Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010

Cada vez que entro numa sala repleta de jovens, sinto-me inspirado e esperançoso, porque acredito na força, na generosidade, na coragem, na solidariedade e na capacidade de sonhar da nossa juventude.

 

É por isso que, neste dia que lhes foi atribuído pela ONU, que marca também o início do Ano Internacional da Juventude, dedicado ao diálogo e à compreensão mútua, quero deixar algumas palavras aos nossos jovens, não de paternalismo, mas de incentivo, alerta e partilha de ideias.

 

Tenho apenas uma pretensão: a de ser um espírito livre. Acredito que a consciência humana é o que há de mais belo porque, quando impoluta, é inquebrantável, indomável e não se vende.

 

Acredito e isto é algo que venho preconizando há muitos anos, que a Intolerância e a Indiferença são as duas piores doenças da Humanidade. Para mim, efectivamente, são essas as doenças que mais ódios, guerras, genocídios, fome e sofrimento causaram, ou permitiram a sua existência, desde sempre, no Mundo. Essa é pelo menos a convicção que tenho e a leitura que faço quando reflicto sobre as causas dos inúmeros conflitos que já presenciei.

 

Ser contra a Intolerância é simplesmente ser pela aceitação do OUTRO, com as suas diferenças, é simplesmente “não fazermos ao outro o que não gostaríamos que nos fizessem a nós”. É não humilharmos o outro, com a nossa prepotência, arrogância e superioridade mas estendermos-lhe uma mão amiga, aberta, para tentarmos caminhar juntos!

 

Ser contra a Indiferença é preocuparmo-nos com o OUTRO, não olhá-lo como se fosse transparente! É abrirmos os olhos e os ouvidos ao sofrimento alheio, aos gemidos e gritos de dor do nosso semelhante, mesmo se está nos longínquos Afeganistão, Palestina, Israel, Ruanda, Congo ou Iraque.

 

Sou, por isso, pela Liberdade, pela Paz e pela Solidariedade, que não são mais do que ousar ir, se necessário, a contra corrente de políticas desumanas, ser humanamente correcto, mesmo se para tal for preciso ser politicamente incorrecto, pugnar pelos valores fundamentais e universais, ou seja, querer um Mundo com dignidade, justiça e progresso para todos!

 

Entendo que há momentos em que todo o ser humano tem o dever indeclinável de dar um grito de protesto, por imperativo de consciência. É o que tenho feito e espero poder continuar a fazer, enquanto tiver força e oportunidade, contra as injustiças, venham elas de onde vierem.

 

Peço-vos, por isso, para reagirem. À escala individual, sejamos solidários. Não à indiferença, não à intolerância. Tenhamos a coragem de fazer a diferença e lutar juntos.

 

Estou ciente de que o Mundo perfeito nos é inacessível, mas creio que é possível sonharmos e pugnarmos por um Mundo melhor e mais justo onde a ética e as questões sociais, ambientais e culturais estejam no vértice das preocupações e intenções humanas.

 

Para que este outro Mundo seja possível - um Mundo multirracial, multireligioso e multicultural -, é essencial criarem-se pontes e interdependências, tendo como suportes básicos a tolerância, a liberdade, a solidariedade e o ecumenismo.

 

Sim, sonho e quero esse Mundo mais justo, mais ético, mais solidário, mais digno e mais honroso para todos. Em nome do Ser Humano, em nome de todos nós. É absolutamente necessário.

 

Não é fácil e, nem sempre agradável, essa luta, e a conquista desse novo mundo surge, na maior parte das vezes, como uma utopia, mas uma conquista só merece ser chamada como tal, quando se ultrapassaram obstáculos para a obter. E o segredo, se é que existe, queridos Amigos, é nunca desistir, qualquer que seja a adversidade.

 



publicado por Fernando Nobre às 09:19
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4 comentários:
De Susana Torres a 19 de Agosto de 2010 às 05:40
Dr Fernando Nobre, tem o meu voto desde o instante em que soube da sua candidatura.
Espero que se mantenha igual a si mesmo, sempre Humano, neste percurso até às presidenciais. Tentarão mudá-lo, torná-lo mais "politicamente correcto" mas quem vota em si deseja votar numa Mudança real, deseja acreditar que é possível termos pessoas honestas na Liderança do nosso país.
Quem sofre com a pobreza e com a falta de emprego precisa de acreditar que há esperança e que é possível ter um Lider que se preocupa realmente com as pessoas e não com a sua carreira e o seu enriquecimento pessoal como é habitual no panorama da classe política.
O número de pobres e desempregados vai aumentar ainda, o desespero vai crescer e será nessa dor crescente que votarão em si, a pedirem por favor, que o senhor seja o inicio da mudança, mudança para uma sociedade mais Humana.
Exactamente como aconteceu com o Presidente Obama; em Setembro 2009 ainda se pensava que não ganharia porque a America ainda era demasiado racista. Em Outubro o crash financeiro deixou milhares de pessoas pobres de um dia para o outro. Os Americanos entenderam finalmente que todos podem ser atingidos pelos efeitos de políticas fraudulentas que servem apenas interesses de alguns. Desejaram a Mudança, desejaram poder ter esperança e em Novembro já não eram racistas mas sim pessoas desesperadas. Os políticos conhecidos seriam mais do mesmo, por isso Obama ganhou.
Em Portugal, Fernando Nobre será o início da "Mudança"! Conto, também, que seja a inspiração para uma mudança também nas eleições do próximo Primeiro Ministro.




De Mário M Xavier a 17 de Agosto de 2010 às 20:15
É um orgulho enorme poder partilhar o planeta Terra consigo!

Sou da Juventude, tenho sonhos e hoje aprendi que o segredo é nunca desistir, qualquer que seja a adversidade.


Obrigado e Abraços.

(e boa sorte na corrida presidencial, na qual, felizmente, já vou poder contribuir com o meu simples, mas honesto voto.)


De Maria do Carmo a 13 de Agosto de 2010 às 11:37
Obrigado Fernando Nobre, pelas suas palavras , pela sua Força e Coragem.Sou sua leitora assídua, voluntária na sua/nossa, campanha ás presidenciais, trabalhadora, estudante e amiga ,mas antes de tudo isso sou Mãe de 4 rapazes!(o meu maior orgulho).
Contacto diariamente com jovens e preocupa-me a desilusão o desinteresse que observo na maior parte deles, não em todos! Como se tudo já estivesse irremediavelmente perdido, minado ... sem hipótese de recuperação, é um "baixar os braços" , um desalento ... que por vezes me assusta.

Dr. F.Nobre, tenho um pequeno sonho que gostava de realizar com a sua colaboração: Organizar na Escola Secundária de Alcochete , um encontro onde o Sr. pudesse passar a mensagem directamente a estes jovens, contagiá-los com essa sua energia, a sua convicção, esse acreditar que é possível, como o Sr. diz (e muito bem) "...é nunca desistir, qualquer que seja a adversidade".Penso que , a proximidade/contacto com exemplos vivos, é marcante e positivo, para os jovens.Estimula os poucos que tentam ter algumas iniciativas e pode Despertar os mais Adormecidos!
Serão eles os futuros dirigentes /lideres /governantes, será deles o poder de decisão.
Há que abrir consciências . Há que dignificar o Ser Humano.

Sinto (como mãe), que tenho responsabilidades acrescidas ... as Sementes tem que ser bem tratadas , para que hajam Bons Frutos!



Vamos fazer deste planeta maravilhoso ( que está a ser tão mal tratado), um lugar melhor, onde um dia, o Ser Humano possa viver em Harmonia.

Partilho dos seus ideais, dr.Fernando Nobre, assim, aqui fica lançado o meu apelo!

Um Grande Abraço
Maria do Carmo


De Fernando Nobre a 23 de Agosto de 2010 às 15:58
Querida amiga,

muito obrigado pelas suas amáveis e gentis palavras.

Gostaria muito de aceder ao seu pedido, mas, neste momento, como certamente compreenderá, tenho uma agenda sobrecarregada e é de todo impossível agendar o encontro que sugere.

Abraço,


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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- "Viagens Contra a Indiferença",
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- "Gritos Contra a Indiferença",
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- "Mais Histórias que Contei aos Meus Filhos", Oficina do Livro

- "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária", Temas e Debates/Círculo de Leitores

- "Um conto de Natal", Oficina do Livro
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