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  <title>Contra a Indiferença</title>
  <subtitle>A visão de um cidadão activo e inconformado com certos aspectos e da sociedade.</subtitle>
  <author>
    <name>Fernando Nobre</name>
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  <updated>2013-05-07T09:16:08Z</updated>
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    <issued>2013-05-07T10:11:59</issued>
    <title>VISÃO SOLIDÁRIA</title>
    <published>2013-05-07T09:16:08Z</published>
    <updated>2013-05-07T09:16:08Z</updated>
    <category term="cidadania"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;A partir deste mês, mensalmente, será publicado um artigo de opinião na Visão Solidária, da minha autoria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O primeiro, está disponível &lt;a href="http://visao.sapo.pt/a-esperanca-para-acreditar-na-mudanca-que-se-impoe=f725707"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2013-04-22T11:04:16</issued>
    <title>Património da Humanidade a Água: essencial à vida, ameaça à Paz</title>
    <published>2013-04-22T10:05:07Z</published>
    <updated>2013-04-22T10:05:07Z</updated>
    <category term="ami"/>
    <category term="ambiente"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;É um lugar-comum dizer-se que a “Água é vida” mas não deixa de ser cientificamente exato quando se sabe que o ser humano é cerca de 70% água e que ela é essencial na constituição de todo o organismos vivo, animal ou vegetal, que integra a nossa biosfera.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro lado é essencial entendermos todos que o conjunto do mundo hídrico - a hidrosfera - rios, oceanos, glaciares, lençóis freáticos, humidade, em conjunto com a atmosfera e a biosfera constituem um bem comum, partilhado e partilhável por todos nós, um verdadeiro Condomínio da Terra. Ora a preservação, para o futuro da nossa espécie e a sustentabilidade da sobrevivência da civilização humana no planeta Terra a médio prazo (100 a 300 anos), é vital.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há pois que procurar ter bom senso na sua preservação e ser equitativo na gestão e distribuição desse bem coletivo, precioso e insubstituível que é a Água. Para já não é o caso e as disparidades são brutais. Senão vejamos: em média, um norte-americano gasta por dia (para beber, cozinhar, higiene pessoal, lavagem de roupa e loiça, jardinagem, lavagem do carro, agricultura industrial, agropecuária…) cerca de 400 litros de água, um europeu 200 a 300 litros, um cidadão de um país menos avançado 30 a 50 litros e uma pessoa num campo de refugiados, cerca de 15 a 25 litros, já para não falar de certos seres humanos em situações de extrema privação que se contentam com 2 a 5 litros, ou até menos…Claro, não?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro lado, evidentemente, a água consumida não tem toda a mesma qualidade o que, quando contaminada, como acontece frequentemente, provoca inúmeras doenças nos países onde a AMI atua com frequência. E de várias formas: por ingestão (cólera, febre tifoide ou paratifoide, disenteria, diarreias infeciosas….) ou por contacto, já que é o habitat de vetores (mosquitos, moscas…) que provocam outras patologias tais como a malária, dengue, oncocercose (cegueira dos rios), febre amarela, doença do sono, etc..&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É pois fundamental que, no conceito de pegada ecológica (hoje em dia entendida sobretudo como “energética”), se integre a importantíssima pegada hídrica e que se pugne pela sua sustentabilidade. Também é imprescindível que a água potável seja exclusivamente reservada à alimentação, usando-se para o resto do consumo hídrico água reciclada, valorizando na construção de habitações, a captação das águas pluviais canalizadas para cisternas e represas de água…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A não resolução atempada, isto é imediata, deste premente desafio provocará grandes guerras no século XXI. Aliás, já provocou: a chacina de Darfur também tem obviamente a ver com a questão do controlo da escassa água de superfície para satisfação geral da pastorícia e da agricultura…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O controlo das nascentes dos rios e suas bacias hidrográficas, dos lençóis freáticos e rios subterrâneos rapidamente se tornará na questão central de conflitos violentos. Em caso de penúria grave deste bem tão precioso, a Água, esses conflitos nem sempre, ou raramente, serão dirimidos pelo Direito Internacional. Será o direito da força a ditar as regras da sobrevivência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Basta pensarmos que no Sahel as mulheres andam em média 10 a 15 Km para se abastecerem de água num poço, enquanto nós, em nossas casas, felizmente basta-nos abrir, uma torneira para tomarmos consciência do luxo incrível que está reservado à minoria de que fazemos parte.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E é por isso que a AMI, na sua ação, e em termos práticos, dá enorme importância a esta temática específica, seja financiando a construção de poços de água herméticos (para evitar a contaminação das águas) na Índia, Guiné, Senegal, Bangladesh, seja nas suas intervenções de emergência, pondo sempre a tónica na purificação da água, como aconteceu nas Honduras, ou vendo-se  impelida a atuar no combate à epidemia da cólera como o fez na Guiné-Bissau o ano passado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Uma gota de água para vós, um oceano para nós” como ainda há uns anos me disse um chefe de aldeia no Senegal quando inauguramos um poço construído com o financiamento da AMI. Nessa medida continuaremos a atuar, sempre, em nome da equidade, do desenvolvimento e da Paz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-12-24T11:58:46</issued>
    <title>O Fim de um Ciclo - Um apelo veemente a favor do Humanismo e da Cidadania activa, responsável, global e solidária</title>
    <published>2012-12-24T11:59:46Z</published>
    <updated>2012-12-24T11:59:46Z</updated>
    <category term="cidadania"/>
    <category term="portugal"/>
    <category term="crise financeira"/>
    <content type="html">&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estamos à beira do precipício. Se nada for feito já, imediatamente, daqui a cinco, dez anos no máximo, estaremos no caos social e de regresso às guerras e às ditaduras na Europa. Não se trata de pessimismo, é antes um sentimento profundo alicerçado na minha observação do Mundo das últimas décadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As causas são, infelizmente, sobejamente conhecidas e até históricas: irresponsabilidade, insensibilidade humana e social, ausência ou esquecimento e abandono dos valores essenciais e norteadores, corrupção e ganância doentias e desenfreadas, políticas e políticos sem estratégias nem rumos, a não ser a subjugação aos mercenários económicos e financeiros que não olham para o outro como um irmão e um ser humano. Enfim, sempre o mesmo cavalgar frenético e descontrolado do egoísmo, indiferença, intolerância e ganância.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que, já por vezes cansado, vou repetindo há décadas em conferências, artigos e livros, é uma gritante evidência. E relembro apenas três dos muitos apelos que fui fazendo:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;"Apelo ao surgimento e fortalecimento de um Novo Paradigma de Sociedade Global Solidária e Tolerante só possível com um novo ímpeto espiritual. Dar-se-ia um claro sinal motivador à Humanidade desalentada, desmotivada, inquieta, angustiada, humilhada e revoltada com tantos e tamanhos desmandos!"&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;"É chegado o tempo das grandes opções de fundo, das decisões e acções estruturais corajosas, que permitam reequilibrar as forças das três componentes essenciais da Sociedade Humana (Estado/Mercado/Sociedade Civil) a fim de que o Ser Humano e a sobrevivência do NOSSO Planeta sejam sempre o Alpha e o Omega de todas as preocupações como Patrimónios Essenciais da Humanidade que verdadeiramente são."&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;"O Futuro da Humanidade pertence-nos. Cabe-nos a nós, Cidadãos e Cidadãs, se determinados e porventura motivados, imprimir um decisivo salto qualitativo no nosso destino colectivo, fazendo que as nossas utopias de hoje sejam as realidades de amanhã. Acredito decisivamente, eu, o por vezes céptico e pessimista de cicatrizes físicas e psíquicas adquiridas ao longo de toda a minha caminhada humanitária global esperançosa mas também sofrida, que o Optimismo da Vontade se há-de sobrepor sempre ao Pessimismo, quantas vezes compreensível, da Razão. Os desafios que a nossa Humanidade já enfrenta devem imediatamente implicar Mudanças radicais de percepções e comportamentos."&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como evitar as ora inevitáveis explosões sociais de povos levados à miséria, à exaustão e à indignação por décadas de governações incapazes, injustas e nalguns casos até verdadeiramente irresponsáveis e corruptas levadas a cabo por verdadeiros delinquentes políticos?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O fosso entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres de entre os Estados e de entre as pessoas nunca foi tão abismal! Com a agravante da franja dos mais pobres estar a crescer. A responsabilização dos causadores desse desmando global continua a não importar que seja feita!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os vendedores da banha da cobra, os ilusionistas e os demagogos pululam!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em nome dos sem voz e dos sem rosto, dos miseráveis com quem me cruzo no Mundo, e no meu País também, sinto-me obrigado a gritar: Basta! Falem verdade! Cumpram as promessas! Expliquem os verdadeiros porquês deste lamaçal olhando-os bem nos olhos, em linguagem entendível e falem às mentes e aos corações com extrema sensibilidade e justiça social. Só assim encontraremos caminhos de esperança e uma réstia de optimismo. Sem essa inteligência e humanismo, saltaremos todos para o abismo, para a total insegurança, feita de anarquias e guerras. A Humanidade não precisa disso, não merece isso! Será que só perceberemos irremediavelmente tarde?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ponhamos fim à geopolítica do caos, da fome, das guerras, da irresponsabilidade! Reforcemos o novo paradigma da cidadania global solidária e responsável que lute e alcance maior equidade e justiça social. Mudemos as mentalidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por favor, não há mais tempo a perder! Esgotou mesmo! Urge reagir! Todos e cada um de nós.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-02-27T12:29:45</issued>
    <title>Entrevista ao Jornal I</title>
    <published>2012-02-27T12:31:47Z</published>
    <updated>2012-02-27T12:31:47Z</updated>
    <category term="liberdade de espírito"/>
    <category term="cidadania"/>
    <category term="política"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Pode ser lida &lt;a href="http://www.ionline.pt/portugal/fernando-nobre-houve-lobis-diversos-eu-nunca-pudesse-ser-presidente-parlamento"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-02-09T14:09:55</issued>
    <title>Formação Cívica dos jovens</title>
    <published>2012-02-09T14:11:02Z</published>
    <updated>2012-02-09T14:11:02Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Deixo aqui expressa a minha séria preocupação pelo facto de estar a ser considerada a eliminação da disciplina de Formação Cívica, principalmente, depois de ter já sido eliminada a disciplina de Área Projecto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Compreendendo a necessidade de uma maior concentração de esforços e recursos no ensino/aprendizagem das disciplinas essenciais, não posso contudo concordar que seja abolido todo e qualquer espaço até agora existente para o desenvolvimento de projectos que permitam aos alunos sair da escola e envolverem-se na sua comunidade, empenhando-se e trabalhando para o bem comum, durante os quais a transmissão de valores como a solidariedade, o civismo, a cidadania e os Direitos Humanos é praticada. Esses são também, quanto a mim, valores essenciais, aos quais a escola deve dar igual valor e atenção e do ensinamento dos quais não se deve eximir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De que servirá à sociedade um matemático brilhante, um médico ilustre, um empresário de sucesso, um investigador pioneiro, se não souber pôr o seu trabalho ao serviço dos outros?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Num momento em que os jovens tendem, cada vez mais, a fechar-se em si, a dedicar o seu tempo às novas tecnologias e a passar cada vez menos tempo em contexto familiar, é premente que se mantenham em vigor programas educativos, nas escolas, que os façam mergulhar na sua comunidade, envolverem-se nela e crescerem sabendo respeitar, sabendo ajudar e cooperar, sabendo agir e adquirindo a sensibilidade necessária que lhes vais permitir serem profissionais conscientes, éticos e preocupados com o outro. No fundo, é premente que sejam exploradas e desenvolvidas capacidades que permitam ao alunos dar-se à sociedade, ao invés de apenas receberem conhecimentos que, indubitavelmente, são essenciais e estruturantes, não sendo, no entanto, suficientes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acredito, veementemente, que cada vez mais a vertente humana, cívica e solidária da formação de um jovem deve ser trabalhada desde cedo, sob pena de, se não o for, estar em risco o exercício de uma vida profissional ética e consciente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Preocupam-me notícias como &lt;a href="http://www.publico.pt/Sociedade/os-jovens-sao-por-condicao-solidarios-em-portugal-pelos-vistos-ja-nao-e-assim-1532349"&gt;esta&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-01-27T19:53:31</issued>
    <title>Entrevista ao canal Económico TV</title>
    <published>2012-01-27T19:58:34Z</published>
    <updated>2012-01-27T19:58:34Z</updated>
    <category term="ami"/>
    <category term="cidadania"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Programa Grandes Negócios, com Marta Rangel. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3ajcluMsnrE"&gt;1ª parte&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=mOX1eTMnyNU&amp;amp;feature=relmfu"&gt;2ª parte&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-01-18T13:16:36</issued>
    <title>Entrevista - SIC Notícias</title>
    <published>2012-01-18T13:18:45Z</published>
    <updated>2012-01-18T13:18:45Z</updated>
    <category term="cidadania"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;A entrevista que dei, dia 6 de Janeiro, a Mário Crespo, pode ser vista &lt;a href="http://sicnoticias.sapo.pt/programas/jornaldas9/article1198759.ece"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-01-12T13:55:24</issued>
    <title>Do Senegal</title>
    <published>2012-01-12T14:35:28Z</published>
    <updated>2012-01-12T14:35:28Z</updated>
    <category term="ami"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;De regresso em pleno à minha actividade na AMI, estou, actualmente, em missão de avaliação no Senegal, país onde mantemos &lt;a href="http://www.ami.org.pt/default.asp?id=p1p7p28p133p219&amp;amp;l=1" target="_blank"&gt;projectos&lt;/a&gt; desde 1996.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A presença da AMI neste país está à vista de todos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Orgulho-me, como qualquer português se pode orgulhar, do nosso trabalho aqui.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muitas vezes, o que nos dizem ser impossível é apenas difícil. A AMI é uma prova disso mesmo. E hoje, aqui, estou certo disso. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-01-02T13:41:15</issued>
    <title>Ser ou Ter</title>
    <published>2012-01-02T13:51:03Z</published>
    <updated>2012-01-02T13:51:03Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Mais do que nunca, gostaria que repensassem neste desafio, por mim proposto há alguns anos também neste blog: ser ou ter?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Desafio gratuito? Debate e opção fúteis e inúteis? Escolha impossível? Penso que não. Será um desafio gratificante, julgo eu, se a opção “ser”, a acertada para mim, for a escolhida; não é seguramente a mais fácil mas será aquela que, nos momentos derradeiros, mais nos realizará e nos reconfortará!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Acredito plenamente que o “ser” tem que se sobrepor ao “ter”. Sei que não é o sentimento dominante neste início de século preocupado por uma globalização essencialmente financeira e especulativa, pelo vírus da ganância que galopa na mente de certos “yuppis” e de certas “empresas”, por uma tecnologia que parece tudo explicar e dominar e por uma visão maniqueísta das relações humanas que pretende conduzir-nos para perigosos desvios militaristas assim como para um choque de civilizações e religiões obsoleto porque retrógrado, sem cabimento e esperança e causador de tanto sofrimento e morte. O terrorismo e o combate que lhe está a ser travado são epifenómenos que decorrem das contradições e efeitos negativos quando o “ter”, irreflectidamente, tem a pretensão e ousadia de se sobrepor ao “ser”. A actual guerra contra o terrorismo está enferma de inutilidade e morte porque manifestamente desadequada e incompleta: só feita de tiros, torturas, prisões arbitrárias e cárceres fora das normas jurídicas, humilhações e mortes não nos levará  a parte nenhuma a não ser a mais terror: será uma espiral infernal para todos, mesmo para aqueles, os do “ter”, que pensam ter-se posto ao abrigo nos condomínios fechados ou outras torres de marfim...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Meus amigos, há poucos anos ouvi no Centro de Convenções de Washington o então presidente da Organização Cooperação e Desenvolvimento da Europa, Sr. Jean Roger Bovin fazer uma análise da situação mundial que me reconfortou ainda mais na minha opção de pretender apenas “ser” e de lutar nesse sentido. Disse então o Sr. Bovin que “a pobreza impede o desenvolvimento social e o progresso”, “que o crescimento económico não conduz obrigatoriamente ao desenvolvimento social”, e que “ o desenvolvimento social não é alcançado sem um investimento sério na saúde e na educação”. Afirmou também que “a democracia e a miséria não podem coexistir” e que por isso “é fundamental investir no desenvolvimento social para se almejar ter democracia”. E alertou para o facto da ”Nova Ordem Mundial” sonhada pelo presidente George Bush (pai!) ter falido e se assistir a um aumento acelerado das disparidades! E mais, alertou também que previa para 2020 (amanhã!) que a África iria pôr no mercado de trabalho duas vezes mais jovens do que a Europa, EUA, Japão e Rússia, juntos!, o que provocaria uma corrente migratória Sul – Norte nunca vista... Sábias observações e temíveis previsões... Pois é, eis o resultado que a aposta no “ter” estéril produziu no nosso planeta: um crescimento económico sem desenvolvimento social integrado e global.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;O “ter” é ilusão, é pura aparência, é efemeridade, é indiferença, é intolerância, é enfermidade, é solidão. O “ter” não tem esperança porque se esgota nele próprio, alimenta-se dele próprio exigindo sempre mais “ter”! Que saída para essa quadratura do círculo, para esse não senso que alguns tentam erguer em novo paradigma querendo fazer-nos crer que é a única via para a resolução dos problemas da humanidade? Só há uma: inversão de marcha em direcção ao “ser”. Não é fácil, espera-nos muita frustração (tanto maior quanto menos “ser” houver...) e alguma satisfação sobretudo aquela de sabermos que, no mais íntimo do nosso ser, estamos no caminho certo, na única via para a criação da Paz e da Harmonia entre os seres humanos.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;“Ser” é humanidade, consciência social, livre arbítrio, liberdade, igualdade, fraternidade, solidariedade, cultura, preocupação ambiental, ecumenismo, tolerância, aceitação e preocupação do outro... Este é o meu pensamento, a minha opção, o meu testamento. Não de um rato de sacristia!, mas de um cirurgião que muitas vezes teve vidas entre as mãos, de um operacional que percorreu o Mundo e de um homem que sabe perfeitamente como é a morte e que gostaria de a enfrentar olhos nos olhos com o mínimo de angústia e medo. Só e apenas isso. Tentar “ser”.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;E se tentássemos todos?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-12-16T13:11:35</issued>
    <title>Outono da Vida</title>
    <published>2011-12-16T13:44:54Z</published>
    <updated>2011-12-16T13:44:54Z</updated>
    <category term="perfil"/>
    <category term="liberdade de espírito"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Faço questão de republicar o texto que escrevi quando completei 56 anos (e que aqui publiquei depois, em Dezembro de 2008). Hoje celebro os meus 60 anos e continuo a sentir-me a viver este Outono da Vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Amor, Compaixão e Liberdade: vale a pena viver e lutar!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Não sei quanto tempo me resta de vida. Nenhum de nós sabe ao certo e é bom que assim seja. Quando temos 20 anos, pensamos ter a eternidade terrena e ainda bem! Temos então forças e sonhos, ou pensamos ter!, para mudar o Mundo, torná-lo muito melhor, se possível no paraíso reencontrado.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Não há então montanha inacessível, obstáculo inultrapassável, desafio impossível. Já tive 20 anos. Era de aço, dizia o meu Pai, e tinha muitos sonhos. Foi lindo. Pensava que nascíamos todos puros, ingénuos e bons. Magnífica primavera com miragens idílicas: teria o meu hospital no mato tal Albert Schweitzer!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Hoje, ao completar 56 anos, já não sou de aço, já não consigo ficar três dias sem dormir, sempre a trabalhar a olhar pelos meus doentes, como fazia nos hospitais de Bruxelas… Estou no Outono da minha vida e o Inverno vem a galope… Já não há eternidade terrena, já sonho menos, já só há efemeridade e bastante inquietude pelo estado do Mundo. Numa altura em que às vezes os filhos se afastam, estão no seu direito, em que a morte nos ceifa ou ameaça ceifar, amigos, familiares próximos… as interrogações nos tiram o sono… A nossa pequenez interpela-nos: ainda bem.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Vai-se alguma ingenuidade, fortalecem-se algumas certezas.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Assentadas as poeiras estéreis das vaidades, das importâncias e das ambições, só já a valsa das galáxias e o amor dos nossos entes mais queridos nos encantam. Já sabemos que não vamos endireitar o Mundo (de que enorme arrogância padecíamos!), mas sabemos algumas coisas. Sim, sei com a máxima certeza absoluta que vale a pena ainda continuar a viver e a lutar pelo Amor, pela Compaixão e pela Liberdade. Com Paixão. É indeclinável. Sem apelo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Aos 56 anos, já tudo o resto é fútil, ilusão. Foi-se o aço mas ficou a certeza: não me acomodar com a insensibilidade, com a indiferença, com a falta de amor, de compaixão e de liberdade com que alguns nos querem prender… Envenenando-nos, envenenando-me.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Numa altura em que folhas secas já começaram a cair da minha árvore, levadas por um vento cada vez mais fresco, há meia dúzia de flores que se agarram ao meu tronco com a tenacidade da perenidade.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;São as flores que me acompanharão até ao fim e que vos gostaria de oferecer neste final de ano com o desejo sincero que elas se incorporem no vosso tronco e nunca vos abandonem, estejam vocês onde estiverem e seja qual for a estação que estejam a viver.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Amor, compaixão, liberdade, sensibilidade, harmonia, tolerância. Vivam com elas, lutem por elas. Vale a pena. Eu vou fazê-lo. A AMI vai continuar a expandi-las. É em nome dessas flores que chamo filhos a todas as crianças do Mundo e amigos a todos os seres humanos. Já não consigo viver de outro modo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;É essa hoje a minha luta. É ela que me mantém ainda vivo. Afinal ainda tenho sonhos…&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:fernandonobre:25229</id>
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    <issued>2011-11-25T12:45:45</issued>
    <title>O Futuro de Portugal</title>
    <published>2011-11-25T13:06:40Z</published>
    <updated>2011-11-25T13:06:40Z</updated>
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    <category term="crise financeira"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;O texto que se segue foi proferido numa conferência, no dia 27 de Junho de 2010, por ocasião de uma iniciativa da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, denominada "Concelho de Estado" e que dedicou esta primeira edição ao Doutor Mário Soares, sua vida e obra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fui convidado para participar, dando a minha opinião sobre o futuro de Portugal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aqui fica, tal e qual foi escrito e dito no que ao futuro do nosso país diz respeito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como tudo poderia ser tão diferente se estes gritos tivessem sido ouvidos e entendidos e as soluções aqui preconizadas tivessem sido adoptadas e concretizadas...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Doutor Mário Soares,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Excelências,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Minhas Senhoras e Meus Senhores,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Meus Amigos,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Ao falar do futuro de Portugal não posso, nem por um instante, não ter permanentemente em mente todos os portugueses, nos quais incluo todos os falantes da língua portuguesa, seus ascendentes e descendentes.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Portugal é uma Nação com quase nove séculos de história e é uma das poucas nações que marcou indelevelmente a história da Humanidade. Portugal é da dimensão do mundo!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;O futuro de Portugal não é pois despiciendo! Importa assim, que o acautelemos desde já!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;É bem verdade que atravessamos momentos muito difíceis mas também não é menos verdade que no nosso percurso histórico já atravessámos momentos semelhantes, ou até bem piores. E a verdade é que o povo português sempre encontrou força anímica, líderes, arte e engenho para encontrar soluções inteligentes, criativas, humanistas e positivas que permitiram a nossa caminhada colectiva enquanto nação até aos nossos dias.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Embora esse dado histórico alentador deva obstar ao derrotismo, ao pessimismo e ao fatalismo do momento, o que é facto é que Portugal se encontra hoje numa encruzilhada muito delicada que exige decisões e acções coerentes, urgentes e de médio a longo prazo que precisam de ter como base de sustentação o mais largo consenso nacional possível.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;  &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Se é verdade que a situação hoje é muito mais complexa porque enquadrada num contexto financeiro, económico, político e social mundial e europeu extremamente instável, e sobre o qual não temos talvez qualquer ou nenhum meio de intervenção, como factor extrínseco que está fora do nosso alcance, também é verdade que temos factores intrínsecos particularmente gravosos e sobre os quais podemos actuar a menos que aceitemos, de ânimo leve, perder a soberania que ainda nos resta.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Para mim é aqui que está o cerne da questão. Ou abdicamos e aceitamos ser a curto prazo uma espécie de protectorado da liderança europeia (entenda-se: Alemanha) ou reagimos já, combinando um plano de emergência nacional, de curtíssimo prazo, e um plano estratégico nacional de médio-longo prazo. Esses planos exigem consenso e o empenho da mais vasta plataforma nacional possível: partidos políticos, sindicatos, associações patronais, mundo associativo, mundo académico e cidadãos. Temos e devemos, quanto antes, alcançar, repito, um consenso nacional perante a eminência de uma gravíssima crise nacional. E, mais importante, ninguém pode ou poderá eximir-se dessa tarefa. Portugal precisa de trabalho e acção. Só com pura retórica não vamos lá!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Nós sabemos quais são os nossos problemas: dívida externa e juros da dívida incomportáveis, défice insustentável, desemprego desmoralizador, justiça pouco célere e não equitativa, administração pública pesada e não isenta, que já consome 14% do PIB e 30% das despesas públicas, sistema fiscal pouco incentivador, educação medíocre e que não premeia a excelência, falta de pontualidade, desrespeito por prazos e compromissos, falta de competitividade, salários baixos, dependência energética e alimentar francamente estrangulador, destruição do nosso tecido produtivo (agricultura, pescas…)… e despesismo excessivo do Estado e das famílias que há pelo menos duas décadas vivem largamente acima das suas possibilidades, recorrendo aos créditos fáceis e não se preocupando nada em constituir poupanças…&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Chegou pois o momento de dizer BASTA com verdade e frontalidade. Permitam-me a metáfora: estamos com uma hérnia estrangulada e temos que a operar antes que surja a peritonite e a morte.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Como?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;A – UM PLANO DE EMERGÊNCIA QUE IMPLIQUE:&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;1 - O corte nas despesas públicas a começar pelo encerramento imediato de centenas ou milhares de institutos e fundações públicas inúteis, salvo para os seus gestores, que só aprofundam o défice das nossas contas públicas.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;2 - O terminar com certas parcerias público-privadas que têm penalizado gravemente o orçamento do Estado.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;3 - A adopção de medidas moralizadoras nos salários, mordomias e reformas dos servidores de topo do Estado inclusive das empresas públicas.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;4 - A racionalização dos meios utilizados em todos os serviços da Administração Pública, evitando desperdícios e duplicação de funções, sejam eles civis ou militares.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;5 - A discriminação positiva do IVA e do IRS a fim de que os esforços dos cidadãos sejam equitativamente e proporcionalmente repartidos evitando penalizar a fracção mais pobre ou remediada da nossa população.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;6 - O congelamento de todos os megaprojectos apostando os investimentos públicos no apoio às PME para a redinamização do nosso tecido produtivo (agricultura, pescas, energias limpas) e a reabilitação dos nossos centros históricos, monumentos e museus essenciais para a nossa atracção turística (Ásia/China).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;B – UM PLANO ESTRATÉGICO DE MÉDIO A LONGO PRAZO (=DESÍGNIOS)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Deverão ser constituídos já grupos de trabalho com peritos das diferentes áreas estratégicas entendidas como “Desígnios ou Causas Nacionais” que permitam garantir a sustentabilidade da nossa Paz Social, do nosso Desenvolvimento e da nossa Democracia.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Esses peritos deverão ser reconhecidos e respeitados pela sua integridade e competência e ser nomeados pelos partidos políticos, sindicatos, associações patronais, associações cívicas, academias e universidades. Esses grupos de trabalho deveriam ter metas temporais para apresentarem as suas propostas de modo a atingir os objectivos pretendidos.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;As áreas em análise deveriam ser quanto a mim:&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;A&lt;strong&gt; Segurança Social:&lt;/strong&gt; deveria ter em conta a protecção dos mais desfavorecidos e criação das condições para uma distribuição equitativa da riqueza nacional entre os cidadãos e entre as regiões do País&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt; O&lt;strong&gt; Sistema Fiscal:&lt;/strong&gt; justo, equitativo e incentivador.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;A&lt;strong&gt; Educação:&lt;/strong&gt; qualidade, rigor e excelência que prepare os portugueses para a cidadania e competência profissional.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;A&lt;strong&gt; Saúde:&lt;/strong&gt; qualidade tendo em atenção, sobretudo, os mais carenciados e uma classe média depauperada.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;A&lt;strong&gt; Justiça:&lt;/strong&gt; independente, imparcial e liberta de sujeições políticas.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;A&lt;strong&gt; Economia:&lt;/strong&gt; pautada pela iniciativa privada assente numa economia social de mercado atenta às necessidades das populações e aos direitos e deveres dos trabalhadores e na qual o Estado teria uma efectiva e célere função reguladora e fiscalizadora não se demitindo de participar e, se necessário, controlar pilares da economia essenciais para a soberania do Estado.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;A&lt;strong&gt; Administração Pública:&lt;/strong&gt; isenta e apartidária, ao serviço do povo e subordinada à competência e ao mérito nas nomeações.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;O&lt;strong&gt; Sistema de Segurança Interna:&lt;/strong&gt;que equacione ajustadamente as necessidades de protecção do Estado e das vítimas, observando os direitos, garantias e liberdades dos cidadãos.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;A&lt;strong&gt; Alimentação, Energia e Ambiente:&lt;/strong&gt; procura tanto quanto possível, da auto-suficiência alimentar e energética e sustentar sem falhas a preservação do nosso ambiente.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;A nossa&lt;strong&gt; Zona marítima exclusiva:&lt;/strong&gt; valorização e exploração integral da nossa área exclusiva (águas e subsolo).&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;O&lt;strong&gt; Espaço da língua e influência portuguesa:&lt;/strong&gt; potenciar o nosso espaço a nível mundial com a afirmação da representação externa de Portugal e a exportação dos nossos produtos, serviços e cultura tendo em conta o formidável trunfo que constituem o universo dos falantes da língua e cultura portuguesa no Mundo e onde as nossas comunidades antigas e recentes são do maior relevo.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;A &lt;strong&gt;Nossa Juventude&lt;/strong&gt; ter uma atenção muito especial pois sem ela não há nem haverá futuro para Portugal.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;em&gt;A&lt;strong&gt; Preservação Ambiental&lt;/strong&gt;: essencial para o futuro sustentável do nosso País.&lt;/em&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Excelências,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Minhas Senhoras e Meus Senhores,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Meus Amigos,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Acredito sinceramente num futuro próspero e sustentável para Portugal desde que saibamos criar sinergias e consensos entre nós e aceitemos TODOS sacrifícios proporcionais aos nossos meios num diálogo construtivo em prol da salvaguarda da soberania do nosso Estado. Já não há volta a dar. Chegou a hora de encarar a realidade. Possamos estar todos nós à altura das nossas responsabilidades enquanto cidadãos a fim de darmos a resposta que a situação da Nação clama e exige.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;É tempo de marcharmos todos contra os novos canhões que nos atingem: o fatalismo, o chico-espertismo, a partidarite aguda, paralisante e sufocante, a corrupção, a irresponsabilidade, a incompetência, o laxismo. É tempo de aprender a premiar o esforço, o trabalho, o talento, o mérito, a competência, o espírito de sacrifício e valorizar o conhecimento, acabando com as nossas crónicas e destrutivas maledicência e inveja.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Portugal e os Portugueses merecem e querem ter um futuro condigno para que os Capitães de Abril e uma das insignes figuras do País, o Doutor Mário Soares, brilhem sempre na História de Portugal!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;É este o meu desejo mais sincero.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;É esta a minha visão para o futuro de Portugal. Exemplaridade e Esperança!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Muito obrigado!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-10-28T19:56:00</issued>
    <title>Oportunidades históricas perdidas e catástrofes humanas recentes</title>
    <published>2011-10-28T19:01:54Z</published>
    <updated>2011-10-28T19:01:54Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Chegado aos meus 60 anos, interventor e observador global há mais de três décadas, é com tristeza que constato que chegámos a um fim de ciclo. Se a Humanidade não reagir, como um todo que é - com coerência, ética e preocupação social - perante a crise que vivemos (e que deve ser entendida talvez como uma derradeira oportunidade), mergulhará num precipício e as guerras regressarão também ao continente europeu, mercê de um colapso ético, social, politico, económico e financeiro já evidentes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vivemos actualmente a quarta grande crise/oportunidade global dos últimos 22 anos. Se todas elas, e já desperdiçámos as três últimas, tivessem sido devidamente interpretadas e conducentes a um novo paradigma humano, individual e colectivo, com a correcta hierarquização das prioridades e valores, não teríamos chegado ao ponto de desnorte e aparente, porque desejada por alguns, impotência a que chegámos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; A primeira grande crise/oportunidade recente deu-se em 1989 com a Queda do Muro de Berlim e o subsequente desmoronar do império soviético. Nesse ano deu-se também o massacre na Praça Tiananmen, em Pequim, na China. Os povos mostraram então que estavam sedentos de liberdade, entendimento e fraternidade humanos. Os decisores globais assim não entenderam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um novo mundo esteve então ao nosso alcance: poderia ter passado a ser mais ético, mais fraterno, com menos exclusão, melhor ambiente, menos alterações climáticas. O ocidente, e nós europeus também, em vez de estendermos uma união e uma mão fraterna aos povos russo e chinês, só reagimos em termos de xadrez geopolítico no sentido do poder e da hegemonia: quisemos esmagar a Rússia, esfomeando-a e humilhando-a e fizemos ouvidos de mercador aos gritos de Tiananmen. O mercado falou mais alto. Permitimos o fracasso da Cimeira do Rio em 1992, o genocídio no Ruanda em 1994 e a miséria no Congo, Somália…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A segunda grande crise/oportunidade global dos últimos 22 anos aconteceu dia 11-09-2001 em Nova Iorque (que presenciei ao vivo&lt;em&gt;). &lt;/em&gt;A tragédia do 11-09-2001 (toda a gente já esqueceu o 11-09-1973 entre o médico Allende e o carniceiro Pinochet!) foi a manifestação brutal do ódio e da rejeição totais e de uma nova forma de terrorismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sem pensar nas causas, o que nos deveria ter impelido a secar o pântano das misérias e das humilhações diárias que matam milhões de seres humanos, liderados por Bush, Rumsfeld, Cheney, Wolfowitz, Perle, Blair, Berlusconi e …. Barroso, fixámo-nos todos apenas no castigo, no petróleo e num terror sem fim. Esquecemos o verdadeiro desenvolvimento e aprofundámos o desentendimento. Deu-se o caos no Afeganistão* e no Iraque*…  e não ajudámos a resolver a situação entre Israel* e a Palestina*, a bem dos dois povos, dos dois Estados e do mundo. Há 10 anos que o impasse persiste e a situação parece fora de controlo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A terceira crise/oportunidade perdida eclodiu em 2008 com a falência do Lehman Brother que pôs a nu os &lt;em&gt;subprime&lt;/em&gt; e o sistema financeiro tipo casino. Num efémero despertar das consciências, ou talvez numa peça de teatro bem encenada, orquestrada e repleta de cinismo e hipocrisia, os decisores globais falaram de uma mais eficiente regulação e fiscalização, do controlo dos bónus obscenos e dos &lt;em&gt;off-shores&lt;/em&gt;…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tudo palavras que o vento levou. Ficaram, segundo o Banco Mundial, mais duzentos milhões de pobres e uma profunda revolta e humilhação dos povos!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sempre em crescendo e complementando-se, 1989, 2001, 2008, eis-nos em 2011-12, o fim de ciclo, a quarta crise/oportunidade. Talvez a derradeira crise que, se não for vista como derradeira oportunidade, nos poderá levar ao precipício, à falência do sistema, à implosão social e a novas guerras no prazo de uma década.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Já o disse e escrevi há vários anos, mercê de décadas de observação directa da questão humanitária, social e política no mundo: temos, não há quanto a mim volta a dar, de conseguir uma mudança de paradigma individual e colectivo que permita três coisas:&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Sobrepor a ética e os valores altruístas e humanos às questões sociais, questões sociais essas que devem sobrepor-se às questões políticas, as quais, por sua vez, se devem sobrepor às económicas que, por fim, se sobreporão às questões financeiras. Ou seja, uma ordem de valores diametralmente oposta à que vigora na sociedade actual.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O estado e o mercado devem estar ao serviço do bem-estar e da felicidade dos cidadãos e não, como acontece hoje em dia, o estado e os cidadãos ao serviço do mercado, com a subsequente e permanente socialização dos prejuízos e privatização dos lucros! Tal não é aceitável nem sensato. Para isso precisamos de cidadãos activos, políticos e empresários esclarecidos, conscientes e determinados.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Sinergias francas e totais de todos os centros de investigação do mundo a fim de conseguirmos os melhores resultados no espaço, no mar, na saúde, no ambiente, na alimentação……&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se tal não acontecer rapidamente o sistema financeiro desregulado nos conduzirá aos limites da desumanidade. Assim já o afirmava o Presidente Jefferson, por outras palavras, há mais de duzentos anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se assim não for, e rapidamente, já não será possível sobrepor o optimismo da vontade ao pessimismo da razão!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que cada um faça a sua opção. Eu tenho feito a minha e por isso travei todos os meus combates, sempre, em nome de uma Cidadania exigente e sempre ao serviço das pessoas e da Humanidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;(Escrito em Dakar a 20 de Setembro de 2011)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;*Poderia referir muitas outras situações. Essas vivi-as eu e muito me ensinaram.&lt;/p&gt;
&lt;p class="ListParagraph"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-07-21T18:44:00</issued>
    <title>Carta de renúncia ao mandato de deputado</title>
    <published>2011-07-21T17:55:25Z</published>
    <updated>2011-07-21T17:55:25Z</updated>
    <category term="liberdade de espírito"/>
    <category term="direitos e deveres"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Uma vez que foi ontem votado, em reunião plenária, o parecer sobre a minha renúncia ao mandato de deputado, publico hoje a carta que enviei à Presidente da Assembleia da República, Dra. Assunção Esteves, na qual explico as razões da minha decisão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lisboa, 1 de Julho de 2011&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Senhora Presidente da Assembleia da República,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Excelência,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Venho por esta via, com a máxima consideração e o total respeito pelos deputados eleitos e pela insubstituível função exercida pela Assembleia da República, como genuína casa da representatividade nacional na sua pluralidade e da Democracia portuguesa, apresentar a minha renúncia, a partir do dia de hoje, ao mandato de Deputado, eleito como independente e primeiro candidato da lista do Partido Social Democrático pelo círculo de Lisboa, para a XII Legislatura que teve início a 20 de Junho de 2011.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Independentemente da grande honra que é ser deputado, decidi em consciência que, perante os grandes desafios sociais que teremos de enfrentar e viver no futuro próximo, serei mais útil na acção, no terreno, ajudando os Portugueses mais afectados pela crise e desprotegidos a combater a miséria, a exclusão social e a injustiça, promovendo a dignidade e a esperança entre os mais pobres, voltando à minha actividade de mais de trinta anos de intervenção cívica, humanitária e de ajuda ao desenvolvimento em Portugal e no Mundo, no quadro dos Médecins Sans Frontières e da Fundação AMI, instituição que tive a honra de fundar em 1984 e a que presido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É nessa área, e diante dos tempos duros que nos esperam de real emergência social, que a minha experiência, o meu empenho e o meu trabalho melhor poderão servir o País na resolução dos problemas concretos de pessoas concretas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse sentido, ao longo de mais de três décadas, creio ter ajudado a prestigiar Portugal no Mundo e contribuído para a diminuição das desigualdades e exclusão social no nosso País.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Parlamento é a Casa da Democracia e os partidos políticos os seus pilares insubstituíveis e incontornáveis. Estou certo que chegará um dia em que o reconhecimento da pluralidade de modelos de representação política aclamará o Parlamento também como a Casa da Cidadania.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quero também deixar expresso, nesta minha carta de renúncia ao mandato de deputado, o meu sentido respeito e a minha profunda amizade pela Excelentíssima Senhora Presidente da Assembleia da República, Dra. Assunção Esteves, e a minha elevada consideração pelas  Senhoras Deputadas e pelos Senhores Deputados eleitos.  É com alguma tristeza que me afasto das funções de recém-eleito deputado, mas estou certo e ciente de que serei, como já referi, mais útil aos portugueses, a Portugal e ao Mundo na acção cívica e humanitária que constitui a minha marca identitária.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quero aqui expressar o meu mais sentido agradecimento ao Senhor Presidente do Partido Social Democrata, Dr. Pedro Passos Coelho, pelo desafio que me lançou para encabeçar a lista de Deputados pelo Círculo de Lisboa e pela honra que me deu o grupo parlamentar do PSD, como partido vencedor das últimas eleições legislativas, ao propor-me, como cidadão independente e oriundo da Sociedade Civil, como primeiro candidato do Partido Social Democrata a Presidente da Assembleia da República.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Travar esta batalha ao lado do Senhor Dr. Pedro Passos Coelho e da grande maioria do PSD constituiu um enorme desafio que muito me orgulha e uma imensa honra. O Senhor Dr. Pedro Passos Coelho e a maioria do grupo parlamentar do PSD tiveram sempre para comigo uma atitude de grande estímulo e apreço. Tentei retribuir dando toda a minha energia, disponibilidade e genuíno empenhamento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pressinto no Senhor Dr. Pedro Passos Coelho, nosso mui digno Primeiro-Ministro, a inteligência determinada, a coragem, o bom senso e o sentido de Estado necessários para resgatar Portugal do caos económico, político e social, irresponsavelmente por outros criado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acredito também que a Assembleia da República, por si tão dignamente presidida, dará um significativo contributo para o futuro positivo de Portugal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por fim, quero agradecer, uma vez mais, aos Deputados do PSD pelo Círculo de Lisboa, e em particular à JSD, que me acompanharam, apoiaram e defenderam, durante toda a campanha. O sucesso eleitoral do PSD no Círculo de Lisboa, que tive a honra de encabeçar, deveu-se a uma equipa de gente extraordinária, generosa, e de coragem. Guardá-los-ei sempre nas minhas mais gratas recordações. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Às Senhoras Deputadas e aos Senhores Deputados, as minhas sinceras saudações e o desejo de grande êxito para o exercício do seu mandato.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estou seguro de que todos nós, independentemente do lugar onde exerceremos o nosso dever de cidadania, saberemos cumprir as nossas responsabilidades e responder com honra aos desafios do nosso tempo e de Portugal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com os meus respeitosos cumprimentos,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-05-03T20:48:04</issued>
    <title>Discurso proferido por ocasião do Dia do Trabalhador</title>
    <published>2011-05-03T19:49:17Z</published>
    <updated>2011-05-03T19:49:17Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Senhor Presidente do Partido Social Democrata, Dr. Pedro Passos Coelho&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Senhores Dirigentes dos TSD,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Caras Amigas, Caros Amigos,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É com satisfação que estou aqui, neste encontro com os Trabalhadores Social-Democratas, especialmente num dia com tanto significado como é o Dia do Trabalhador. Faço-o na qualidade de cabeça-de-lista dos candidatos do PSD pelo distrito de Lisboa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas faço-o, também, porque sempre vi no Trabalho com salário justo, o elemento essencial para a dignificação do ser humano. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aceitei o desafio proposto pelo Dr. Pedro Passos Coelho, motivado apenas por uma ideia simples mas poderosa: a de que poderia ter um pequeno papel na construção de um Portugal melhor.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por isso, estou aqui para partilhar convosco algumas preocupações mas também confiança e esperança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos tempos que vivemos, e muito concretamente neste Primeiro de Maio de 2011, falar do Dia do Trabalhador é falar dos trabalhadores que não têm trabalho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É falar dos &lt;strong&gt;620 mil&lt;/strong&gt; portugueses – homens, mulheres e jovens – que querem trabalhar e não têm trabalho e, por isso, não têm nenhuma razão para festejar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos, e dos 620 mil desempregados, 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses, e uma percentagem muito significativa já não tem sequer qualquer subsídio de desemprego.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É falar dos milhares de famílias portuguesas que vivem situações precárias, e por vezes mesmo dramáticas, dia após dia, mês após mês e ano após ano, com filhos para educar, filhos para alimentar, numa incrível luta pela sobrevivência e pela dignidade, situações que, a mim, me tocam especialmente fundo - porque sou alguém particularmente atento às questões sociais e humanas e porque pensava já não ser possível voltar a encontrar estes cenários no meu País.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também é falar dos milhares e milhares de jovens sem emprego, cuja taxa é assombrosamente alta nesta faixa da população, &lt;strong&gt;acima dos 21%&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Jovens recém-formados que não conseguem inserir-se no mundo do trabalho, ou que o fazem em áreas que nada têm a ver com as suas formações e qualificações.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Jovens que, cada vez mais, encontram no estrangeiro as oportunidades de carreira e de futuro que o seu País lhes nega, o que constitui uma perda irreparável de força e de talentos cuja pesada factura iremos pagar mais tarde, se não formos capazes de inverter esta nova e preocupante tendência de emigração: Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE e temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos, uma emigração que, pela primeira vez, está a afectar directamente o distrito de Lisboa, algo inédito na nossa história.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso são factos, e contra factos não há argumentos. Só pode haver políticas adequadas e acção urgente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O desemprego é hoje uma das maiores chagas sociais em Portugal. E é também, convém não esquecermos, uma das marcas mais profundas do  insucesso das politicas erradas dos últimos anos. O fracasso de um governo  que antes das ultimas eleições prometeu criar 150 mil empregos, e que em vez disso, o que tem para apresentar aos portugueses é a destruição de mais de 211 mil postos de trabalho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta semana, ficámos a conhecer o programa com que a actual liderança do Partido Socialista quer convencer os portugueses de que este ainda é o seu tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não nos espanta que não haja uma palavra sobre os 620 mil desempregados, nem nos espanta que não haja uma ideia nova para reverter esta situação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E não nos espanta, porque simplesmente, a &lt;strong&gt;actual liderança&lt;/strong&gt; do partido Socialista falhou estrondosamente, capitulou e por isso o seu tempo chegou ao fim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A actual liderança socialista quer que o país fale a uma só voz, a voz dela entenda-se, e pela voz dela não existem 620 mil portugueses sem trabalho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo dizia Einstein, e cito de memória, “com os mesmos homens, com as mesmas ideias e com as mesmas metodologias, chega-se sempre aos mesmos resultados”. Por isso, precisamos urgentemente de mulheres e homens novos, de ideias novas, de abordagens novas e de acções novas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E é também por isso que estou aqui. A minha voz não se submete à ilusão, à fantasia, e à camuflagem cínica da realidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pior do que cometer erros é neles persistir e não os assumir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quem assim age não é digno da confiança dos portugueses, nem merece estar à frente dos destinos do País.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Chegou o momento das grandes opções e decisões pelos portugueses e por Portugal. Aqui e agora, a minha voz solta o grito da cidadania,  em nome dos que estão inconformados e revoltados com o estado a que o País chegou por culpa da actual liderança. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por isso dou a minha voz à necessária força da mudança.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Minhas amigas e meus amigos, &lt;strong&gt;esta é a hora de mudar. É a hora de cada um de nós assumir as suas responsabilidades: as passadas e as futuras. É a hora de encararmos a realidade. É a hora dos portugueses reconquistarem o direito à verdade, à confiança e à esperança.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E esta mudança também tem um rosto e um nome: &lt;strong&gt;Pedro Passos Coelho.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um homem com uma visão para Portugal, o único que não tem qualquer responsabilidade política directa destes últimos seis anos de desnorte e desvario e também por isso, o único com capacidade para liderar o País nestas circunstâncias tão difíceis e tão duras, o único capaz de devolver a confiança e a esperança a um País que está desmoralizado e descrente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É pelo Dr. Pedro Passos Coelho que também estou aqui hoje. Por ser um homem com visão de Estado, por ser um homem de coragem, coerente, digno e íntegro e por ser um homem com marcadas convicções e preocupações sociais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O combate ao desemprego e à precariedade que assola muito dos trabalhadores portugueses está, por isso, no centro das nossas preocupações. Ao contrário de outros, não fingimos que esse problema não existe nem lhe viramos as costas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O combate ao desemprego, é uma emergência a que todos devemos acudir e uma causa nacional que todos temos de abraçar. Não com medidas que nunca saem do papel ou que nunca têm o efeito desejado. Mas com políticas sérias e realistas. Com as reformas necessárias e inadiáveis que é preciso fazer, em diálogo e em concertação com os sindicatos, o sector empresarial e a sociedade civil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Para a economia crescer e prosperar, e ela tem de crescer e prosperar para termos políticas sociais dignas e sustentáveis, é preciso o envolvimento de todos os cidadãos.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Necessitamos de empresas bem sucedidas. No entanto, não há empresas bem sucedidas sem trabalhadores motivados e empenhados. Mas para termos trabalhadores motivados e empenhados, precisamos de exemplaridade por parte das lideranças, dando o exemplo da transparência e do mérito. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Minhas amigas e meus amigos, nunca podemos perder de vista que 620 mil desempregados não são apenas um número, não são simples estatística, não são um mero indicador económico. São portugueses, são pessoas, são cidadãos de pleno direito, como qualquer um de nós nesta sala.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Todos temos interesse em assegurar que o mercado seja eficaz e transparente, que recompense aqueles que são honestos e não os que são capazes de iludir o sistema.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Se os últimos meses nos ensinaram alguma coisa, foi que todos sofrem por causa do excesso de alguns. &lt;/strong&gt;Os portugueses já pagaram que chegue. Chegou a vez do Estado cortar nas suas excessivas gorduras. Um Estado eficaz, “elegante”, transparente, regulador e fiscalizador também é essencial para políticas sociais sustentáveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta também é uma luta para refazer a esperança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A esperança de que, com as políticas certas, os portugueses serão capazes de arranjar trabalho com um salário justo, terão cuidados de saúde acessíveis e de qualidade quando ficarem doentes, poderão educar os filhos, e que no fim de uma vida inteira de trabalho árduo, vão poder reformar-se com segurança e tranquilidade. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;São esperanças comuns e básicas e encontram-se no centro da luta pela dignidade e humanidade.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Este é o tempo de agir! É altura de virar a página! É altura de escrevermos todos um novo capítulo feito de verdade, de justiça, de confiança, de esperança e com futuro, a bem dos trabalhadores portugueses, de todos os portugueses e de Portugal.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Convosco, todos juntos com o Dr. Pedro Passos Coelho, vamos conseguir!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muito obrigado!&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-04-19T20:15:35</issued>
    <title>Nota pessoal</title>
    <published>2011-04-19T14:49:33Z</published>
    <updated>2011-04-19T19:27:23Z</updated>
    <category term="liberdade de espírito"/>
    <category term="cidadania"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Decidi hoje escrever este texto &lt;strong&gt;por respeito às pessoas verdadeiramente livres&lt;/strong&gt; e independentes que, tendo ou não votado em mim nas últimas eleições, não compreendem a minha mais recente decisão e se sentem, de certa forma, defraudadas ou desiludidas. Não incluo assim, nos destinatários destas palavras, aqueles que, orquestrada, sistemática e militantemente, agora me insultam, a mim e à instituição que dirijo, revelando uma intolerância inaceitável em democracia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A minha decisão pessoal de aceitar o desafio que o Dr. Pedro Passo Coelho me lançou foi fruto de uma profunda reflexão e foi, acreditem, dificílima. Sabia o que me esperava caso aceitasse, mas também sabia que tinha a possibilidade de poder fazer algo de concreto pelo meu país. E a minha decisão foi essa: a de não ficar nos bastidores, mas antes assumir a minha missão em nome de Portugal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Só quem não age, é que não é criticado. E eu ajo e agirei sempre que a minha consciência me ditar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sei que muita gente considera que “desperdicei” os quase 600 000 votos que tive em Janeiro. Não concordo. Eu apresentei um conjunto de ideias e elas “valeram” o voto de confiança de quase 600 000 pessoas. As eleições são isso mesmo: apresentação de projectos e sua submissão ao eleitorado. Mas não me considerei, desde então, a voz dessas pessoas. Sempre afirmei que só era dono do meu voto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se alguns daqueles que confiaram no meu projecto para a Presidência da República o acham incompatível com o desafio que decidi agora abraçar, eu afirmo que não é. A intenção foi, é e continuará a ser melhorar Portugal. O objectivo foi, é e continuará a ser poder fazer, poder concretizar. Os tempos que vivemos são duros. São difíceis e conturbados. Pouco haverá a fazer para minimizar o impacto que os próximos anos terão na vida dos Portugueses. Mas ainda há espaço de manobra. E eu decidi, em consciência, estar presente e contribuir com as minhas ideias, os meus ideais e valores, para, naquilo que puder, tentar minimizar esse impacto. Quem critica tem que estar disponível para deitar mãos à obra. Criticar é disponibilizarmo-nos para participar na mudança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu critiquei. Não podia assim, quando alguém (que sabe o que penso, o que defendo e quem sou) me desafia a deitar mãos à obra, dizer não. Ou melhor, podia, mas estaria a ser cobarde e, aí sim, incoerente comigo próprio. Se critico é porque acho que é possível fazer melhor. Achar que é possível fazer melhor e ficar sentado é cobardia. É desonestidade. É desinteresse. É incoerência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quem me lançou este desafio sabe que sou independente. E aceitou respeitar essa independência. E eu aceitei estar ao seu lado, nos tempos mais próximos. E ajudar a que este país seja mais justo e socialmente mais equilibrado. O Dr. Passos Coelho decidiu dar uma continuidade àquele que tem vindo a ser um sinal do eleitorado: vontade de ver cidadãos independentes com poder para agir. Corajosa, esta opção. A sua prossecução é difícil, mas exequível. O debate político não se esgota nos rótulos de direita ou de esquerda. O exercício da política é mais: é principalmente honestidade, abnegação, exemplaridade, rigor, transparência e sentido de Estado. Sempre o disse.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gostaria que aqueles que hoje se sentem zangados, tristes, desiludidos e até traídos, se dessem ao trabalho de me ver agir. Não estou a pedir votos. Estou a afirmar que, se tiver oportunidade, farei a diferença e que, disso, ninguém duvide! Mas tal, só o tempo poderá demonstrar…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Duas notas apenas:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;1 – Este blog nunca publicou e nunca publicará comentários com vocabulário desapropriado. Muitos têm sido os posts aqui publicados que geraram controvérsia. E sempre todos os comentários foram publicados, desde que argumentados e educados. Nunca insultei ninguém. Liberdade de expressão não é poder insultar. É poder exprimir opiniões.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;2 – Lamento que a AMI esteja a ser alvo de uma campanha suja, para denegrir a sua imagem. A quantidade de pessoas que esta instituição ajuda, diariamente, é merecedora de um pouco mais de respeito, assim como a equipa de mais de 200 pessoas e muitas centenas de voluntários que trabalham, afincadamente, para o bem comum. Um puro acto de egoísmo este o de alguém que prefere, para atingir os seus fins, não olhar à quantidade de pessoas que pode estar a prejudicar… Intolerável e inaceitável!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-04-13T20:15:06</issued>
    <title>Declaração</title>
    <published>2011-04-13T19:03:10Z</published>
    <updated>2011-04-13T21:56:12Z</updated>
    <category term="portugal"/>
    <category term="direitos e deveres"/>
    <category term="reflexão"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aceitei o convite que me foi dirigido pelo Dr. Pedro Passos Coelho para ser candidato a deputado, com o estatuto de independente, para cabeça de lista por Lisboa e ainda para a minha indigitação como candidato a Presidente da Assembleia da República.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi uma decisão muito difícil. Fi-lo depois de prolongada reflexão e ponderando com profundidade e seriedade todos os interesses atendíveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois da minha candidatura Presidencial e da caminhada que comigo fizeram milhares de portugueses, muitos desiludidos com a política e sequiosos de encontrar uma alternativa de Cidadania, não foi simples nem óbvio para mim encontrar a resposta justa e assertiva ao desejo que o Dr. Pedro Passos Coelho me colocou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O País vive uma situação dramática, os tempos que nos aguardam são espinhosos e duros, estamos carecidos de rumo e é preciso encontrar plataformas de entendimento que nos permitam abrir os caminhos do futuro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não há mais tempo a perder. Não há mais tempo para esperar que os problemas se resolvam por si.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu acredito, e disso dei conta aos portugueses, que todos temos o dever de participar. O facto de termos o direito de sermos independentes não nos livra da responsabilidade de contribuir para o futuro colectivo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não era meu propósito ser deputado, e disso de resto dei público conhecimento em recente entrevista a um Semanário. Não era essa a via pela qual acreditava poder continuar a missão que me propusera.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas o projecto que me foi apresentado pelo Dr. Pedro Passos Coelho é bem mais amplo, para além de que preserva a minha autonomia e independência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pela primeira vez na história da Democracia Portuguesa, um Cidadão independente, sem vinculo partidário, poderá contribuir, com a sua intervenção, na gestão da politica, num lugar de tão grande relevância como é a Presidência do Parlamento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso terá óbvias consequências no entendimento e credibilização da acção politica, bem como será, espero, um estímulo para uma participação mais activa dos cidadãos na vida política do País.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tentarei com empenhamento total contribuir para a reconciliação dos cidadãos com a prática politica, para que diminua a abstenção, e para que os cidadãos voltem a acreditar que existe esperança, porque são possíveis práticas politicas alternativas.    &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acredito nas intenções do Dr. Passos Coelho e revejo-me em muitos dos argumentos que me apresentou e no modelo que, em conjunto,idealizámos como uma via para ajudar a desbloquear o nosso sistema político que hoje está desfasado do País e da vida dos Portugueses.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sei que poderei ser alvo de muitas incompreensões, de outras tantas críticas e até do desprezo de muitos, mas o que me determinou foi a convicção de que poderei servir o meu País e ser útil a Portugal. Sou antes de mais um homem de acção e um patriota.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Serei um Presidente da Assembleia da República escrupulosamente respeitador das instituições e do Estado mas não renegarei nunca as minhas convicções, a minha vocação de humanista, e os valores e desígnios da Cidadania.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acredito que, com trabalho e diálogo permanente com os grupos parlamentares, é possível reforçar a confiança dos portugueses no seu parlamento e estabelecer novas formas de relação com a sociedade civil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estou já a preparar um programa que submeterei aos futuros líderes parlamentares para gerar mais consensos, para reforçar o regime e a democracia, para abrir novas oportunidades de auscultação e diálogo com os cidadãos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Terei uma intervenção activa, transparente e mobilizadora. Tudo farei para que o exemplo restitua a esperança e a esperança constitua um factor de unidade em torno da reconstrução de Portugal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não há nenhum compromisso que valha o papel em que foi escrito se esquecer o povo como principal protagonista do esforço de desenvolvimento de Portugal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acredito que, mesmo quando os tempos parecem adversos e o caminho sem saída, os nossos problemas podem ser ultrapassados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que Portugal precisa é que se forme um sentimento de Justiça e Solidariedade para todos, independentemente das suas crenças e opções.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que realmente necessitamos é que pessoas com opiniões diferentes se juntem, com respeito mútuo, para cooperar nas soluções dos nossos problemas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Portugal e a Democracia não têm tempo a perder. Por isso aceitei este desafio. Mais uma vez com espírito de missão e de consciência tranquila, porque sinto que é hoje e não amanhã que devo servir o meu País.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conto com todos os que comigo se têm genuinamente batido pela defesa dos direitos civis e sociais e por uma cidadania activa que apresente soluções concretas para os problemas urgentes da nossa sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta não é a hora de estar calado e acomodado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nunca Portugal necessitou tanto que todos os cidadãos assumam as suas responsabilidades e façam ouvir a sua voz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se todos nascemos livres e iguais em dignidade e direitos, não há tempo melhor que este para exercermos com determinação e responsabilidade os nossos deveres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi a pensar nos que não têm voz e no futuro das novas gerações que tomei esta decisão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lisboa  10 de Abril 2011&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2010-12-31T14:54:58</issued>
    <title>2011</title>
    <published>2010-12-31T15:02:29Z</published>
    <updated>2010-12-31T15:02:29Z</updated>
    <category term="pobreza e exclusão social"/>
    <category term="cidadania"/>
    <category term="voluntariado"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Encerra-se o Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social e inicia-se, em Janeiro, o Ano Europeu do Voluntariado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um e outro deviam vigorar em permanência. As duas causas são essenciais. São pedras basilares na vivência em sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A pobreza é um flagelo. É uma violação sistemática dos direitos humanos. A pobreza e a exclusão social impedem, desde logo, o cumprimento do 1º artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem – igualdade em dignidade e direitos. A situação de pobreza e/ou exclusão castra, à partida, grande parte das possibilidades de evolução pessoal. E as perspectivas não são as melhores. Quando todos trabalhamos para atingir os Objectivos do Milénio e nos congratulamos com a evolução, ainda que lenta, da situação de pobreza extrema em que vivem algumas populações no Mundo, assistimos, no nosso país, a um retrocesso cada vez mais evidente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A AMI aplica, actualmente, mais de 50% dos seus recursos financeiros em projectos em Portugal. Isto, meus amigos, apesar de ser um claro sinal do empenho da AMI na mitigação dos problemas ao nível nacional é também, infelizmente, sinal de que há cada vez mais necessidade. É assim que a celebração do Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social não podia ter sido mais pertinente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas há que continuar!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E se constatamos que o Estado não fará mais em 2011, do que fez em 2010; que as empresas estão também elas a atravessar um momento difícil; que as organizações não governamentais, IPSS e associações várias estão no limite das suas capacidades, façamo-lo nós enquanto cidadãos. Cada indivíduo tem, na sociedade, tanta responsabilidade como o Estado ou agentes do poder económico. Cada um de nós deve deitar mãos à obra e fazer pelos outros. Pelo vizinho. Pelo amigo. Olhemos quem está à nossa volta e ofereçamos a nossa mão, o nosso tempo. Por vezes, esse gesto quase que basta para fazer a diferença. A isso se chama voluntariado. E assim se deve viver em sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Celebremos então o Ano Europeu do Voluntariado considerando-o parte da solução para a situação de pobreza e exclusão social em que algumas pessoas, infelizmente, vivem. Só assim poderemos fazer face aos tempos verdadeiramente difíceis que se avizinham. Unidos, com espírito de entreajuda. Empenhados em causas. Dando-nos ao trabalho de nos envolvermos... Devemos ser nós, os cidadãos, a mostrar que a crise financeira é vencível. E que a indiferença não predominará.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Existe um caminho, ainda que longo. E ele está em cada um de nós. Se cada um continuar no seu trilho sem olhar para o que se passa ao lado, para além de uma crise financeira teremos, muito em breve, uma crise social devastadora. Estou certo que o voluntariado é não só a solução para muitos problemas, mas também a fonte mais cristalina de auto-estima de um povo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Escrevi-o em 2001 e continuo a acreditar: "&lt;em&gt;Os desafios que a Humanidade tem de enfrentar são enormes mas tenho a convicção de que os cidadãos saberão responder positivamente tanto no que diz respeito à defesa do ambiente como à condução de uma ajuda humanitária verdadeiramente credível e não manipulada por outros interesses menos claros, como no combate sem tréguas à pobreza e à exclusão social e também numa luta sem quartel contra toda a forma de intolerância. Num mundo em que a ausência de políticas corajosas gera a ausência de causas, estou convicto que uma sociedade civil forte e activa saberá lutar por essas causas, as eternas causas universais, as causas dos valores, porque é disso que estamos à espera, duma globalização de valores e sobre isso, sem dúvida nenhuma, o voluntariado tem uma palavra decisiva a dizer. Estou certo que a dirá."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desejo a todos um ano de 2011 repleto de acções de voluntariado! Será, certamente, um ano de riqueza interior.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2010-10-29T10:33:21</issued>
    <title>A experiência do voluntariado no contexto da globalização</title>
    <published>2010-10-29T09:35:56Z</published>
    <updated>2010-10-29T09:35:56Z</updated>
    <category term="cidadania"/>
    <category term="portugal"/>
    <category term="crise financeira"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Escrevi este texto em 2001. Continuo a acreditar que o exercício de uma cidadania activa e consciente traz benefícios que vão muito além do que, à partida, se espera. 2011 será o Ano Europeu do Voluntariado. Deitemos mãos à obra! Os cidadãos devem envolver-se em causas. Devem acreditar. Só assim poderão sentir-se parte da solução. Não nos desiludamos. Não baixemos os braços. Não nos divorciemos do nosso país. Ele é de todos nós! De cada um de nós.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Permitam-me, antes de mais, que vos fale um pouco da globalização. Como é de todos sabido, a globalização não é um fenómeno da nossa época já que ela encontra nos episódios mais remotos da humanidade a sua verdadeira génese. Já os Romanos quiseram fazê-la em toda a Europa e nós, Portugueses, contribuímos decisivamente para que ela se alargasse ao mundo então conhecido. O que a globalização dos nossos dias tem indiscutivelmente como característica própria é a grande velocidade a que ela se processa, aliada a um progresso científico e técnico ímpar na história da humanidade, uma comunicação global e uma liberdade de movimentação financeira desregrada e sem o mínimo controlo. A globalização actual associada a uma quebra significativa da influência política tende efectivamente a estar quase exclusivamente na posse do grande capital financeiro, para não falar do capital financeiro especulativo, deixando à margem desta globalização grandes franjas da humanidade. Esta globalização trouxe indiscutivelmente grande instabilidade e uma profunda exclusão já que se sobrepôs ao ideal político e menosprezou por completo as profundas preocupações sociais, culturais, ambientais, éticas e morais que deviam ter sido apanágio do século XX.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Vivemos hoje, indiscutivelmente, uma revolução mundial que parece querer ser conduzida unicamente pela força do mercado pondo à margem o homem que devia ter sido sempre o objectivo final de toda e qualquer globalização. É por isso que a sociedade civil, hoje, no mundo, protesta e se manifesta, não contra a globalização em si, mas contra “esta” globalização, apelando a uma globalização alternativa para que um outro mundo mais justo, mais ético, mais solidário seja possível. Face a esta tendência, que não passa de uma tendência,  promovida pelo Fórum Económico Mundial de Davos há cerca de 30 anos e que pretende impor uma globalização com marcadas tendências financeiras e especulativas, é fundamental que a sociedade civil se constitua como contrapoder, não para tomar o poder mas para defender valores. Os cidadãos têm a obrigação de promover e defender valores.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Não é por acaso que alguns autores falam da globalização armadilhada. Nesta globalização puramente economicista e produtivista só 20% da mão-de-obra seria necessária, sendo os outros 80% perfeitamente dispensáveis e descartáveis.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;  &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;O mercado parece, assim, ter sido eleito como nova ideologia e não é por acaso que muitos lhe chamam o Deus Mercado. Foi por isso que em 2001 se realizou, pela primeira vez, na cidade do Porto Alegre, no Brasil, o Fórum Social Mundial para que justamente a sociedade civil mundial pudesse dar voz ao seu desalento, exprimir o seu repúdio pelo que se vinha processando na nossa sociedade e para apresentar alternativas ao processo em curso dizendo bem alto que uma outra globalização é possível, como um outro mundo é possível e que há alternativas credíveis ao processo que uma minoria planeou e que está a executar em detrimento de uma larga franja da humanidade que se vê assim excluída, talvez irreversivelmente, de todo o processo de desenvolvimento a também tem direito.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;É verdade que o fosso que se tem acentuado entre pobres e ricos tem sido encapotado por eufemismos linguísticos. Por exemplo, hoje fala-se nos “países menos avançados” quando, anteriormente, se falava dos países “em vias de desenvolvimento” ou, mesmo antes, dos “países subdesenvolvidos”. Não é menos verdade que, em menos de 30 anos os países hoje ditos menos avançados passaram de 29 para 59. A África que era auto-suficiente no aspecto alimentar há 20 ou 30 anos, recebe hoje 4/5 dos seus bens alimentares, o que faz desde já antever uma catástrofe humanitária de proporções bíblicas quando sabemos que a África subsariana, que tem hoje 800 milhões de habitantes, passará para o dobro em menos de 25 anos. A esse empobrecimento real de uma boa parte da humanidade associa-se uma política de dois pesos e duas medidas: os ditadores são ou não aceites consoante aceitem ou não as “regras do mercado” e a ele se dobrem e com ele pactuem. Pouco importa a desgovernação e a corrupção desenfreada desde que sejam submissos às leis e imposições do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Um dos grandes efeitos perversos da globalização especulativa em curso foi, sem dúvida nenhuma, a queda das ideologias. Todos os políticos têm o mesmo discurso, hoje quem manda é indiscutivelmente o poder económico-financeiro especulativo. É constrangedor ver como os ex-ministros são hoje funcionários dos grandes grupos económicos. É sem dúvida alarmante apercebermo-nos que, intimamente associado a esse poder económico, predomina também o mundo da comunicação que já só fala de “conteúdos” - noção abstracta e manipuladora, tendo esquecido por completo o seu dever informativo e formativo. Hoje há um Poder cada vez mais perigoso e inquietante, um Poder sem rosto, globalizado, incontrolado. Há cada vez mais multinacionais (com fácil acesso ao crédito bancário, que é, de facto, o verdadeiro poder) a beneficiar de orçamentos superiores aos de muitos estados desenvolvidos e os seus presidentes são autênticos chefes de estado. Sem saberem já quem os representa e quem os governa, não é por acaso que os sindicatos perdem força e influência e as pessoas se alheiam cada vez mais da vida política como prova o facto de a abstenção em actos eleitorais ser hoje o maior partido europeu.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;É cada vez mais importante despertar as consciências para uma cidadania efectiva. É aqui que o voluntariado encontra permanentemente toda a sua expressão. É fundamental, pois, promover uma cidadania crítica, em permanente alerta, atenta, interventiva e é esta atitude que sustenta o voluntariado. Os cidadãos têm que assumir uma atitude activa e participativa. Sem participação da sociedade civil não pode haver autêntico desenvolvimento nem verdadeira democracia. É esse o drama, nomeadamente em África, porque, pese embora começarem a ter uma sociedade civil activa, ela é ainda incipiente e extremamente frágil. Daí os desvarios permitidos a governos perfeitamente corruptos e sem a mínima noção de estado e do bem público.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;O voluntariado é, pois, a solidariedade activa e não apenas “de boca”. Perdeu-se muito o conceito de subsidiariedade, não responsabilizando os cidadãos pelos seus deveres e desvalorizando a sua efectiva participação na vida social.      &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;É bom não esquecermos que, se vivemos hoje em democracia, não significa que assim possamos estar daqui a 20 ou 30 anos. A Democracia será tanto mais perene quanto mais a sociedade civil estiver implicada e informada pois só assim servirá de travão a movimentos radicais de intolerância, de fundamentalismos diversos, de xenofobia...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;É pois fundamental o movimento associativo e o voluntariado. É este pilar que condicionará positivamente o evoluir da nossa sociedade. Por esse movimento passará indiscutivelmente a sobrevivência das causas nobres e dos valores éticos. Só com uma sociedade civil atenta e participativa de mãos dadas com o voluntariado informado é que efectivamente poderemos combater o que tenho dito serem as duas piores doenças da humanidade: a indiferença e a intolerância.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Os desafios que a Humanidade tem de enfrentar são enormes mas tenho a convicção de que os cidadãos saberão responder positivamente tanto no que diz respeito à defesa do ambiente como à condução de uma ajuda humanitária verdadeiramente credível e não manipulada por outros interesses menos claros, como no combate sem tréguas à pobreza e à exclusão social e também numa luta sem quartel contra toda a forma de intolerância. Num mundo em que a ausência de políticas corajosas gera a ausência de causas, estou convicto que uma sociedade civil forte e activa saberá lutar por essas causas, as eternas causas universais, as causas dos valores, porque é disso que estamos à espera, duma globalização de valores e sobre isso, sem dúvida nenhuma, o voluntariado tem uma palavra decisiva a dizer. Estou certo que a dirá.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;em&gt;  &lt;/em&gt;&lt;em&gt; 3 de Dezembro de 2001&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2010-09-11T00:41:06</issued>
    <title>11 de Setembro: 9 anos depois...</title>
    <published>2010-09-10T23:44:13Z</published>
    <updated>2010-09-10T23:44:13Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Este texto foi escrito no dia 17 de Setembro de 2001, seis dias após ter assistido ao total desmoronamento das duas torres do World Trade Center em Manhattan – Nova Iorque, na trágica terça-feira do dia 11 de Setembro.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O acto de terror do dia 11 de Setembro, com os seus milhares de vítimas inocentes, vítimas da loucura assassina nascida do ódio, ódio criado e alimentado pelas injustiças e pela falta de princípios éticos iguais e válidos para todos, marcou o início de uma nova época repleta de medos e incertezas.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Ao ver desmoronar-se, a poucas centenas de metros de mim, como simples castelos de areia, , aquelas duas enormes torres que conhecia por dentro, gritei como as milhares de pessoas que, como eu, na 5ª avenida assistiam aterradas, atónitas, aparvalhadas, incrédulas e impotentes ao impossível: Meu Deus! Inacreditável!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Tentei imaginar então os seres humanos, homens e mulheres, encurralados em pânico, no calor, na poeira e esmagados por toneladas de betão e ferro: nunca irei esquecer. Eles eram meus irmãos também! Não há justificação possível para tal horror. Passado, mas nunca aceite, esse intenso momento de dor, tristeza e de estupefacção, perguntei-me, tentando compreender o porquê de tal loucura assassina e suicida. A resposta, para mim, é só uma: Injustiça! Injustiça! Injustiça associada ao desprezo, à prepotência, à arrogância, à intolerância, à indiferença, à ganância!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Hoje há muitos povos (conto também com os nossos excluídos), que, vítimas de injustiças, estão cheios de ódio para com o outro, você, eu e o Ocidente rico, opulento, gastador, injusto, opressor e indiferente à miséria alheia. Os Estados Unidos infelizmente representam o vértice de todo esse sistema que tantos ódios tem criado e que está a levar indivíduos, e poderá levar povos inteiros, à loucura assassina e suicida. O apoio manifestado pelos EUA (e não só!) a muitos ditadores sanguinários, o seu apoio incondicional e cego a Israel, mesmo quando este último se comporta injustamente, brutalmente e à revelia das sucessivas decisões das Nações Unidas há décadas, a não ratificação de tratados internacionais tais como o de Quioto, o da não proliferação das minas pessoais e do Tribunal Penal Internacional (TPI), a política arrogante do quero posso e mando, desprezando, por vezes, toda a comunidade internacional e as próprias Nações Unidas, faz com que o ódio que certos povos lhe votam tenha atingido dimensões nunca imagináveis. Chegou o momento de todos (americanos, europeus asiáticos, africanos, judeus, muçulmanos, cristãos, hindus, budistas, ateus e animistas) pararmos para pensar e reflectir.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O que o Mundo precisa é de profunda reflexão que este acontecimento trágico deve proporcionar: é uma oportunidade única de interrogação que não deve ser desperdiçada.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O que o Mundo não precisa, nem nunca precisou, é dos espalha brasas que não sabem o que é ver morrer de perto e em massa. Calem-se, senhores espalha brasas: tenham vergonha e sejam púdicos, por favor! É tudo muito mais complicado do que as vossas mentes maniqueístas e primárias pensam: Não há só cowboys bons e índios maus...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O que precisamos todos é de pôr já um bálsamo nas nossas dores e chorarmos todos os nossos mortos, os mortos do World Trade Center, os mortos palestinianos, os mortos israelitas, os mortos iraquianos, os mortos cambodjanos, os mortos dingas do Sudão, os mortos angolanos, os mortos colombianos, os mortos russos e chechenos, os mortos hutus e tutsis, os mortos índios, somalis e afegãos...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Depois desse lamber de feridas, com a sua devida e honesta autocrítica, que permita exorcizar todos os nossos fantasmas, precisamos todos, em consciência, de nos empenhar completa e resolutamente em acabar com as causas de tanto ódio. Se não o fizermos já, entramos no caminho infernal e sem fim do ciclo do horror: atentado, retaliação, atentado, retaliação,...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Li certa vez na rua o seguinte grafitti: “ A lei de Talião - olho por olho torna o povo cego. É bem certo. O diagnóstico da doença do mundo actual é o ódio!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;As manifestações dessa doença mortal são: revoltas, frustrações, desespero, atentados, loucura assassina. Só há um tratamento com hipótese de cura a médio – longo prazo: &lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;justiça&lt;/span&gt; social e &lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;ética&lt;/span&gt; nas relações entre os povos. A paz no Médio Oriente, nos Balcãs, em África é urgentíssima. Ponhamo-nos à mesa já. Como teremos paz e justiça, únicos antídotos do ódio mortal que se alastra, com, por exemplo, um TPI (Tribunal Penal Internacional) válido para julgar, nomeadamente, os criminosos contra a Humanidade sérvios mas nunca válido para julgar, eventualmente, pelas mesmas razões um criminoso contra a humanidade americano?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Peço aos meus amigos americanos, e são muitos, que pensem bem pois eles precisam do Mundo (como os outros povos) e o Mundo precisa deles (como dos outros povos): só com eles poderemos parar a espiral da violência. O Mundo não precisa de uma PAX AMERICANA arrogante! Por favor, compreendam isso.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Para sermos respeitados precisamos também de respeitar os outros. Um povo humilhado serão milhares de potenciais homens bombas lançados aos quatro ventos! Será que queremos vê-los saltar pelas nossas cidades à semelhança do que se passa em Israel?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O atentado do World Trade Center demonstrou que, daqui para o futuro, ninguém está imune de morrer inocente e estupidamente num massacre bombista e que nada, nem ninguém, é invulnerável. Entramos numa nova era: de horror ou de esperança, em função da seriedade com que se enfrentar esta tragédia. Não nos esqueçamos da enorme esperança, completamente desperdiçada, que tinha nascido há uma década com a queda do muro de Berlim que, dizia-se, ia dar nascimento a um mundo mais justo. Tal não aconteceu: é agora ou nunca!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Não nos esqueçamos que um homem decidido a vingar-se e a pagar com a sua vida foi, é e será sempre muito difícil de dissuadir na sua loucura. Ainda vamos a tempo de parar. Paremos pois já! Sejamos claros: Há que julgar e castigar os culpados do atentado ao World Trade Center, disso ninguém tem dúvida. Mas há que o fazer segundo as normas jurídicas internacionais. Estou convicto que ao responder ao terror pelo terror dificilmente sairemos do terror em curso. A única via para se conseguir uma paz duradoura é no combate sem quartel contra o ódio e a injustiça.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Ao ódio e à loucura assassina contraponha-se já justiça e ética. Se assim não for, não sei onde iremos parar: a caixa de pandora aberta, os cavaleiros do apocalipse estarão de rédea solta... E depois?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Não aceito tanta insensatez, tanta loucura.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Nada é tão nefasto como a perda ou a ausência de memória dos povos, que tende a fazer deles inevitavelmente sempre ou heróis ou mártires, e nunca culpados de nada. Esse comportamento leva à vitimização, à intolerância, à xenofobia e à discriminação. Quero só lembrar aos ingleses os campos de concentração na guerra dos boers na África do Sul e o genocídio dos aborígenes na Austrália (não ficou um na Tasmânia) e, aos americanos, quero só lembrar o genocídio dos índios e o famigerado Ku-Klux-Klan.  Poderia passar assim em revista a história de quase todos os povos unicamente para lhes dizer que as “democracias” tão badaladas têm manchas e que somos todos cinzentos.  Pensemos em consciência!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quase uma década depois deste nefasto acontecimento, considero que há na política internacional uma nítida mudança positiva em curso desde a eleição do Presidente Barack Obama, que representa a mudança no paradigma de governação do primeiro império da actualidade, demonstrando solidariedade para com os mais desfavorecidos, vontade em terminar guerras que herdou (Iraque e Afeganistão) e em melhorar o conflito no Médio-Oriente entre Israel e a Palestina, interesse pelo que está a acontecer no continente africano, e tendo recolocado os EUA no multilateralismo, pois acredita, claramente, no diálogo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Porém, Barack Obama só, não chega. Temos de multiplicar pelo mundo o seu genuíno interesse pelos outros e a sua visão de entendimento e paz mesmo se, por vezes, manietada por forças e circunstâncias nefastas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Aliemos as nossas esperanças à ONU e às ONG’s de todo o mundo, cuja 63.ª conferência terminou no passado dia 8 de Setembro em Melbourne, deixando um apelo aos líderes mundiais para que reduzam as despesas em guerras e aumentem o apoio na ajuda ao desenvolvimento.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A declaração final da conferência alerta para o facto de, &lt;em&gt;&lt;a href="http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=10&amp;amp;id_news=467056"&gt;em todo o mundo, 2600 milhões de pessoas viverem sem acesso a cuidados de saúde, 8 em cada 10 pessoas das áreas rurais não terem água potável, 340 mil mulheres grávidas morrerem todos os anos de causas relacionadas com a gravidez e 9 milhões de crianças não chegarem a completar 5 anos.&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Há que mudar certas lideranças em todos os continentes para darmos uma oportunidade à Humanidade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Façamo-lo também em Portugal. Por isso me ergui: contra ninguém, mas com a determinação de uma mudança humanística também entre todos nós. Olhemos pelo outro, nosso irmão.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quero acreditar que os nossos filhos e netos conhecerão um mundo diferente e melhor, mais fortalecido e mais justo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2010-08-19T09:30:43</issued>
    <title>Dia Mundial Humanitário</title>
    <published>2010-08-19T08:37:30Z</published>
    <updated>2010-08-19T08:37:30Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No dia Mundial Humanitário, celebrado pela primeira vez em 2009 para homenagear todos os que concretizam a Ajuda Humanitária no mundo e honrar os que perderam a vida ao serviço desta causa, gostava de partilhar o que me inspirou a dedicar cerca de 30 anos da minha vida ao trabalho humanitário.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O desejo de ser médico acompanhou-me desde sempre, mas a vontade de exercer uma medicina diferente, em grandes espaços e a favor de quem tinha parcos recursos chegou um pouco mais tarde.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Das múltiplas histórias e recordações que semeiam a minha vida pelos quatro continentes, há uma que vos quero contar, porque ao vivê-la pensei muitas vezes naquele que considero ter sido o meu mentor, embora só mais tarde tivesse visitado a sua obra no Gabão e conhecido então uma enfermeira de 87 anos que tinha trabalhado com ele. Estou a falar de Albert Schweitzer. Para quem não leu, aconselho vivamente a leitura de "É meia-noite Doutor Schweitzer", hoje ainda um dos meus livros de cabeceira.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Lugadjole, no fundo da Guiné-Bissau, quase na fronteira com a Guiné-Conakry, terra de fulas, de homens-grandes, de picadas e de macacos-cão. É preciso amá-la para a alcançar: 4 a 5 horas de picada a valer para se percorrer os 48 quilómetros que a separam da travessia, em jangada, do rio Corubal no Tché-Tché. Uma vez o rio atravessado, com que dificuldades, discussões, gritos e buzinadelas às vezes, estávamos no sector do Boé. Pensava então viver um pouco do que terão vivido o Stanley, Livingston, Brazza, Serpa Pinto ou o meu bisavô De La Vieter chegado às costas de Cabinda em 1885.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Foi nesse meu Lugadjole que um dia me chegou um homem com uma hérnia inguinal direita estrangulada já com sinais de peritonite. Era noite, umas 19h30, chovia e não havia hipótese nenhuma de evacuação. E se houvesse, para onde? Os hospitais de Bissau, Gabu ou Bafatá eram uma lástima.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Decidi operá-lo e assim foi. Auxiliado por uma jovem colega de clínica geral, esterilizei umas compressas numa panela de pressão numa fogueira, assim como uns poucos instrumentos e duas colheres dobradas para me servirem de afastadores de Farabeuf, fiz uma raquianestesia e operei o homem à luz de uma lanterna de bolso, com as malditas formigas voadoras, térmitas na época de acasalamento, e uma chuvada forte a lembrar-nos que estávamos nos trópicos. Quando acabámos, cansados e felizes, sabíamos que aquela vida estava salva. África nunca me pareceu tão misteriosa e a minha profissão de médico tão bela: aí voltei a pensar em Albert Schweitzer. Como ele tinha tido momentos de frustração e satisfação, também eu os tinha, mas estou certo que vivia feliz porque vivia intensamente e com a certeza de fazer a diferença.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2010-08-12T09:19:25</issued>
    <title>Juventude – Sinónimo de Sonhos e de Esperança</title>
    <published>2010-08-12T08:27:11Z</published>
    <updated>2010-08-12T08:30:04Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Cada vez que entro numa sala repleta de jovens, sinto-me inspirado e esperançoso, porque acredito na força, na generosidade, na coragem, na solidariedade e na capacidade de sonhar da nossa juventude.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;É por isso que, neste dia que lhes foi atribuído pela ONU, que marca também o início do Ano Internacional da Juventude, dedicado ao diálogo e à compreensão mútua, quero deixar algumas palavras aos nossos jovens, não de paternalismo, mas de incentivo, alerta e partilha de ideias.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Tenho apenas uma pretensão: a de ser um espírito livre. Acredito que a consciência humana é o que há de mais belo porque, quando impoluta, é inquebrantável, indomável e não se vende.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Acredito e isto é algo que venho preconizando há muitos anos, que a Intolerância e a Indiferença são as duas piores doenças da Humanidade. Para mim, efectivamente, são essas as doenças que mais ódios, guerras, genocídios, fome e sofrimento causaram, ou permitiram a sua existência, desde sempre, no Mundo. Essa é pelo menos a convicção que tenho e a leitura que faço quando reflicto sobre as causas dos inúmeros conflitos que já presenciei.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ser contra a Intolerância é simplesmente ser pela aceitação do OUTRO, com as suas diferenças, é simplesmente “não fazermos ao outro o que não gostaríamos que nos fizessem a nós”. É não humilharmos o outro, com a nossa prepotência, arrogância e superioridade mas estendermos-lhe uma mão amiga, aberta, para tentarmos caminhar juntos!&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ser contra a Indiferença é preocuparmo-nos com o OUTRO, não olhá-lo como se fosse transparente! É abrirmos os olhos e os ouvidos ao sofrimento alheio, aos gemidos e gritos de dor do nosso semelhante, mesmo se está nos longínquos Afeganistão, Palestina, Israel, Ruanda, Congo ou Iraque.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sou, por isso, pela Liberdade, pela Paz e pela Solidariedade, que não são mais do que ousar ir, se necessário, a contra corrente de políticas desumanas, ser humanamente correcto, mesmo se para tal for preciso ser politicamente incorrecto, pugnar pelos valores fundamentais e universais, ou seja, querer um Mundo com dignidade, justiça e progresso para todos!&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Entendo que há momentos em que todo o ser humano tem o dever indeclinável de dar um grito de protesto, por imperativo de consciência. É o que tenho feito e espero poder continuar a fazer, enquanto tiver força e oportunidade, contra as injustiças, venham elas de onde vierem.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Peço-vos, por isso, para reagirem. À escala individual, sejamos solidários. Não à indiferença, não à intolerância. Tenhamos a coragem de fazer a diferença e lutar juntos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Estou ciente de que o Mundo perfeito nos é inacessível, mas creio que é possível sonharmos e pugnarmos por um Mundo melhor e mais justo onde a ética e as questões sociais, ambientais e culturais estejam no vértice das preocupações e intenções humanas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Para que este outro Mundo seja possível - um Mundo multirracial, multireligioso e multicultural -, é essencial criarem-se pontes e interdependências, tendo como suportes básicos a tolerância, a liberdade, a solidariedade e o ecumenismo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sim, sonho e quero esse Mundo mais justo, mais ético, mais solidário, mais digno e mais honroso para todos. Em nome do Ser Humano, em nome de todos nós. É absolutamente necessário.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Não é fácil e, nem sempre agradável, essa luta, e a conquista desse novo mundo surge, na maior parte das vezes, como uma utopia, mas uma conquista só merece ser chamada como tal, quando se ultrapassaram obstáculos para a obter. E o segredo, se é que existe, queridos Amigos, é nunca desistir, qualquer que seja a adversidade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2010-07-26T11:07:33</issued>
    <title>Viajantes, a maior Nação do Mundo</title>
    <published>2010-07-26T10:39:26Z</published>
    <updated>2010-07-26T18:55:30Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Numa altura em que o desgaste de meses de trabalho começa a dar lugar ao merecido descanso para muitos, escolho falar-vos dos viajantes, da riqueza cultural que se adquire com as viagens, da importância de conhecer o outro e de ter um espírito sem fronteiras.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Falar dos viajantes como a maior nação do mundo é extremamente aliciante, não obstante ser um difícil desafio tal é a amplitude do tema. Podemos afirmar que desde o início da humanidade o conceito sem fronteiras foi um facto. Só muito mais tarde os agrupamentos humanos se identificaram, se localizaram e constituíram as suas fronteiras delineando os Estados ditos modernos. Até à I Revolução Mundial, que implicou passar do nomadismo ao sedentarismo, efectivamente as pessoas estavam sempre em movimento. Tal era fundamental para a sua sobrevivência económica e implicava contactos extremamente frequentes com outros grupos humanos, também eles em movimento permanente. Se recuarmos aos fenícios, aos gregos, aos romanos, aos visigodos, aos vikings e mais tarde aos portugueses, espanhóis, holandeses, ingleses e franceses constataremos que todos esses povos foram povos viajantes. Para expandir as suas conquistas, a sua cultura ou o seu domínio militar e religioso estiveram sempre em movimento constituindo sucessivamente impérios, sempre efémeros, forçosamente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A motivação do viajante pode ser diversa. No que me diz respeito, já que penso pertencer a essa nação do mundo que é constituída por pessoas abertas aos outros, e que por isso mesmo tentam estabelecer contactos com outras pessoas estejam onde estiverem, a motivação que me levou até hoje a cerca de 160 países no mundo é sem dúvida a vontade de conhecer as realidades da vivência de outros povos e, na medida do possível, dar o meu contributo no sentido de minorar as carências e o sofrimento que esses povos têm na sua duríssima luta pela sobrevivência.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Acho que é fundamental irmos ao encontro dos outros para depois podermos falar com conhecimento de causa de acontecimentos que marcam o andamento do mundo. É fundamental viajar para se formar, para compreender, para entender o que realmente se passa nesta nave espacial que é a Terra e que nos leva a todos para um destino comum. Para mim, é esse conceito do viajante que me interessa, pese embora o facto também de, sempre que viajo, tentar beneficiar das belezas dos sítios que vou conhecendo. Tenho pois também nas minhas viagens uma componente lúdica, turística, de interesse cultural, mas no fundo da questão, o essencial para mim é tentar ajudar o meu semelhante e compreender a evolução global da nossa humanidade e quais os grandes desafios que a confrontam actualmente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A aproximação com o outro é efectivamente o cerne da questão no que me diz respeito enquanto viajante. Uma vez aproximado ao outro e com a perspectiva que já referi, a ajuda e a compreensão, é evidente que de imediato nos vemos mergulhados em questões como a interdependência, a interculturalidade, a tolerância, a aceitação, a miscigenação e a questão da globalização tão popular nos dias de hoje. Costumo dizer que para falar dos acontecimentos contemporâneos não basta ler os jornais e os livros. É fundamental quanto a mim termos tido a possibilidade de nos deslocarmos a essas regiões para podermos testemunhar e compreender os enormes desafios que nelas se levantam. Por exemplo, hoje quando falo do drama humano vivido no Médio Oriente penso ter o direito e o dever de me exprimir e de expressar a minha visão da tragédia humana que lá se vive na medida em que já estive no Egipto, no Líbano, na Palestina, em Israel, na Jordânia, no Iraque e no Irão. Como é que alguém pode em conhecimento de causa falar do conflito israelo-palestiniano sem ter estado na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e em Israel e sem ter vivenciado a tragédia que aconteceu em Beirute Ocidental, na guerra do Líbano em 1982 e ter presenciado o comportamento belicoso e extremamente perigoso do Sr. Sharon? Sem compreender os receios da população israelita que tem medo de vir a ser expulsa do Estado de Israel ou morrer despedaçada em atentados bombistas de ódio e revolta e sem compreender, por outro lado, a enorme tragédia do povo palestiniano que há mais de 50 anos vive no exílio, com grande parte desse povo vivendo em campos de refugiados em condições infra-humanas (como é o caso na Faixa de Gaza onde num minúsculo território vivem cerca de 1 milhão de pessoas amontoadas sem nenhuma perspectiva de trabalho nem de futuro) não se pode perspectivar uma solução de salvamento e tolerância para esses dois povos irmãos. Os israelitas terão que estender um ramo de oliveira aos seus irmãos palestinianos (e esses deverão cessar os mortíferos atentados) e perceber que os palestinianos já não suportam mais, e com razão, ver o seu território, já exíguo e super populado, ocupado por inúmeras colónias israelitas que controlam não só zonas geográficas mas também as estradas de ligação entre essas zonas, fazendo com que todo um povo se veja encurralado e preso como se estivesse num gueto, tipo gueto de Varsóvia, para já, felizmente, sem uma perspectiva de extermínio do tipo solução final dos nazis alemães.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Como falar de África sem ter tido a possibilidade de percorrer aquele continente, como já tive oportunidade de o fazer, tendo estado em mais de 40 países dos 53 que constituem o continente africano?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Como falar da tragédia das cidades sul americanas superlotadas com todos os problemas decorrentes de uma urbanidade descontrolada e com uma periferia de favelas em crescimento perigosamente explosivo, sem ter tido a possibilidade de visitar cidades tais como Rio de Janeiro, Lima, Quito, Caracas, La Paz, Tegucigalpa...?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Como falar da Ásia nomeadamente da Ásia Meridional sem se ter estado, no Bangladesh, na Índia ou no Paquistão, nomeadamente em Dakha, Bogra, Bombaim, Calcutá, Karachi, Faisalabad…?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sou daqueles que acreditam que um outro mundo é possível. Esse outro mundo mais humanizado, com mais ética, com mais regras, com mais tolerância e abertura, com mais aceitação é possível, mas só se os cidadãos assim o quiserem. Como viajante que sou, pugno efectivamente por uma nova visão do mundo e pugno por uma nova mentalidade do ser humano. Sou daqueles que sonham com a existência de uma cidadania global, com uma única nacionalidade que abrangeria todos os habitantes da Terra e diria mesmo até do Universo. Acredito que a vida é única no que diz respeito à sua sacralidade porque ao longo das minhas inúmeras viagens constato sempre as mesmas necessidades básicas em qualquer parte do mundo. Todo o ser humano procura apenas e só satisfazer as suas necessidades mais elementares, como sejam a alimentação, a habitação, o vestuário, a saúde, a educação, o amor e a fé numa entidade superior que a tudo e a todos transcende, inacessível, independentemente do nome que lhe é dado. Acredito que a grande maioria dos habitantes do nosso planeta é essencialmente isso que procura. É verdade que há uma minoria que ergueu o dinheiro como um deus e que em nome desse falso deus está disposto a tudo, inclusive a matar o seu semelhante. Há uma minoria disposta a tudo para ter um aparente e efémero poder e, infelizmente, tem condicionado os desejos e as vontades da grande maioria da população do nosso planeta. Estou crente que no final será possível termos um mundo de inclusão em que nos sentiremos todos aceites pelas nossas diferenças.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Como viajante constato que o que há de mais rico no nosso mundo é a diversidade cultural, etnográfica, folclórica, racial, ambiental e espero que isso possa ser preservado para o futuro da história humana, apesar de estar consciente que há uma fortíssima tendência, negativa porque redutora da riqueza do homem e do seu planeta, para a homogeneização de todas essas diferenças.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Resumindo, diria que ser viajante hoje é ter um espírito sem fronteiras, que muitos outros antes de nós já tiveram, mas ter nesse espírito o sentido da preocupação com o outro para ver como, em conjunto, poderemos fazer um mundo melhor. É evidente que hoje os desafios são extremos, estamos numa autêntica revolução mundial que está a questionar tudo, inclusive os nossos valores mais essenciais e compreendo que haja razões para às vezes nos sentirmos completamente desorientados, diria mesmo perdidos. Acredito como viajante que sou que há uma enorme esperança e que essa esperança nesse outro mundo possível reside na capacidade do ser humano se adaptar e corrigir comportamentos desviantes como aqueles que estão a ter lugar hoje, nomeadamente com a questão do terrorismo e dos fundamentalismos de todos os quadrantes.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Espero que todos os viajantes do mundo, aqueles que têm um espírito aberto para serem permeáveis a outras influências e culturas, se possam unir no sentido de constituirmos efectivamente a maior nação do mundo e que essa nação seja feita de tolerância, de entendimento, de aceitação, de inclusão e porque não dizê-lo também, de amor e de paz.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Viagens e turismo, sim! Mas solidários!&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2010-07-11T14:14:18</issued>
    <title>Um novo paradigma civilizacional é preciso!</title>
    <published>2010-07-11T13:31:57Z</published>
    <updated>2010-07-11T13:31:57Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No dia mundial da população, reitero o meu apelo e reforço o meu alerta para a necessidade premente de adoptar comportamentos que contribuam para a mitigação das alterações climáticas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 2006, estive como convidado numa cimeira das Nações Unidas, em Nova Iorque, com representantes da Sociedade Civil Mundial. O tema dessa reunião era as Alterações Climáticas. Saí de lá assustado, e desde então nunca mais deixei de o estar pois a situação do nosso Planeta tem-se deteriorado de forma acelerada desde então. A questão do aquecimento global é, em termos imediatos e absolutos de urgentíssima prioridade para este início de século XXI.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ainda em Julho do ano passado, como sinal da premência do desafio, participei, na cidade de Gaia (nome da mítica deusa Terra), na qualidade de embaixador da maravilhosa iniciativa “Condomínio da Terra” no ”Fórum Internacional do Condomínio da Terra”. Nele estiveram presentes nomes como Bill Mckibben, perito ambientalista norte-americano de incontestável saber e mérito. O que sobressaiu desse encontro, dezassete anos após a Cimeira do Rio de 1992 e do infrutífero protocolo de Quioto e outras pouco ambiciosas e determinadas cimeiras, como a de Bali e a de Copenhaga, em 2009, é que estamos já sem qualquer margem de manobra se quisermos evitar a previsível destruição do nosso Planeta.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Faça-se o que se fizer já hoje, os efeitos do aquecimento global devido à maciça emissão de CO2 e da destruição da camada de ozono, são já inevitáveis para os próximos 20 ou 30 anos. As decisões positivas imprescindíveis que venham a ser tomadas hoje, como por exemplo, a redução significativa das emissões de gazes com efeito de estufa, (e temo que a incompetente e fraca governação global ainda se mantenha prisioneira ou subserviente dos poderosíssimos interesses e lóbis das empresas petrolíferas e outras fontes energéticas poluidoras - carvão, xistos betuminosas…), só surtirão efeito daqui a 20, 30 ou até mesmo 40 anos! O que quer dizer que toda a população do nosso Planeta vai ter que pagar um altíssimo preço por esses desmandos, dignos do louco imperador romano Nero. Já não é só Roma que está a arder: é todo o Planeta! Os efeitos catastróficos de tantos devaneios já estão bem visíveis, salvo para os que lucram no imediato e os pseudo “cientistas” sem ética nem coluna vertebral que, bem pagos por certos lóbis, publicam “estudos” encomendados que apontam para… uma nova era glaciar. Com certeza para daqui a milhares de anos quando a nossa espécie, e as outras, já tiverem desaparecido. Já perceptíveis e visíveis são o aquecimento global. Por cada grau centígrado que a temperatura global subir na Terra, os efeitos catastróficos serão exponenciais. Mais 1ºC é grave, no Nepal a temperatura já subiu 1º C nos últimos 30 anos; mais 3ºC é catastrófico (acontecerá daqui a 30 a 60 anos se não soubermos implementar um novo e sustentável paradigma energético e de consumo); mais 6ºC será possivelmente o fim do Planeta (poderá acontecer daqui a 100 a 300 anos!), implicando a evacuação da população da Terra (no máximo 1 milhão de habitantes) para o fundo dos Oceanos, a Lua, Marte e a Lua de Júpiter (Europa). Aconselho desde já a leitura da Revista “Sciences et Avenir” de Julho 2008 com a entrevista feita ao astrofísico Alfred Vidar-Madjor (pág. 63), Director de pesquisa no CNRS (Centre Nacional de Recherche Scientifique) e membro do Institut d’Astrophysique de Paris. Arrepiante de lucidez e de perspectiva global!&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Esse aquecimento já está a provocar ou provocará a curto médio prazo:&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- Degelo do Árctico, Antárctico, Gronelândia, Alasca, Himalaias, … (algumas mentes mais perversas vêem nisso grandes oportunidades para ainda mais chorudos negócios com lucros imediatos e fáceis: navegação pela rota do Árctico mais curta e com seguros mais baratos… e exploração mais fácil e menos onerosa do petróleo e outros minérios do Alasca, Gronelândia, Antárctico). De referir que o Serviço Mundial de Monitorização dos Glaciares, com sede em Zurique, revelou há poucos meses uma brusca acentuação de degelo de todos os glaciares no Mundo. Tal constatação levou a que a China e a Índia decidissem criar um programa de investigação científica comum para monitorizar os glaciares dos Himalaias.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O degelo acentuado e rápido dessas reservas de água do Mundo vai descontrolar as correntes frias profundas dos Oceanos, perturbar a regularidade de rios vitais para centenas de milhões de pessoas (Ganges, &lt;span style="color: #000000;"&gt;Yangtze&lt;/span&gt;, Huang He) e deslocar e matar à fome milhões de pessoas que terão de fugir das suas terras, nomeadamente dos deltas desses rios, futuramente submersos! Só no delta do Ganges, estima-se que vivam entre 125 e 143 milhões de pessoas e que dele dependem cerca de 300 milhões. O delta tem uma densidade populacional de 200 pessoas/Km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; A subida acentuada do nível dos mares, 1 a 2 metros em 100 anos, submergirá muitas cidades e vilas no Mundo que se concentram nas orlas marítimas e albergam centenas de milhões de pessoas…&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- A subida global das temperaturas provocará a expansão de doenças tais como a Malária e o Dengue, que regressarão ou se implantarão nas regiões ora temperadas como o sul da Europa;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- A alternância de períodos de secas e de chuvas torrenciais, imprevisíveis, aumentarão substancialmente a fome, os refugiados, os deslocados, os conflitos pela comida, pela água ou pela mera sobrevivência em múltiplas regiões do Mundo e não apenas na África já esquecida e tão mal tratada…&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;E porque estamos apenas a entrar num furacão à escala planetária, não somos ainda capazes de abarcar toda a sua amplitude embora já estejamos a ser fustigados por ele.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na minha infância desaconselhava-se a exposição solar nas praias das 13 às 14 horas e a utilização de cremes protectores era de índice relativamente baixo. Hoje em dia, o período já se alargou: das 11 às 16 horas e o factor de protecção dos cremes aumentou. Para quando a interdição total à exposição nociva das radiações solares cada vez mais intensas?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Se quisermos ter um Mundo sustentável, com futuro viável para todos, temos, nós, os ricos, que aceitar apertar o cinto para que eles, os menos ricos ou mais pobres, possam desapertar um pouco o deles! Como referi anteriormente, não podemos exigir aos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e outros, que não se desenvolvam mais sob o pretexto de que vão poluir mais… e esgotar os recursos do Planeta! Que autoridade moral nos assiste para pedirmos, por exemplo, à China para travar o seu consumo energético e o seu desenvolvimento, quando nós (EUA + Canadá + UE) temos sido os grandes poluidores (menos de 1/6 da população e 36% da emissão de CO2) e os grandes predadores dos recursos do Planeta?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;É pois de um novo paradigma civilizacional que o nosso Mundo carece e urgentemente!&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Novo paradigma nas relações Norte – Sul e Ocidente - Oriente e novo paradigma de consumo, de utilização da energia e de outras matérias-primas, pondo à cabeça as madeiras, com a gravíssima e insustentável exploração florestal em África, Ásia, Amazónia… Salvemos os nossos pulmões verdes! É necessário parar com a desenfreada desflorestação e apostar decisivamente nas energias limpas (ou verdes): eólicas, solares, marés, barragens… E sobretudo evitarmos o perigoso caminho da energia atómica! Nesta matéria, Portugal tem todas as potencialidades para se tornar num paradigma positivo e criar uma imagem (ou marca) que sirva de alavanca ao nosso crescimento e à nossa sustentabilidade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nestes novos paradigmas, que a bem ou a mal se imporão, o Humanismo, Inteligência e Bom Senso terão que prevalecer. Trata-se da Sobrevivência Global e de evitar genocídios com dimensões dantescas. Uma coisa é certa: o nosso Planeta não aguenta que todos os seus habitantes vivam com o nível de vida e de consumo dos ocidentais! Em suma, com a nossa pegada ecológica. Se todos os habitantes do planeta vivessem como nós, os portugueses, seriam precisos dois planetas Terra. A viver como os nórdicos ou os norte-americanos seriam precisos três ou quatro planetas Terra…&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Então, como fazer?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Temos que aceitar, repito, apertar o nosso cinto para que os outros possam enfim aliviar um pouco o deles porque há muito que andam com espartilhos e camisas de sete varas e já não aguentam mais! Teremos políticos, corajosos e lúcidos que nos ousem dizer claramente isto e exigir que todos, a começar pelo topo da pirâmide social e por eles próprios, façam o que tem de ser feito?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Se assim não for, e a última Cimeira do G8 (Julho de 2009) em Áquila, na Itália, assim infelizmente demonstrou, preparemo-nos desde já e a mais curto prazo do que imaginam, para violentíssimos confrontos globais e um longo período de trevas. Duvido que os decisores actuais, até hoje coniventes com os comportamentos que nos colocaram à beira do precipício, sejam capazes dessa alteração comportamental.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sem a pressão da Sociedade Civil Global Solidária e o surgimento de uma nova geração de políticos e gestores que se alicercem na frontalidade, ética, valores e bom senso, continuaremos com as estéreis boas intenções. Apelo pois a todos os cidadãos para tomarem consciência e positivamente pressionarem…&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;É por isso que, se for eleito Presidente da República, terei em muito particular atenção a questão ambiental.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Abraço!&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2010-06-25T14:44:14</issued>
    <title>Haja Esperança!</title>
    <published>2010-06-25T14:09:21Z</published>
    <updated>2010-06-25T14:09:21Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Dois anos volvidos sobre o romper da crise financeira mundial, permito-me dizer que algumas decisões revelaram-se extremamente esclarecedoras. Por um lado, a capacidade de mobilização de capitais financeiros pelos Estados, quando verdadeiramente motivados para o fazer. Por outro, a sua incapacidade para, com rapidez e determinação, regulamentarem de uma vez por todas as transacções financeiras “tipo roleta russa” e exemplarmente punirem os prevaricadores que afectaram a economia global e a vida de centenas de milhões de pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Seria muito laborioso e longo discutir agora e aqui se a injecção maciça de capitais e avais foi o melhor caminho de actuação. Penso sinceramente que os débeis, aprisionados e armadilhados Estados não tinham verdadeira alternativa perante a violência da situação que ameaçava muito claramente levar à derrocada do errado paradigma civilizacional actual.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Derrocada essa, provocada pela grande maioria dos “gestores” financeiros e da “classe” política, que, demitindo-se das suas nobres, porque éticas responsabilidades sociais de governação (o ajuizado e íntegro respeito pela “res pública” que se reflectia na saudosa divisa “Pela Lei e Pela Grei” do insigne estadista D. João II), se tornaram puros servos do capital mais nefando com a sua mortífera especulação sem freios, a dita “economia de casino” e os seus “gananciosos e nebulosos produtos tóxicos”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando para os “líderes”, os direitos se sobrepõem aos deveres, o descalabro é sempre inevitável! Tal já aconteceu na História, seja com  monarquias ou repúblicas, devido às respectivas “aristocracias” e elites vaidosas, balofas, gananciosas e adulteradas porque sem honra, nobreza de carácter ou coluna vertebral!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não admira pois que os Estados se ajoelhassem perante o desvario da alta finança e as subsequentes ondas de pânico avassaladoras que tudo e todos fizeram, e ainda fazem, tremer… assim como não admira os passes de magia, milhões de milhões a saltarem de nenhures de estados super endividados, com que fomos contemplados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não nos esqueçamos porém do rasto de profunda miséria que se alastrou, como consequência directa dessas enormes fraudes, para uma parte muito significativa da população do planeta Terra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porém, duas questões essenciais carecem de respostas e esclarecimentos cabais:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;1-      Como foi possível mobilizar-se em cerca de um ano, mais (muito mais… quem sabe ao certo?) de 18 milhões de milhões de USD (18.000.000.000.000) para tentar estancar a loucura devida a alguns gestores gananciosos (e mesmo assim ninguém ousa garantir que tão faraónica quantia chegará para evitar o desmoronamento da muralha de areia criada à nossa volta para restabelecer a imprescindível confiança, sem a qual nada será nunca mais possível)?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;2-      Como é possível que as Nações Unidas, até hoje, não tenham conseguido mobilizar os necessários e “míseros” anuais 25 mil milhões de USD (25 000 000 000), ou seja, 720 vezes menos, para que em 2015 fossem atingidos os propalados Objectivos do Milénio (ODM), tão essenciais para o futuro da Humanidade, pese embora aprovados por todos os chefes de governo presentes na famosa Cimeira do Milénio em Nova Iorque em Setembro de 2000?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estou certo que não faltarão por aí distintas luminárias para responderem, com enorme cinismo é claro, a tamanha falta de humanismo e de inteligência… São as mesmas luminárias que dizem sempre dormir o sono dos justos apesar dos desmandos globais que, enquanto “responsáveis”, incentivaram ou encobriram! Como é possível tão descarados ladrões, insaciáveis e incompetentes não verem todos os seus bens confiscados e estar na cadeia?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estarão à espera que as bombas sociais nos rebentem na cara nos quatro cantos do mundo? E quem irá acudir? Nós os humanitários de serviço, já com pouca pressão nas mangueiras para sermos eficazes perante a grandeza dos incêndios que já se vislumbram? O mundo está mesmo inquietante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porém, acredito que ainda existem razões para ter esperança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na quarta-feira, o relatório anual de avaliação dos Objectivos do Milénio revelou que a taxa &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/181647.html" target="_blank"&gt;global de pobreza deverá cair para 15% até 2015, o que significa que 920 milhões de pessoas continuarão a viver abaixo da linha da pobreza, ou seja, metade do número total de 1990. O mesmo documento mostrou ainda que foram alcançados progressos significativos no acesso à educação primária na África Subsaariana e na saúde infantil e igualdade de género na América Latina e Caraíbas.&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2010-06-15T12:56:54</issued>
    <title>O Rufar dos Tambores da Guerra e a Fortaleza contra o Apocalipse</title>
    <published>2010-06-15T12:01:16Z</published>
    <updated>2010-06-15T12:01:16Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;O título deste texto não é nenhum conto para crianças, mas também o poderia ser se o propósito fosse mostrar-lhes uma janela de esperança e impedir que repetissem os erros já cometidos pelos seus pais e avós.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A janela de esperança, efectivamente, ainda existe! Embora estreita, representa o sonho que está sempre presente em cada um de nós e que está a permitir a edificação de uma fortaleza contra o apocalipse. Essa fortaleza é constituída pelos cidadãos conscientes e informados do mundo que não abdicam dos seus valores e que por isso mesmo pugnam de forma determinada por um Mundo mais Humano, onde a Cidadania Global deverá ser uma realidade e onde os princípios éticos e morais deverão ser decisivos na tomada de decisões coerentes e de salvaguarda da Humanidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse novo Mundo possível, a miséria absoluta, de que padece diariamente um quinto da população do Planeta Terra, seria erradicada e já só seria possível de ser vista num museu construído para o efeito, como sonha o último Nobel da Paz, o Professor b&lt;em&gt;engali Muhammad Yunus&lt;/em&gt;. Esse museu, como o do holocausto Nazi, seria a prova viva da nossa memória colectiva sofrida, mas iluminada. Sofrida porque nos confrontaria com o facto de termos sido suficientemente inaptos e insensíveis para aceitar viver durante uma eternidade num mundo onde a “miséria assassina” vitimizava milhões de seres humanos todos os anos, qual verdadeiro genocídio silencioso e esquecido. Iluminada, porque ao conseguirmos eliminar tamanho absurdo, poderíamos enfim viver orgulhosos e felizes, pois teríamos, enfim, conseguido o maior feito alguma vez realizado pelo ser humano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se acabássemos com a miséria que tantas vezes me choca e humilha, daríamos um passo decisivo na caminhada para uma Paz sustentada e duradoura. Seriam depois necessários outros passos – mas disso as gerações vindouras se responsabilizariam, incentivadas pela nossa acção – até que um novo paradigma humano que impediria de uma vez por todas os desvarios presentes e os hediondos actos que infelizmente já se vislumbram, florescesse e iluminasse novos caminhos e entendimentos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas de momento, infelizmente, de novo os tambores de guerra já rufam e, desta vez, anunciam-se armas atómicas!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sessenta e dois anos depois do holocausto de &lt;em&gt;Hiroshima&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Nagasaki&lt;/em&gt;, ouve-se falar novamente, como um dado inevitável e sem possibilidade de retrocesso, da utilização de armas atómicas, desta vez com início no Médio Oriente...e fim no...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É contra esse crescente rufar ensurdecedor de tambores enfurecidos que a nossa Muralha (todos nós) se deve erguer e gritar um rotundo NÃO!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto médico humanista, pai, filho e irmão de todos os seres humanos da nossa Humanidade, peço que estejamos atentos por forma a, no momento oportuno, lançarmos em comum um grito global que imobilize os arautos da guerra espúria que desde já se preparam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não pudemos e não soubemos ser escutados de forma a impedir a absurda e criminosa guerra contra o povo iraquiano. Não nos é permitido voltar a falhar.  As crianças de todo o mundo e as gerações vindouras não nos perdoariam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desta vez, a nossa Muralha, a nossa Fortaleza, tem que conseguir travar os dois genocídios já em curso – o da fome e o da dívida (duas armas de destruição maciça, como justamente as apelida Jean Ziegler) -, mas também o genocídio que resultaria obrigatoriamente de uma deriva militar atómica. Se não o fizermos, não só destruiremos as nossas vidas, mas hipotecaremos, de forma duradoura, o futuro da nossa Terra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tirando esses combates tremendos, evitar um conflito atómico com contornos indefinidos e incontornáveis e pugnar pelo fim dos dois genocídios silenciosos já referidos, há ainda outras batalhas muito prementes e essenciais a travar pela nossa Fortaleza Cidadã, Cívica e Humanista. O fim da corrida às armas, o fim dos governos corruptos e ditatoriais, a implementação de um comércio mais justo, a elaboração e aplicação de regras mais éticas, equitativas e equilibradas por parte do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, da Organização Mundial do Comércio e do G8..., o reforço da educação e da saúde no mundo, a gestão equilibrada dos recursos do Planeta e o fim da sua mortífera poluição, o fim da exploração sexual infantil e da antiga e nova escravatura, o fim do comércio sujo das pedras preciosas, o respeito pelos Direitos Humanos, o reforço da acção, independência e transparência das Nações Unidas e de todas as suas agências, a construção de uma União Europeia mais aberta e transparente e com dirigentes credíveis, de preferência, e preocupados em escutar os seus cidadãos...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como vêem, meus Amigos, as tarefas e os desafios – e fiquei longe da enumeração exaustiva – são hercúleos, ciclópicos! A Humanidade não precisa e não suporta mais nenhum desvario como aquele que insistentemente ouço, nos últimos tempos: um conflito atómico! Como se tratasse apenas de comer um gelado ou beber um &lt;em&gt;whisky&lt;/em&gt; e, seguidamente, virássemos simplesmente uma página, mais uma, do livro “danos colaterais”, aberto por alguns inconscientes e incompetentes globais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Importa encerrar este livro de cinismo e de ignomínia o quanto antes. A Fortaleza, a Muralha constituída por nós, Cidadãos Globais informados, atentos, humanistas e interventivos, pode consegui-lo. Tal será muito mais fácil e evidente se a nossa Fortaleza Global estiver alicerçada em Governos democráticos, éticos e responsáveis e em forças do Mercado Cidadãs e Solidárias.  É isso que temos que conseguir. É por esse fim que temos que pugnar! É esse, penso eu, o nosso dever indeclinável de Seres Humanos Livres e Sequiosos de Paz, em prol do Mundo sustentado que sonhamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não nos esqueçamos do que o sábio Pitágoras dizia: &lt;strong&gt;“Educai as crianças e não será preciso castigar os homens”&lt;/strong&gt;.  Invista-se, pois, na educação, informação, sensibilização para a cidadania e bom senso, a fim de evitarmos mais guerras e indizíveis sofrimentos que castigam os inocentes e os esquecidos de sempre!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre a denominação de “Pacifista” ou de “Utópico”, quantas vezes pronunciada com superior desdém e desprezo por alguns, e o de “Assassino” (politico, económico ou ...) a quem nada perturba o sono, eu já escolhi. E vocês, meus Amigos?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais: não aceito, não quero, não permito que os meus filhos, os biológicos e os do Mundo, sejam carne para canhão, numa guerra atómica ou outra qualquer, inventada e conduzida por objectivos iníquos. Este é o meu grito!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ouçam-no, por favor, em nome de uma Humanidade que sonho e quero humanista e solidária.&lt;/p&gt;</content>
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