Terça-feira, 25 de Maio de 2010

Hoje comemora-se o Dia de África.

 

Hoje, não vos falar em números, vou falar-vos de sonhos… 

Como disse o meu querido amigo José Manuel Barata Feyo num brilhante artigo que escreveu na revista Grande Reportagem sobre “O fim das ilusões”, “Os números são sempre enfadonhos. Em África, são cruéis”.

 

Esses números aterradores (avanço dos desertos, guerras civis, máfias diversas, tráfico de armas, mortes infantis, malária, tuberculose, fome, corrupção, prostituição infantil, pobreza, refugiados, etc.) sobejamente conhecidos de todos, são autênticas explosões que só não acordam as consciências mais indiferentes ou em coma. Quanto aos homens e mulheres ainda vivos só lhes resta darem as mãos e fazerem frente pois o grito da revolta pela justiça nunca morrerá.

 

Tenho o sonho de que o Homem seja protegido e acarinhado como o mais precioso dos “monumentos” pois qualquer Homem, como ser vivo, é sem dúvida a obra-prima mais perfeita e única que jamais surgiu no nosso planeta.

 

Sonho em fortalecer o movimento humanitário para que, actuando no terreno e sensibilizando a nossa opinião pública e os nossos governantes, consigamos construir um mundo onde o sofrimento e a miséria deixem de insultar a nossa consciência quantas vezes adormecida. Se assim não for, tornar-nos-emos em breve todos uns desumanos e o próprio conceito de Humanidade será posto em causa.

 

Sonho em construir um mundo melhor, onde os nossos filhos e netos possam viver em paz e harmonia, onde todos possam satisfazer as necessidades básicas vitais e onde a (re)distribuição da riqueza e do conhecimento seja mais equitativa, mais justa.

 

 

É pois com saudável esperança que observo, participo e incentivo o despertar da sociedade civil que quer a valorização do Homem como centro das estratégias e preocupações políticas. Esta orientação, fundamental para o futuro da Humanidade, é espontânea e mundial, e traduz-se na criação massiva de ONG (Organizações Não governamentais) em todos os países.

 

A emergência forte e global da sociedade civil organizada à volta de temas dominantes como a solidariedade, a participação, o combate à pobreza, a tolerância, a ecologia, os direitos humanos, o humanitário é quanto a mim a maior esperança, para não dizer única, de um mundo melhor para os nossos filhos.

 

 

Utopia? Penso sinceramente que não, ainda que não seja por Humanidade mas por  simples pragmatismo e sobrevivência da espécie. Estou convicto que os governos muitas vezes pressionados pelas suas sociedades civis cada vez mais informadas e exigentes (ainda bem!) vão ter que entender que mais importante que o mercado-rei é a política, mais importante que a política é o social, e que mais importante que o social são a moral e a ética humanas. Para a quadratura do círculo em que a minha geração está entalada não há outra alternativa. Só esta mudança radical de comportamento, de mentalidades e de visão nos conduzirá a um mundo melhor. Possam os governantes do mundo ter ousadia, rasgo, vontade política para que, como verdadeiros estadistas, deixem de viver a curto prazo ao sabor das ondas bolsistas e olhem para o infinito sem esquecerem o amanhã.

 

Temos todos um longo caminho a percorrer. Estou consciente que morrerei sem ter alcançado a meta tão desejada mas considero ainda assim que, todos juntos, temos obrigação de não desistir para que outros a venham a alcançar. É essa a nossa única obrigação como seres livres e humanos: tentar lá chegar sem esmorecer mesmo se perdidas algumas ilusões e alguns sonhos.

 

Continuarei a gritar a favor do Homem, a favor de África e contra o absurdo cinismo internacional que permite tanto sofrimento.

 



publicado por Fernando Nobre às 12:25
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25 comentários:
De Lanzas a 18 de Junho de 2010 às 08:49
O custo das campanhas eleitorais deveria ser um tema base para os candidatos presidenciais.

Os já assumidos oficialmente, Manuel Alegre e Fernando Nobre, e aquele que se prevê venha a recandidatar-se, Cavaco Silva, são pessoas com quem podemos não concordar em termos de projecto político, mas estão acima de qualquer suspeita, ao contrário de outros, e vão certamente cumprir e fazer cumprir de forma escrupulosa com o que a lei estipula acerca dos gastos com as suas campanhas eleitorais.

Porém tendo em atenção os desmandos praticados pela generalidade dos partidos políticos nas últimas eleições autárquicas com gastos na ordem dos 80 milhões de Euros, a fase crítica que o País atravessa, e ainda porque a Presidência da Republica, deve ser o exemplo da moralidade em todas as circunstancias, todos os candidatos deveriam anunciar previamente quanto vão gastar na sua campanha eleitoral comprometendo-se simultaneamente a não ultrapassar em nenhuma circunstância o valor anunciado, qualquer que seja o motivo, e porque forma seja, directa ou indirecta

Era bom para Portugal

http://lanzas.blogs.sapo.pt


De Pedro Maximino a 13 de Junho de 2010 às 18:44
“Circo Europa”

Meninas e meninos, senhoras e cavalheiros, o maior espectáculo do mundo vai começar, bem vindos ao Circo Europa, bem sei que a tenda está rota, os animais estão subnutridos e os artistas estão em greve, mas meninas e meninos, senhoras e cavalheiros nada pode parar o maior espectáculo do mundo, mais uma vez sejam bem vindos.

Meninas e meninos, senhoras e cavalheiros, temos uma boa notícia é que os palhaços não estão em greve, apesar de o palhaço rico estar cada vez mais rico e o palhaço pobre estar cada vez mais pobre, ainda assim aí estão, o Batatinha mais remendado do que habitualmente e o Rico com muito mais brilhantes, lindo número para agrado da pequenada.

Foi assim uma primeira vez e uma segunda, mas não mais, não era possível satisfazer o público só com o número de palhaços, assim foi declarada a crise profunda no circo e a direcção reuniu de emergência, nada poderia parar o maior espectáculo do mundo, as soluções tinham que ser encontradas.

E logo alguém com muita propriedade se lembrou, estamos assim por causa da globalização, há circos no mundo muito mais baratos que o nosso, por isso as pessoas não vêm a este, tiro certeiro, bastou identificar o mal para faltar apenas meio caminho para a cura, foram só mais umas poucas reuniões, alguns contactos e um plano detalhado para o sucesso do espectáculo estar de novo garantido.

O circo teria que mudar de nome, a nova tenda foi mandada vir de local mais competitivo, a ração para os animais foi negociada a nível global e os novos artistas foram contratados num país longínquo, o sucesso foi de tal ordem que os prémios dos directores do circo foram aumentados em trezentos por cento e de novo o público pode aplaudir não só os palhaços como todos os restantes números.

Meninas e meninos, senhoras e cavalheiros, o maior espectáculo do mundo vai começar, bem vindos ao Circo Global, nesta magnífica tenda nova, made in Bangladesh, com os nossos vistosos animais alimentados a ração Paquistanesa e os melhores artistas vindos directamente de Pequim, meninas e meninos, senhoras e cavalheiros nada pode parar o maior espectáculo do mundo, mais uma vez sejam bem vindos.


De Pedro Maximino a 10 de Junho de 2010 às 21:28
“Insustentável ou não”

Em mais um dia de condecorações e declarações, ficámos a saber que chegámos a uma situação insustentável, mas não estamos numa situação insustentável, hum estranho, então chegámos e não estamos, tenho cá para mim que aqui anda mãozinha do Albert, sim do Albert Einstein.

É possível segundo ele e à luz da sua teoria da relatividade especial que eventos que ocorrem simultaneamente num referencial inercial não sejam simultâneos noutro referencial em movimento relativo, este fenómeno é tanto mais observável quanto mais o movimento relativo se aproxime da velocidade da luz.

Assim é possível a dois observadores da uma mesma realidade conseguirem observar coisas diferentes, dependendo da velocidade a que se deslocam relativamente ao referencial observado, deste modo podemos ter alguém que deslocando-se lentamente veja uma situação sustentável, enquanto alguém que se desloca a uma velocidade próxima à da luz, veja essa mesma realidade como insustentável.

Graças ao Albert ficamos assim a saber que a realidade pode ser percepcionada de forma distinta dependendo da velocidade a que nos deslocamos, assim é possível ao sujeito que se deslocava lentamente ter percepcionado uma realidade sustentável, enquanto o sujeito que se deslocava à velocidade da luz ter percepcionado uma realidade insustentável.

Isto tudo não passam de suposições é claro, porque também é possível que a realidade insustentável observada pelo sujeito que se deslocava à velocidade da luz se tratasse apenas de uma alucinação provocada por uma qualquer substância psicotrópica, e que a realidade sustentável observada pelo sujeito que se deslocava a menor velocidade derivasse do facto de este estar já a ressacar.

Mas insustentável ou não, também o Albert afirmava “temos o destino que merecemos, o nosso destino está de acordo com os nossos méritos” e se a isto juntarmos a sabedoria popular “no meio é que está a virtude”, então provavelmente o quadro ainda não é como o pintam, mas virá a ser tão bom ou tão mau consoante sejam os nossos dotes artísticos.



De Pedro Maximino a 10 de Junho de 2010 às 13:26
“Liberalizar”

Entre muitos outros, um antigo ministro da nossa economia defendeu esta noite mais privatizações, nomeadamente saúde e educação, o economista disse que se trata do melhor caminho tendo em conta a situação das contas do país, apontando assim o caminho da liberalização de sectores fundamentais da nossa sociedade, subscrevo.

O dito economista não referiu, mas podia e devia tê-lo feito, a justiça, pois se esta custa milhões ao estado e é forte para com os fracos, mas perante os fortes já a música é outra, entenda-se fortes nos cifrões, significa que esta já está ultra-liberalizada, pois só com muito dinheiro se usufrui das suas benesses, poupava assim muito o estado.

Quanto à saúde também era uma boa opção, pois acabavam-se com as listas de espera, quem tinha dinheiro era atendido, quem não tivesse ou possuía seguro de saúde, ou era custeado pela segurança social enquanto esta tivesse orçamento, ou em última análise não adoecia, poupava-se sem dúvida e ninguém esperava.

Na educação então o tiro não podia ser mais certeiro pois se andam a estudar para depois serem licenciados desempregados, equilibrava-se desta forma o mercado de emprego, licenciava-se quem pudesse pagar, seriam certamente menos e as necessidades para caixas de supermercado e empregados do sector terciário eram mais rapidamente satisfeitas, sem ser por pessoas hiper-habilitadas.

E por último liberalizávamos a inteligência, pois não vejo necessidade de num país tão pequeno existirem tantos tipos inteligentes, nomeadamente ex-ministros, suspeito mesmo que esta liberalização já esteja em vigor pois quando exercem o cargo não os vejo tão dotados, será talvez por os políticos serem mal pagos e só quando deixam os cargos conseguem posições melhor remuneradas, passando a ter maior capacidade de acesso a este mercado liberalizado.


De Pedro Maximino a 7 de Junho de 2010 às 21:59
“Ao jantar”

A crise, ao jantar, foi ontem discutida entre Passos e Aznar, para primeiro veio um parmentier de pato confit com cèpes e morilles, emulsão de trufa negra e pimenta Malgache, regado com um Quinta D.Carlos 2007, bem fresquinho, a combinação estava divinal e o D.Carlos escorregou pela goela como nenhum outro.

Para melhor compor o estômago vieram depois de segundo uns medalhões de vitela de leite, croquete de batata e amêndoas, tomate e tomilho, regado a preceito por Herdade da Feiteira 2006, temperatura 22º, não podia ser melhor para contrastar com o branquinho anterior, frutado quanto baste.

Já com o estômago aconchegado e a alma bem regada veio depois para sobremesa um tortillon de chocolate Guanaja com frutos secos e gelado de baunilha, contraste perfeito entre o chocolate e o fresco da baunilha gelada, a alma e o estômago agradeceram.

Veio depois o café e mignardises e o indispensável digestivo, um fabuloso Remy Martin em balão aquecido, que aqueceu desde a fronte até à parte posterior da nuca e garantiu pela certa imunidade ao vírus H1N1 já até à próxima época da gripe.

Então e para a crise, àh pois para a crise, então pode vir uma sopinha de beldroega que tem a vantagem de ser uma erva que cresce por todo o lado, faz uma sopa nada indigesta e que condiz lindamente com estes malfadados tempos.


De aumento del seno a 7 de Junho de 2010 às 15:36
seu blog é muito bom! Eu não leio Português bem, mas eu amo o que você escreve!


De Pedro Maximino a 7 de Junho de 2010 às 00:56
“Führer”

Führer, líder em alemão, o "condutor", "guia", "líder" ou "chefe", deriva do verbo führen “para conduzir” é uma palavra comum na língua alemã, embora permaneça para sempre associada a um período negro da história da humanidade, mas isso é passado que alguns até dizem nem ter existido, hoje a liderança é mais que nunca necessária e parece estarmos cada vez mais rodeados de não líderes.

O tipo que dobrava colheres com a força da mente também só apareceu aquele e nunca mais apareceu nenhum, já com os líderes parece um pouco assim, escasseiam, mas isto de dobrar colheres e ser líder não é para quem quer, mas sim quem sabe e pode, por isso temos que continuar insistentemente na busca de quem melhor sirva para nos liderar.

Existiu em tempos também aquele líder ao qual bastava olhar profundamente para os seus seguidores e sem quase ter que lhes dirigir palavra, estes entendiam na perfeição o que havia a realizar, mas também desta craveira não consta que mais algum tenha alguma vez aparecido, estamos pois a atravessar uma profunda crise no que às verdadeiras lideranças diz respeito.

E não se pense que ser condutor, guia ou chefe, como na definição, são condições para bem liderar, nada disso, pode-se ser um bom chefe, um bom condutor e bom guia e não se chegar sequer aos calcanhares de um líder, e nunca se diga aquele tipo é um mau líder, isso não existe, líder ou se é ou não, e hoje em dia encontramos muito poucos ou nenhuns.

Daí que estejamos rodeados de pseudo líderes ou não líderes, esses sim abundam por aí e até se atrapalham uns aos outros, com as constantes declarações para o nosso belo esclarecimento, por vezes até se atrapalham a eles próprios, pois dizem-se num dia e contradizem-se no outro, quais jogadores da bola que até se fintam a eles mesmos.

Estamos pois e para já condenados a ser não liderados e também que as nossas colheres permaneçam direitas e intactas, mas talvez não por muito tempo, suspeito que um destes dias vamos ter uma grande surpresa pois ao abrirmos a gaveta dos talheres lá de casa ainda nos vamos deparar com as belas colheres do faqueiro de família todas torcidinhas.


De Nuno da Rocha Borges a 6 de Junho de 2010 às 15:23
Portugal precisa urgentemente de uma intervenção cívica em tudo semelhante às intervenções humanitárias da AMI. Fernando Nobre parece agora ser o líder mais credenciado para a implementar.


De josé manul g vasconcelos forra a 6 de Junho de 2010 às 14:38
Parabéns pela V/ entrevista à TSF!
Estou disponível para colaborar, a todos os níveis,
na candidatura no distrito de Lisboa ou, em particular, no concelho de Amadora onde resido e sou Presidente da Assoc de Morad e Propriet da Venda Nova. Tenho tido dificuldade em enviar esta mensagem incluindo entrar no Facebook - como sempre, deve ser facílimo para quem sabe!


De Pedro Maximino a 6 de Junho de 2010 às 02:19
“Inquietude”

Já ouvi chamar aos tempos actuais, tempos de irracionalidade e tempos de incerteza, mas ao ler escritos de outras eras sempre vi neles doses de incerteza e irracionalidade em menor ou maior grau, mas sempre presentes, na leitura dos acontecimentos mais recentes vejo sobretudo que estamos perante tempos de inquietude, em que nos deve assaltar nova necessidade de descoberta.

Que melhor exemplo querem de irracionalidade do que construir naus e partir mar fora à descoberta de novos mundos, quando podíamos ter ficado aqui bem quietinhos no nosso canto à espera de um subsídio e que maior grau de incerteza podíamos tentar alcançar ao lançamo-nos numa epopeia desta dimensão, só mesmo tentar enriquecer no second life, pois não consta que alguém já o tenha conseguido.

Eram já tempos de alguma inquietude os que nos impulsionaram em tamanha cruzada, pois só assim se justifica termos partido tentando espalhar a nossa verdade e escutando simultaneamente outras verdades, e se a inquietude relativa desses tempos nada era face à inquietude dos tempos actuais, o que nos faz ficar agora parados, absortos a escutar todas as mentiras daqui e de além mar.

Só pode ser explicado à custa da nossa mais pura irracionalidade, pois antes não eram sequer as verdades dos outros que nos detinham em querer também espalhar a nossa verdade, quando agora as nossas próprias mentiras nos conseguem paralisar, vindo as mentiras dos outros apenas como um complemento das nossas.

Mas se quando podíamos ter ficado quietinhos à espera do subsídio não o fizemos então agora que o tempo do subsídio está a chegar ao fim, não adianta ficar à espera dele, seria irracional e se a incerteza de enriquecer no second life é superior àquela que enfrentamos fazendo-nos ao mar será pois chegada a hora de uma nova epopeia, sem subsídio e sem enriquecimento fácil.

É tempo pois de encetar uma nova caminhada, carregados de toda a nossa irracionalidade, de toda a incerteza que nos possa assaltar, mas movidos pela inquietude que os tempos presentes nos induzem, ignorando todas as mentiras que teimam em querer-nos vender e partindo à descoberta de todas as verdades ainda por descobrir.


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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