Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

 

Aceitei o convite que me foi dirigido pelo Dr. Pedro Passos Coelho para ser candidato a deputado, com o estatuto de independente, para cabeça de lista por Lisboa e ainda para a minha indigitação como candidato a Presidente da Assembleia da República.

Foi uma decisão muito difícil. Fi-lo depois de prolongada reflexão e ponderando com profundidade e seriedade todos os interesses atendíveis.

Depois da minha candidatura Presidencial e da caminhada que comigo fizeram milhares de portugueses, muitos desiludidos com a política e sequiosos de encontrar uma alternativa de Cidadania, não foi simples nem óbvio para mim encontrar a resposta justa e assertiva ao desejo que o Dr. Pedro Passos Coelho me colocou.

O País vive uma situação dramática, os tempos que nos aguardam são espinhosos e duros, estamos carecidos de rumo e é preciso encontrar plataformas de entendimento que nos permitam abrir os caminhos do futuro.

Não há mais tempo a perder. Não há mais tempo para esperar que os problemas se resolvam por si.

Eu acredito, e disso dei conta aos portugueses, que todos temos o dever de participar. O facto de termos o direito de sermos independentes não nos livra da responsabilidade de contribuir para o futuro colectivo.

Não era meu propósito ser deputado, e disso de resto dei público conhecimento em recente entrevista a um Semanário. Não era essa a via pela qual acreditava poder continuar a missão que me propusera.

Mas o projecto que me foi apresentado pelo Dr. Pedro Passos Coelho é bem mais amplo, para além de que preserva a minha autonomia e independência.

Pela primeira vez na história da Democracia Portuguesa, um Cidadão independente, sem vinculo partidário, poderá contribuir, com a sua intervenção, na gestão da politica, num lugar de tão grande relevância como é a Presidência do Parlamento.

Isso terá óbvias consequências no entendimento e credibilização da acção politica, bem como será, espero, um estímulo para uma participação mais activa dos cidadãos na vida política do País.

Tentarei com empenhamento total contribuir para a reconciliação dos cidadãos com a prática politica, para que diminua a abstenção, e para que os cidadãos voltem a acreditar que existe esperança, porque são possíveis práticas politicas alternativas.    

Acredito nas intenções do Dr. Passos Coelho e revejo-me em muitos dos argumentos que me apresentou e no modelo que, em conjunto,idealizámos como uma via para ajudar a desbloquear o nosso sistema político que hoje está desfasado do País e da vida dos Portugueses.

Sei que poderei ser alvo de muitas incompreensões, de outras tantas críticas e até do desprezo de muitos, mas o que me determinou foi a convicção de que poderei servir o meu País e ser útil a Portugal. Sou antes de mais um homem de acção e um patriota.

Serei um Presidente da Assembleia da República escrupulosamente respeitador das instituições e do Estado mas não renegarei nunca as minhas convicções, a minha vocação de humanista, e os valores e desígnios da Cidadania.

Acredito que, com trabalho e diálogo permanente com os grupos parlamentares, é possível reforçar a confiança dos portugueses no seu parlamento e estabelecer novas formas de relação com a sociedade civil.

Estou já a preparar um programa que submeterei aos futuros líderes parlamentares para gerar mais consensos, para reforçar o regime e a democracia, para abrir novas oportunidades de auscultação e diálogo com os cidadãos.

Terei uma intervenção activa, transparente e mobilizadora. Tudo farei para que o exemplo restitua a esperança e a esperança constitua um factor de unidade em torno da reconstrução de Portugal.

Não há nenhum compromisso que valha o papel em que foi escrito se esquecer o povo como principal protagonista do esforço de desenvolvimento de Portugal.

Acredito que, mesmo quando os tempos parecem adversos e o caminho sem saída, os nossos problemas podem ser ultrapassados.

O que Portugal precisa é que se forme um sentimento de Justiça e Solidariedade para todos, independentemente das suas crenças e opções.

O que realmente necessitamos é que pessoas com opiniões diferentes se juntem, com respeito mútuo, para cooperar nas soluções dos nossos problemas.

Portugal e a Democracia não têm tempo a perder. Por isso aceitei este desafio. Mais uma vez com espírito de missão e de consciência tranquila, porque sinto que é hoje e não amanhã que devo servir o meu País.

Conto com todos os que comigo se têm genuinamente batido pela defesa dos direitos civis e sociais e por uma cidadania activa que apresente soluções concretas para os problemas urgentes da nossa sociedade.

Esta não é a hora de estar calado e acomodado.

Nunca Portugal necessitou tanto que todos os cidadãos assumam as suas responsabilidades e façam ouvir a sua voz.

Se todos nascemos livres e iguais em dignidade e direitos, não há tempo melhor que este para exercermos com determinação e responsabilidade os nossos deveres.

Foi a pensar nos que não têm voz e no futuro das novas gerações que tomei esta decisão.

 

 

Lisboa  10 de Abril 2011



publicado por Fernando Nobre às 20:15
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108 comentários:
De Anónimo a 4 de Julho de 2011 às 19:51
"Conto com todos os que comigo se têm genuinamente batido pela defesa dos direitos civis e sociais e por uma cidadania activa que apresente soluções concretas para os problemas urgentes da nossa sociedade.

Esta não é a hora de estar calado e acomodado.

Nunca Portugal necessitou tanto que todos os cidadãos assumam as suas responsabilidades e façam ouvir a sua voz.

Se todos nascemos livres e iguais em dignidade e direitos, não há tempo melhor que este para exercermos com determinação e responsabilidade os nossos deveres.

Foi a pensar nos que não têm voz e no futuro das novas gerações que tomei esta decisão."

POIS!!!!


De Nuno Garrido a 24 de Abril de 2011 às 21:33
Ex. Sr. Fernando Nobre,

Ouvi alguns dos seus discursos e votei em si. Estou indignado (mas não arrependido) pois em si julguei ver um homem sério. Já errei antes e errarei novamente.

Só queria dizer-lhe duas coisas:
1 - A sua vaidade traiu a sua palavra.
2 - Os que o julgaram ser mais um messias do movimento cívico foram traídos novamente, o sr. zitaseabrou de lés-a-lés e o seu contributo reduz-se ao descrédito nas alternativas sérias, e à valorização dos pequenos, muito pequenos mesmo, que se dizem políticos em Portugal,... aos quais o senhor se deixou juntar agora.

Lamento imenso, tenho pena do que deixou fazer com o seu percurso anterior.

Saiba admitir que errou, engula o orgulho e salve a honra, vai sempre a tempo, antes que os seus novos amigos o respeitem menos que todos os que o insultaram injustamente no seu blog.


De francisco Lopes a 23 de Abril de 2011 às 20:28
Caro Dr. Fernando Nobre

Quero renovar as palavras de apreço e incentivo que tive oportunidade de lhe manifestar quando visitou Lamego em campanha eleitoral para as eleições presidenciais.

Não desista. Não se intimide. O País precisa de todos, e precisa sobretudo dos que já deram provas, na sua vida profissional e na sua actividade cívica e de solidariedade, de capacidade, de honestidade e de grandeza moral. E essa experiência tem que ser avaliada ao mesmo nível da experiência e tarimba politica que outros detêm.

Poderá não vir a ser o Presidente da A.R . mais conhecedor do regimento da assembleia, mas se for o que melhor interpreta os anseios do povo será uma enorme mais valia. Continue!

Francisco Lopes


De António Anchas a 23 de Abril de 2011 às 03:17
VAMPIROS...
Gerações de «Vampiros» - atravessando épocas e regimes - tem sido responsáveis pela depauperação contínua dos recursos e das gentes do país...

«No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada...»

No site da Presidência pode-se ler "Portugal, cujo rendimento per capita corresponde actualmente a pouco mais de 70 por cento da média comunitária (UE 25), é um dos países europeus que apresenta maior desigualdade na distribuição de rendimento e taxas mais elevadas de risco de pobreza monetária [...] – a parcela auferida pela faixa dos 20 por cento da população com rendimentos mais elevados é mais de 7 vezes superior à auferida pelos 20 por cento da população com rendimentos mais baixos. A média comunitária é de 4.6; na Europa, só a Turquia apresenta um índice superior (9.9)."

Sem melhor redistribuição da riqueza não há justa retribuição do trabalho, do mérito dos cidadãos - e da cidadania. Nem poderemos ambicionar ser um país menos pobre, mais próspero e produtivo, mais empreendedor, mais qualificado, mais humana e socialmente desenvolvido...
- Nobre, assuma no seu manifesto político, como prioridade das prioridades, a diminuição das desigualdades sociais e a promoção da justiça social e terá o meu apoio!

«A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas

São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada...»

A República está deprimida e esta Democracia é uma farsa. Há que refundar as instituições política - sabendo-se que independentemente do tipo de regime político e dos líderes políticos, se não houver rigor (nas contas públicas), transparência (contra os lobbies, o contra-poder e os poderes subterrâneos), verdade (honestidade e rectidão moral), compromisso (honrar os programas polítcos) e fidelidade (aos eleitores, aos contribuintes e cidadãos, aos portugueses, a Portugal) passarão eras e dançarão figurinos e, não obstante, tudo permanecerá...
- Nobre, assuma a luta por um sistema político mais rigoroso, transparente e próximo dos cidadãos e estarei ao seu lado!

«No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada

Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada...»

Um país empobrecido é um país carente (de motivação, estima e dignidade) e dependente (de transferências socias e, quantas vezes, do oportunismo populista de que dá com uma mão na expectiva de que a outra seja ressarcida ou recompensada). Há que acreditar e estimular a autonomia, a criatividade e o empreendorismo...
- Nobre, leve o parlamento - e os parlamentares - ao Interior, às regiões deprimidas, às classes desfavorecidas... na AR prestigie e recompense o mérito de que honrou a cidadania e promoveu o desenvolvimento social e humano na sua classe, região e o país e terá o meu voto!

«Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada»

Recordando aqui, o arauto da Liberdade, Zeca Afonso (numa mensagem que dirigo ao arauto Humanista Fernando Nobre) - acabemos com as gerações de VAMPIROS, e Portugal será um país menos desigual, mais próspero e mais soberano!...


De Luis a 20 de Abril de 2011 às 09:59
Dr Fernando Nobre
Obrigado pela oportunidade de poder aqui deixar a minha opinião. Durante muito tempo, deixámos a política para os políticos e nós, pessoas e cidadãos, deixámos de nos preocupar com essas coisas, entretidos a gastar o que tínhamos e não tínhamos. Chegou a altura de voltar em força a discutir política e fazer alguma coisa. O senhor teve a coragem de agir. Duas vezes. Os ataques vêm, em grande parte, dos que querem que a política fique para os políticos, uma clique de iluminados que nos conduziu a este desastre perante a nossa demissão lamentável. Eu quero vê-lo e ouvi-lo na AR. Porque é que hão-de ser de novo os políticos "profissionais" a desempenhar o papel único na democracia e na AR ? Quero vê-lo a si e a outros. E quero ouvir a voz das pessoas, a quem falta, à boa maneira portuguesa, alguma organização, para não se tornar apenas ruído.
E espero que se possa bater pela vinda de mais cidadãos simples para estas coisas. Gostaria, por exemplo, de ver leis anti-corrupção, leis que penalizem os governantes criminalmente por decisões desastrosas (como por exemplo aceitar estudos que dizem que as auto-estradas vão ter um certo trânsito e depois têm apenas uma décima parte e por isso são ruinosas), uma lei eleitoral em que cada um possa saber qual o deputado que está a eleger, leis contra o enriquecimento ilícito, leis que permitam grupos de cidadãos poder candidatar-se aos cargos políticos que entenderem.
E, de cidadão para cidadão, um abraço de boa sorte e um grande obrigado por ter entendido uma vez mais não ficar de fora.

Luis


De JM a 20 de Abril de 2011 às 09:24
Continuo a afirmar que para se ter protagonismo, não é vir para a praça pública com este tipo de atitudes, quando a carne é fraca, o espírito tem a tendência para a acompanhar.
Desista, seja homenzinho, que já tem idade para isso.
Bem, mas bem lá no fundo, não está envergonhado com a atitude que tomou?


De ZÉ POVINHO a 20 de Abril de 2011 às 02:16
Esta declaração do Sr. Nobre vem muito tarde e NÃO APAGA JÁ as montanhas de disparates cometidos. Por outro lado, alguns dos comentários aqui inseridos cheiram a "encomendados" ... sabe-se lá a sua proveniência, numa tentativa desesperada de limpeza de imagem !!! Também não cai bem por-se abaixo que "o dono deste blog grava os Ips de quem comenta" Enfim, mantenho a minha posição sempre votei no PSD, mas desta ou votar no CDS, Srs. Nobres e Companhia já não me enganam mais. Também cessaram já os meus donativos em dinheiro ou empécie para a MI depois de ver que a Fundação AMI, também se poderia chamar de Fundação Família Nobre ...


De Ana Paula Costa a 27 de Abril de 2011 às 12:57
Se o Sr. "Zé Povinho" acha que os comentários de apoio a F.N. cheiram a encomendados, então o que se dirá do “seu” que não tem nome nem rosto?
O Dr. F. Nobre não precisa de limpar a imagem porque a s/ experiência de vida no campo da solidariedade e defesa dos direitos humanos falam por si. Que pessoa melhor para representar os nossos direitos e interesses do que aqueles que dão semelhantes provas no terreno?
A todos os "Zé Povinhos" deste país eu tenho a dizer que é lamentável a ignorância de misturar opções "democráticas" de um cidadão (que a elas tem todo o direito), com a actividade missionária da Organização que este representa não se conhecendo até à presente data qualquer desabono à sua actividade.
Permitam-me pois duvidar de todos os que dizem que contribuíam para a AMI e agora a estão a caluniar sem qualquer fundamento sustentável. Pessoas verdadeiramente solidárias não actuam desta maneira, baseiam-se em factos e não em suposições baseadas num organograma onde constam vários familiares da família Nobre a trabalhar na Organização.
Tem todo o direito e é de toda a justiça que assim seja, foram eles que trabalharam arduamente para que esta ONG tivesse a amplitude que hoje lhe é reconhecida em Portugal e Internacionalmente.
Depois o Zé Povinho que aqui acusa F.N. de vira casacas, assume-se como outro, pois vai mudar do PSD para o CDS. Desta feita, que moral tem para apontar o que quer que seja? Desde quando é que a mim como cidadão me pediram contas por já ter dado o apelidado “voto útil” julgando estar a tomar a opção mais certa e indo contra a minha ideologia?
Pois bem mude-se à vontade porque acho que está no seu pleno direito, pois nem é isso que me irrita nos seus comentários, mas sim o seu contributo para envolver e penalizar inocentes.
Deixe-me dizer-lhe que é de si e de pessoas semelhantes que me sinto envergonhada de partilhar este espaço chamado mundo, pessoas assim não dignificam a espécie humana quando com os seus falsos testemunhos tentam retirar uma réstia de dignidade e de ajuda “aos que” dependem de organizações como esta e de todos os que nela estão envolvidas lhes providenciam.
Relativamente à opção politica de F.N. desta vez como independente pela lista do PSD, tenho dois pontos de vista que coloco nos pratos de uma balança:
Num dos pratos estão os “incompetentes” que ao longo de várias décadas de governação tem ditado leis que beneficiaram os seus próprios interesses em 1º lugar (excluindo os pequenos partidos), e no outro temos os “supostamente inexperientes” mas com muita vontade de fazer a diferença, com vontade de dar abertura à mudança, dar representatividade a pessoas independentes que possam contribuir validamente para uma nação presentemente carecida de união entre os seus cidadãos, sem rumo, desprovida de dignidade e não sabendo como se sustentar por si só.
Em quem votar?


De Anónimo a 20 de Abril de 2011 às 00:44
O meu sincero apoio, Dr. Como todos fui surpreendida pela sua decisão, mas uma reflexão mais aprofundada fez-me mudar de ideias. Apoio o Homem que já deu todas as provas. Confio que escolheu o caminho que lhe falou à Alma. Espero por si, hoje, como há meses quando fiz campanha por si. O senhor é um homem bom e justo. Recordemos que todos os grandes homens foram incompreendidos em vida, alguns até mortos, e foram os que mudaram a Humanidade. Bem-haja!


De sofia a 19 de Abril de 2011 às 20:10
Caro Amigo Nobre,

Venho dar-lhe o meu voto Confiança, mais uma vez!
Esperei pelas suas palavras, sempre com verdade e convicção, para perceber o motivo da sua opção - o qual eu já calculava que fosse com a única e Nobre intenção de Servir e Ajudar Portugal!

Como não sou de direita nem de esquerda, mas sim pela Verdade, pela Justiça, pela Igualdade e Solidariedade, considero e concluo claramente que
a sua aceitação deste convite só prova que V. Exa. não está de facto "agarrado" a nenhum partido, como sempre tem afirmado; apenas Acredita que é Possível e tem a capacidade de concretizar a Real Mudança!

Quanto ao Poder e "tacho" que o acusam de ambicionar, metendo-o já no mesmo saco de quase todos os políticos, acho sinceramente que o Sr. Dr. não precisa disso, pois Poderoso - com Dignidade e Humildade - já o é há muito; só precisa realmente é de espaço e tempo para conseguir cumprir esta tão difícil missão a que se propôs, de ajudar a endireitar o nosso país política, económica e socialmente - e nunca duvidei que é "O" capaz!

Agradeço a sua Grande Coragem e a Força Invencível, também em nome dos que não têm voz, nem internet!
Bem-Haja a sua Nobreza de Carácter e Integridade!
Sempre estive e estarei consigo incondicionalmente!


De Anónimo a 19 de Abril de 2011 às 17:48
Prezado dr. Fernando Nobre,

espero que compreenda que os meus comentários são somente a forma que encontro de demonstrar o meu empenho por este país que amo, apesar de ter nascido no mesmo local onde o Senhor nasceu.
Pedro Passos Coelho labuta num erro grave. Não basta afirmar uma atenção aos pobres e aos desprotegidos (situação que conheço muito bem) para poder legitimar uma outra estratégia.

Eu explico. Passos Coelho faz afirmações verdadeiras ao desejar diminuir o peso do estado na economia. Todavia ele esquece que o peso da economia privada no estado é demasiado excessiva (refiro-me ao escandoloso negócio das PPP´s e não só). Este peso sente-se na bolsa do cidadão comum.

Neste sentido, pensar em privatizar, mesmo que parcialmente, a CGD é estar a oferecer pérolas a quem já demonstrou que só é bom a investir quando o estado se torna laxista.

Penso que o problema do estado (tal como na grande maioria das empresas privadas) é o facto de não permitir a emergência dos talentos que tem ao seu serviço, porque estes são asfixiados pelo sistema político e partidário e também pela acção de uma nomenclatura que está bem estruturada em todas as áreas da economia, seja ela privada ou pública (só se sabe olhar para cima).

Esta estrutura, inquinada e corroída pela acidez partidária (que tem também as suas raízes no sector privado), leva também a que a justiça, saúde e educação se transformem em meros pivôs de richas e exija-se que uma nação suporte a ineficiência e se veja submetida, agrilhoada e obrigada a implorar que lhe seja concedido algo para o qual paga e repaga sem receber o que é de direito.

Por outro lado o sistema económico nacional não é nada mais nada menos que os genes do sistema que em Portugal vigorava antes do 25 de Abril, com a diferença que Portugal está mais corporativista que o sistema corporatico de Salazar. É esta malícia, que necessita ser vista e revista, que tem que ser parada.

O sistema capitalista não é um papão, mas, neste momento, no mundo é exactamente isso.
É um papão porque lhe foi dada toda a liberdade (contando com a ineficiência da justiça e, quiçá, com a conivência desta) e, absurdo dos absurdos, quer aligeirar-se o peso do estado para substituir-se pelo esmagamento do sector privado que investe onde já existe investimento estruturado, mas onde existe incúria e má gestão.

Espero que entenda que eu não sou contra a iniciativa privada, simplesmente não posso admitir que exista essa iniciativa à conta do que os cidadãos pagam sem serem consultados sobre essas matérias.

Se há empresa estratégica que não pode ser alienada, nem total nem parcialmente, é a CGD.

Privatizem parcialmente (ainda que mantendo 51% da participação do estado), entregando a gestão operacional, a REN, a CP, a TAP e em todas as outras estruturas onde a ineficiência existe ao serviço de políticas eleitoralistas e partidárias, mas exija-se resultados também, em particular resultados sociais que pouco se fala deles.

A banca também vive de "subsídios" camuflados, ou seja, o que os cidadãos e as empresam pagam em impostos elevados permite-lhe os lucros que têm e com menor participação no esforço nacional (os impostos baixos pagos originam sobrecarga).

A cidadania só se exercerá quando os cidadãos não se sentirem a viver num campo de concentração, quer no público quer no privado.

Por último, como o Senhor é médico, deixo um recado: Diga aos seus colegas que a verdadeira paga que podem obter é a aplicação de suas qualificações na qualidade de vida, quer física quer psicológica, daqueles que os procuram para se verem libertos, quando possível, de suas misérias. Humanidade, humanidade e humanidade também na saúde, até à hora da morte. Um bom atendimento humano supera todas as limitações materiais.

Abraço sincero.

P.S. A CGD precisa parar de cobrar valores, que dá pelo nome "custos de manutenção de conta", às pessoas, em particular àqueles que se vêem na necessidade de ter uma conta aberta para pagar seus compromissos. Esta imoralidade tem que acabar.


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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- "Viagens Contra a Indiferença",
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