Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Uma vez que foi ontem votado, em reunião plenária, o parecer sobre a minha renúncia ao mandato de deputado, publico hoje a carta que enviei à Presidente da Assembleia da República, Dra. Assunção Esteves, na qual explico as razões da minha decisão.

 

 

Lisboa, 1 de Julho de 2011

 

Senhora Presidente da Assembleia da República,

Excelência,

 

Venho por esta via, com a máxima consideração e o total respeito pelos deputados eleitos e pela insubstituível função exercida pela Assembleia da República, como genuína casa da representatividade nacional na sua pluralidade e da Democracia portuguesa, apresentar a minha renúncia, a partir do dia de hoje, ao mandato de Deputado, eleito como independente e primeiro candidato da lista do Partido Social Democrático pelo círculo de Lisboa, para a XII Legislatura que teve início a 20 de Junho de 2011.

 

Independentemente da grande honra que é ser deputado, decidi em consciência que, perante os grandes desafios sociais que teremos de enfrentar e viver no futuro próximo, serei mais útil na acção, no terreno, ajudando os Portugueses mais afectados pela crise e desprotegidos a combater a miséria, a exclusão social e a injustiça, promovendo a dignidade e a esperança entre os mais pobres, voltando à minha actividade de mais de trinta anos de intervenção cívica, humanitária e de ajuda ao desenvolvimento em Portugal e no Mundo, no quadro dos Médecins Sans Frontières e da Fundação AMI, instituição que tive a honra de fundar em 1984 e a que presido.

 

É nessa área, e diante dos tempos duros que nos esperam de real emergência social, que a minha experiência, o meu empenho e o meu trabalho melhor poderão servir o País na resolução dos problemas concretos de pessoas concretas.

 

Nesse sentido, ao longo de mais de três décadas, creio ter ajudado a prestigiar Portugal no Mundo e contribuído para a diminuição das desigualdades e exclusão social no nosso País.

 

O Parlamento é a Casa da Democracia e os partidos políticos os seus pilares insubstituíveis e incontornáveis. Estou certo que chegará um dia em que o reconhecimento da pluralidade de modelos de representação política aclamará o Parlamento também como a Casa da Cidadania.

Quero também deixar expresso, nesta minha carta de renúncia ao mandato de deputado, o meu sentido respeito e a minha profunda amizade pela Excelentíssima Senhora Presidente da Assembleia da República, Dra. Assunção Esteves, e a minha elevada consideração pelas  Senhoras Deputadas e pelos Senhores Deputados eleitos.  É com alguma tristeza que me afasto das funções de recém-eleito deputado, mas estou certo e ciente de que serei, como já referi, mais útil aos portugueses, a Portugal e ao Mundo na acção cívica e humanitária que constitui a minha marca identitária.

 

Quero aqui expressar o meu mais sentido agradecimento ao Senhor Presidente do Partido Social Democrata, Dr. Pedro Passos Coelho, pelo desafio que me lançou para encabeçar a lista de Deputados pelo Círculo de Lisboa e pela honra que me deu o grupo parlamentar do PSD, como partido vencedor das últimas eleições legislativas, ao propor-me, como cidadão independente e oriundo da Sociedade Civil, como primeiro candidato do Partido Social Democrata a Presidente da Assembleia da República.

 

Travar esta batalha ao lado do Senhor Dr. Pedro Passos Coelho e da grande maioria do PSD constituiu um enorme desafio que muito me orgulha e uma imensa honra. O Senhor Dr. Pedro Passos Coelho e a maioria do grupo parlamentar do PSD tiveram sempre para comigo uma atitude de grande estímulo e apreço. Tentei retribuir dando toda a minha energia, disponibilidade e genuíno empenhamento.

 

Pressinto no Senhor Dr. Pedro Passos Coelho, nosso mui digno Primeiro-Ministro, a inteligência determinada, a coragem, o bom senso e o sentido de Estado necessários para resgatar Portugal do caos económico, político e social, irresponsavelmente por outros criado.

 

Acredito também que a Assembleia da República, por si tão dignamente presidida, dará um significativo contributo para o futuro positivo de Portugal.

 

Por fim, quero agradecer, uma vez mais, aos Deputados do PSD pelo Círculo de Lisboa, e em particular à JSD, que me acompanharam, apoiaram e defenderam, durante toda a campanha. O sucesso eleitoral do PSD no Círculo de Lisboa, que tive a honra de encabeçar, deveu-se a uma equipa de gente extraordinária, generosa, e de coragem. Guardá-los-ei sempre nas minhas mais gratas recordações. 

 

Às Senhoras Deputadas e aos Senhores Deputados, as minhas sinceras saudações e o desejo de grande êxito para o exercício do seu mandato.

Estou seguro de que todos nós, independentemente do lugar onde exerceremos o nosso dever de cidadania, saberemos cumprir as nossas responsabilidades e responder com honra aos desafios do nosso tempo e de Portugal.

Com os meus respeitosos cumprimentos,

  

Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre

 

 



publicado por Fernando Nobre às 18:44
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5 comentários:
De Radios Online a 5 de Dezembro de 2011 às 15:44
Por não dar-mos oportunidade a pessoas como o senhor é que o pais está como está.
Continue com o bom trabalho noutras áreas, porque na politica só funciona para quem quer o tacho, não para quem quer fazer alguma coisa por este pais.


De Daniel Henriques a 24 de Agosto de 2011 às 13:47
Lamento dizê-lo mas a sua carta de renúncia deixa-me muito desiludido consigo. Esperei por ela para emitir um juízo de valor acerca de si e da sua última "aventura" e fico triste por este sentimento de desilusão. Algo vai mal quando não conseguimos ser coerentes e sinceros e acho que foi isto que se passou consigo. Em todo o caso desejo sucesso para si e para a AMI mas faça o favor de não se envolver novamente na disputa política.


De Fernanda de Oliveira a 8 de Agosto de 2011 às 15:04
Ex.mo amigo Doutor Fernando Nobre

Estive e estou inabalavelmente consigo. O seu percurso político foi para mim irrepreensível. Compreendo profundamente as suas opções políticas. De todas as pessoas que conheço o senhor é aquela que nunca me decepcionou. Entendo o arrojo das suas escolhas, sei que esse arrojo está grávido de Futuro. Estou profundamente agradecida à vida por o meu amigo ser quem é. Conte sempre com a minha lealdade e disponha dela.

Fernanda de Oliveira


De Carlos Félix a 23 de Julho de 2011 às 07:09
Tudo deve ter um Fim. Os seus propósitos foram sinceros, honestos e decentes. O Senhor bateu-se sempre por aqueles que ainda não tem voz. Agora, podemos observar o mundo a florescer de indignados de todos lados. Enquanto o sentido das coisas não se tornar evidente, continuemos no nosso modesto labor.
Muito Obrigado,
Carlos Félix


De Carlos Vaz a 22 de Julho de 2011 às 23:37
Caro Dr. Fernando Nobre
Fui seu apoiante para a Presidência da República.
Estive na Convenção, no Almoço de Setubal, no Jantar de Évora, na Arruada do Chiado, no Comicio de encerramento na FIL.
Entreguei-lhe vários "recados" que me pareciam ideias válidas para as suas Atitudes e Comportamentos no sentido da vitória nas Eleições Presidenciais.
Apostava imenso em si para a Mudança Necessária.
Nos últimos tempos o Dr. Fernando Nobre "estragou" tudo.
Lamento profundamente a mudança que protagonizou.
A um passo de poder vir a ser o próximo Presidente deitou tudo a perder.
Culpa sua ou dos seus conselheiros o resultado está à vista.
Decepção dos seus apoiantes, Satisfação para todos os Adversários.
Final Infeliz
Com os meus cumprimentos
Carlos Vaz


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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