Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Deixo aqui expressa a minha séria preocupação pelo facto de estar a ser considerada a eliminação da disciplina de Formação Cívica, principalmente, depois de ter já sido eliminada a disciplina de Área Projecto.

 

Compreendendo a necessidade de uma maior concentração de esforços e recursos no ensino/aprendizagem das disciplinas essenciais, não posso contudo concordar que seja abolido todo e qualquer espaço até agora existente para o desenvolvimento de projectos que permitam aos alunos sair da escola e envolverem-se na sua comunidade, empenhando-se e trabalhando para o bem comum, durante os quais a transmissão de valores como a solidariedade, o civismo, a cidadania e os Direitos Humanos é praticada. Esses são também, quanto a mim, valores essenciais, aos quais a escola deve dar igual valor e atenção e do ensinamento dos quais não se deve eximir.

 

De que servirá à sociedade um matemático brilhante, um médico ilustre, um empresário de sucesso, um investigador pioneiro, se não souber pôr o seu trabalho ao serviço dos outros?

 

Num momento em que os jovens tendem, cada vez mais, a fechar-se em si, a dedicar o seu tempo às novas tecnologias e a passar cada vez menos tempo em contexto familiar, é premente que se mantenham em vigor programas educativos, nas escolas, que os façam mergulhar na sua comunidade, envolverem-se nela e crescerem sabendo respeitar, sabendo ajudar e cooperar, sabendo agir e adquirindo a sensibilidade necessária que lhes vais permitir serem profissionais conscientes, éticos e preocupados com o outro. No fundo, é premente que sejam exploradas e desenvolvidas capacidades que permitam ao alunos dar-se à sociedade, ao invés de apenas receberem conhecimentos que, indubitavelmente, são essenciais e estruturantes, não sendo, no entanto, suficientes.

 

Acredito, veementemente, que cada vez mais a vertente humana, cívica e solidária da formação de um jovem deve ser trabalhada desde cedo, sob pena de, se não o for, estar em risco o exercício de uma vida profissional ética e consciente.

 

Preocupam-me notícias como esta.

 



publicado por Fernando Nobre às 14:09
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1 comentário:
De cristina.abreumatos a 28 de Setembro de 2012 às 21:46
Como dizia Abel Salazar, um médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe. A vertente humanista está a desaparecer e as pessoas estão a ser formatadas, a serem educadas de modo a não terem um pensamento crítico (e quando digo crítico não me refiro a atitudes de agressividade desnecessárias, mas construtivas). Tal como escreveu Martinez, responsável nos USA pela 'race and Reconciliation', 'Education is the key'. Podemos mudar as leis mas sobretudo há que alterar as mentalidades e isso só se consegue através da educação para uma cidadania activa. Parabéns F. Nobre. Não poderia concordar mais consigo. Maria Cristina da Costa Matos













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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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