIS!
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Meu Deus, porquê tanta miséria, <BR>Fome e doenças tão letais? <BR><BR>Regressa à Terra! A coisa é séria! <BR>OU: <BR><BR>MANDA O NOBRE ... E OUTROS QUE TAIS! <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>www.rouxinoldebernardim.blogspot.com</A> <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>ELMANOFILO</A> <BR>


De Pedro Maximino a 15 de Abril de 2010 às 11:19
“Meses de quinze dias”

O ministro não compreende, não sabe e até não é obrigado, pois ninguém sabe tudo, mas ocupando o cargo que ocupa e tendo disponíveis os recursos que tem basta-lhe que tenha uma vaga ideia ou uma leve suspeita para ter desde logo o dever e obrigação de mandar investigar, analisar, retirar as suas conclusões, discutir com os seus chefes e actuar.

E a actuação justificar-se-á tanto mais, quanto mais sensíveis forem as matérias e esta é de primordial importância, principalmente no momento presente, pois todo o crescimento da economia depende da logística e distribuição e ao penalizar este sector tudo o mais será penalizado por arrastamento, sob a forma de aumento da inflação.

Esta seria a conversa politicamente correcta, mas ora bolas sr.ministro, o senhor já está no cargo vai para cinco anos e nós sabemos que já foram gastos rios de dinheiro em estudos sobre a matéria e mesmo assim não sabem nada ? ou não querem saber, ou não vos interessa chafurdar na lama, ou pior que isso andaram a assobiar para o lado ?

O que nós vimos é que os sectores cujos preços mais aumentam, são sectores sem concorrência, tutelados pelo estado, cujos gestores levam prémios milionários e o Zé paga, pois não tem outro remédio e o sr.ministro não compreende, ainda se as remunerações da malta fossem acima da média, mas não, só os preços é que o são.

Sr.ministro só vejo uma solução para a presente situação, que nenhuma força política ainda se lembrou de propor e que ao ser implementada vos pode granjear sucessos eleitorais por mais uma boa dezena de anos, pois terão seguramente todo o povo do vosso lado, será decretar que na próxima década os meses passem a ter quinze dias.


De Pedro Maximino a 13 de Abril de 2010 às 23:51
“É já a seguir”

Os sinais de fogo dão-nos pistas seguras para poder afirmar que em breve iremos ter um coelho no poleiro, coelho no poleiro ? coisa estranha, não nem por isso, desde que nos habituámos a ver porcos a andar de bicicleta e noutras rodas vivas da nossa quinta já quase nada nos causa estranheza, é só necessário correr com o galo coisa para a qual parece não haver grandes pressas.

Os sinais de fogo indicam-nos também com grande grau de certeza que iremos ter um exército de ratos e ratazanas, todos os que até agora andaram e andam a receber ajudas do caseiro, a colaborar na realização de tarefas da quinta que valorizem a sua existência e permitam aproveitar essa energia a favor da bicharada.

Os sinais de fogo deixam-nos antever que na entrada da próxima época de inverno teremos uma utilização preferencial de biomassa, matéria prima verde portanto, sob a forma de cavaco, para produzir útil e necessária energia por mais uma temporada nos circuitos vitais da quinta, para que a bicharada não se deixe adormecer e continue a lutar por isto.

Os sinais de fogo são esclarecedores também quanto à quantidade de ração a fornecer a cada animal da quinta e é certo e sabido que em nome da estabilidade e do crescimento, essa quantidade deve permanecer constante, por um largo período, valha-nos isso ao menos não morreremos à fome, como aconteceu ao burro do caseiro de uma quinta vizinha que resolveu diminuir-lhe a ração a cada período de tempo, sempre é bom saber-se que aprendemos com os erros alheios.

Os sinais de fogo dão-nos a conhecer também uma intenção de criar, certamente com os recursos amplamente disponibilizados com as outras medidas que se anunciam, um casão dourado para onde serão convocados uma série de animais mais experientes e cuja valia será usada no aconselhamento futuro de escolhas para cargos relevantes da quinta, por forma a evitar suspeitas na gestão das forragens.

Os sinais de fogo apontam também na direcção da privatização do palheiro, do pombal, dos galinheiros à excepção do galinheiro mor, onde residirá claro está o seu novo ocupante e sucessores, tudo isto irá permitir disponibilizar uma quantidade de animais que serão seguramente absorvidos por outros sectores da quinta em tarefas de maior valor acrescentado, isto não será para o imediato segundo parece, mas muito provavelmente para o futuro já a seguir.


De Pedro Maximino a 12 de Abril de 2010 às 13:59
“Soneto da alternância”

Já se perfilaram hoje no horizonte
Os novos salvadores da pátria nossa
Que os ora ao leme nos cavaram a fossa
Esperança nova como uma nova ponte

Nova ponte velha eu que o conte
Melhores rodas vi p’ra nossa carroça
Mas o ora tu ora eu só nos destroça
Água nova brotará agora da fonte

É a bem do povo é a bem da nação
Dizem-nos e ainda bem à boca cheia
Que mentira só é verdade por repetição

Haverá sempre uma maioria que o creia
Que povo cansado de tanta aberração
Na falta de melhor verdade mentira anseia.


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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