Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

A todos aqueles que me interpelam, através deste blog ou pessoalmente nas mais variadas ocasiões e me pedem soluções, ou pelo menos um pouco de esperança e optimismo para uma saída desta “crise” que se vive (deveria dizer “catadupa de crises”, uma vez que todos os dias sabemos de mais uma derrocada financeira criada por poucos, mas que afecta milhares de pessoas), a minha resposta, humilde mas convicta, vai no sentido de lutarmos, cada vez mais veementemente, pelo civismo, pelo aprofundamento dos valores basilares que devem reger a actuação humana a todos os níveis e pelo reconhecimento dos Deveres que todos temos em relação ao Mundo (mais do que Direitos!).

 

É no seguimento desta minha convicção, que tantas vezes, sempre que tenho oportunidade, advogo a extrema importância da existência de uma sociedade justa e equilibrada que só será possível quando baseada em três pilares fundamentais: um Estado legítimo, equilibrado e estimulador; um Mercado (forças económicas) ético e socialmente responsável; e uma Sociedade Civil que exerça uma cidadania consciente e activa. Só então poderá haver uma melhoria real e um inverter da curva em que nos encontramos e das tendências que a regem. Só então a qualidade da governação estará à altura dos cidadãos que representa. Só então os agentes económicos farão jus às responsabilidades que têm. Só então os cidadãos, a base da pirâmide, mas também (e não esqueçamos!) a razão da sua existência, se libertarão do fardo de “crises” como estas.

 

Há que combater a ganância e a indiferença de todo e qualquer elo da sociedade.

 

Só assim se poderá pôr termo ao desvario louco destas irresponsabilidades financeiras desenfreadas e lembrarmo-nos que, apesar de tudo, grande parte do Mundo, continua sem perder na bolsa, ou os seus investimentos, simplesmente porque continua, e continuará, sem o que comer.

 

Em todos os livros que publiquei, através de relatos de viagens que fiz, de artigos que escrevi, de fotografias que tirei e até de histórias infantis que inventei, tento passar esta mensagem.
 



publicado por Fernando Nobre às 13:26
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1 comentário:
De pine a 18 de Dezembro de 2008 às 08:10
E andamos nós preocupados com crises, que não digo que não existam, mas que muitas vezes existem mais na nossa cabeça, quando nos esquecemos que hoje alguém não vai comer... e talvez amanhã....
De facto, exigimos todos os nossos direitos com convicção aguerrida. Aos nossos deveres, limpámos o pó de vez em quando... é para a superfície ficar brilhante...


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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- "Viagens Contra a Indiferença",
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- "Gritos Contra a Indiferença",
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- "Histórias que contei aos meus filhos",
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- "Mais Histórias que Contei aos Meus Filhos", Oficina do Livro

- "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária", Temas e Debates/Círculo de Leitores

- "Um conto de Natal", Oficina do Livro
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