Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Como a questão da importância dos arquivos históricos se colocou recentemente numa troca de comentários, decidi publicar este texto. Ele exprime bem o que penso sobre o assunto e a importância que para mim tem a preservação do registo da História.

 

O tema dos Arquivos em matéria de Direitos Humanos afigura-se de suma importância se queremos falar com seriedade histórica “documental” do nosso passado e se pretendemos olhar com lucidez, coragem e frontalidade para o nosso futuro colectivo enquanto Humanidade. Tal implica necessariamente, quanto a mim, a possibilidade de termos acesso a factos e fontes fidedignos e credíveis, sempre que possível comprovados e não manipuláveis, da nossa memória colectiva o que só é possível com a existência de Arquivos bem documentados, actualizados, vivos e acessíveis que permitam o estudo, a reflexão e a pesquisa com fundamento. Só com esse depositário inviolável e insubstituível nos será permitido um correcto olhar sobre o nosso passado a fim de que, esclarecidos, possamos assumir o nosso presente sem preconceitos nem branqueamentos silenciadores da história e perspectivar o nosso futuro, com decoro, no respeito pelas fronteiras fundamentais reguladoras de uma salutar convivência humana que, se não fossem violadas, permitiriam uma convivência sã entre os seres humanos e a construção de um Mundo harmonioso e solidário. E só assim impediremos que a nossa memória e razão se dilua ou, pior, se apague nas brumas dos interesses políticos, económicos ou históricos conjunturais: nada seria pior para o nosso futuro colectivo do que o desvanecimento dos factos e memórias contidos nos Arquivos.

 

É bem verdade que um povo se perde quando fica amnésico e perde as suas raízes!

 

Importa desde já afirmar e salientar o que de todos é sobejamente conhecido: os Direitos Humanos Fundamentais incluídos na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) das Nações Unidas de 1948, ratificada pela esmagadora maioria dos Estados e Governantes, continuam por se cumprir para uma parte muito significativa da população do planeta Terra. A Pobreza é um dos factores condicionantes e determinantes desse não respeito e também da mortalidade e injustiças hoje observadas no Mundo.

É pois muito útil, diria mesmo imprescindível e justo, que os Arquivos contenham também, nos seus acervos, dados objectivos da evolução da pobreza no Mundo, de tão grande relevância se quisermos discutir, em profundidade e objectivamente!, sobre Direitos Humanos.


Ao que acabo de referir sobre a situação tão precária dos Direitos Humanos para boa parte da população mundial, temos que acrescentar, como factor particularmente nefasto para a situação actual no Mundo, a vigente perversa e espúria tendência, assumida às claras, de se substituir a Força do Direito pelo Direito da Força que gera, ipso facto, como corolário imediato e infelizmente amiúde observado, o surgimento de caldos políticos incentivadores ou permissivos à tortura com comportamentos, particularmente desumanos, cínicos e hipócritas que importa desde já estigmatizar e arquivar na nossa memória colectiva a fim de que não possam ser negados amanhã por aqueles que os estimularam. Dispondo de Arquivos, a sociedade humana democrática poderá confrontá-los, assim o entenda!, com as suas atitudes passadas.


A esse título, e como meros exemplos de práticas condenáveis muito recentes, que importa não sejam esquecidos, refiro: a campanha agressiva e sistemática da administração Bush contra o Tribunal Penal Internacional e o protocolo de Quioto; o desencadear de guerras preventivas ilegais pretensamente fundamentadas em descaradas mentiras e outras falácias; as torturas quase generalizadas praticadas sobre prisioneiros de guerra e outros resistentes, em países ou territórios ocupados, por forças de países assumidos e vistos como democráticos, nomeadamente nas iníquas, inqualificáveis e famigeradas prisões de Guantanamo em Cuba, de Abu Ghraib no Iraque e a “1391” em Israel; e as transferências de prisioneiros para países “amigos e aliados” para aí serem barbaramente interrogados, torturados ou executados...sob o pretexto de “luta contra o terrorismo”! Essas iniquidades (nunca será demais repetir, por mais que nos doa!), são praticadas descaradamente por países que constitucionalmente e por tradição histórica são, aparentemente!, apologistas e defensores da Democracia.


Não nos esqueçamos nunca - e os Arquivos relembrando-nos tais actos horrorosos aí estão para impedir que tal aconteça (e é por isso que deverão permanecer invioláveis) - o que fizeram os nazis aos resistentes, por eles apelidados de terroristas! É um alerta oportuno, penso eu, porque já hoje se vislumbram, por parte de alguns historiadores, escritores e cineastas...a tentação e vontade de humanização e branqueamento dos comportamentos genocidários imundos de facínoras do quilate de Adolfo Hitler, Staline, Pol Pot, Pinochet e outros.


É útil, diria mesmo indispensável, que se aborde e se trate com objectividade, graças aos arquivos ainda disponíveis, o que realmente aconteceu nos períodos negros da História da Humanidade. Quero referir apenas, en passant, e sem recuar ao louco Nero ou aos massacres dos Cátaros ou da São Bartolomeu em França, os genocídios dos índios nas Américas, nomeadamente na América do Norte, o genocídio dos aborígenes na Austrália, a matança no Gueto de Varsóvia, a mortandade nos campos de concentração na guerra dos Bóeres na África do Sul, o genocídio dos arménios pelos turcos, os campos de extermínio nazis (com o genocídio dos doentes mentais, velhos “inúteis”, judeus, ciganos e resistentes), os gulags da URSS estalinista ou da China maoista, o genocídio no Camboja, Sudão, Ruanda, Burundi, na R.D. do Congo, as matanças no Chile ou na Argentina, o famigerado plano Condor na América Latina...assim como os milhões de inocentes apagados como Anne Frank e os milhares de lutadores pelos Direitos Humanos e resistentes desaparecidos, torturados e fuzilados no Mundo inteiro como, por exemplo, Wallenberg e Jean Moulin.
 

É neste ponto fulcral, quanto a mim, que os Arquivos adquirem toda a sua importância porque são a nossa “MEMÓRIA IMPRESCINDÌVEL” e uma das muralhas, com a Educação e o Direito Internacional, hoje tão mal tratado, que a sociedade humana civilizada institui, contra a barbárie. Os Arquivos têm, quanto a mim, sobre a matéria dos Direitos Humanos, repito, um duplo objectivo essencial: - não permitirem, ou dificultarem, que se apaguem ou branqueiem crimes passados e com as fontes sábias que contêm, desde que acessíveis e promovidas; - servirem de faróis que, iluminando-nos!, podem e devem contribuir decisivamente para a implementação de boas práticas conducentes à construção de um Mundo mais belo, harmonioso e sábio.

Efectivamente, a conservação de documentação objectiva (relatórios, correspondência diplomática, militar, jornalística, fotográfica, livros, filmes, diários e outras provas documentais) e a possibilidade do seu acesso por parte dos historiadores, investigadores e simples cidadãos assim como das escolas e organizações da sociedade civil é insubstituível a fim de que não seja permitido a certos poderes instalarem ditaduras do vazio e do esquecimento fazendo crer aos seus povos que foram sempre “heróis e mártires”... o que seria muito prejudicial para todos aqueles que pugnam pela Democracia e pela Liberdade.


Os Arquivos, como certos lugares paradigmáticos (tais como museus, bibliotecas, monumentos, campos de concentração, de tortura, de extermínio...ou certas prisões), são locais insubstituíveis para recordar a Memória e a História colectiva que importa não esquecer: ao conservarem recordações, provas e factos eles permitem evitar interpretações falaciosas nomeadamente no que diz respeito às violações dos Direitos Humanos como no caso de grande actualidade, e relevância política sobre o possível futuro alargamento da União Europeia à Turquia, do genocídio dos arménios pelas autoridades turcas de 1915 a 1918 durante a primeira Guerra Mundial.


Na Península Ibérica, e nisso o conteúdo dos nossos arquivos teve, tem e terá sempre um papel essencial, importa que nunca nos esqueçamos, nomeadamente, de três períodos de graves e violentos atropelos dos nossos direitos e garantias colectivos. Refiro-me explicitamente:
_ 1º) à expulsão, ou à conversão coerciva, dos muçulmanos e judeus em Espanha, pelos reis católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão, após a tomada de Granada em 1492 e em Portugal a expulsão dos judeus, após a morte do insigne Rei D. João II em1495, com o advento do rei D. Manuel I e suas negociações matrimoniais com as filhas dos reis católicos.
_ 2º) à Inquisição, na Península Ibérica, assim como nas colónias de Portugal e de Espanha, como período persecutório e particularmente violador dos direitos humanos. Sabemo-lo hoje sem a mínima dúvida graças aos arquivos históricos.
_ 3º) aos regimes ditatoriais de Salazar e Franco.


Quanto a Portugal, sobre a matéria em apreço, nunca é de mais relembrar a perseguição enraivecida, encarniçada, destruidora e humilhante que o regime de Salazar moveu aos lutadores pela liberdade e nomeadamente ao insigne Cônsul Aristides de Sousa Mendes, incontestavelmente um dos Grandes Heróis da História de Portugal, do Mundo e dos valores universais que a todos deveriam nortear.

 

Haveria, é certo, mais exemplos, mas creio que os exemplos citados são suficientemente elucidativos para demonstrarem o papel central e a importância insubstituível dos Arquivos no estudo da violação dos Direitos Humanos e na luta pela defesa desses mesmos Direitos também nos nossos Estados mas tal é, evidentemente válido para o Mundo inteiro se pretendemos evitar que se repitam derivas totalitárias, se já não estão a acontecer!, com os seus clamorosos, infamantes e sistemáticos crimes contra a Humanidade.

 

É a conservação dessa memória negra da Humanidade assim como dos nobres feitos de heróis e resistentes que importa ver salvaguardada a fim de que, pela sua revisitação e estudo, amanhã talvez possamos vislumbrar um outro futuro para os Direitos Humanos hoje ainda tão violados pela pobreza, guerras e atentados sistematizados à dignidade humana por parte de certos governos e regimes políticos. É o que constantemente sobressai da leitura isenta e idónea dos Relatórios Anuais da Amnesty International e dos alertas constantemente lançados pela Asian Human Right Commission, pela Human Rights Watch e por outras instituições que se consagram à defesa dos Direitos Humanos.

Para que amanhã ninguém diga que não sabia, para que amanhã ninguém diga que nunca ouvira, para que amanhã ninguém diga que jamais vira!


É disso que se trata quando se fala da importância do DEVER DE MEMÓRIA!
 


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publicado por Fernando Nobre às 13:50
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25 comentários:
De MAlbertina F.S.Silva a 31 de Janeiro de 2009 às 03:06
SÓ UMA BREVE CORREÇÃO AO MEU COMENTÁRIO:NÃO FOI PRESIDENTE DA TURQUIA, MAS SIM O PRIMEIRO MINISTRO DA TURQUIA , QUE FALOU EM DAVOS.


De MAlbertina F.S.Silva a 31 de Janeiro de 2009 às 02:50
BOA NOITE,DR. FERNANDO NOBRE
NÃO É SOBRE ESTE ASSUNTO QUE VOU FALAR.
É COM MUITA PENA QUE VENHO A REPARAR QUE O POST "CHORO E GRITO POR GAZA E ISRAEL" JÁ NÃO ESTÁ NO BLOG. OU PELO MENOS EU NÃO O ENCONTRO. E FAZ-ME FALTA...
HÁ DIAS, O AMIGO, RECOMENDOU-NOS UM ARTIGO DO PÚBLICO.
HOJE,OU MELHOR ONTEM QUE AS HORAS VÃO PASSANDO ,LI NA VISÃO UM OUTRO ,QUE TAMBÉM NÃO PODE DEIXAR ,OS QUE SENTEM COMO NÓS ,INDIFERENTES---REPORTAGEM EM GAZA-A VIDA DEPOIS DA GUERRA "TERRA FÉRTIL PARA MÁRTIRES", DE PATRICIA FONSECA.
QUE "VIU COMO OS PALESTINIANOS AO CHORAREM OS MORTOS, TÊM O SONHO DA INDEPENDÊNCIA MAIS VIVVO DO QUE NUNCA".
E QUE TERMINA COM UM GRITO DE UM HOMEM DESESPERADO E IRADO: "NÃO QUERO SABER DE COMIDA,NÓS NÃO SOMOS ANIMAIS QUE PODEM SER FECHADOS NUM CURRAL E A QUEM SE ATIRA UMAS SACAS DE FARINHA PARA APAZIGUAR AS CONSCIÊNCIAS DO MUNDO.ESTOU FARTO DISTO, EU QUERO É TRABALHAR PARA DAR COMIDA À MINHA FAMILIA, NÃO QUERO ESMOLAS.FALAM TANTO DE PAZ, NÓS PRECISAMOS É DE LIBERDADE".

POR TUDO O QUE LI, E, POR ESTE GRITO A MINHA CONSCIÊNCIA FICOU AINDA MAIS INQUIETA.
NÃO É UM GRITO DE INGRATIDÃO ,É UM GRITO DE APELO À DIGNIDADE !

HÁ NESTE ARTIGO DESCRIÇÕES DE ACTOS QUE FEREM A SENSIBILIDADE DE QUALQUER PESSOA.
ERA-ME MAIS FÁCIL NÃO ACREDITAR, PARA TER AINDA UM POUCO DE ESPERANÇA!

PODE SER. EU QUE NA BULGÁRIA, ESTUDEI A BARBÁRIE DO IMPÉRIO OTOMANO E A LUTA PELA LIBERTAÇÃO DO POVO BÚLGARO-E NÃO SÓ- AO VER ONTEM, COMO EM DAVOS ,O PRESIDENTE DA TURQUIA ENFRENTOU O SENHOR PEREZ E A ATITUDE QUE TOMOU POR NÃO LHE TEREM DADO MAIS TEMPO, FIQUEI AGRADAVÉLMENTE SURPREENDIDA.
SÓZINHA BATI PALMAS E GRITEI BRAVO!


POR FAVOR LEIAM O ARTIGO DA VISÃO!

E , SE PUDER, DIGA-ME DR. FERNANDO ONDE POSSO REVER "GRITO E CHORO..."
DESCULPE SER TÃO "CHATA".

BOA NOITE. ABRAÇO.
Tina


De Margarida a 1 de Fevereiro de 2009 às 10:07
Cara MAlbertina ,

Para encontrar o post em questão tem duas maneiras:

1 - Coloca na barra de pesquisa "Grito e Choro (...)" e encontra;
ou
2 - Clica na tag (coisa que aparece sempre no fim de cada texto e que classifica os textos por palavras-chave) "Palestina" e aparecem-lhe todos os textos que falam da questão [entre eles o "Grito e Choro(...)"]

Mas o post está no blog!

Boa sorte!
Margarida


De MAlbertina F.S.Silva a 1 de Fevereiro de 2009 às 12:33
MARGARIDA, BOA TARDE.
SEGUI OS PASSOS QUE ME INDICOU E O QUE ENCONTREI COMO RESPOSTA FOI: NÃO FORAM ENCONTRADOS RESULTADOS DA SUA PESQUISA.

ESTOU SEM SORTE.
VOU ESPERAR QUE O MEU FILHO ME POSSA AJUDAR,MAS É UM RAPAZ "MUITO OCUPADO",PARA AJUDAR A MÃE NAS NOVAS TECNOLOGIAS!
PODE SER QUE NESTE TEMA ME AJUDE.
ELE TB É UM JOVEM QUE LUTA POR CAUSAS.

OBRIGADA
TINA


De Margarida a 1 de Fevereiro de 2009 às 23:12
http://fernandonobre.blogs.sapo.pt/6062.html


De MAlbertina F.S.Silva a 2 de Fevereiro de 2009 às 00:06
OBRIGADA, MARGARIDA.
CONSEGUI ENCONTRAR NO TAG PALESTINA.
E AGORA FIZ O QUE ME DISSE E TAMBEM ENCONTREI.
E,CONFESSO QUE À HORA DO ALMOÇO O MEU FILHO ME AJUDOU.
MUITO BOA NOITE E, MAIS UMA VEZ MUITO OBRIGADA.
Tina


De Fernando Nobre a 1 de Fevereiro de 2009 às 16:56
O Senhor Primeiro Ministro da Turquia teve razão. Tem motivos e razões históricos para falar e reagir como fez: não nos esqueçamos que muitos dos judeus fugidos, porque expulsos, dos Reinos de Castela, Aragão e Portugal, foram acolhidos (com certos constrangimentos mas em nada comparáveis com o que os Reis católicos lhes tinham imposto ou com o que o Governo de Israel fez e faz aos palestinianos ,seus irmãos semitas, até hoje), no Império Otomano criado e governado pelos turcos! O Senhor Shimon Peres, Presidente de Israel e Prémio Nobel da Paz foi, mais uma vez, desastrado, prepotente, soberbo, arrogante e desmerecedor do Prémio Nobel da Paz que recebeu com Itzack Rabin e Yasser Arafat ! Agora só falta que o Senhor Primeiro Ministro da Turquia reconheça o Genocídio dos Arménios e Dialogue construtivamente com os Curdos ... Se o fizer ficarei muito grato. Abraço.


De MAlbertina F.S.Silva a 2 de Fevereiro de 2009 às 03:27
VOU NOVAMENTE USAR UMA FRASE DA AMIGA PAULA, ESPERANDO QUE ELA NÃO LEVE A MAL O ABUSO:-A MESMA CARA PODE TER DUAS VERDADES, DEPENDE DE QUE LADO SE OLHA O PASSADO-.
QUANDO ME REFERI AO IMPÉRIO OTOMANO FI-LO COM A MEMÓRIA, COM OS OLHOS ,COM OS RELATOS HISTÓRICOS DE UM POVO QUE VIU NO PASSADO AS SUAS MULHERES SEREM LEVADAS PARA "SERVIR" OS SEUS SENHORES ,AS SUAS CRIANÇAS PARA SEMPRE ARRANCADAS DOS BRAÇOS DE SUAS MÃES, O SEU TERRITÓRIO DESVASTADO, OS SEUS HOMENS PERSEGUIDOS E ASSASSINADOS AO SOM DOS TAMBORES DO INIMIGO.
NÃO SE LAVA A CARA COM AS MÃOS SUJAS.
MAS EU DE HISTÓRIA SEI MUITO MENOS DO QUE QUERIA.ERA O CURSO COM QUE SONHAVA MAS OS OBSTÁCULOS DA VIDA, LEVARAM-ME PARA OUTRO CAMINHO.
MAS SEI QUE O GENOCÍDIO DA ARMÉNIA TEM QUE SER RECONHECIDO E TEM QUE HAVER DIÁLOGO COM O POVO CURDO.
A HISTÓRIA REPETE-SE, REPETE-SE...
QUANTO A SHIMON PERES O AMIGO DISSE TUDO.

TENHO PARA CONSIGO MAIS UMA DÍVIDA DE GRATIDÃO :DEVOLVEU-ME O GOSTO DE ESCREVER E A PAIXÃO PELA HISTÓRIA.

SARAMAGO ESCREVEU NO SEU LIVRO QUE MAIS GOSTO--ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA-: NA VERDADE AINDA ESTÁ POR NASCER O SER HUMANO DESPROVIDO DAQUELA SEGUNDA PELE A QUE CHAMAMOS EGOÍSMO, BEM MAIS DURA QUE A OUTRA, QUE POR QUALQUER COISA SANGRA".

NÃO CONCORDO!
ESSE SER HUMANO JÁ NASCEU.EXISTE. É UM HOMEM NOBRE QUE NOS FAZ BEM.
UM ABRAÇO.
Tina


De paula a 2 de Fevereiro de 2009 às 17:33
Albertina, use e abuse das minhas palavras, se bem que não são lá muito optimistas... às vezes.
Tudo tem o lado bom e o lado mau, e mesmo do mau se pode tirar resultados positivos. Basta saber aprender.
Já agora, vai sempre a tempo de estudar, nunca é tarde!


De MAlbertina F.S.Silva a 3 de Fevereiro de 2009 às 03:37
Obrigada, Paula
O problema,não está tanto no saber aprender, como no saber escolher.
Quando fui para a Bulgária, com uma bolsa de estudo ia para 1 curso de Paramédicos. Eu uma menina de Letras!!!
Quando lá cheguei, além da língua búlgara, que aprendi e não mais esqueci, tinha entre outras coisas ,de fazer testes de anatomia patológica. Foi logo à primeira autópsia ,que a coisa foi por água abaixo. Desmaiei. Fim de Paramedicina.
E agora? Poderia escolher: Jornalismo (nem penses -dizia a familia)ou Pedagogia(-isso, isso)
Fiz a vontade à famila. E depois de um ano de língua búlgara,num Instituto para estrangeiros,lá fui para a Universdade de Sófia, estudar Makarenko ,Krupskaia etc. Mas confesso que tanta teoria numa língua ainda pouco treinada,não era tarefa fácil.Mas o 1ºano foi feito. Antes de começar o 2º, casei. O meu marido(agora ex) era tb português, estudante de engenharia. Engravidei, continuei a estudar,nasceu a minha filha e o 2º ano ficou por terminar... viemos de férias e qd me dei conta estava grávida outra vez.
Interrompi o curso ,fiquei 1 ano em Portugal. Nasceu o meu filho, voltei, mas já com a ideia de pedir para mudar para o Curso de Educadores de Infância, porque sabia que o curso lá era mt bom. Tinha já feito, literatura infantil, psicologia infantil, mas não imaginava que o mais difícil, estava para vir:entre outras c oisas tive que aprender solfejo, natação-tenho fobia-e...acordeão!!ainda hoje estou para saber como consegui aprender, para me ter 3 mínimo para passar. Mas passei !E,Paula digo-lhe que não foi fácil! Antes de ir-mos para os institutos deixávamos os filhos na creche. Estiveram sempre connosco . Quando acabei o estágio , fiz o exame de estado no dia 2/7/82. Terminei com média de 5-o nosso 14. Aí sim,senti orgulho!
Paula, já é tarde, e mais uma vez, estou a falar de mim.
A respeito do aprender ou saber escolher. Não segui o meu sonho, fui atrás de uma oportunidade que a vida me deu.
Frase batida: não me arrependo do que fiz, só lamento o que NÃO fiz.

Agora,Paula é tempo de cuidar da minha mãe. Nem para o meu trabalho tenho tempo: estou de atestado.
Mas vou aprendendo convosco e com os meus livros.E com os meus filhos.

Boa noite, Paula. Até amanhã. Tina


De paula a 3 de Fevereiro de 2009 às 11:13
Albertina, correndo o risco de estar a abusar de um espaço que não é nosso, deixe-me só dizer-lhe que todos nós temos a nossa história, não é suposto a vida ser fácil. Também crio sozinha 3 rapazes adolescentes que me põem os cabelos em pé.
Mas acredito, e assim tenho feito, que temos que transformar as nossas fraquezas em forças, as dificuldades em degraus, temos que ter a humildade de reconhecer os nossos limites e pedir ajuda se precisarmos, e, nunca nos compararmos com os outros mas com nós proprios e o melhor que possamos ser.
Cada noite, em que sinto os meus filhos deitados para dormir, sinto que o dia que terminou foi mais uma vitória.
Teria feito muita coisa diferente na vida, teria tido sucesso, independência, realização profissional, mas trocaria isso tudo pelo que tenho agora, pela sensação que tenho ao fim de mais um dia.


De MAlbertina F.S.Silva a 3 de Fevereiro de 2009 às 17:46
TEM TODA A RAZÃO ,PAULA.
EXCEDI-ME . DESCULPE O MEU EGOÍSMO.
AFINAL TANTAS HISTÓRIS IGUAIS...

PEÇO TAMBÉM DESCULPA AO DR FERNANDO POR TER ABUSADO DO SEU ESPAÇO TÃO EGOCENTRICAMENTE.

UM ABRAÇO
Tina


De MAlbertina F.S.Silva a 3 de Fevereiro de 2009 às 11:25
PAULA,
DESCULPE OS ERROS E A CONFUSÃO. APROVEITO QUANDO A MINHA ESTÁ A DORMIR E ESTOU SOZINHA, PARA ESCREVER. DEVE REPARAR QUE GERALMENTE É MUITO, MUITO TARDE. E O CANSAÇO DETURPA-NOS AS IDEIAS E SOBRETUDO A GRAMÁTICA.
UM ABRAÇO
Tina


De paula a 4 de Fevereiro de 2009 às 11:10
http://www.videos.iol.pt/consola.php?projecto=27&mul_id=13109354&tipo_conteudo=1&tipo=2&referer=1#


De MAlbertina F.S.Silva a 4 de Fevereiro de 2009 às 19:59
Obrigada, Paula.
Um abraço de amizade.


De Anónimo a 30 de Janeiro de 2009 às 14:27
Senhor Professor:
Como todos os seus textos que li, apreciei imenso. Admirável!
Este, além da mensagem que nos transmite, dá-nos uma lição de História que muitos historiadores não são capazes de o fazer...
Muito obrigada por partilhar os seus conhecimentos e os seus nobres sentimentos.
Que Deus o abençoe.


De Anabela Simão a 29 de Janeiro de 2009 às 12:20
Caro Dr Fernando;
Ao ler este seu post não pude deixar de recordar o ironicamente intitulado "Ministério da Verdade", de "1984" (George Orwell), escrito em finais dos anos 40 do século passado, mas infelizmente tão visionário e actual... Este ministério tratava de ir reescrevendo a história, consoante os interesses do "Grande Irmão"... Pergunto-me até que ponto isto não acontecerá já em escala menor e menos assumida. Não seria difícil num mundo cada vez mais acelerado e em que prolifera a memória curta, em que o individualismo se sobrepõe constantemente ao altruísmo, em que a desgraça é tanta, tão variada e banalizada que já não importa saber qual é a guerra que se vê na TV, onde acontece e o que está na sua origem...
Fala de Aristides de Sousa Mendes e de Salazar. Se bem que a um programa do género só se dá a validade que se quiser dar, como explicar que o eleito maior (e melhor) português de sempre tenha sido o 2º? Ignorância? Falta de vergonha colectiva? Ou será uma pequenina prova da facilidade que se tem em esquecer?Valha-nos o facto de o Dr ter ficado bem classificado. E de estar vivo e activo.
Aqui fica um desabafo num dia interiormente cinzento... Agora vamos à luta.
Anabela


De Fernando Nobre a 29 de Janeiro de 2009 às 18:38
É amiga Anabela nunca desista de ir à luta!


De MAlbertina F.S.Silva a 29 de Janeiro de 2009 às 03:45
DEVERIA SER DE LEITURA OBRIGATÓRIA ,ESTE SEU ARTIGO, PARA DESPERTAR A NOSSA CONSCIÊNCIA COLECTIVA.
MAIS QUE CURTA A NOSSA MEMÓRIA É SELECTIVA , DEMASIADO SELECTIVA .
RETEMOS DO SUPERFICIAL O QUE NOS CONVEM, E ESQUECEMOS O ESSENCIAL:
_QUE TODOS OS DIAS SÃO VIOLADOS OS DIREITOS HUMANOS, TODOS OS DIAS PREVALECE A RAZÃO DA FORÇA CONTRA A FORÇA DA RAZÃO,COMO DIZ .
_QUE TODOS OS DIAS CONTINUA A HUMILHAÇÃO ,A PERSEGUIÇÃO,A TORTURA,O GENOCIDÍO, O TERROR, O MEDO...
_TODOS OS DIAS AO LONGO DOS ANOS,DOS SÉCULOS....
COM A COMPLACÊNCIA E CONIVÊNCIA DE QUASE TODOS OS ESTADOS ,MESMO OS DITOS DEMOCRÁTICOS...

UMA SOCIEDADE SEM MEMÓRIA É UMA SOCIEDADE SEM HISTÓRIA.
EM NOME DA HUMANIDADE, DA JUSTIÇA, DA PAZ E DO AMOR, NÃO ESQUEÇAMOS!
OBRIGADA,AMIGO, POR NOS SACUDIR, POR NOS EMPURRAR E POR NOS LEVANTAR.
BOA NOITE. UM ABRAÇO.
Tina


De Fernando Nobre a 29 de Janeiro de 2009 às 18:47
Boa noite e abraço.


De maria conceição martins a 28 de Janeiro de 2009 às 19:46
Sr. Dr.
primeiro começo por lhe dizer que tenho por si uma enorme admiração. Leio tudo quanto escreve neste blog com o maior interesse.
Quanto ao artigo de hoje digo-lhe que também penso que é um dever e uma obrigação de nos todos não deixarmos cair no esquecimento a história da humanidade principalmente aqueles factos que nos envergonham a todos para que estejamos atentos e não deixemos que se repitam.
Depois da 2º guerra mundial todos pensámos que não
haveria mais guetos nem holocaustos, no entanto
todos hoje assistimos ao que se passa em Gaza.
Bem haja sr. dr. pelos seus gritos contra a indiferença.
Conceição


De Fernando Nobre a 29 de Janeiro de 2009 às 18:46
Esta luta será provavelmente eterna..a menos que se instale no Universo um novo paradigma e um Governo Universal Humanista... Daqui a uns milhares de anos...? Mas tal não nos deve levar à desistência ou à resignação!


De paula a 28 de Janeiro de 2009 às 19:01
Mais uma luta árdua esta sua, e não de menor dificuldade do que as outras. A Memória.
A Memória que também depende de quem a vê, o que para uns é crime para outros, o mesmo facto é legítima defesa.
A Memória de que nos fala tem que ser incutida desde o primeiro ciclo escolar. A memória, a História, o passado. É uma questão de educação, instrução, valorização de percursos.
Os meus três filhos frequentam os 6º, 8º e 9º anos de escolaridade, e aí, na Escola onde deviam ser cativados e instruídos para a História associada ao que o Fernando foca no seu artigo, verifico que é matéria desvalorizada, primeiro pela forma como os professores leccionam e consequentemente pelos alunos que adormecem em cima dos livros enquanto estudam.
A memória é curta, o passado é sobreposto, os factos manipulados. Depende de que lado se olha para o passado. Infelizmente.
Não me entenda mal, eu concordo consigo, faço a minha parte explicando a importância do conhecimento do passado, mas meu amigo, a mesma verdade pode ter várias caras.
Quanto aos direitos humanos, quantos dos países membros da ONU respeitarão metade dos 30 artigos da declaração? Países esses que carregam às costas parte dessa memória negra da Humanidade, outros vítimas delas.


De Fernando Nobre a 29 de Janeiro de 2009 às 18:35
Cara amiga, há coisas que não podem nem devem ser relativizadas. É por isso que há crimes imprescritíveis . Por outro lado só vale a pena lutar por causas "perdidas" ou aparentemente perdidas!


De paula a 30 de Janeiro de 2009 às 10:11
Tem razão Fernando, desculpe o meu cepticismo e pessimismo. Que cada um faça o que lhe for possível nessa luta aparentemente perdida por um mundo mais Humano.


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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