Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Os resultados práticos da última Cimeira Europeia, que terminou dia 12 do corrente mês em Bruxelas, são dúbios.
Terá sido positiva, espero, no que diz respeito às medidas para estimular a retoma das economias europeias no actual cenário de crise financeira e económica global (nomeadamente o montante financeiro disponibilizado, 200 mil milhões de euros, e as medidas adjuvantes tais como a antecipação na disponibilidade dos fundos comunitários e a autorização para que a meta dos 3% no deficit possa ser ultrapassada…).
Importa no entanto sublinhar que persiste em todos nós uma profunda incerteza: será que essas medidas serão suficientes para estancar a profundíssima crise de confiança que se instalou em todos os sectores da actividade e na mente dos cidadãos (mais do que justificada pelos comportamentos espúrios e irresponsáveis de lideranças financeiras e políticas que perderam qualquer réstia do Sentido do Dever que deve sempre nortear as acções das “elites” e está na origem da derrocada actual)?
Nesse sentido, a fim de se restaurar a indispensável e insubstituível confiança, seria importante, por uma simples questão de salubridade pública, que os responsáveis desse descalabro fossem exemplarmente julgados e punidos, se culpados. Seria bom que, de uma vez por todas, se entendesse que ser-se líder, seja do que for, é antes de mais e sobretudo ter-se deveres! Quando a liderança dos deveres é substituída pela liderança dos direitos, e só dos direitos, a derrocada está sempre anunciada e é inevitável. Seja em Monarquia, seja em República!
No que diz respeito à Defesa do meio ambiente, as medidas anunciadas pecam por serem manifestamente insuficientes.
É de lamentar profundamente tamanha falta de ambição, perante a premência da questão, pese embora os equilíbrios e cedências necessários numa reunião a 27…
Efectivamente é uma quase miséria aceder a reduzir apenas em 20% a emissão de gases de efeito de estufa, valores de 1990 note-se, até 2020 (20% em 30 anos…) como é ridículo aumentar só de 20% a utilização de energias renováveis até 2020 e propor-se atingir apenas os 10% no uso dos biocombustíveis nessa altura...
Com esse caminhar de cágado, com as indevidas cedências aos lóbis da indústria petrolífera e do carvão, compreendo que já se preveja, e se façam estudos e projectos em centros de estudos avançados, para a evacuação do planeta Terra nos próximos 100 a 300 anos (para Lua, Marte e a lua Europa de Júpiter, o que irá exigir adaptações no que concerne a Oxigénio, a Água, a Temperatura, a Pressão Atmosférica…). O problema é que essa evacuação de sobrevivência só será possível para algumas pessoas… as eleitas!

Está-se mesmo a ver quem serão elas!

 



publicado por Fernando Nobre às 15:22
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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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