Domingo, 25 de Abril de 2010

É sempre difícil traçar cenários futuristas sobre a evolução das doenças no Mundo, mas é possível encontrar soluções realistas de combate a algumas delas, que constituem verdadeiros flagelos para a humanidade.

Hoje, as doenças esquecidas não suficientemente combatidas, tais como a malária, a tuberculose, a Sida, a doença do sono, a leishmaniose, a biliarziose...matam todos os anos milhões de pessoas no mundo. Se acrescentarmos a esta verdadeira hecatombe a morbilidade provocada por essas doenças assim como por outras, também elas esquecidas, como a oncocercose (“cegueira dos rios”), as diversas e graves avitaminoses tipo beribéri, o dengue... estaremos, no concreto, a levar esses povos a um subdesenvolvimento sem retorno. Tudo o resto é retórica oca e demagogia assassina! Está em curso um autêntico genocídio perante a indiferença global!

É escandalosa a indiferença com que brindamos quotidianamente as mortes dos milhões de pessoas que em África, na Ásia e na América latina morrem todos os anos de malária.

 

A esses milhões de mortes silenciosas, que nos convém que assim sejam, e por isso assim as mantemos, só sabemos fazer-lhes face com slogans chocantes, porque ocos, hipócritas e bacocos, do tipo: ”Saúde para todos no ano 2000” ou “Redução de 50% da pobreza em África nos próximos 13 anos”. E porque não nos próximos 130 ou mesmo 1300 anos?!?

A comunidade internacional estabeleceu a meta de, em 2010, fazer chegar um tratamento efectivo e com custos acessíveis a todas as pessoas com a doença ou em risco de a contraírem.

Senhores do Mundo, por favor não me façam rir pois do que tenho vontade é de chorar. Tanta hipocrisia, tanta ignorância, tanta desfaçatez, tanta indiferença dói e choca quem mantenha ainda o mínimo de sentido crítico. Saberão os “Donos do Mundo” que o que se investe realmente na luta contra a malária (que todos os anos mata cerca de 1 milhão de pessoas) é menos do que o custo de um qualquer avião sofisticado, de preferência de guerra? Saberão que o que se investe realmente na luta contra a fome (que anualmente mata 3 a 4 milhões de seres humanos) não ultrapassa por ano o custo de um submarino atómico ultra-sofisticado, com o seu poderosíssimo armamento?

 

A verdade é que a chacina-genocídio da malária corresponde, por ano, em vidas humanas, à queda de uns vinte mil aviões sofisticados, e a chacina-genocídio da fome, ao afundamento de uns trinta a quarenta mil submarinos!

Em nome de todos aqueles que, tantas vezes impotente e revoltado, vi e vejo há décadas sofrer e morrer nos quatro cantos do mundo, acuso os manipuladores e os indiferentes, e acho-me no legítimo direito de mais uma vez gritar com todas as minhas forças: Os seres humanos são todos iguais e, por isso, merecedores de igual modo das nossas melhores atenções!

 

Não à indiferença, não à intolerância, tão patentes e tão mortais nos nossos dias. Se amolecermos nesta nossa recusa, estaremos a hipotecar o futuro da Humanidade. Apelo pois a que os insensíveis ao humanismo, reajam pelo menos em nome da inteligência!

A maioria, estou certo, compreenderá. Os outros, permito-me desde já acusá-los, em nome dos milhões de seres humanos, de serem cúmplices do silencioso massacre.

 

 



publicado por Fernando Nobre às 16:17
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25 comentários:
De RENOIR a 11 de Outubro de 2010 às 21:35
Sendo o progresso uma condição da natureza humana ninguém o pode deter...É uma força viva que as más leis podem retardar mas não asfixiar.Com o progresso surgem os homens de bem que desejam o bem para todos e não as leis feitas para o forte em prejuízo do fraco...

Pessoalmente, não tenho dúvidas que chegou a hora de Homens como o Dr. Fernando Nobre governarem as nações...


De Pedro Maximino a 11 de Maio de 2010 às 07:37
“3Fs”

É fartar vilanagem, os condimentos de ontem como os de hoje são magistralmente utilizados pelo regime, o benfica ganhou, vem aí o papa e a Mariza actua no Rock in Rio, as notícias sobre tudo e sobre nada sucedem-se a ritmos alucinantes para toldar os mais atentos dos espíritos, é tudo obra do acaso pois então, lá está sempre a malvada da comunicação social.

Hoje como ontem fado, futebol e fátima, lembram-se ? talvez já não e é mesmo isso que convém pois assim é possível utilizar as novas, velhas estratégias para, apanhando-nos entretidos no quintal das nossas pequenas emoções, ir sacando o mais que podem e ir manipulando a forma, o tempo e doseando a quantidade de emoção que nos é servida.

A comunicação social cada vez mais condicionada, não senhor, ela própria é o papão, os políticos coitados as suas vítimas e a carneirada distraída vai sendo tosquiada, mais do que prometia a força humana, vivemos, já não restam dúvidas, numa sociedade de lobos maus corrompidos, legalizados e detentores dos instrumentos para a tosa.

E assim nos vão tosando a todos e qualquer dia sem nos dar-mos conta, a coberto das necessidades especiais de lã para cobrir o regime, começam a levar-nos o couro também sem que nós sequer nos dêmos conta, é sempre só mais um bocadinho, e de bocadinho em bocadinho vai o carneiro ficando tosquiadinho.

É o novo mundo velho, agora das técnicas de marketing e da gestão dos conteúdos audiovisuais, novas técnicas ao serviço das velhas mentalidades, valendo-nos apenas a felicidade de termos nascido neste rectângulo à beira mar plantado que deu novos mundos ao mundo e que agora azar dos azares, tem que dar novos euros aos espíritos mais iluminados e à Europa pois então, dir-se-ia que a ocasião faz o ladrão.

Apetece-me, como ao outro dizer, para esse peditório o pessoal já deu, mas não, parecemos cada vez mais o rebanho bem tosquiado e metido no seu quintal, a braços com as emoções que ainda vai tendo capacidade de gerir e só nos resta ir vibrando com os golos do Cardozo, penitenciarmo-nos pelos nossos pensamentos e ouvir um belo fado nos momentos próprios.

Ó gente da minha terra, Agora é que eu percebi, Esta tristeza que trago, Foi de vós que recebi, e ouçam vezes sem conta são de facto uma voz e uma interpretação sublimes, só espero que não seja nunca mais a voz do regime.


De Pedro Maximino a 10 de Maio de 2010 às 22:07
“Tudo como dantes”

Tudo como dantes quartel-general em Abrantes, afinal a magia acabou depressa, eu também nunca acreditei muito em passes de mágica, mas também nunca supus que fosse necessário regressar aos idos anos de mil novecentos e oitenta e três, para angariar fundos para esta máquina infernal.

Será que nunca ouviram dizer que não é jogando dinheiro em cima dos problemas que estes se resolvem, antes pelo contrário, só se agravam e assim continuará a ser pois em vez de diminuir a massa corporal desta máquina corporativa que nos governa, os responsáveis vão-nos extorquir uns euros extra para comprar mais pão-de-ló.

A magia veio sobretudo favorecer todos aqueles que estavam a perder aos milhões nas bolsa e assim viram os seus ganhos subir de novo à ordem dos milhões, com estas mediadas também a economia paralela tenderá a engordar um pouco mais, disso ninguém duvide e essa não deixa nem um cêntimo para o famigerado aparelho.

Para os outros sobra a magia do costume a da tanga, do aumento de impostos, criação de imposto especial, o que será ? e o regresso à velha poção mágica, a do tempo do marocas, ficar-nos com uma fatia de leão do décimo terceiro mês, serão assim tantos os burros actualmente que necessitem de tais quantidades de pão-de-ló.

Mas caros concidadãos nada disto significa uma quebra das promessas é antes de mais um ziguezague só necessário pois temos que salvar a Europa e o mundo, mas quem da Europa e do mundo, a regredir desta forma não custa nada imaginarmo-nos em breve no tempo em que os burros falavam e então aí eles nos agradecerão de viva voz a forma principesca como continuam a ser alimentados.


De Pedro Maximino a 10 de Maio de 2010 às 19:07
“Harry Potter”

Acompanhe todas as notícias: Recuperação económica desacelera em Março, Lisboa avança 10,25% na maior subida de sempre, Madrid vive a melhor sessão de sempre, bolsa dispara 12%, Banca em êxtase com maior subida em 20 meses, Euribor descem pela primeira vez em três semanas, Lisboa engorda 4,3 mil milhões de euros em duas horas, Bolsa dispara 9%, BCP lidera com salto de 15%, Benfica afunda 7% com tomada de mais-valias, "Mercados entenderam determinação europeia", PSI 20 consegue segunda maior subida de sempre, Euro avança mais de 2% com mega fundo europeu, Madrid ganha 10% e lidera subidas na Europa, BCP, BES e EDP disparam mais de 10%, Euforia na bolsa com PSI 20 a disparar 7,6%, U E aprova fundo de 750 mil milhões para salvar o euro.

Da noite para o dia, todo o dinheiro do mundo, toda a euforia do mundo, é de pensar que aqueles que diziam que a Europa estava decrépita e que já não conseguiria recuperar do estado de crise em que estava mergulhada, devido à maravilha do estado providência que tinha conseguido criar ao longo de décadas, se enganaram redondamente.

Mas também me parece rapidez a mais e há que dar atenção àqueles que afirmam que porventura as grandes economias emergentes, Brasil, China e Índia irão dar cartas durante as próximas décadas e que é em cima deste lume brando que a Europa está a cozer, sem se dar conta disso, tal qual como na parábola da rã na panela de água à qual foram aumentando paulatinamente a temperatura, até que aquela morreu cozida.

É seguramente um tempo de grande incerteza, aquele que estamos a viver à escala global, qualquer desatenção pode ser fatal pelo que todos os aliados contam e por vezes também conta não mostrar o jogo todo e neste caso acho que fizeram muito bem os ministros das nossas economias ao dizerem que se reuniram em Bruxelas com o presidente da comissão e não tenham revelado que a reunião decorreu no castelo de Hogwarts sob a direcção do próprio Harry Potter.


De Pedro Maximino a 9 de Maio de 2010 às 11:55
“Dia de festa”

Hoje vamos ter campeão, é portanto dia de festa rija, é e tem sido uma luta de David contra Golias e ao contrário da história aqui muito provavelmente o Golias vai sair vencedor, só para se ter uma pequena percepção das diferenças caso David vencesse festejariam duzentos mil, sendo Golias a vencer vão festejar seis milhões, é obra.

Mas futebol é apenas futebol, no entanto e já que é um dia importante para pelo menos seis milhões e duzentos mil de nós merece uma pequena incursão pelo tema, e tem sido no futebol que apesar da nossa pequenez temos tido algumas, poucas, figuras de grande destaque.

Lembro-me do Figo e Ronaldo, melhores jogadores do mundo e de Mourinho, que tal como a Carlsberg é provavelmente o melhor treinador do mundo, e melhor não é quem quer mas sim quem pode, são verdadeiros casos de estudo, em que o sucesso virá certamente de muita transpiração e acredito também de uma carga genética favorável.

Prova do seu sucesso são não só os resultados alcançados, como os prémios e até o facto de peças do seu vestuário serem leiloadas, tal representa o reconhecimento do admirador mais anónimo que luta por uma peça de vestuário do seu ídolo, lembro-me de várias vezes camisolas de Figo irem a leilão e agora mesmo uma camisola de Ronaldo e uma gravata de Mourinho serão também leiloadas.

São de facto pessoas de uma craveira elevada, com méritos reconhecidos na suas áreas de actuação e capazes de deixar aos pulos milhões de nós, pena é que na nossa vida pública ainda não tenhamos visto chegar a lugares de destaque pessoas de igual valia, pois nesse caso eu teria todo o prazer em arrematar umas cuecas de um qualquer primeiro ministro, ou mesmo umas ceroulas de um nosso presidente.


De Pedro Maximino a 8 de Maio de 2010 às 08:56
“Sócrates o grego”

Sócrates ficou conhecido por ser um eminente filósofo da Grécia antiga, que desenvolveu o conhecido método socrático, "é o método que consiste em parir ideias complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro de um contexto", e que através da ironia levava o seu interlocutor a entrar em contradição.

É um método que se aplica em duas etapas, na primeira a pessoa é levada a duvidar de seu próprio conhecimento a respeito de um determinado assunto e na segunda leva o interlocutor a conceber, de si mesmo, uma nova ideia, uma nova opinião sobre o assunto em questão, assim através de questões simples, inseridas dentro de um contexto determinado, este método dá à luz ideias complexas.

Agora que já compreendemos o mecanismo vamos pô-lo à prova a ver se é mesmo como se diz, chegados à fala com um responsável pela gestão autárquica perguntámos, ouça qual a necessidade daquele mamarracho, não era necessário, e quais o eventos pensados para as comemorações próximas, ainda não se pensou, mas vão reavaliar e pensar, talvez ainda não tinhamos pensado em pensar, e assim nasceu a complexa ideia do cérebro como montanha russa de neurónios.

Também no nosso parlamento chegámos à fala com um ilustre responsável, ouça aquela deputada que mora longe vai ter direito a pré comprados, não, não podemos abrir excepções, mas e o outro dos Açores que teve direito, são coisas diferentes, certo, dias depois decidiram pela atribuição dos pré comprados, voltámos lá, então agora decidiram em sentido oposto, sim mas só desta vez e nunca mais, e assim nasceu a complexa ideia do pensamento excepcional feito à medida das excepções.

A propósito de um grande desígnio nacional resolvemos também colocar à prova o método e entrevistámos o homónimo do grego, ouça meu caro um país tão pequeno necessita mesmo do TGV, sim claro, mas quase nem vai acelerar à velocidade máxima, não é importante, e não há problemas mais urgentes a resolver, certamente sim, e porquê esta prioridade, olhe não nos podemos desviar e já estou a pensar fazer o TGV em túnel para Nova York, e assim nasceu a complexa ideia da velocidade como auxiliar ao esquecimento de problemas agudos.

Chegámos por último à fala com o povo português e mais uma vez o método foi comprovado, então ò Zé Povinho o pessoal anda satisfeito com isto, até não, até não, pareceria pois vão sempre alternando, sim é verdade gostamos de alterne, mas não vos ocorre outra possibilidade de participação na vida do país, não nos ocorre não senhor, e assim nasceu a complexa ideia da alternância democrática e digam lá se Sócrates o grego após estes anos todos não continua a facturar ?


De Pedro Maximino a 8 de Maio de 2010 às 01:35
“Humano sou eu”

Os activos humanos são o bem mais valioso de qualquer organização, certo ? errado, os activos humanos estão lá porque são necessários, mas quantos menos melhor e quanto menos humanos e mais activos melhor, certo ? errado, isto dos humanos é tudo muito complexo e depende de muitas variáveis, mas fica sempre bem desenvolver umas teorias e aderir às modas vigentes.

Sabemos que o ser humano, enquanto mercadoria não transaccionável, é um ser bestialmente adaptável às realidades, que luta sempre pelos seus objectivos e que busca a felicidade, o que quer que isso seja, já a classificação como activo, não relacionado com a actividade ela própria, mas como uma qualquer classificação contabilística, serve bem para as organizações, mas não para aqui.

Detenhamo-nos pois um pouco sobre os objectivos, devem ser exequíveis mas não alcançáveis, isto para a própria protecção do ser humano, pois o alcançar de um objectivo pode levar a um estado de felicidade tal que provoque o colapso, como o caso daquele filósofo que lutou toda uma vida para ver a sua teoria reconhecida, no dia seguinte após alcançar esse reconhecimento morreu.

Quanto à felicidade é ela própria um conceito de definição difícil, mas como já se viu deve ser tomada com moderação, em função dos tais objectivos que tendencialmente não se alcançam, senão caput, mas quando os conceitos são difíceis a prática leva à sua ilustração através de exemplos para melhor se compreender os seus contornos.

Neste caso por exemplo os escandinavos são felizes q.b., vivendo com pouco sol, pagando impostos elevadíssimos, mas usufruindo deles as contrapartidas exigíveis, já os povos do mediterrâneo são felizes q.b., vivendo com muito sol, pagando impostos elevados, mas obtendo deles apenas algumas contrapartidas, já nos países africanos os povos são felizes usufruindo de um clima extraordinário e vivendo com parcos recursos, dir-se-ia portanto que o clima tem um efeito sobre a felicidade inverso ao das condições financeiras e que portanto se equilibram, pode ser.

Como é que poderemos então equilibrar tudo isto de tão complexo que é ? relativamente ao ser, ser humano ou activo humano já se viu depende do contexto em que se está inserido, quanto aos objectivos já sabe deve tê-los sempre em linha de vista mas nunca os alcance, pois pode ter efeitos devastadores, já no que toca à felicidade deve ser tomada q.b. para que não aconteça o colapso e pode sempre equilibrar o seu estado de felicidade fazendo uma correcta gestão entre os seus recursos financeiros e a quantidade de exposição solar.


De Pedro Maximino a 5 de Maio de 2010 às 23:58
“Acordei”

Acordei muito dormente, não me lembrava bem de como tinha ido ali parar, reparei num botão e toquei, veio uma senhora vestida de branco e perguntei-lhe o que se tinha passado, ela explicou-me que eu tinha tido um acidente, entrara em coma e se tinham passado uma dúzia de anos, não me lembrava muito bem do sucedido.

Recebi muitas visitas, familiares e amigos, estavam todos muito mais crescidos e outros com aspecto mais velho, finalmente tive alta, vim para casa e comecei a informar-me sobre a nova sociedade, nova para mim passados estes anos, verifiquei que o buraco da camada de ozono tinha sensivelmente o mesmo tamanho e que já havia mais carros eléctricos.

Verifiquei que já não havia polémicas na vida pública, já não se falava de esquemas nem de corrupção e parecia ter havido um grande desenvolvimento a nível de infra-estruturas, tanto em novas como na conservação das existentes, estranhei, mas um dia recebi a visita de mais um amigo e resolvi informar-me melhor com ele.

Olha lá, disse-lhe eu, como é que estas evoluções se deram, tu sabes a nível da vida pública, da sua gestão e então ele explicou-me que a dada altura as coisas se tinham tornado incomportáveis, quase ao nível da convulsão social e então alguém se tinha lembrado de criar a figura do provedor do contribuinte, provedor esse que era responsável por controlar rigorosamente o orçamento público e desbloquear toda e qualquer verba.

Fiquei perplexo e perguntei-lhe, então mas esse tipo não está debaixo de fogo constante, não lhe limparam já o sarampo e aí ele explicou-me que não se tratava de um tipo mas de um sistema para onde confluía todo o dinheiro dos contribuintes e este fazia um controlo cego e rigoroso do orçamento e que mediante a emissão de notas codificadas disponibilizava as verbas inscritas e nem um tostão mais.

Mas isso obriga a um rigoroso planeamento e orçamentação, exclamei, não via o pessoal preparado para tal, não houve criativos a tentar dar a volta ao sistema, perguntei-lhe, então ele disse-me que de início sim, havia uma ponte lá no norte que só chegava a meio do rio pois tinham desviado metade da verba e também uma auto-estrada no oeste que tinha duas faixas num sentido e uma só no outro, pois tinham desviado um quarto da verba, mas foi só de início, porque depois a coisa dava tanto nas vistas que toda a gente se retraia de fazer tais aldrabices.

E ia eu colocar-lhe uma nova questão, que já não recordo qual quando o vejo a ficar ténue como uma nuvem de fumo e ouço um ruído assim muito ao fundo, era o despertador, sete da manhã, hora de ir trabalhar, tudo não passara de um sonho, levantei-me parei como é hábito para tomar um café e ler o jornal, dei-me conta de que afinal estava tudo na mesma, todos continuavam a roubar e o contribuinte a pagar... volta provedor...


De Pedro Maximino a 4 de Maio de 2010 às 19:01
“A escola do tempo”

Faz tempo que não pensava no tempo, mas hoje não sei porque carga de água dei comigo a pensar nessa escola que é o tempo, o tempo não pára, o tempo urge e o tempo tudo resolve, fantástico, estas três formas que o tempo tem de nos ensinar.

O tempo não pára, o que nos permite estar em constante evolução, dá assim ênfase àquela máxima “nada é permanente a não ser a mudança” e se pensarmos bem assim é de facto, nada pode ser dado como adquirido a não ser a mudança constante, e é esta mudança que nos permitiu ser aquilo que hoje somos, é toda uma aprendizagem de séculos da qual agora podemos usufruir.

O tempo urge, é quase sempre assim, mas isso tem mais a ver com aquilo que fazemos com o tempo que nos é disponibilizado, enfim como o gastamos, existem tantas formas de gastá-lo mas hoje em dia parece que o esbanjamos, tal é a correria, mas é nesta correria que somos obrigados a dar os nossos tombos e é com os tombos que se aprende, logo esta não é senão uma forma acelerada de aprendizagem.

É pois o tempo sempre a ensinar-nos em função das nossas necessidades, se antes as coisas corriam devagar o tempo se encarregou de nos ir ensinando ao longo de séculos e se agora a vida é bem mais frenética então o tempo adaptou-se e pôs-nos aos tombos, pois viu que só dessa forma nos consegue ensinar tudo aquilo que necessitamos aprender.

E finalmente o tempo tudo resolve, é bem verdade, nunca vi mal que sempre durasse, é uma vez mais o tempo a ensinar-nos, pois mesmo que não tenhamos aprendido ao longo dos séculos nem com a sua forma de aprendizagem acelerada, então ele como bom professor que é, e adaptado aos tempos modernos, proporciona-nos assim um género de passagem administrativa, eliminando todos os erros dos seus discípulos menos dotados que nem mesmo aos tombos tenham conseguido aprender.


De Pedro Maximino a 3 de Maio de 2010 às 20:07
“Agora comam poesia...”

Portugal é um país de poetas
Coisa que há séculos sabemos
Também houve alguns atletas
Pior é que poesia não comemos

Andamos deprimidos sem cheta
Com o estado a que isto chegou
Mas com um Presidente poeta
Tomar Prozac é coisa que acabou

Teremos saraus bem compostos
Para nossa grande felicidade,
Não poderemos pagar impostos

Dirá o novo Presidente um dia
Sem tusto mas com autoridade
Agora comam poesia...


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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