Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Embora de contornos diferentes, as tragédias humanas actualmente em curso nestes dois "Estados" têm alguns denominadores comuns e outros específicos. Nos comuns ponho a desgovernação e corrupção totais e a hipocrisia, o cinismo e a indiferença da chamada comunidade internacional. Para os específicos citaria apenas a rapina das matérias primas do Congo (coltan, urânio, ouro, cobre, diamantes...) e a sua partilha em feudos, por parte das grandes potências que enviam capacetes azuis (Paquistão, Nigéria...) com mandatos desadequados e inúteis (é tempo de reler o livro do comandante dos capacetes azuis no Ruanda, em 1994, Ten. General Roméo Dallaire,  "Shake Hands with the Devil").

Quanto ao Zimbabué, temos um psicopata em campo com o beneplácito dos outros ditadores e corruptos seus vizinhos. Podia e devia ter feito uma reforma agrária, que se impunha, mas com bom senso, cabeça, tronco e membros! Em vez de servir o seu povo, oprimiu-o e tornou-o miserável e doente para o benefício de uma cleptocracia ditatorial brutal. Resultado: derrocada total.

 

É tempo de certos governantes entenderem que os "seus" povos não lhes pertencem. Se não entenderem, há que os fazer entender. Para além do que ditaduras e crimes são sempre condenáveis, sejam os seus mentores pretos, brancos, amarelos ou vermelhos e as suas vítimas vermelhas, brancas, amarelas ou pretas!



publicado por Fernando Nobre às 10:15
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6 comentários:
De Graza a 26 de Dezembro de 2008 às 22:31
Não tenho tido dúvidas em inclui-lo, quando tenho que escolher meia dúzia de portugueses de eleição. O senhor é um dos portugueses de que me orgulho. Não faço referencias especiais a listas de blogues, mas por si e pela Indiferença vou dar-lhe o relevo que bem merece.


De pine a 18 de Dezembro de 2008 às 07:55
Nunca percebi a passividade da comunidade internacional em relação a "África". Quando, por exemplo, foi tão rápida e fácil a tomada de decisão em relação a situações como a do Iraque, por exemplo...
"África" pareceu-me algo sempre muito distante e, ao mesmo tempo, daquelas situações que nunca terão solução, que se arrastarão eternamente, algo que sempre ouvi e ouvirei falar....


De João gafeira a 15 de Dezembro de 2008 às 01:27
Contornos diferentes? Seguramente, mas quem quer aprofundar e perceber o que se passa em África? E quem pode e quer transmitir as diferenças que aí existem, nas tragédias, nas aspirações, nas possibilidades, etc...? Que meios de comunicação e jornalistas investem nisso? África continua, aos nossos olhos, assim como um continente de Norte a Sul composto de palhotas, como há muitos anos comentava ironicamente com um filho, na altura muito novo, para o fazer perceber quão idiota era querer reduzir um pedaço de terra daquela dimensão ( e pequena que fosse) a duas ou três ideias simplistas. Ainda hoje, por vezes, dizemos "pois, e África são palhotas", quando queremos assinalar um comentário fácil, um estereótipo batido e coisas dessas. Mas continua assim: "são palhotas", e tirando isso ninguém está preocupado em perceber verdadeiramente o que lá se passa e o sentir e querer das suas gentes. Usando os nossos pontos de vista, fazem-se umas análises na base de interesses económicos e estratégicos; umas dicas sobre a solução por eleições livres e pela democracia; um comentário rápido e chocante sobre as mais recentes mortandades ou opressões, e está feito. Porquê esta minha conversa? Talvez para lhe pedir que, com o seu conhecimento, nos vá deixando de quando em quando neste blogue indicações sobre os caminhos para conhecermos e percebermos África, nas suas tragédias e no resto. Por exemplo, há locais onde as coisas vão bem, ou onde se faça por que melhorem? Sim? Quais e porquê? Que livros? Que jornalistas?
Criticas ao Blogue? Também tenho. Pode melhorar muito gráficamente. As cores de fundo e de texto não tornam a leitura muito fácil.
Com admiração
J Gafeira


De inês a 15 de Dezembro de 2008 às 00:05
O blogue que nos fazia falta, obrigada!
O drama é que os psicopatas conseguem empreender acções devastadoras sem serem travados, justamente por se rodearem de pessoas sem escrúpulos capazes de tudo por poder e dinheiro. Eu também sou médica, impossibilitada das grandes causas visíveis por força das razões familiares. Mas gostaria de poder colaborar com qualquer coisa que pudesse fazer um pouco da diferença. Justamente contra a indiferença!


De Fernando Nobre a 31 de Dezembro de 2008 às 15:43
Olá Colega! E se pedisse para falar na escola dos seus filhos ou no seu bairro e dizer o que lhe vai na alma? Todos podemos fazer algo! Abraço fraterno e muita força!


De papalagui a 14 de Dezembro de 2008 às 16:08
Este Natal tem demonstrado que as pessoas são, na sua génese, seres bons e solidários. Neste momento em que todos falam de crise, seria compreensível que os donativos para obras de solidariedade, típicos da época, fossem mais comedidos. Temos visto exactamente o contrário, as pessoas aparentemente compreendem melhor o sofrimento alheio e fazem os possíveis para o minorar.

É chegada a altura de, ao seu nível, os governos assumirem a mesma atitude. É o momento de olhar para África. Não é possível que em pleno século XXI, morram pessoas de doenças que podem ser tratadas com um banal medicamento à venda em qualquer farmácia.

Da mesma forma que as pessoas dão um pouco do que é seu para ajudar os mais carenciados, também vão compreender que uma parte dos seus impostos sejam utilizados para acabar com a fome, pobreza e doenças que continuam a hipotecar o futuro de África.


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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