Terça-feira, 19 de Abril de 2011

Decidi hoje escrever este texto por respeito às pessoas verdadeiramente livres e independentes que, tendo ou não votado em mim nas últimas eleições, não compreendem a minha mais recente decisão e se sentem, de certa forma, defraudadas ou desiludidas. Não incluo assim, nos destinatários destas palavras, aqueles que, orquestrada, sistemática e militantemente, agora me insultam, a mim e à instituição que dirijo, revelando uma intolerância inaceitável em democracia.

A minha decisão pessoal de aceitar o desafio que o Dr. Pedro Passo Coelho me lançou foi fruto de uma profunda reflexão e foi, acreditem, dificílima. Sabia o que me esperava caso aceitasse, mas também sabia que tinha a possibilidade de poder fazer algo de concreto pelo meu país. E a minha decisão foi essa: a de não ficar nos bastidores, mas antes assumir a minha missão em nome de Portugal.

Só quem não age, é que não é criticado. E eu ajo e agirei sempre que a minha consciência me ditar.

Sei que muita gente considera que “desperdicei” os quase 600 000 votos que tive em Janeiro. Não concordo. Eu apresentei um conjunto de ideias e elas “valeram” o voto de confiança de quase 600 000 pessoas. As eleições são isso mesmo: apresentação de projectos e sua submissão ao eleitorado. Mas não me considerei, desde então, a voz dessas pessoas. Sempre afirmei que só era dono do meu voto.

Se alguns daqueles que confiaram no meu projecto para a Presidência da República o acham incompatível com o desafio que decidi agora abraçar, eu afirmo que não é. A intenção foi, é e continuará a ser melhorar Portugal. O objectivo foi, é e continuará a ser poder fazer, poder concretizar. Os tempos que vivemos são duros. São difíceis e conturbados. Pouco haverá a fazer para minimizar o impacto que os próximos anos terão na vida dos Portugueses. Mas ainda há espaço de manobra. E eu decidi, em consciência, estar presente e contribuir com as minhas ideias, os meus ideais e valores, para, naquilo que puder, tentar minimizar esse impacto. Quem critica tem que estar disponível para deitar mãos à obra. Criticar é disponibilizarmo-nos para participar na mudança.

Eu critiquei. Não podia assim, quando alguém (que sabe o que penso, o que defendo e quem sou) me desafia a deitar mãos à obra, dizer não. Ou melhor, podia, mas estaria a ser cobarde e, aí sim, incoerente comigo próprio. Se critico é porque acho que é possível fazer melhor. Achar que é possível fazer melhor e ficar sentado é cobardia. É desonestidade. É desinteresse. É incoerência.

Quem me lançou este desafio sabe que sou independente. E aceitou respeitar essa independência. E eu aceitei estar ao seu lado, nos tempos mais próximos. E ajudar a que este país seja mais justo e socialmente mais equilibrado. O Dr. Passos Coelho decidiu dar uma continuidade àquele que tem vindo a ser um sinal do eleitorado: vontade de ver cidadãos independentes com poder para agir. Corajosa, esta opção. A sua prossecução é difícil, mas exequível. O debate político não se esgota nos rótulos de direita ou de esquerda. O exercício da política é mais: é principalmente honestidade, abnegação, exemplaridade, rigor, transparência e sentido de Estado. Sempre o disse.

Gostaria que aqueles que hoje se sentem zangados, tristes, desiludidos e até traídos, se dessem ao trabalho de me ver agir. Não estou a pedir votos. Estou a afirmar que, se tiver oportunidade, farei a diferença e que, disso, ninguém duvide! Mas tal, só o tempo poderá demonstrar…

Duas notas apenas:

1 – Este blog nunca publicou e nunca publicará comentários com vocabulário desapropriado. Muitos têm sido os posts aqui publicados que geraram controvérsia. E sempre todos os comentários foram publicados, desde que argumentados e educados. Nunca insultei ninguém. Liberdade de expressão não é poder insultar. É poder exprimir opiniões.

2 – Lamento que a AMI esteja a ser alvo de uma campanha suja, para denegrir a sua imagem. A quantidade de pessoas que esta instituição ajuda, diariamente, é merecedora de um pouco mais de respeito, assim como a equipa de mais de 200 pessoas e muitas centenas de voluntários que trabalham, afincadamente, para o bem comum. Um puro acto de egoísmo este o de alguém que prefere, para atingir os seus fins, não olhar à quantidade de pessoas que pode estar a prejudicar… Intolerável e inaceitável!

 

 



publicado por Fernando Nobre às 20:15
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53 comentários:
De maria cristina de abreu da costa matos a 15 de Maio de 2011 às 02:32
Apoio Fernando Nobre pois ele não é apenas o rosto da AMI mas é também a voz dos que não têm voz por serem vítimas da Indiferença!

Fala-se da sua falta de experiência. De que experiência estamos a falar? De politiquices de café? De comentários na televisão?
Quem assim fala são pessoas que nunca andaram pelo mundo, nunca arriscaram a vida para salvar outras vidas e resgatar sonhos. Parabéns Fernando Nobre. És, como o teu nome o indica NOBRE!


De felisberto matos a 7 de Maio de 2011 às 04:09
Apoiei-o nas presidenciais desde que anunciou a sua candidatura.Fiz campanha por si.A maior parte dos que nos acompanharam não têm ambições políticas e saõ desiludidos das políticas dos partidos existentes,especialmente do PS e PSD.O senhor disse e acreditámos que era diferente. Afinal é igual a eles.Prefere a companhia dos banqueiros,especuladores e corruptos,é uma opção.
Razão tinham aqueles que diziam que devia era continuar a dedicar-se à AMI em vez de à política.
O partido que está a branquear tem-lhe granjeado muita clientela e ,não precisará de esperar muito,para passar a ter muito mais :desempregados,gente com fome,doentes,sem abrigo.Talvez,para aliviar a consciência,a sua e a deles,os banqueiros lhe enviem mais umas migalhas .


De jose paula a 2 de Maio de 2011 às 11:46
O senhor foi e é uma autêntica desilusão. Está ao nível de todos os políticos que não honram os seus compromissos. Votei em si porque me parecia diferente, mas revelou-se tão oportunista como os demais. Embora tenha sempre demarcado as suas posições pessoais da AMI até nisso se mostrou irresponsável porque quando a AMi tem pessoas à frente com o seu carácter mesmo que não se queira não deixa de ficar associada.


De António dos Santos Queirós a 30 de Abril de 2011 às 20:28
Ética política, eleições e violência verbal

O “caso Fernando Nobre” tem servido de base ao discurso crispado sobre a moral e a ética políticas. Confunde-se a moral partidária com a ética, que não tem partido. E eleva-se o tom da violência verbal, como se não fosse ela que prepara a violência política.
Não votei Fernando Nobre, nem apoiei a sua candidatura, pelas mesmas razões que me levam agora a opor-me ao conteúdo e à forma das críticas que o têm como alvo.
O pensamento e a conduta política de Fernando Nobre são eclécticos, isto é, não alinhados por nenhuma corrente ideológica e política em torno das quais se organizam tradicionalmente os partidos de esquerda e direita. E o seu princípio de actividade política, e cívica, parece ser o de que a acção de um homem pode fazer a diferença. Todo o seu passado confirma esta visão heterodoxa da política: anteriormente foi membro da Comissão Política da candidatura de Mário Soares à Presidência, em 2006; mandatário nacional do Bloco de Esquerda, nas eleições europeias de 2009, e membro da Comissão de Honra da candidatura de António Capucho, pelo PSD, à Câmara Municipal Cascais, em 2009. Não me recordo que nenhum dos partidos tenha na altura classificado esta errância de apoios como uma atitude oportunista, ou rejeitado o seu contributo em nome da coerência política.
Critica-se igualmente Fernando Nobre pela sua falta de experiência para o cargo de eventual Presidente da Assembleia da República, que constitui a base do seu acordo de candidato independente com o PSD, e enfatiza-se a lenta aprendizagem dos antecessores e a importância do cargo de 2ª figura do estado. Na verdade, apesar da relevância constitucional do cargo, ele nunca foi exercido nessa dimensão política, mas noutra função, o do discreto e consensual regulador do regimento parlamentar, que o putativo candidato poderá estudar e aprender a executar tecnicamente, com o apoio da competente assessoria. E a questão política é exactamente essa, Fernando Nobre fez um acordo original com o partido do círculo do poder, que, de forma inusitada o propôs, não para ser mais um dos deputados submetidos à disciplina e controle partidários, nem sequer para se tornar um independente entre outros, mas para poder ser independente num cargo que tem um limitado mas verdadeiro potencial de autonomia política constitucional, nunca antes exercida. Veremos como ele vai ser aplicado e cumprido.
Mas fê-lo na lógica eleitoral de trazer para esse partido o PSD, pelo menos uma parte dos votos que recebeu como candidato presidencial. Se o PSD ganhar, Fernando Nobre será co-responsabilizado pelas medidas programáticas deste partido, que poderão passar pela redução do serviço nacional de saúde e do apoio à escola pública e pela venda ao desbarato dos últimos anéis do estado, como a participação de 25% no capital da EDP, a privatização da CGD, etc…Ora Fernando Nobre, se apoiar esta política na campanha e no parlamento, passará a ser um dos “compagnons de route” dos denominados neo-liberais; ao contrário, ao demarcar-se, entra em conflito directo com a maioria de centro direita que o poderá eleger. Na resolução deste dilema se poderá avaliar o resultado político da opção de Fernando Nobre.
Até lá, o que prevalece é a sua colaboração com os Médicos Sem Fronteiras, a fundação da Assistência Médica Internacional, organização não-governamental, de que é presidente e através da qual participou como cirurgião em mais de duzentas e cinquenta missões de estudo, coordenação e assistência humanitária em cerca de setenta países. É o seu trabalho de professor catedrático convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e noutras universidades privadas. E o seu testemunho cívico, incluindo, para além da AMI as funções no Conselho Geral da Universidade de Lisboa, vogal do Conselho Fiscal do Centro de Apoio a Vítimas de Tortura, membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, etc...
Por tudo isto foi distinguido com a Medalha de Ouro de Direitos Humanos, da Assembleia da República, a Grande Oficial da Ordem do Mérito, a Legião de Honra de França...
Não posso deixar de me preocupar quando tudo isto é esquecido, em nome da ética e da coerência políticas. Porque outra coisa, é a ética política.
AdSQueirós


De maria cristina de abreu da costa matos a 29 de Abril de 2011 às 00:55
Parabéns Fernando Nobre por mais uma viagem contra a Indiferença.
Nobre de nome, nobre de intenções, sempre NOBRE!


De Ana Paula Costa a 28 de Abril de 2011 às 17:43
INCONSCIÊNCIA!
Não gostaria de insistir a m/ participação neste post, mas ao ler algumas opiniões no do anterior não me consigo alhear da indignação q sinto pelos ataques direcionados à AMI respondendo por isso a um comentário de um “Zé Povinho” efectuado em 20 de Abril.
Se o Sr. "Zé Povinho" e “muitos” dos q acham q os comentários de apoio a F.N. cheiram a encomendados, então o q direi do “dele” q nem identificação tem?
F. Nobre não precisa de limpar a s/ imagem perante ninguém, porque para quem tiver a inteligência de entender, a s/ experiência de vida e de actuação na área da solidariedade e da defesa dos direitos humanos falam por si.
Mas não são as qualidades de F.Nobre q agora pretendo exaltar.
Aos "Zé Povinhos" da nação eu tenho a dizer o quão é lamentável assistir à pura malvadez de misturar as opções "democráticas" de um cidadão (q a elas tem todo o direito), c/ a missão da Organização q este representa, não se tendo conhecido até à presente data qualquer desabono quanto à s/ actividade.
O Dr. F. Nobre certamente terá a sabedoria para lidar c/ pessoas desta natureza, pelo m/ lado talvez precise de + prática p/ defender a AMI dos ataques selvagens q recebo na m/ caixa de mail criados por pessoas de mente distorcida e encaminhados por outras tantas que "ignorantemente" se prestam a ser o veículo de uma propaganda sem escrúpulos, s/ medir as graves repercussões q possam ter numa altura de tanta necessidade e cada vez + pobreza social.
Permitam-me pois duvidar deste ex-solidário “Zé Povinho” e de todos os q deixaram de confiar na AMI, um verdadeiro ser solidário não actua por capricho, por mudança de estado de humor ou por mudança de cor partidária. A solidariedade nunca deveria ser efémera.
Pessoas conscientes não actuam com base em suspeições de um organograma ou de investimentos de 1 relatório de contas em detrimento de despesas no mesmo c/ acções humanitárias. Elas estão lá porque não há nada a esconder.
Os Nobre tem todo o direito de estar no comando da AMI, foram eles q trabalharam arduamente para q esta ONG tivesse a amplitude q hoje lhe é reconhecida nacional e internacionalmente. Depois, tendo eles as carreiras profissionais q tem, para quê darem-se a tanto incómodo pelos outros?
Deve ser mesmo bom partir em missões para ajudar os esquecidos deste mundo, as vítimas de guerra e de catástrofes, não é? Bom era q não existisse essa necessidade.
Depois o “Zé Povinho” q aqui acusa F.N. de vira casacas, assume-se de um partido q vai mudar para outro. Desta feita, q moral tem para apontar o q quer q seja a quem for? Pois bem mude-se à vontade porque acho q está no seu pleno direito, pois nem é por isso q tem a minha indignação, mas sim pela maneira pouco escrupulosa de sobrepor os "seus interesses" aos dos muitos milhares de pessoas que infelizmente desta organização se socorrem para sobreviver, para se sentirem dignificados na s/ tão miserável condição humana.
É de pessoas semelhantes a este “Zé Povinho” que me sinto envergonhada de partilhar este espaço chamado Mundo, pessoas assim não dignificam em nada a “espécie humana” é que “nem sequer nela se chegam a integrar” fazendo de minhas, parte das palavras de António Alçada Baptista no s/ livro “O Riso de Deus”.
O que eu gostaria era de ver os meus conterrâneos a agir democraticamente, a escolherem no dia 5 de Junho o candidato q achassem q melhor representa os s/ ideais dignificando assim o que a revolução de 25 de Abril de 74 nos trouxe, liberdade de expressão, liberdade de escolha, pluralidade, MAS NÃO o direito de ofender tão levianamente, tão gratuitamente os que possam mudar de opinião e condenando inocentes por INCONSCIÊNCIA.





De Zé dos Caracóis a 26 de Abril de 2011 às 01:04
Fernando Nobre,
Cada um dos seus 600 000 votos que teve, representam, seguramente e não tenho margem para dúvidas, cada compatriota que se encontra sem trabalho; cada compatriota que sofre por se encontrar sem emprego...
O senhor nasceu numa terra grande: não se deixa pisar pela pequenez dos que no rectângulo foram nados e criados.
É de horizontes mais amplos. A pequenez deste espaço, porque mais pequeninos ainda são as pessoas, não o deixou agarrado a uma teia de complexos, de frustrações, de sublimações...
Mas também já vem tarde o desejo de mudar a capital, como pensou o grande limiano e Agostinho da Silva não descurou.
Há que mudar, isso sim, as mentalidades. E essas, como o senhor sabe, são as últimas a mudar. E em Portugal parece que cristalizaram: esta vontade mórbida e mesquinha de mostrar aos outros que somos superiores: espécie de paranóia coletiva.
Os mais de 180 países que visitou, a maior parte, em missões humanitárias, deram-lhe uma grandeza ainda maior.
Por isso, como sou livre do meu voto, votei no senhor nas últimas eleições. Não lhe vou pedir agora, como muitos acharam que o deveriam fazer, mas isso é com as suas consciências, para me devolver o voto. Não!
Está muito bem entregue. Eu não o quero como fazendo parte de mais uma carneirada, parafraseando António Barreto, com honrosas excepções, como a de Alegre, Campelo ou mais recentemente a de Pacheco Pereira.
Sei que vai ser uma ótima segunda figura do Estado. Longe de mim enfiar lá um capucho, que estava doente no município, mas de rija saúde para o SPA, como o Daniel da má língua observou, da Assembleia...
Estado esse, que não se quer exíguo, como bem o apelidou Adriano Moreira, mas Grande Estado.
Estado Nobre.
Nobre sem corrupção; nobre de carácter; nobre na honradez; nobre no serviço de missão - sei que o senhor vai ser o Salazar de esquerda de que se queixa não existir o grande Otelo.
A casta política tem regalias a mais. O centrão de interesses minou o nosso país. Apodreceu-o; implodiu-o...
Que vergonha enorme todos sentimos, Sr Nobre, ao ocuparmos o triste pódio das dívidas mais perigosas...
Os nossos trabalhadores são ótimos - basta ver por essa diáspora. Os políticos é que não prestam. Não têm estado à altura do cargo que ocupam.
Depois vendem-se aos empresários e banqueiros sem escrúpulos, pois são também, alguns deles, fracos, mentecaptos...
Uma vez no poder são tiranos e tiranetes que põem todo um povo a pedir.
Ao que chegou uma nobre nação, quase milenar, sr Nobre!
Será que abateu sobre nós algum anátema?
Que até em períodos áureos tivemos crises destas, como as três bancarrotas do séc. XVI?!...
Com tanta sinecura - hoje são as reformas douradas, pensões acumuladas, salários imorais e outras coisas mais...
Como afirmou uma certa nobre Pessoa, falta cumprir-se Portugal!
Algo me diz que vai começar agora, nesta nova década deste jovem milénio, com uma pessoa integralmente nobre.
O nosso muito obrigado, Sr Nobre.


De Anónimo a 29 de Abril de 2011 às 23:35
Nem mais! comentário lúcido e verdadeiramente da cidadania que se faz urgente, e não de "de escárnio e maldizer", retrato de provincianismo e de um sebastianismo já bolorento de tão antigo. O caminho a seguir é aquele que a cada curva se afigura à consciência de cada um como o que conduz ao futuro. Temos pessoas que dizem ansiar por cidadania mas se permitem cercear os direitos dos que não seguem o caminho que para eles planearam. Triste! Como temos caminho para percorrer.


De Nuno Passos a 25 de Abril de 2011 às 22:55
Fernando Nobre, que pena deixar-se comprar por protagonismo político. Afinal, é igual aos outros!


De Rute Vidal a 24 de Abril de 2011 às 12:40
Vivemos num país de descrença, sem esperança, sem sonho... O Dr Fernando Nobre consegue o que nenhum outro político é capaz: fazer-me acreditar que as coisas podem melhorar se realmente nos preocuparmos e pusermos mãos à obra. Faz-me ter fé em valores que tem vindo a ser arrastados na lama. Mas o que mais admiro é a capacidade (raríssima) de se guiar pela sua própria cabeça e fazer o que acha correcto, sem medo da crítica... Neste país somos muito rápidos a apontar o dedo. Dr Fernando Nobre demonstra uma grande integridade e coragem.


De Jorge Teixeira Ribeiro a 23 de Abril de 2011 às 19:17

Porque nos desiludiste, Fernando Nobre?.

por Jorge Teixeira Ribeiro a Segunda-feira, 11 de Abril de 2011 às 22:14
.
A ideia de te candidatares em nome da Cidadania foi tua
A tua vida e a imagem que tínhamos de ti era de um homem sério, activo, solidário, com ideais de liberdade e justiça
Apareceste sem políticos profissionais, quase parecia contra os partidos
Não era, já sabemos e concordo que não devia ser
De qualquer modo a eleição era unipessoal para Presidente da República
Conseguiste um entusiasmo por todo o país e só não foi mais porque não foi possível dar-te a conhecer como devia
Mesmo assim, com gente de todo o lado, pela Internet, por aqui e por ali conseguiste um bom resultado
Aqueles que te conheceram pessoalmente, admiravam-te pela tua determinação e tranquilidade, a tua força
Festejámos, ficámos a ver o que fazer com esta semente
Disseste sempre que voltarias ao teu trabalho, mas estarias mais atento, mais activo, na sociedade civil, pela cidadania
Havia quem quisesse mais, mas disseste e escreveste que era assim e ninguém te levava onde não querias
Gostei, era assim o Fernando Nobre que eu ficara a conhecer e a admirar, que não tinha ambição do poder e com quem tinha tido o previlégio de estar 4 ou 5 vezes no decorrer na campanha
Reafirmaste-o, disseste categoricamente não que não serias candidato a deputado, que não te envolverias em acções partidárias, nem como independente
O que se passou para de um dia para o outro (?) para agires desta forma?
Afinal o que mudou? Passos Coelho era um desconhecido em quem descobriste virtualidades inimagináveis e que te propôs uma tarefa que só homens como tu poderiam cumprir e onde tu poderias de tal forma ajudar a mudar Portugal?
Deve ter sido uma visão, quase uma alucinação, pois depois daquele desmentido ao Expresso há poucos dias, tu acabaste por aceitar aquilo que disseste que nunca te conseguiriam impôr
Porque disseste tanto e tão categoricamente o que não querias durante estes 2 meses para agora aceitares de um dia para o outro ser deputado pelo PSD e poder vir a ser Presidente da Assembleia da República, onde não se conhece funções nem urgentes nem ambiciosas para o nosso futuro colectivo
A palavra que melhor rima com ilusão é desilusão
Ao fim de pouco mais de uma ano, apesar de não estar arrependido de tudo o que fiz desde Janeiro de 2010, é isso mesmo que eu sinto: desilusão, diria quase uma traição
Nada disto esperávamos de ti, nem esta ambição, nem esta tão rápida mudança
Fica um sentimento amargo de um equívoco terrível, e podes crer que és tu que vai sair pior desta história
Nós temos a motivação, temos o futuro e temos mais gente em quem confiar
Tu não poderás voltar a contar connosco


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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LIVROS QUE PUBLIQUEI

- "Viagens Contra a Indiferença",
Temas & Debates

- "Gritos Contra a Indiferença",
Temas & Debates

- "Imagens Contra a Indiferença",
Círculo de Leitores / Temas & Debates


- "Histórias que contei aos meus filhos",
Oficina do Livro


- "Mais Histórias que Contei aos Meus Filhos", Oficina do Livro

- "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária", Temas e Debates/Círculo de Leitores

- "Um conto de Natal", Oficina do Livro
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