Terça-feira, 15 de Junho de 2010

O título deste texto não é nenhum conto para crianças, mas também o poderia ser se o propósito fosse mostrar-lhes uma janela de esperança e impedir que repetissem os erros já cometidos pelos seus pais e avós.

 

A janela de esperança, efectivamente, ainda existe! Embora estreita, representa o sonho que está sempre presente em cada um de nós e que está a permitir a edificação de uma fortaleza contra o apocalipse. Essa fortaleza é constituída pelos cidadãos conscientes e informados do mundo que não abdicam dos seus valores e que por isso mesmo pugnam de forma determinada por um Mundo mais Humano, onde a Cidadania Global deverá ser uma realidade e onde os princípios éticos e morais deverão ser decisivos na tomada de decisões coerentes e de salvaguarda da Humanidade.

 

Nesse novo Mundo possível, a miséria absoluta, de que padece diariamente um quinto da população do Planeta Terra, seria erradicada e já só seria possível de ser vista num museu construído para o efeito, como sonha o último Nobel da Paz, o Professor bengali Muhammad Yunus. Esse museu, como o do holocausto Nazi, seria a prova viva da nossa memória colectiva sofrida, mas iluminada. Sofrida porque nos confrontaria com o facto de termos sido suficientemente inaptos e insensíveis para aceitar viver durante uma eternidade num mundo onde a “miséria assassina” vitimizava milhões de seres humanos todos os anos, qual verdadeiro genocídio silencioso e esquecido. Iluminada, porque ao conseguirmos eliminar tamanho absurdo, poderíamos enfim viver orgulhosos e felizes, pois teríamos, enfim, conseguido o maior feito alguma vez realizado pelo ser humano.

 

Se acabássemos com a miséria que tantas vezes me choca e humilha, daríamos um passo decisivo na caminhada para uma Paz sustentada e duradoura. Seriam depois necessários outros passos – mas disso as gerações vindouras se responsabilizariam, incentivadas pela nossa acção – até que um novo paradigma humano que impediria de uma vez por todas os desvarios presentes e os hediondos actos que infelizmente já se vislumbram, florescesse e iluminasse novos caminhos e entendimentos.

Mas de momento, infelizmente, de novo os tambores de guerra já rufam e, desta vez, anunciam-se armas atómicas!

Sessenta e dois anos depois do holocausto de Hiroshima e Nagasaki, ouve-se falar novamente, como um dado inevitável e sem possibilidade de retrocesso, da utilização de armas atómicas, desta vez com início no Médio Oriente...e fim no...

 

É contra esse crescente rufar ensurdecedor de tambores enfurecidos que a nossa Muralha (todos nós) se deve erguer e gritar um rotundo NÃO!

Enquanto médico humanista, pai, filho e irmão de todos os seres humanos da nossa Humanidade, peço que estejamos atentos por forma a, no momento oportuno, lançarmos em comum um grito global que imobilize os arautos da guerra espúria que desde já se preparam.

Não pudemos e não soubemos ser escutados de forma a impedir a absurda e criminosa guerra contra o povo iraquiano. Não nos é permitido voltar a falhar.  As crianças de todo o mundo e as gerações vindouras não nos perdoariam.

 

Desta vez, a nossa Muralha, a nossa Fortaleza, tem que conseguir travar os dois genocídios já em curso – o da fome e o da dívida (duas armas de destruição maciça, como justamente as apelida Jean Ziegler) -, mas também o genocídio que resultaria obrigatoriamente de uma deriva militar atómica. Se não o fizermos, não só destruiremos as nossas vidas, mas hipotecaremos, de forma duradoura, o futuro da nossa Terra.

Tirando esses combates tremendos, evitar um conflito atómico com contornos indefinidos e incontornáveis e pugnar pelo fim dos dois genocídios silenciosos já referidos, há ainda outras batalhas muito prementes e essenciais a travar pela nossa Fortaleza Cidadã, Cívica e Humanista. O fim da corrida às armas, o fim dos governos corruptos e ditatoriais, a implementação de um comércio mais justo, a elaboração e aplicação de regras mais éticas, equitativas e equilibradas por parte do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, da Organização Mundial do Comércio e do G8..., o reforço da educação e da saúde no mundo, a gestão equilibrada dos recursos do Planeta e o fim da sua mortífera poluição, o fim da exploração sexual infantil e da antiga e nova escravatura, o fim do comércio sujo das pedras preciosas, o respeito pelos Direitos Humanos, o reforço da acção, independência e transparência das Nações Unidas e de todas as suas agências, a construção de uma União Europeia mais aberta e transparente e com dirigentes credíveis, de preferência, e preocupados em escutar os seus cidadãos...

Como vêem, meus Amigos, as tarefas e os desafios – e fiquei longe da enumeração exaustiva – são hercúleos, ciclópicos! A Humanidade não precisa e não suporta mais nenhum desvario como aquele que insistentemente ouço, nos últimos tempos: um conflito atómico! Como se tratasse apenas de comer um gelado ou beber um whisky e, seguidamente, virássemos simplesmente uma página, mais uma, do livro “danos colaterais”, aberto por alguns inconscientes e incompetentes globais.

 

Importa encerrar este livro de cinismo e de ignomínia o quanto antes. A Fortaleza, a Muralha constituída por nós, Cidadãos Globais informados, atentos, humanistas e interventivos, pode consegui-lo. Tal será muito mais fácil e evidente se a nossa Fortaleza Global estiver alicerçada em Governos democráticos, éticos e responsáveis e em forças do Mercado Cidadãs e Solidárias.  É isso que temos que conseguir. É por esse fim que temos que pugnar! É esse, penso eu, o nosso dever indeclinável de Seres Humanos Livres e Sequiosos de Paz, em prol do Mundo sustentado que sonhamos.

 

Não nos esqueçamos do que o sábio Pitágoras dizia: “Educai as crianças e não será preciso castigar os homens”.  Invista-se, pois, na educação, informação, sensibilização para a cidadania e bom senso, a fim de evitarmos mais guerras e indizíveis sofrimentos que castigam os inocentes e os esquecidos de sempre!

Entre a denominação de “Pacifista” ou de “Utópico”, quantas vezes pronunciada com superior desdém e desprezo por alguns, e o de “Assassino” (politico, económico ou ...) a quem nada perturba o sono, eu já escolhi. E vocês, meus Amigos?

 

Mais: não aceito, não quero, não permito que os meus filhos, os biológicos e os do Mundo, sejam carne para canhão, numa guerra atómica ou outra qualquer, inventada e conduzida por objectivos iníquos. Este é o meu grito!

 

Ouçam-no, por favor, em nome de uma Humanidade que sonho e quero humanista e solidária.



publicado por Fernando Nobre às 12:56
link do post | comentar

14 comentários:
De Anónimo a 27 de Abril de 2011 às 21:56
Grande Ser humano, como podem insultar alguém que escreve tais coisas? pobre humanidade que anda tão distraída de si própria, tão equivocada... que deus o abençoe!


De luciliocarrico a 18 de Abril de 2011 às 18:39
Serei o último e o menos qualificado para comentar um ilustre português como Fernando Nobre. A sua passagem pela Vida a si respeita e ninguém tem o direito de nela interferir. Permita-me, porém, recordar-lhe Fernando Pessoa que tanto se arrependeu de confiar nos homens seus contemporâneos, então considerados os "salvadores da pátria". Ele disse que "tudo vale a pena se a alma não é pequena" e, certamente, tinha razão. Contudo, também disse: "...Mas o melhor do mundo são crianças, flores, música, o luar e o sol, que peca. só quando, em vez de criar, seca" e aqui tinha razão absoluta. Oxalá não se repita em Fernando Nobre o que aconteceu a Fernando Pessoa. Seguirá o caminho mais consentâneo à sua bondade de alma. Muito penoso seria verificar uma desilusão que, infelizmente, se vislumbra e teme. Dr. Fernando Nobre, o seu sacerdócio é a medicina e aí vale a pena ter uma alma grande. Seu admirador, mas não seguidor, Lucílio Carriço


De Anónimo a 28 de Junho de 2010 às 17:06
O rufar dos tambores de guerra é um exercício de escrita que de forma alguma o queria ter visto com assinatura de um candidato a P da REPUBLICA DE PORTUGAL porque:
1- Qualquer um tem esse sonho.As propostas de solução neste caso não podem serem remetidas para o futuro, para utopias e generalistas, pois isto leva a perda irrecuperável da candidatura. Pode-se ingénuo, cometer erros, não ficar indiferente, contudo traçar caminhos alarmista é FAZER A GUERRA COM ELA MESMO!
2 - Não há maior homem interessado na PAZ que o próprio militar profissional, contudo a sociedade em que vive este candidato continua a ser militarista e é essa quer acabar definitivamente com os militares e nada melhor que fazer a guerra com está a fazer. A dialéctica dos contrários aqui funciona eficazmente. Se não está a entender isto e só entende por parábolas ou generalizações, ou globalizações ou caso próprios vividos é uma demonstração não só de infantilidade como incapaz pela razão de traçar caminhos para a paz ( não escrevo um fim, pois não sou rígido de pensamento com o é pelo excesso de maneabilidade que dá a crer na argumentação).
3 Os Poderes do Presidente são neste campo muito fortes, avantajados, credíveis, sustentáveis pelo como candidato terá que assumir que sabe exercer esse Dever demonstrando logo nesta fase intenções, crença utopias, sonhos para depois ficar pelo caminho mas com traços perfeitamente trilhados, motivadores, erros mas quase nenhuns retrocessos. Os deveres militares passam, se não sabe fica a saber, uma das casas construídas ou constituídas deste regime politico que não pode abdicar mas saber gerir não só com militares a fazer a guerra, porém a constituírem a paz como referência para toda a EUROPA E MUNDO (não disso global que é mediático, inconsequente....). Tem que saber o valor das palavras e actos desses regulamento que são abase da diplomacia internacional. Isto não é opcional isto é a que chamou Terra e é aqui que a maior parte dos presidentes não actuam, onde eles fazem as crises que dizem internacionais e nacionais alguns chegam a escrever institucionais por incompetência e gestão das delegações ou não delegações que fizeram.
4. Se fosse médico de urologia continuaria a dar consultas, muitas delas de borla, e tentava que houvessem menos doentes nos hospitais e até menos hospitais (que estão sempre sediados obrigatoriamente nas cidade para maior comércio), pois era sinal indelével que havia mais homens sãos e depois poderia-me dedicar à politica do Estado. Como sou para militar e agora existe mais paz de quando nasci e mais do que quando entrei nas fileiras e a tendência é haver mais, caso não haja arautos das infelicidade e legislações exponenciadas só em palavras e contradições e ainda aberrações mediáticas sobre o assunto é que me atrevo a dar esta consulta de graça. A disciplina denomina-na estratégia, arte da guerra, financiamento com ideias execuiveis , viver com cidadania no mundo presente quer RURAL , quer proletário quer citadino. Motivar para que as instituições presente neste mundo actuem no sentido para que foram criadas e não acreditar no novo pelo novo. Se não estou a ser sentido, entendido com assertividade não por meu mal parece que quando tiver resposta direi por quem o é.
5. A "crise" é um misticismo paranóico quer do "novo" quer do "paradigma" de interpretar uma realidade de fuga que se quer permanente pelo homem "superior" (cursos superiores) da cidade e do ocidente. Portugal não é só Estado, contudo é com este e como sempre formado por homens vivos, repito homens vivos quer sejam bons ou maus, quer sejam competentes e incompetentes. É com isto que se tem que governar a parcela (essencialmente literária que é) com alimentação, com tempos livres, com responsabilidade, com cada um ( a isto se devia denominar globalidade) de que fazemos parte da ONU, das organizações internacionais quer estais quer não estatais (entendamos anti-estatais ) que proliferam em detrimento das primeiras e endeusamento dos seus presidentes ou conselhos directores.
& O poder da guerra é ainda nesta fase Westefaliana da muita responsabilidade da gestão dos Estados (membros da OTAN; ONU e outros) e do terrorismo, fanatismos ou desnivelamentos espaciais das vidas quotidianas das pessoas.Aqui o presidente dum Estado...


De SOS DIREITOS HUMANOS a 28 de Junho de 2010 às 02:05
DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

O CRIME DE LESA HUMANIDADE

O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?

A COMISSÃO DA VERDADE

A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e pede que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

Paz e Solidariedade,

Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
http://www.sosdireitoshumanos.org.br
sosdireitoshumanos@ig.com.br
http://twitter.com/REVISTASOSDH


De Tiago Almeida a 24 de Junho de 2010 às 22:35
Caro amigo,

Os seus anseios, preocupações e ambições são, estou certo, comuns a muitos portugueses. Porém, perdoe-me a minha sinceridade...não creio que Portugal esteja (para já) preparado para ter um presidente com a sua elevação, independência e dignidade. No entanto, o mérito da sua candidatura não está numa hipotética vitória, mas antes nos valores e princípios que defende...sustentados num percurso de vida que são um exemplo para a Humidade (...e não só para os portugueses).
Uma sugestão...procure organizar debates envolvendo jovens, onde se ouçam os seus anseios e percepções...eu sei que isso o preocupa e também sei que só com eles se constrói o futuro (e não com gerações perdidas...). Afinal estamos todos fartos de ouvir debates com os mesmos políticos e os mesmos comentadores...
Um muito obrigado pela sua coragem...o futuro (mesmo que não 2011) lhe dará razão:)


De Pedro Maximino a 23 de Junho de 2010 às 23:54
"Nenhum sonhador é insignificante; nenhum sonho é irrealizável"

do original,

Laurent J.V. Dubois "No dreamer is ever too small; no dream is ever too big "



De Rafael António a 22 de Junho de 2010 às 09:42
Dr. Fernando Nobre,

Tenho seguido com muito interesse as suas intervenções e, claro, a candidatura presidencial. Não querendo ser pessimista penso que as máquinas partidárias, e não só, o irão colocar numa situação difícil entre dois fogos. Mas para si as situações difíceis nunca foram um problema e esse é mesmo um dos muitos exemplos da sua vida como cidadão do mundo.
Por isso gostaria que a sua campanha se pudesse orientar para os grandes temas que preocupam a humanidade e a sociedade portuguesa. Se mais não conseguir deixará aos cidadãos deste pobre país uma pedagogia nova do que é possível construir.


De Pedro Maximino a 22 de Junho de 2010 às 00:25
“Sexo, mentiras e golos”

Crise “oblige”, a dar uma no casamento e outra no funeral, não sendo pornográfico digamos que terá sido obsceno, primeiro uma forçada comunicação para defender o indefensável com toda uma séria de desculpas esfarrapadas, entre as quais o argumento da crise e o de querer manter a paz social, não há dúvida que a pressão dos média e o facto de querer agradar a gregos e troianos consegue destas coisas.

Mas se na primeira tirada os gregos levaram a melhor sobre os troianos, havia agora necessidade de reequilibrar as coisas para que as perdas não fossem demasiado grandes, o facto de estar longe demais logo serviu para justificar o injustificável, evitando desta forma uma presença incomoda, resolvendo as coisas com uma agradável presença espiritual, ficando desta forma gregos e troianos empatados em agrado.

Mudando do sexo para as mentiras ficámos hoje todos a saber que vamos começar amanhã a cortar nas despesas, o problema está precisamente em começar amanhã, desde que me conheço que vamos começar amanhã e porque não ontem ou hoje.

Se ainda ontem tivemos que adquirir mais um milhar e tal de novos veículos para a frota, passar mais uns quantos ilustres à reforma dourada e nomear mais uns tantos de tal para uns chorudos cargos públicos, ficava mal começar logo hoje a poupar, é assim como a viúva que não arranja logo novo marido no mês a seguir ao período de nojo.

Mas se de sexo e mentiras estamos nós fartinhos nestes últimos anos e já nem estranhamos, aquilo que nos vinha faltando como pão para a boca eram golos e eles aí estão, aconteceram hoje, nada mais, nada menos do que sete, aos 29 minutos Raul Meireles, aos 53 Simão, 56 Hugo Almeida, 60 Tiago, 70 míssil de Liedson, aos 87 golo de pescoço de Ronaldo e a fechar a contagem ao cair do pano mais um tento de Tiago, viva a nossa selecção bacalhau com todos e não venham cá falar mais em ketchup.

Só espero que a cabazada que demos aos troianos, perdão aos coreanos, não nos tenha deixado de cabaz vazio e que ainda consigamos até ao final do campeonato, com mestria e sem vitórias morais ou espirituais, reequilibrar as coisas e ir aviando da mesma forma todos os gregos que se nos atravessarem pela frente.


De Pedro Maximino a 19 de Junho de 2010 às 20:43
“As intermitências da vida”

Ontem sentimo-nos todos morrer, a vida tem destas intermitências, foi precisamente como se de um vazio se tratasse, algo estranho acontecera, por alguns instantes não conseguimos sintonizar-nos com a vida, precisamente por essa intermitência que se havia dado, mas afinal logo verificámos que tudo estava bem.

A vida prosseguia normal, a polémica em torno de um grande da nossa cultura, prosseguia como até então, incomodando e desassossegando, como sempre quis e sempre parece ter conseguido, pelo menos deve ter incomodado e desassossegado todos aqueles a quem a consciência pesa, ou talvez não, não sei.

Não sei, mas sei que essa intermitência cedo cessou pois logo vozes se levantaram a criticar a sua próxima viagem de avião, pobres diabos de má consciência, incomodada e desassossegada, deixem o homem viajar em paz ao menos uma vez na vida, é fim de semana vão para a praia bronzear, bronzeiem por fora e por dentro, torrem de vez essas consciências.

E se muitos apareceram a criticar as suas tomadas de decisão, logo outros tantos se apressaram a elogiar e a colar-se a tão distinta figura, mesmo muitos que antes ignoraram, agora colam-se, para quê logo agora, deixem o homem tomar as suas decisões em paz ao menos uma vez na vida, é fim semana vão para o casino Lisboa, torrar as vossas carteiras após terem torrado essas consciências.

E já agora Zé, se sempre desassossegaste e deixaste na ignorância todos esses ignorantes, continua a fazê-lo como até aqui, não aceites a boleia que te querem oferecer, não deixes que invadam o espaço da tua intimidade e sobretudo conserva essa capacidade de continuar a desassossegar quem continuar a teimar cruzar-se pelos teus caminhos.


De Patrícia Almeida a 18 de Junho de 2010 às 22:41
A vida é feita de escolhas, todos nós o sabemos. Todos já fizemos escolhas erradas, a Humanidade também, faz parte da nossa história. Mas o que me choca é a nossa total incapacidade de corrigir escolhas erradas. Será que é assim tão difícil ver que as guerras só nos trouxeram outras guerras? A guerra não é a solução, está provado na História Universal. Comprovo todos os dias que ainda não fomos capazes de criar uma forma de governo justa e equilibrada... Sim, um GRITO forte e ensurdecedor contra a guerra, a fome, a exploração do homem pelo homem... todos os dias me envergonho e todos os dias peço perdão...Esperança? Claro que sim, enquanto tiver forças no meu corpo, alegria e fé nenhuma atrocidade é mais forte do que a minha escolha correcta. Relembro uma frase de Mikhail Gorbatchov : «Somos todos passageiros de um único navio - a Terra. E não permitir que se afunde, pois não haverá uma segunda Arca de Noé." No Euro 2004 colocámos todos a bandeira portuguesa nas janelas, porque não colocarmos Todos uma bandeira a dizer NÃO á guerra?
Saudações partilhadas,
Patrícia Almeida


Comentar post

Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
FOTO DA SEMANA


LIVROS QUE PUBLIQUEI

- "Viagens Contra a Indiferença",
Temas & Debates

- "Gritos Contra a Indiferença",
Temas & Debates

- "Imagens Contra a Indiferença",
Círculo de Leitores / Temas & Debates


- "Histórias que contei aos meus filhos",
Oficina do Livro


- "Mais Histórias que Contei aos Meus Filhos", Oficina do Livro

- "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária", Temas e Debates/Círculo de Leitores

- "Um conto de Natal", Oficina do Livro
Pesquisa
 
Contador de Visitas