Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Uma vez que tem havido alguns comentários nos quais se afirma ou se insinua que não presto tanta atenção aos problemas nacionais como ao que se passa para lá das nossas fronteiras, decidi, e porque é de diálogo que se trata (afinal um blog serve, a meu ver, para isso mesmo!), deixar este texto sobre a problemática da pobreza e da exclusão social em Portugal. Espero assim conseguir esclarecer todos aqueles que tiverem interesse, sobre a minha posição e sobre o que faço nesse contexto. Para tal, é absolutamente necessário falar, também, do que a AMI faz nesta área, coisa que farei excepcionalmente neste espaço, uma vez que este blog pretende ser um blog pessoal, que mantenho enquanto cidadão e não enquanto Presidente da AMI. 

 

 

A Pobreza e a Exclusão Social (irmãs siamesas) são os principais obstáculos da existência de um bom clima de Paz no Mundo. Incongruências dos tempos modernos, essas graves violações dos Direitos Humanos impedem que se perspective um futuro harmonioso para o nosso planeta. As causas de tamanho paradoxo, num Mundo que nunca produziu e acumulou tanta riqueza, são a indiferença, a intolerância, a ganância e a falta de Amor geradores de guerras, desgovernação e desemprego.

Como problema global que é, o binómio pobreza-exclusão ao envergonhar, humilhar e marginalizar mais de um terço da população mundial, retirando-lhe qualquer esperança, está no cerne de problemas globais tais como: a fome, a imigração, os sem-abrigo, os mercados do trabalho precário e da prostituição, a mortalidade e exploração infantis, o tráfico de sangue e órgãos, a propagação do SIDA, as crianças soldado, a mortalidade materna perinatal, o analfabetismo, as culturas do ópio e da cocaína, a escravatura florescente, a exploração laboral (real motivação de tantas deslocalizações de empresas gananciosas e sem ética social) e ...a terrível insegurança. Não tenhamos dúvidas: é no pântano da miséria, da exclusão e da humilhação (origem de revolta e ódio) que as organizações terroristas recrutam.

Eis o panorama inquietante que pode matar, mais depressa do que pensamos, as nossas Democracias, Liberdades, Garantias e efémeras certezas! É a temível “Bomba Social”: tão falada mas tão menosprezada. Com o rastilho já aceso ela está visível na fome, na imigração massiva, no êxodo rural, nos bairros da lata que asfixiam inúmeras cidades no Mundo, nas legiões de sem-abrigo e meninos de rua, na criminalidade crescente...e está prestes a explodir na cara de todos nós. Disso não tenho a menor dúvida a menos que actuemos já. Pensemos nos Objectivos do Milénio a realizar até 2015...

Portugal não está imune a essa tragédia anunciada. Não nos iludamos: o problema é grave. Pelo menos vinte por cento da nossa população vive na pobreza e os guetos de exclusão social existem! Ainda podem aumentar...São factos indesmentíveis. Só quem não está atento ao país real é que se deixa ludibriar. A pobreza e a exclusão são a nossa vergonha. Só nos resta combatê-la. Com determinação, sem tibieza, com humanismo e compaixão para com o nosso povo onde se incluem, evidentemente, todas as minorias étnicas e comunidades imigrantes, legais e ilegais, que partilham, no seu dia-a-dia, os nossos problemas, anseios e alegrias. Como País de emigrantes que fomos (e continuamos a ser) é uma questão de dignidade nacional.

Em Portugal é possível reduzir drasticamente a pobreza e a exclusão social. Esse objectivo será conseguido se fizermos do imperativo de acabarmos com esta nossa vergonha uma Causa Nacional. Tal exige vontade, meios, empenho e a união de todos: partidos políticos responsáveis, forças económicas cidadãs, sociedade civil esclarecida e organizada e cidadãos voluntários, activos e solidários. Só mobilizados e motivados, em nome de Portugal, criando mais riqueza nacional e não aceitando olhar para essa vergonha como uma fatalidade, ou qualquer atavismo lusitano, é que venceremos. Se não o fizermos, e já, poderá estar em causa a nossa Democracia e o nosso futuro colectivo enquanto Nação.

 

Os números do Departamento de Acção Social da AMI falam por si:


- No ano de 2007 procuraram apoio social da AMI 7.386 pessoas, mais 862 casos do que em 2006. Esses dados referem-se a oito Centros Porta Amiga da AMI: 4 na Área Metropolitana de Lisboa (Olaias, Chelas, Almada e Cascais); 2 na Área Metropolitana do Porto (Porto e Gaia); um em Coimbra; e um no Funchal.

- Da população apoiada pela AMI, 79% é portuguesa e cerca de metade reside na área geográfica da Grande Lisboa. Na área do Grande Porto (Porto e Vila Nova de Gaia) o apoio aumentou de 2.291 para 2.611 pessoas (o que representa 35% da população total). As restantes encontram-se distribuídas pelos centros sociais do Funchal e de Coimbra. Estes números não contemplam os dois abrigos nocturnos da AMI (Porto e Lisboa) bem como o centro social de Angra do Heroísmo nos Açores, inaugurado em Dezembro.

- Tendo por base os anos de 2003 e de 2007, na Grande Lisboa, o número de atendimentos aumentou de 2.712 para 3.729 pessoas. Nesse período, 13.926 pessoas recorreram pela primeira vez aos apoios sociais da AMI. O número de pessoas que nos procuram pela primeira vez não regista grandes alterações ao longo dos anos, com uma média anual de cerca de 2.800 novos casos. Em termos de frequência, registou-se uma média anual de 6.500 casos de pobreza.

- Factor a realçar é o aumento do número de mulheres que procuram apoio. Se, em 2000 e 2001, esta percentagem não chegava aos 45%, em 2007, 53% da população que procurou a AMI era do sexo feminino. O desemprego, a monoparentalidade e a violência doméstica poderão estar na origem deste fenómeno. Na área da Grande Lisboa, este diferencial é mais significativo em centros sociais como Chelas (62%), Almada (58%) e Cascais (57%). Na área do Grande Porto, no centro social do Porto (53%) e em Vila de Nova de Gaia (59%) os valores também são superiores.
Do(a)s sem-abrigo, 24% são mulheres, tendo aumentado 11 pontos percentuais desde 1999. No centro social das Olaias, verifica-se uma tendência inversa, sendo o fenómeno dos sem-abrigo tipicamente masculino.
Os principais motivos referidos por quem nos procura estão relacionados com a precariedade financeira (87%) e o desemprego (40%). Seguem-se as razões de saúde (13%) e a falta de habitação (12%). Os serviços mais solicitados são o Apoio Social (54%%) na procura de um novo projecto de vida e subsequentemente a satisfação de necessidades básicas: géneros alimentares (67%) e refeitório (36%) e vestiário (55%).

- No âmbito do Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados, a AMI distribuiu, desde 2002, perto de 2600 toneladas de alimentos. Durante o ano de 2007, a AMI distribuiu 488 toneladas de géneros alimentares, valor inferior ao ano anterior (530 toneladas). No entanto, o número de famílias apoiadas aumentou de 2.434 (2006) para 5.524. No mesmo período, o universo de pessoas apoiadas passou de 5.137 para 16.531 pessoas, três vezes mais.

- Também nos abrigos nocturnos houve um aumento do número de pessoas apoiadas. No abrigo da Graça, em Lisboa, deram entrada 44 novos casos. Desde 1997, este equipamento já deu apoio a 474 pessoas, número a que acrescem 68 pessoas apoiadas pelo abrigo do Porto. Assim, desde 1997, os abrigos apoiaram 542 homens sem-abrigo em situação de reinserção sócio-profissional. Este trabalho é complementado pelas equipas de rua de Lisboa e Gaia que, durante 2007, acompanharam um total de 119 sem-abrigo.

 

Aconselho ainda a que seja consultado o Relatório de Actividades da AMI, para uma noção do trabalho da instituição, no seu todo, que abrange a área internacional, nacional, ambiental e de alerta de consciências.

 

PS – Até ao final da semana conto poder publicar um texto sobre o Zimbabué. Mas achei que, dados os comentários que aqui foram deixados, urgia que publicasse sobre este tema primeiro. 
 



publicado por Fernando Nobre às 12:44
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29 comentários:
De Anónimo a 5 de Dezembro de 2009 às 17:49
Ola senhor fernando nobre eu sou aluna na escola carolina michaelis, eu e o meu grupo tamos a realizar um trabalho de area de projecto sobre a pobreza e exclusao social tema para qual tambem engloba a nossa area de economia e direito.
Queria pedir a sua colaboracao e ajuda para conosco e se o senhor nao se importava de ir a nossa escola em maio??
Gostava de saber uma forma para falar melhor com o senhor


De Anónimo a 11 de Março de 2009 às 14:03
Homenagem aos sem-abrigo e aos que são abrigo dos sem abrigo:

Canção triste:
http://abrigo.no.sapo.pt


De Mobiliza-te a 5 de Março de 2009 às 22:59
É quando vemos o trabalho que ja muitos fazem que nos apercebemos do que podemos ainda lutar por esta causa. Ao mesmo tempo a força que nos domina é só uma, a mesma de todos nós.

"Não mates a esperança, não esperes para actuar"
Mobiliza-te!


De Mariana Sara Rita a 27 de Janeiro de 2009 às 09:55
Olá!
Somos um grupo de alunas do Colégio de Santa Doroteia. Andamos no 11ºano, na área de Ciências e temos 16 anos. No âmbito da disciplina de Religião, gostaríamos de saber como nos podemos inserir no turno de voluntariado nocturno (dos sem-abrigo) desta instituição ou de outras.
Obrigado,
Mariana, Sara e Rita


De Fernando Nobre a 27 de Janeiro de 2009 às 15:45
Contactar por favor a Senhora D. Ilda Costa do sector voluntariado da AMI. Obrigado.


De Mobiliza-te a 5 de Março de 2009 às 22:52
Somos um grupo de Área Projecto do 12º ano da Escola Secundária de Ermesinde e já participamos em voluntariado nocturno através da Legião da Boa Vontade. É uma associação que proporciona mesmo a menores como nós esta experiência que sem dúvida marca qualquer um...
Qualquer ajuda por pequena que seja é tudo...Pela pobreza somos só um.
Mobiliza-te (Visitem o nosso blog)


De Nuno Óscar Vilela Ferreira a 23 de Janeiro de 2009 às 00:11
Exmº Sr. Dr. Fernando Nobre:

Em primeiro lugar uma palavra de apreço para o seu trabalho desenvolvido na AMI, que é bastante meritório.

Gostei de ler este texto.

Gostaria de saber se me pode fornecer o seu endereço de e-mail para o contactar e lhe enviar um texto de cariz mais pessoal.

Cumprimentos,

Nuno Ferreira



De Fernando Nobre a 23 de Janeiro de 2009 às 19:47
Obrigado pelas suas palavras. Para meu mail contacte por favor minha secretária na AMI. Sei que compreenderá a razão deste meu pedido... Abraço.


De Josemir Moura a 22 de Janeiro de 2009 às 18:06
Sr. Fernando,

Obrigado por existir! Obrigado por existir para os excluídos de Portugal, de África.... Queria ter a honra de tê-lo aqui no meu País e juntar-se a nós pelo grito dos excluídos !
QUE DEUS O ABENÇÕE CADA VEZ MAIS NA SUA CAMINHADA!

Abraços calorosos do Brasil!


De Fernando Nobre a 22 de Janeiro de 2009 às 21:32
Meu Amigo e irmão do Brasil: no seu lindo país, que também sinto como meu, há pessoas magníficas que dão o seu melhor estou seguro. Encontrei muitas nos Fora Sociais Mundiais de Porto Alegre onde estive já várias vezes desde o primeiro em 2001. O Brasil tem tido filhos magníficos tais como, por exemplo, o, para mim Santo, Dom Helder da Câmara antigo Arcebispo de Recife e Olinda ou o Leonardo Boff apologista, e bem, da Teologia da Libertação infelizmente marginalizada , para não dizer liquidada, pelos dois últimos Papas. No Brasil temos levado a nossa gotinha de água a Milagres perto de Juazeiro do Norte, a terra do Padre Cícero. Continue o seu caminho meu amigo. Não se arrependerá quando tiver que partir... Abraço.


De paula a 22 de Janeiro de 2009 às 22:26
Fernando, se puder, por favor explique «da Teologia da Libertação infelizmente marginalizada , para não dizer liquidada, pelos dois últimos Papas».
Sei que arranja uma bocadinho do seu tempo elástico para isso. :) Gratidão amiga :)


De Fernando Nobre a 23 de Janeiro de 2009 às 20:08
É longo... Brevemente: durante e após Concílio Vaticano II (Papas João XXIII e Paulo VI) tentativa de pôr a Igreja, em acção, junto dos mais pobres sobretudo na América Latina. O Santo Papa João Paulo I só o foi 33 dias...seria longo explicar porquê. João Paulo II, e Cardeal Ratzinguer (actual Bento XVI), vêm nessa nova teologia a mão do comunismo...e... Conheci Bispos e Padres admiráveis cilindrados: México, Brasil, Sri Lanka...Eles não eram comunistas. Queriam apenas seguir a mensagem de Cristo. Foi muito triste. Outros movimentos muito mais elitistas floresceram entretanto no seio da Igreja... Só falando. Um dia. Abraço. Leia Leonardo Boff ...


De Beatriz a 22 de Janeiro de 2009 às 10:04
Dr. Fernando Nobre,
É realmente assustadora esta realidade, tanto mais que nunca sabemos quando poderemos ser nós a estar numa situação destas. Por vezes, tenho a sensação que não estou a fazer tudo quanto podia e devia para ajudar, de alguma forma, a combater estas diferenças sociais. Mas sem dúvida que toda esta informação me obriga a ser mais solidária e a saber repartir um pouco mais.
Obrigada,
Beatriz


De Fernando Nobre a 22 de Janeiro de 2009 às 11:42
É bem verdade o que diz: pode acontecer a qualquer um de nós ter de estender a sua mão amanhã para pedir ajuda. Tenho isso bem interiorizado em mim. Que cada um de nós faça e dê o seu melhor. Abraço.


De paula a 21 de Janeiro de 2009 às 23:04
Pois é Fernando, este seu post tornou-se necessário na sua ausência. É compreensível que por falta de conhecimento, de informação, se pense que se ajuda os zimbabueanos (neste caso), se deveria antes disso, ajudar quem nos está mais próximo.
Quantas vezes penso como gostaria de poder dedicar tempo aos outros, e, vejo que os «outros» mais próximos e que precisam de mim, são os meus.
«A nossa pobreza: a nossa vergonha», mas ser pobre não é vergonha, muitas vezes é circunstância, muitas vezes é impotência, muitas vezes será escolha. Sabe disso melhor do que eu, penso eu.
A realidade aqui, o dia-a-dia, os filhos, a sobrevivência, os dias que não têm tempo que chegue, são vitórias, nem digo pequenas, mas sim grande vitória cada dia que se passa.
Talvez hoje eu esteja numa mau dia, mas acabar com a pobreza até 2015?...
Não há dúvida de que é preciso mudar mentalidades, mas é preciso que haja disponibilidade, mental, física, material.
Felizmente o Fernando fundou a AMI e conseguiu os resultados que demonstra. É exemplo de trabalho, perseverança, dedicação e luta por ideais.
Sempre que penso na AMI (agora mais devido a esta janela que nos abriu), que penso no seu/vosso trabalho, vou-me convencendo que só o genuíno Amor ao próximo pode ser motivação para não deixar que a desilusão vença.
Parabéns pelos resultados, parabéns pela persistência.


De Fernando Nobre a 22 de Janeiro de 2009 às 11:31
Tem razão amiga: ser pobre não é uma vergonha mas é uma humilhação que lhes é, aos pobres, muitas vezes imposta. A vergonha é para aqueles, talvez todos nós, que permitem que a pobreza se alastre e se aprofunde ainda no Século XXI. Sei que se bate contra esse estado de coisas. Continue. Abraço.


De MAlbertina F.S.Silva a 22 de Janeiro de 2009 às 13:18
AMIGA PAULA
AO LER O SEU COMENTÁRIO. EMOCIONEI-ME, PORQUE OS SENTIMENTOS QUE REVELOU, SÃO OS QUE MAIS FREQUENTEMENTE SINTO.
NESTE MOMENTO,REFÉM DA DOENÇADE MINHA MÃE(ALZHEIMER), QUE ME OCUPA QUASE TODO O MEU TEMPO ,POUCO POSSO FAZER.( E COM 3 FILHOS ,2 AINDA DEPENDENTES , QUASE A TERMINAREM OS CURSOS ,MAS QUE OLHAM COM MAIS ESPERANÇA DO QUE EU O FUTURO.)
A MAIS VELHA JÁ COM O CURSO TERMINADO, FEZ-SE AO CAMINHO, E EM ESPANHA DÁ AULAS DE INGLÊS, E TRABALHA NUM PROJECTO AMBIENTAL,CHAMADO CIGUEÑA BLANCA (AYUNTAMENTO DE AGUILLAR DEL CAMPO).
O DO MEIO ALÉM DO CURSO Q FREQUENTA, FAZ PARTE DA AJP--ACÇÃO PARA A JUSTIÇA E PAZ--GRANJA DO ULMEIRO(perto deCoimbra),E PELO QUAL TOMEI CONHECIMENTO DESTE BLOG.
A MAIS NOVA, TENTA APRENDER EM PSICOLOGIA, COMO AJUDAR OUTROS, EM SITUAÇÕES QUE ELA PRÓPRIA JÁ VIVEU.

MAS ,APESAR DE SEREM OS NOSSOS, QUE MAIS PRECISAM DE NÓS--(serão mesmo?) , TEREMOS QUE ENCONTRAR FORÇA E A TAL DISPONIBILIDADE MENTAL E FISICA ,DE QUE FALA, PARA QUE COM A NOSSA ,MAIS PEQUENA QUE SEJA, CONTRIBUIÇAO---LI ALGURES: NEM QUE SEJA 1 REFEIÇÃO E ARREPIEI-ME-- POSSAMOS AJUDAR ALGUÉM,ATRAVÉS DA AMI.

EFECTIVAMENTE O DIA HOJE ESTÁ TRISTE, CINZENTO.
MAS IMAGINAR QUE ESTAS GOTAS QUE CAIEM ,FAZEM FALTA EM TANTO LUGAR NO MUNDO,DEVE-NOS LEVAR A PENSAR QUE ,DE CERTO MODO ,SOMOS PRIVILEGIADOS.

PERDOE-ME ,PAULA, DE DESABAFAR CONSIGO, SEM A CONHECER, MAS IDENTIFIQUEI-ME MUITO COM O SEU COMENTÁRIO (JÁ TINHA VISTO OUTROS , TB MT INTERESSANTES) MAS HOJE NÃO RESISTI.
DESCULPE PRINCIPALMENTE SER TÃO PESSOAL.

A NOSSA POBREZA, A NOSSA VERGONHA TB É DE POR VEZES SERMOS EGOÍTAS COMO ESTOU A SER, AO FALAR DE MIM, MAS PENSO QUE SERÁ UM MECANISMO DE AUTO-DEFESA, PARA LIDAR COM TODAS ESTAS MISÉRIAS ,INJUSTIÇAS E VIOLÊNCIAS.
E SOBRETUDO: INDIFERENÇAS.

DESDE JÁ COM AMIZADE
TINA




De paula a 22 de Janeiro de 2009 às 20:08
Albertina, falar de si não é egoísmo, é uma lição para os outros.
Tratar da sua mãe com Alzheimer, é nobre, exige uma dedicação imensa e além disso é nossa obrigação moral e humana.
Os seus filhos estão criados e são ramificações suas, fruto também da sua dedicação.
Eu costumo dizer que muitas vezes as vitórias mais importantes e mais marcantes são as menos visíveis. É a atitude que tem para com os outros que os poderão tornar melhores pessoas. É o exemplo que dá tratando da sua mãe que fará com que outros olhem para dentro de si próprios. São os seus filhos que seguirão pela vida fora fazendo dos outros também melhores pessoas e tornando o mundo melhor.
Albertina não pense que falar de si é egoísmo, é dar-se a conhecer, é ser verdadeira, é servir de exemplo.
A nossa pobreza é nossa vergonha se resulta da nossa negligência, não me parece que seja o seu caso.
Está de parabéns!
Paula


De MAlbertina F.S.Silva a 23 de Janeiro de 2009 às 11:38
PAULA
COMOVIDAMENTE E,SEM TEMPO DE MOMENTO, PARA MAIS, UM MUITO OBRIGADA PELAS SUAS PALAVRAS.
BEM HAJA.
UM ABRAÇO, Tina


De pedro castro a 21 de Janeiro de 2009 às 20:46
Dr. Fernando Nobre, acho que fez muito bem em esclarecer alguns dos que por aqui passam e deixam os seus comentários que por desconhecimento (não creio o contrário) possam ter deixado as sua opiniões erradas e injustas sobre este tema.
Quanto aos outros (que é o meu caso) que estão um pouco por dentro do trabalho realizado pela AMI e pelo Dr. Fernando Nobre, não creio que nos tivesse surpreendido com este post , mas sem dúvida, fiquei a conhecer bem melhor a realidade com a apresentação de certos números que desconhecia, por isso um muito obrigado!
Quando se fala nos pobres em Portugal (que os há, disso não tenho qualquer dúvida) e naquilo que se passa nos chamados países do "Terceiro Mundo" como é o caso de muitos países Africanos, poderemos alguma vez comparar estas duas realidades? O DR. Fernando Nobre que já percorreu muitos desses países e que passou por experiências horríveis , será que existe algum grau de comparação com o que se passa no nosso país? Não há quem precise muito mais de ajuda que nós ?
Em muitos países Africanos a esperança média de vida não chega aos 37 anos, morre-se por falta de tudo (medicamentos, assistência médica, higiene, más condições sanitárias, doenças, guerras étnicas, guerras politicas, fome, etc .. etc )
Será que não devemos intervir primeiro nos mais carenciados e desprotegidos? penso que terá de haver sempre prioridades quando os meios são escassos (infelizmente).
E já agora, espero que nem tudo sejam más noticias do Zimbabué.
Um forte abraço
Pedro Castro









De Fernando Nobre a 22 de Janeiro de 2009 às 00:48
Tudo é relativo. Até a miséria. Para mim o Mundo é uno e indivisível . Por isso a palavra de ordem na AMI é: POR UMA ACÇÃO HUMANITÁRIA GLOBAL. Não consigo ver todos os seres humanos de outra forma. Para uns isso é lírico. Para mim é assim. Do Zimbabué também há boas notícias: as pessoas e as Igrejas continuam a lutar ajudando-se para sobreviver. Abraço.


De Eira-Velha a 21 de Janeiro de 2009 às 19:57
"... partidos políticos responsáveis, forças económicas cidadãs, sociedade civil esclarecida e organizada e cidadãos voluntários, activos e solidários".

Simples Sr. Doutor, mas temo que devemos esperar sentados sob pena de morrermos exaustos de cansaço.
As pessoas aderem aos partidos políticos para se "arranjarem" e fazem-no despudoradamente às claras, as forças económicas, lideradas por pessoas que só olham para o próprio umbigo esquecem o papel social que delas se espera exigindo facilitismos e acesso privilegiados aos recursos que deviam servir para animar as empresas, a sociedade que V. Ex.ª designa de civil está com o credo na boca e cidadãos ou cidadãs voluntários, activos e solidários ainda há alguns mas poucos, porque quem tem responsabilidades perante um agregado familiar tem que se esfalfar muito para não perder a dignidade.
Sei que é uma visão pessimista mas resulta de muito desencanto e da constatação de que vivemos num País de extremos, uns são filhos outros enteados.
Enquanto não se der uma revolução nas mentalidades não há solução.
Mas não deixo de louvar o esforço e o empenho das pessoas que ainda acreditam...


De Fernando Nobre a 22 de Janeiro de 2009 às 01:04
Tem toda a razão: é preciso uma mudança de mentalidades. Tal acabará por acontecer nem que seja no tempo dos nossos tetranetos. Mas para tal é fundamental que ninguém desista de lutar hoje. Não desista por favor! Grande abraço.


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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