Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Já começa a ser difícil acordar e não sermos de imediato inquietados por mais um caso de ganância e desnorte totais que aprofunda a seriíssima crise de desconfiança instalada em todos nós.
Desta vez foi o até agora celebrado guru da alta finança, o muito “estimado” Sr. Madoff, que chegou a ser presidente do mercado bolsista Nasdaq, que actuou impunemente durante mais de uma década, liderando uma roubalheira, porque de um ladrão se trata, de dimensão global: no mínimo 50.000 milhões de dólares. O impacto no nosso país será de, pelo menos, 76 milhões de euros.
Mais uma vez ficou patente que a derrocada é inevitável quando a liderança dos Deveres é substituída pela liderança dos Direitos, apenas e só dos Direitos, porque quando assim é está sempre enferma de Irresponsabilidade, de Vaidade, de Indiferença!
Essas “lideranças dos direitos insaciáveis” já são do foro psiquiátrico: estamos a lidar com doentes mentais. Precisam de ser internados: em hospitais prisionais. É tempo de se parar com essa loucura desenfreada de Ganância. Onde andam os legisladores, reguladores e fiscalizadores? Incompetentes, distraídos ou cúmplices?
A irresponsabilidade e o desvario, e ainda não sabemos que outras bolhas de verdadeira loucura estarão para rebentar amanhã, já ultrapassaram todos os limites imagináveis com impactos ainda inimagináveis na vida de inúmeras famílias no nosso Mundo.
Está chegado o momento de todos os Seres Humanos de Bem, porque os há, no Estado, em todos os Partidos Políticos, no Mercado e na Sociedade Civil dizerem alto e bom som: Basta!
Como tão bem dizia Burke, para que o mal triunfe basta que as pessoas de bem não reajam!
 



publicado por Fernando Nobre às 10:28
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6 comentários:
De Anónimo a 21 de Dezembro de 2008 às 17:55
Assinaria de imediato tudo quanto escreveu neste post e gostaria de o saber escrever tão bem quanto o Sr. o fez.
Bem haja uma vez mais.


De António Duarte a 19 de Dezembro de 2008 às 22:20
É curioso que mencione a psicopatologia subjacente à crise e, no fundo, ao capitalismo desregrado cujos sintomas se revelam evidentes nesta fase da História.
Trata-se um "sistema". Um "sistema" desses que se culpam enquanto entidade abstracta, tal como no futebolês , à ausência de um rosto, de um responsável.
Parece-me que não o fazemos por mero vício de linguagem. Parece-nos - e em minha opinião, é verdade - que as pessoas envolvidas servem toda uma engrenagem que funciona por si própria, que funcionaria fossem estas pessoas ou outras a alimentá-la. O banqueiro ganancioso, o corrector de bolsa sem escrúpulos, etc , são posições num sistema muito pouco dependente dessa mesma posição ser ocupada pela pessoa x ou y. Ora, isto pulveriza a responsabilidade sobre as consequências de um acto específico. E, independentemente de ser necessário um certo grau de psicopatologia para alguém ocupar uma dessas posições, é na própria ausência de rosto inerente ao sistema que reside a psicopatologia maior.
O "sistema" somos nós. A economia mundial (e a sua crise) somos nós. Quando fazemos um crédito que não podemos pagar, quando adquirimos produtos sem sabermos em que condições foram produzidos ou que neo-escravatura implicaram, somos consumidores desregrados e, com isso, justificamos a existência desse tal "banqueiro ganancioso". Pessoalmente, lamento o discurso da esquerda mais arcaica que insiste demasiado na diabolização dessa figura mitológica - o capitalista - que, ao encerrar as coisas numa lógica binária les un et les autres ), verdadeira no efeitos, camufla, no entanto, as causas de todo o tal "sistema" no qual todos temos uma cota-parte de responsabilidade. É também no facto de escamotearmos essa parte voraz de nós que consome desregrada e impunemente, como se nada se passasse, que está também boa parte da psicopatologia .
Concordo, porém, consigo: há necessariamente uma boa dose de doença mental em algumas dessas pessoas, capazes de desempenhar determinadas funções.


De João Gafeira a 19 de Dezembro de 2008 às 20:56
Roubarem nem é o pior. Afinal sempre houve ladrões. O problema é que estes senhores foram, ainda são e, podendo, vão continuar a ser, os líderes espirituais deste mundo. Criaram a ideia de “sucesso” que, no essencial, estabelece que quem não está bem é pouco empenhado, e que quem está trabalha arduamente: tem mérito. É simples, é claro, e demonstra que tendo cada um o que merece não é preciso usar a consciência nem atender a essa palavra ultrapassada, e com conotações quiçá suspeitas, que é, deixa ver se me lembro...solidariedade, é isso. Para quê? Sendo o sucesso fruto do esforço, não há que ter vergonha de abocanhar os prémios, chorudos e justíssimos, que conhecidos e excepcionais gestores se atribuem no mesmo mês em que decidiram o despedimento (algumas vezes já inevitável, concedo) de centenas de colaboradores, a quem pagavam 400 euros mensais, em nome do “ROI” – Return on Investment , o deus dos nossos dias que, mesmo ele, de quando em quando não se safa de uma palmadita dada pelos seus sacerdotes mais fervorosos, numa rapaziada que se entende e desculpa.
Mas nós, e aqui é que a porca torce o rabo, temos ido alegremente atrás da procissão, com a carteira atafulhada de cartões de crédito, cumprindo o ritual e repetindo o catecismo. Que se nos abram os olhos e ouvidos e comecemos a reconhecer-lhes as caras quando nos pregam, sérios, sabedores e ponderados, nos écrans da TV, para dizermos: ”Sim, sim, bem te entendo, mas para mim, basta



De Ze a 18 de Dezembro de 2008 às 22:51
Gostaria de lhe expressar o que me vai na alma!
Que gente é esta que nos comanda, no cimo das suas intocáveis cadeiras!?
Onde estão os grandes homens deste pais!??
Para onde caminhamos?
Que pais vou deixar á minha filha?
Será que nada posso fazer?
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Gostaria de lhe expressar o que me vai na alma! <BR>Que gente é esta que nos comanda, no cimo das suas intocáveis cadeiras!? <BR>Onde estão os grandes homens deste pais!?? <BR>Para onde caminhamos? <BR>Que pais vou deixar á minha filha? <BR>Será que nada posso fazer? <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Axo</A> que chegou a hora das pessoas com coragem irem para a frente das coisas e correr com esta gentalha. <BR>Tenho para mim que falta pouco para que muita gente fique sem lugar possivel para continuar a viver neste mundo, deixou de haver espaço para os gananciosos, oportunistas, gulosos, corruptos, escroques que tanto tem feito de mal ao povo Português ! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Chegaaaaaaaaaa</A>


De inês a 18 de Dezembro de 2008 às 21:30
Doentes mentais, sem dúvida, à solta na bolsa de Nova York como na banca portuguesa (segundo diz a imprensa).Impunes e devidamente indemnizados depois de gestões desastrosas pagas desmesuradamente. Uma vergonha, uma revolta, uma ofensa a quem é honesto e trabalha duramente para honrar os seus compromissos e viver com dignidade. Uma imoralidade para quem sobrevide com reforma miserável, ordenado escasso ou esmolas dos outros. E que faremos, Dr Nobre, que podemos fazer perante isso? Se nem as autoridades intervêm! Se mesmo que intervenham nada acontece?


De yulunga a 18 de Dezembro de 2008 às 15:46
Não percebo absolutamente nada de Bolsa, nem de economia. E quando falo desses assuntos invariavelmente digo coisas de uma ignorânica assombrosa (os meus amigos já só se riem e deixaram de me chamar brutinha), mas parece-me a mim que enquanto a economia mundial estiver nas mãos de grandes grupos económicos e da Bolsa as crises vão continuar a ter os seus vai-vens. Quem deveria mandar no "dinheiro" não sei, mas tenho a certeza que ele não está nas mãos correctas.
Se calhar estes escândalos financeiros são males que vêm por bem.


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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