Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

De regresso em pleno à minha actividade na AMI, estou, actualmente, em missão de avaliação no Senegal, país onde mantemos projectos desde 1996.

 

A presença da AMI neste país está à vista de todos.

Orgulho-me, como qualquer português se pode orgulhar, do nosso trabalho aqui.

Muitas vezes, o que nos dizem ser impossível é apenas difícil. A AMI é uma prova disso mesmo. E hoje, aqui, estou certo disso. 

 

 


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publicado por Fernando Nobre às 13:55
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Meus amigos,

 

Até ter algum tempo livre para vos escrever novamente, aqui têm a última actualização sobre a equipa da AMI no Haiti.

 

O sentimento de gratidão por todas as mensagens de apoio é, da minha parte, imenso.

 

Obrigado por me fazerem sentir que a AMI tem um batalhão de almas empenhadas, todos vós, a suportarem a sua vontade de tornar alguns momentos da vida de algumas pessoas, um pouco menos dolorosos.

 

 

 

 

 

 


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publicado por Fernando Nobre às 18:53
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Sábado, 16 de Janeiro de 2010

Depois de alguns percalços, infelizmente naturais nestas situações, a equipa da AMI que partiu na quinta-feira rumo ao Haiti, integra neste momento o comboio humanitário da Cruz Vermelha Internacional e da União Europeia que partiu da República Dominicana para Port-au-Prince.

 

A equipa médica está de novo no ar, a bordo do C130.

 

A frustração que sentimos quando as viagens não correm como planeado tem que ser gerida de forma a não nos tirar a força de que vamos precisar, quando chegarmos ao local. É difícil ter que ultrapassar tantos obstáculos, quando a única coisa que queremos é chegar e começar a trabalhar. Mas a força que move equipas como as da AMI não esmorece.

 

E esta força também nos é dada por tantas manifestações de apoio e solidariedade que temos vindo a receber.

 

Saibamos nós transformá-las em ajuda concreta, junto de quem, desesperadamente, precisa. 

 

Obrigado!


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publicado por Fernando Nobre às 12:13
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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Caros Amigos,

 

A equipa médica da AMI está prestes a levantar voo, rumo ao Haiti.

2 médicos e 2 enfermeiros irão prestar assistência médica a cerca de 700 pessoas. Sei que a equipa que está a caminho (de uma competência inquestionável e com longa experiência em emergência) vai dar tudo o que puder, para que a vontade de cada português de ajudar, seja concretizada na sua acção no terreno.

 

Compreendo que, neste momento, muita gente tenha vontade de se fazer ao caminho e deitar mãos à obra, ajudando. Mas não podemos - seria, inclusivamente, prejudicial - ir todos. Que vá quem mais falta faz!

 

Também compreendo que, quando não podemos arregaçar as mangas no terreno, queremos arregaçá-las onde podemos, tendo uma série de iniciativas concretas de angariação de bens, porque as imagens que nos apresentam são incomportáveis. Esta vontade de ajudar e esta mobilização cívica é, em tudo, de louvar.

 

No entanto, temos que ser realistas e perceber que, neste momento, mandar bens como roupa ou água, de Portugal para o Haiti, é impossível. A melhor maneira de contribuir, neste momento, repito, é fazendo donativos e aderindo às campanhas das organizações que estão no local a trabalhar e a tentar angariar os bens necessários nos países vizinhos.  A ajuda internacional está a organizar-se e, em breve, começará a ser efectiva. E daqui a algum tempo talvez seja possível enviar outro tipo de ajuda.

 

Uma coisa é certa: as mãos de Portugal, muito em breve, estarão a ser estendidas aos Haitianos. Com humanismo, com eficácia e competência e com um sorriso.

 

Espero que ajude a minimizar o cenário dantesco que por lá está montado.

Cá estaremos para continuar a trabalhar.

 

 


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publicado por Fernando Nobre às 11:18
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Obrigado a todos pelas mensagens que aqui têm deixado.

 

Não é a equipa da AMI que precisa de força. É a população do Haiti, pois o terramoto passou, mas o caos e o pesadelo estão longe de ter o fim à vista.

 

Quem quiser acompanhar mais de perto a missão poderá encontrar mais informações no site e no blog da AMI.

 

Muito obrigado.


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publicado por Fernando Nobre às 12:19
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Caros amigos,

 

Umas breves palavras para vos dizer que a AMI parte amanhã para o Haiti, com uma equipa de dois elementos, que avaliará in loco as necessidades reais e as possibilidades que teremos de ajudar aquele povo.

 

Custa-me, mais uma vez, constatar que a injustiça continua a ser grande e que catástrofes com dimensões idênticas por vezes têm consequência menores (basta que aconteçam em países ditos "avançados"), outras dizimam populações inteiras. Mas apraz-me perceber que cada vez mais os cidadãos do Mundo se unem, estão alerta, têm iniciativa e agem.

 

Apercebo-me que, globalmente, a indiferença vai sendo combatida. Porque pobres ou menos pobres, todos sonhamos, porque todos somos seres humanos.

 

A AMI lá estará, a partir de amanhã. A fazer o que puder, com o que tiver para dar.

 

 

 

 


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publicado por Fernando Nobre às 17:46
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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

 

Apesar de este blog servir para expressar o que sinto e penso como cidadão livre que sou (e não me sentindo, neste espaço, "apenas" o Presidente da AMI), vou usa-lo para convosco partilhar um desejo meu: encontrar-vos no evento referido aqui e celebrar, convosco ao meu lado, os 25 anos da AMI, que é como quem diz, grande parte dos últimos 25 anos da minha vida.

 

São 25 anos de concretização de um sonho, que está ainda longe de estar realizado.

 

Tanto e tão pouco...


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publicado por Fernando Nobre às 13:36
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Um dos erros mais graves que poderíamos todos cometer para o nosso futuro colectivo seria pensarmos que a Democracia, ainda existente na Europa e no nosso país, é perene. Nada é perene!


Tenho o hábito de dizer que a Democracia é uma flor como a papoila: persistente mas frágil! Renasce sempre, mesmo nos terrenos mais rochosos e inóspitos, mas também uma vez colhida e acomodada, murcha e morre rapidamente. Estamos em risco de viver esta última fase. Ainda vamos a tempo de a evitar se soubermos TODOS reagir.


Os alertas repetitivamente lançados nos últimos tempos, em artigos e livros, por pessoas sensatas, moderadas e informadas que conheço e por quem nutro amizade, o maior respeito e a máxima consideração tais como Mário Soares, Adriano Moreira, Almeida Santos, Ramalho Eanes, Loureiro dos Santos, Garcia Leandro, Carvalho da Silva, Miguel Sousa Tavares, Dom Duarte e muitos outro (e eu próprio há muitos anos) devem ser entendidos como verdadeiros gritos de alarme sobre o estado da nossa sociedade.


Estamos todos cientes que as crises que vivemos (financeira, económica, institucional, partidária e de valores) podem fazer ruir, mais rápido do que os incautos e irresponsáveis pensam, o sistema democrático. Não tenhamos medo de o afirmar. Estamos a viver o fim de um regime sem sabermos o que o irá substituir, nem como, nem quando.


O que eu sei, e assim penso e escrevo há alguns anos, é que chegou o momento das grandes opções de fundo e que os problemas globais que enfrentamos exigem uma governação global com ética, autoridade, bom senso e humanidade.


A crise em curso, associada a um desprestígio e descrédito profundos das instituições (sistemas financeiros, governos, partidos políticos, Justiça…), minando profundamente os fundamentos dos estados de direito, pode dar a oportunidade esperada aos movimentos ou partidos neonazis, fascistas, xenófobos e racistas. Eles estão atentos e preparam-se activamente em redes europeias e mundiais. Não menorizemos a questão pois tal alheamento poderá ser fatal às nossas sociedades ainda democráticas.


Os responsáveis por tudo isso têm rosto e nomes: somos todos nós, pela nossa indiferença e cobardia; são os responsáveis financeiros pela sua ganância desenfreada; são os empresários e a sua irresponsabilidade social; são os políticos fracos, demissionários e corruptos; são as religiões e a sua sede de poder, cada vez mais desfasadas em relação ao Divino; é a Justiça a várias velocidades; são os partidos e a sua lógica de poder de curto prazo e de satisfação das suas devoradoras clientelas.


Os efeitos do aprofundamento da pobreza e do desemprego, quanto a mim a procissão só vai no adro, já começaram e fazem temer o pior: discursos políticos xenófobos, mesmo dentro da União Europeia, violam impunemente as suas leis perante uma liderança europeia comprometida, fraca e inoperante, como no Reino Unido e na Itália (os demagogos medrosos já estão à solta…); ataques racistas, cada vez mais violentos e até mortais, crescem como ervas daninhas em vários países europeus; os proteccionismos e os medos, de péssima memória, regressam a galope!


Perante estes factos temos que reagir todos em força e imediatamente. As Democracias podem murchar e morrer, como as papoilas, perante as crises sociais que se vislumbram, aparentemente inevitáveis e que já amedrontam muitos.


Aos novos Desafios Globais (miséria, fome, clima, armas, guerras…) devemos responder com novas Respostas Globais (cidadania global, solidariedade global, valores universais tal como a honestidade, a dignidade e o respeito pela vida, todas as vidas!). Perante velhas e recorrentes Ameaças (fascismo, racismo, xenofobia, ditaduras…) temos que nos erguer e contrapor, sem tibiezas, medos ou cobardias, com as velhas e eficazes Armas de sempre (liberdade, resistência, fraternidade, coragem, luta…) mas de forma mais organizada, estruturada e empenhada: é chegado o momento de o fazermos.


No que me diz respeito continuarei a Alertar Consciências e a Lutar por Valores que defendem a vida, os mais fracos e a Democracia. Nas próximas eleições para o Parlamento Europeu darei, como independente e a título pessoal, o meu apoio àqueles que a meu ver melhor defenderão o que me parece essencial defender, numa Europa em crise e em perigo: os excluídos e a Democracia.


É nesse sentido que, com a AMI, reforçarei a nossa missão “Aventura Solidária” do Senegal ao Brasil, passando pela Guiné-Bissau, e que em Maio deste ano organizaremos um Fórum Internacional em Lisboa sobre o tema “Encontro de Culturas – Ouvir para Integrar”. Essas duas acções vão no sentido de criar pontes de diálogo e de entendimento entre povos e culturas, combatendo a intolerância, o desconhecimento, o subdesenvolvimento, a xenofobia e o racismo, e para melhor se entender as razões profundas das migrações. Aliás, nesse sentido, o meu próximo texto no blog será sobre “Imigração”.


Termino por onde comecei. Democracia e Democratas: ALERTA! A crise económica que apenas começou pode pôr tudo em questão: inclusive a Paz Social e a Democracia na Europa acomodada! ALERTA!
 



publicado por Fernando Nobre às 20:40
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Uma vez que tem havido alguns comentários nos quais se afirma ou se insinua que não presto tanta atenção aos problemas nacionais como ao que se passa para lá das nossas fronteiras, decidi, e porque é de diálogo que se trata (afinal um blog serve, a meu ver, para isso mesmo!), deixar este texto sobre a problemática da pobreza e da exclusão social em Portugal. Espero assim conseguir esclarecer todos aqueles que tiverem interesse, sobre a minha posição e sobre o que faço nesse contexto. Para tal, é absolutamente necessário falar, também, do que a AMI faz nesta área, coisa que farei excepcionalmente neste espaço, uma vez que este blog pretende ser um blog pessoal, que mantenho enquanto cidadão e não enquanto Presidente da AMI. 

 

 

A Pobreza e a Exclusão Social (irmãs siamesas) são os principais obstáculos da existência de um bom clima de Paz no Mundo. Incongruências dos tempos modernos, essas graves violações dos Direitos Humanos impedem que se perspective um futuro harmonioso para o nosso planeta. As causas de tamanho paradoxo, num Mundo que nunca produziu e acumulou tanta riqueza, são a indiferença, a intolerância, a ganância e a falta de Amor geradores de guerras, desgovernação e desemprego.

Como problema global que é, o binómio pobreza-exclusão ao envergonhar, humilhar e marginalizar mais de um terço da população mundial, retirando-lhe qualquer esperança, está no cerne de problemas globais tais como: a fome, a imigração, os sem-abrigo, os mercados do trabalho precário e da prostituição, a mortalidade e exploração infantis, o tráfico de sangue e órgãos, a propagação do SIDA, as crianças soldado, a mortalidade materna perinatal, o analfabetismo, as culturas do ópio e da cocaína, a escravatura florescente, a exploração laboral (real motivação de tantas deslocalizações de empresas gananciosas e sem ética social) e ...a terrível insegurança. Não tenhamos dúvidas: é no pântano da miséria, da exclusão e da humilhação (origem de revolta e ódio) que as organizações terroristas recrutam.

Eis o panorama inquietante que pode matar, mais depressa do que pensamos, as nossas Democracias, Liberdades, Garantias e efémeras certezas! É a temível “Bomba Social”: tão falada mas tão menosprezada. Com o rastilho já aceso ela está visível na fome, na imigração massiva, no êxodo rural, nos bairros da lata que asfixiam inúmeras cidades no Mundo, nas legiões de sem-abrigo e meninos de rua, na criminalidade crescente...e está prestes a explodir na cara de todos nós. Disso não tenho a menor dúvida a menos que actuemos já. Pensemos nos Objectivos do Milénio a realizar até 2015...

Portugal não está imune a essa tragédia anunciada. Não nos iludamos: o problema é grave. Pelo menos vinte por cento da nossa população vive na pobreza e os guetos de exclusão social existem! Ainda podem aumentar...São factos indesmentíveis. Só quem não está atento ao país real é que se deixa ludibriar. A pobreza e a exclusão são a nossa vergonha. Só nos resta combatê-la. Com determinação, sem tibieza, com humanismo e compaixão para com o nosso povo onde se incluem, evidentemente, todas as minorias étnicas e comunidades imigrantes, legais e ilegais, que partilham, no seu dia-a-dia, os nossos problemas, anseios e alegrias. Como País de emigrantes que fomos (e continuamos a ser) é uma questão de dignidade nacional.

Em Portugal é possível reduzir drasticamente a pobreza e a exclusão social. Esse objectivo será conseguido se fizermos do imperativo de acabarmos com esta nossa vergonha uma Causa Nacional. Tal exige vontade, meios, empenho e a união de todos: partidos políticos responsáveis, forças económicas cidadãs, sociedade civil esclarecida e organizada e cidadãos voluntários, activos e solidários. Só mobilizados e motivados, em nome de Portugal, criando mais riqueza nacional e não aceitando olhar para essa vergonha como uma fatalidade, ou qualquer atavismo lusitano, é que venceremos. Se não o fizermos, e já, poderá estar em causa a nossa Democracia e o nosso futuro colectivo enquanto Nação.

 

Os números do Departamento de Acção Social da AMI falam por si:


- No ano de 2007 procuraram apoio social da AMI 7.386 pessoas, mais 862 casos do que em 2006. Esses dados referem-se a oito Centros Porta Amiga da AMI: 4 na Área Metropolitana de Lisboa (Olaias, Chelas, Almada e Cascais); 2 na Área Metropolitana do Porto (Porto e Gaia); um em Coimbra; e um no Funchal.

- Da população apoiada pela AMI, 79% é portuguesa e cerca de metade reside na área geográfica da Grande Lisboa. Na área do Grande Porto (Porto e Vila Nova de Gaia) o apoio aumentou de 2.291 para 2.611 pessoas (o que representa 35% da população total). As restantes encontram-se distribuídas pelos centros sociais do Funchal e de Coimbra. Estes números não contemplam os dois abrigos nocturnos da AMI (Porto e Lisboa) bem como o centro social de Angra do Heroísmo nos Açores, inaugurado em Dezembro.

- Tendo por base os anos de 2003 e de 2007, na Grande Lisboa, o número de atendimentos aumentou de 2.712 para 3.729 pessoas. Nesse período, 13.926 pessoas recorreram pela primeira vez aos apoios sociais da AMI. O número de pessoas que nos procuram pela primeira vez não regista grandes alterações ao longo dos anos, com uma média anual de cerca de 2.800 novos casos. Em termos de frequência, registou-se uma média anual de 6.500 casos de pobreza.

- Factor a realçar é o aumento do número de mulheres que procuram apoio. Se, em 2000 e 2001, esta percentagem não chegava aos 45%, em 2007, 53% da população que procurou a AMI era do sexo feminino. O desemprego, a monoparentalidade e a violência doméstica poderão estar na origem deste fenómeno. Na área da Grande Lisboa, este diferencial é mais significativo em centros sociais como Chelas (62%), Almada (58%) e Cascais (57%). Na área do Grande Porto, no centro social do Porto (53%) e em Vila de Nova de Gaia (59%) os valores também são superiores.
Do(a)s sem-abrigo, 24% são mulheres, tendo aumentado 11 pontos percentuais desde 1999. No centro social das Olaias, verifica-se uma tendência inversa, sendo o fenómeno dos sem-abrigo tipicamente masculino.
Os principais motivos referidos por quem nos procura estão relacionados com a precariedade financeira (87%) e o desemprego (40%). Seguem-se as razões de saúde (13%) e a falta de habitação (12%). Os serviços mais solicitados são o Apoio Social (54%%) na procura de um novo projecto de vida e subsequentemente a satisfação de necessidades básicas: géneros alimentares (67%) e refeitório (36%) e vestiário (55%).

- No âmbito do Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados, a AMI distribuiu, desde 2002, perto de 2600 toneladas de alimentos. Durante o ano de 2007, a AMI distribuiu 488 toneladas de géneros alimentares, valor inferior ao ano anterior (530 toneladas). No entanto, o número de famílias apoiadas aumentou de 2.434 (2006) para 5.524. No mesmo período, o universo de pessoas apoiadas passou de 5.137 para 16.531 pessoas, três vezes mais.

- Também nos abrigos nocturnos houve um aumento do número de pessoas apoiadas. No abrigo da Graça, em Lisboa, deram entrada 44 novos casos. Desde 1997, este equipamento já deu apoio a 474 pessoas, número a que acrescem 68 pessoas apoiadas pelo abrigo do Porto. Assim, desde 1997, os abrigos apoiaram 542 homens sem-abrigo em situação de reinserção sócio-profissional. Este trabalho é complementado pelas equipas de rua de Lisboa e Gaia que, durante 2007, acompanharam um total de 119 sem-abrigo.

 

Aconselho ainda a que seja consultado o Relatório de Actividades da AMI, para uma noção do trabalho da instituição, no seu todo, que abrange a área internacional, nacional, ambiental e de alerta de consciências.

 

PS – Até ao final da semana conto poder publicar um texto sobre o Zimbabué. Mas achei que, dados os comentários que aqui foram deixados, urgia que publicasse sobre este tema primeiro. 
 



publicado por Fernando Nobre às 12:44
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Domingo, 18 de Janeiro de 2009

Desde a Cimeira do Rio em 1992, sobre alterações climáticas e o subsequente Protocolo de Quioto (que os EUA e a China nunca ratificaram) forçoso é constatar que pouco ou nada se fez no que diz respeito às causas responsáveis pelas alterações climáticas do nosso planeta.

O que aconteceu desde então, pese embora a urgência das respostas perante as alterações constatadas (os inquietantes “efeito de estufa” e “aquecimento global”) bem como a elevada previsibilidade das suas tremendas consequências, consubstanciou-se sobretudo, e isto foi muito positivo independentemente dos responsáveis políticos globais, na esclarecida e decisiva tomada de consciência do problema por parte da emergente Cidadania Global. Como consequência dessa metamorfose cívica, ocorreram umas parcas, diminutas e tímidas medidas de contenção por parte de alguns governos e da União Europeia. Mesmo estes não souberam estar à altura das suas responsabilidades ao não reagirem e actuarem com a determinação exigida a curto e médio prazo, remetendo as aplicações concretas dos objectivos medíocres anunciados para prazos dilatados ou até mesmo para as calendas gregas.

E assim, no pântano da indecisão e incompetência, já se passaram 16 anos! Nestes 16 anos poderíamos e deveríamos ter sido muito mais ambiciosos e audaciosos na poupança de matérias-primas através da reciclagem, na substituição dos hidrocarbonetos (do petróleo, do carvão e do gás como fontes energéticas absolutas) e na consequente diminuição das emissões de CO2.

Já então tínhamos as capacidades tecnológicas para o fazer! Faltou, repito, a vontade e a determinação políticas, assim como a sensibilidade humanística por parte do imenso poderio do “complexo petroquímico” que não quis, e continua a não querer até hoje, prescindir de uma parte dos seus fáceis e faraónicos lucros obtidos a partir da exploração das jazidas de matérias fósseis, quase sempre sem as justas contrapartidas de bem-estar para as populações dos países “produtores”.
Pelo contrário, veja-se a miséria oferecida aos nativos, do Médio Oriente à costa ocidental de África, como contrapartida da exploração do ouro negro.

Faltou igualmente, por parte da sociedade civil organizada, e aqui fica o mea culpa, uma sensibilização adequada e sustentada junto das sociedades dos países mais ricos no sentido da contenção do seu consumismo de modo a contribuírem para um desenvolvimento equitativo e sustentado global do nosso planeta.

Em vez de prevenir, preferimos remediar! Eis-nos agora perante a iminência de catástrofes cataclísmicas provocadas pelo aquecimento global, tais como:
• derretimento dos glaciares polares, da Gronelândia e dos picos glaciares onde tínhamos as maiores reservas de água doce do planeta (em breve, por exemplo, já não haverá neve no cume do Kilimanjaro...);
• catástrofes naturais, tais como secas, inundações, tufões e ciclones (um acréscimo de 30% em 2007 comparativamente a 2006, por exemplo!);
• aumento da fome devido às repercussões que as alterações climáticas terão nas colheitas;
• fluxos de refugiados climáticos e guerras pelo controlo dos recursos hídricos;
• subida do nível da água dos mares e oceanos com o desaparecimento já previsto e anunciado de ilhas (no Pacífico e no Índico) e de significativas regiões das orlas costeiras em todos os continentes, incluindo na Europa (ex: região da Camarga, em França) onde já se começa a pensar, como medida preventiva, na construção de diques como os existentes na Holanda;
• ressurgimento de doenças tropicais, tais como a malária, o dengue e a febre amarela, nomeadamente no Sul da Europa (e por isso, em Portugal também) devido à expansão das áreas propícias a insectos vectores (mosquitos...);

Tais consequências são já consideradas irreversíveis, faça-se o que se fizer hoje, para os próximos 25 a 30 anos! Já amanhã! Tal é assumido no relatório anual do International Institute for Strategic Studies que refere que essas alterações poderão provocar conflitos internacionais “equivalentes a uma guerra nuclear” e também pelos delegados do Grupo Intergovernamental de Peritos sobre a Evolução do Clima.

Será preciso mais para acordarmos todos? Ou será que já escolhemos um futuro autofágico e suicida? De que estamos à espera? De mais discursos e mais cimeiras como a que decorreu em Bali, na Indonésia, que juntou cerca de 13 mil pessoas e 190 países, com muita retórica e modestos e decepcionantes objectivos práticos?

Em nome da humanidade, de todos nós, dos nossos filhos e netos É PRECISO ACTUARMOS JÁ, mesmo tendo em conta a irreversibilidade próxima de algumas funestas consequências, resultado da nossa total cegueira das últimas duas a três décadas. O nosso Planeta já não aguenta e não tolera mais os nossos desmandos globais. Não temos sabido escutar e interpretar os muitos sinais anunciadores de mudanças e, por isso mesmo, não soubemos ainda adaptar-nos correctamente aos novos tempos e às suas prementes exigências; temos sido péssimos gestores do nosso bem-estar futuro. Mais levianos e incompetentes é difícil. Somos todos responsáveis da não assistência ao nosso planeta em perigo! É, pois, já uma questão de vida ou de morte! Mais vale um acordar violento do que os cantos de sereia com que alguns irresponsáveis e incompetentes gananciosos globais nos querem adormecer levando-nos ao suicídio colectivo.

A AMI, como gotinha de água que é, está a actuar e prepara-se para o que aí vem. Está a actuar em Portugal e no Mundo, desenvolvendo vários projectos na área ambiental.

Estamos também a preparar-nos para o que pensamos ser, desde já, inevitável: tragédias climáticas e fluxos migratórios massivos. Como? Alargando a nossa rede de contactos globais, criando uma rede social de apoio forte e alargada em Portugal e reforçando as nossas capacidades humanas, logísticas e financeiras para que nos permitam actuar sempre que necessário e possível...
Ao tentarmos antecipar-nos às crises, prevendo-as “tanto quanto humanamente é possível fazê-lo”, e ao tentarmos adaptar-nos às mudanças já inevitáveis, pretendemos, só e apenas, dar o nosso contributo positivo. É a nossa gota de água na construção da Paz e da Harmonia globais. É apenas uma gotinha, mas dela não prescindimos, em nosso nome e em nome dos nossos filhos e netos!


Com todos vós, estou certo, vamos conseguir! Obrigado e um 2009 determinado e tenaz pela construção de um mundo mais justo e harmonioso.

 

 



publicado por Fernando Nobre às 12:32
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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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- "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária", Temas e Debates/Círculo de Leitores

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