Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Pode ser lida aqui.



publicado por Fernando Nobre às 12:29
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

Faço questão de republicar o texto que escrevi quando completei 56 anos (e que aqui publiquei depois, em Dezembro de 2008). Hoje celebro os meus 60 anos e continuo a sentir-me a viver este Outono da Vida.

 

 

Amor, Compaixão e Liberdade: vale a pena viver e lutar!

 

Não sei quanto tempo me resta de vida. Nenhum de nós sabe ao certo e é bom que assim seja. Quando temos 20 anos, pensamos ter a eternidade terrena e ainda bem! Temos então forças e sonhos, ou pensamos ter!, para mudar o Mundo, torná-lo muito melhor, se possível no paraíso reencontrado.

Não há então montanha inacessível, obstáculo inultrapassável, desafio impossível. Já tive 20 anos. Era de aço, dizia o meu Pai, e tinha muitos sonhos. Foi lindo. Pensava que nascíamos todos puros, ingénuos e bons. Magnífica primavera com miragens idílicas: teria o meu hospital no mato tal Albert Schweitzer!

Hoje, ao completar 56 anos, já não sou de aço, já não consigo ficar três dias sem dormir, sempre a trabalhar a olhar pelos meus doentes, como fazia nos hospitais de Bruxelas… Estou no Outono da minha vida e o Inverno vem a galope… Já não há eternidade terrena, já sonho menos, já só há efemeridade e bastante inquietude pelo estado do Mundo. Numa altura em que às vezes os filhos se afastam, estão no seu direito, em que a morte nos ceifa ou ameaça ceifar, amigos, familiares próximos… as interrogações nos tiram o sono… A nossa pequenez interpela-nos: ainda bem.

Vai-se alguma ingenuidade, fortalecem-se algumas certezas.

Assentadas as poeiras estéreis das vaidades, das importâncias e das ambições, só já a valsa das galáxias e o amor dos nossos entes mais queridos nos encantam. Já sabemos que não vamos endireitar o Mundo (de que enorme arrogância padecíamos!), mas sabemos algumas coisas. Sim, sei com a máxima certeza absoluta que vale a pena ainda continuar a viver e a lutar pelo Amor, pela Compaixão e pela Liberdade. Com Paixão. É indeclinável. Sem apelo.

Aos 56 anos, já tudo o resto é fútil, ilusão. Foi-se o aço mas ficou a certeza: não me acomodar com a insensibilidade, com a indiferença, com a falta de amor, de compaixão e de liberdade com que alguns nos querem prender… Envenenando-nos, envenenando-me.

Numa altura em que folhas secas já começaram a cair da minha árvore, levadas por um vento cada vez mais fresco, há meia dúzia de flores que se agarram ao meu tronco com a tenacidade da perenidade.

São as flores que me acompanharão até ao fim e que vos gostaria de oferecer neste final de ano com o desejo sincero que elas se incorporem no vosso tronco e nunca vos abandonem, estejam vocês onde estiverem e seja qual for a estação que estejam a viver.

Amor, compaixão, liberdade, sensibilidade, harmonia, tolerância. Vivam com elas, lutem por elas. Vale a pena. Eu vou fazê-lo. A AMI vai continuar a expandi-las. É em nome dessas flores que chamo filhos a todas as crianças do Mundo e amigos a todos os seres humanos. Já não consigo viver de outro modo.

É essa hoje a minha luta. É ela que me mantém ainda vivo. Afinal ainda tenho sonhos…

 

 



publicado por Fernando Nobre às 13:11
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Uma vez que foi ontem votado, em reunião plenária, o parecer sobre a minha renúncia ao mandato de deputado, publico hoje a carta que enviei à Presidente da Assembleia da República, Dra. Assunção Esteves, na qual explico as razões da minha decisão.

 

 

Lisboa, 1 de Julho de 2011

 

Senhora Presidente da Assembleia da República,

Excelência,

 

Venho por esta via, com a máxima consideração e o total respeito pelos deputados eleitos e pela insubstituível função exercida pela Assembleia da República, como genuína casa da representatividade nacional na sua pluralidade e da Democracia portuguesa, apresentar a minha renúncia, a partir do dia de hoje, ao mandato de Deputado, eleito como independente e primeiro candidato da lista do Partido Social Democrático pelo círculo de Lisboa, para a XII Legislatura que teve início a 20 de Junho de 2011.

 

Independentemente da grande honra que é ser deputado, decidi em consciência que, perante os grandes desafios sociais que teremos de enfrentar e viver no futuro próximo, serei mais útil na acção, no terreno, ajudando os Portugueses mais afectados pela crise e desprotegidos a combater a miséria, a exclusão social e a injustiça, promovendo a dignidade e a esperança entre os mais pobres, voltando à minha actividade de mais de trinta anos de intervenção cívica, humanitária e de ajuda ao desenvolvimento em Portugal e no Mundo, no quadro dos Médecins Sans Frontières e da Fundação AMI, instituição que tive a honra de fundar em 1984 e a que presido.

 

É nessa área, e diante dos tempos duros que nos esperam de real emergência social, que a minha experiência, o meu empenho e o meu trabalho melhor poderão servir o País na resolução dos problemas concretos de pessoas concretas.

 

Nesse sentido, ao longo de mais de três décadas, creio ter ajudado a prestigiar Portugal no Mundo e contribuído para a diminuição das desigualdades e exclusão social no nosso País.

 

O Parlamento é a Casa da Democracia e os partidos políticos os seus pilares insubstituíveis e incontornáveis. Estou certo que chegará um dia em que o reconhecimento da pluralidade de modelos de representação política aclamará o Parlamento também como a Casa da Cidadania.

Quero também deixar expresso, nesta minha carta de renúncia ao mandato de deputado, o meu sentido respeito e a minha profunda amizade pela Excelentíssima Senhora Presidente da Assembleia da República, Dra. Assunção Esteves, e a minha elevada consideração pelas  Senhoras Deputadas e pelos Senhores Deputados eleitos.  É com alguma tristeza que me afasto das funções de recém-eleito deputado, mas estou certo e ciente de que serei, como já referi, mais útil aos portugueses, a Portugal e ao Mundo na acção cívica e humanitária que constitui a minha marca identitária.

 

Quero aqui expressar o meu mais sentido agradecimento ao Senhor Presidente do Partido Social Democrata, Dr. Pedro Passos Coelho, pelo desafio que me lançou para encabeçar a lista de Deputados pelo Círculo de Lisboa e pela honra que me deu o grupo parlamentar do PSD, como partido vencedor das últimas eleições legislativas, ao propor-me, como cidadão independente e oriundo da Sociedade Civil, como primeiro candidato do Partido Social Democrata a Presidente da Assembleia da República.

 

Travar esta batalha ao lado do Senhor Dr. Pedro Passos Coelho e da grande maioria do PSD constituiu um enorme desafio que muito me orgulha e uma imensa honra. O Senhor Dr. Pedro Passos Coelho e a maioria do grupo parlamentar do PSD tiveram sempre para comigo uma atitude de grande estímulo e apreço. Tentei retribuir dando toda a minha energia, disponibilidade e genuíno empenhamento.

 

Pressinto no Senhor Dr. Pedro Passos Coelho, nosso mui digno Primeiro-Ministro, a inteligência determinada, a coragem, o bom senso e o sentido de Estado necessários para resgatar Portugal do caos económico, político e social, irresponsavelmente por outros criado.

 

Acredito também que a Assembleia da República, por si tão dignamente presidida, dará um significativo contributo para o futuro positivo de Portugal.

 

Por fim, quero agradecer, uma vez mais, aos Deputados do PSD pelo Círculo de Lisboa, e em particular à JSD, que me acompanharam, apoiaram e defenderam, durante toda a campanha. O sucesso eleitoral do PSD no Círculo de Lisboa, que tive a honra de encabeçar, deveu-se a uma equipa de gente extraordinária, generosa, e de coragem. Guardá-los-ei sempre nas minhas mais gratas recordações. 

 

Às Senhoras Deputadas e aos Senhores Deputados, as minhas sinceras saudações e o desejo de grande êxito para o exercício do seu mandato.

Estou seguro de que todos nós, independentemente do lugar onde exerceremos o nosso dever de cidadania, saberemos cumprir as nossas responsabilidades e responder com honra aos desafios do nosso tempo e de Portugal.

Com os meus respeitosos cumprimentos,

  

Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre

 

 



publicado por Fernando Nobre às 18:44
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011

Decidi hoje escrever este texto por respeito às pessoas verdadeiramente livres e independentes que, tendo ou não votado em mim nas últimas eleições, não compreendem a minha mais recente decisão e se sentem, de certa forma, defraudadas ou desiludidas. Não incluo assim, nos destinatários destas palavras, aqueles que, orquestrada, sistemática e militantemente, agora me insultam, a mim e à instituição que dirijo, revelando uma intolerância inaceitável em democracia.

A minha decisão pessoal de aceitar o desafio que o Dr. Pedro Passo Coelho me lançou foi fruto de uma profunda reflexão e foi, acreditem, dificílima. Sabia o que me esperava caso aceitasse, mas também sabia que tinha a possibilidade de poder fazer algo de concreto pelo meu país. E a minha decisão foi essa: a de não ficar nos bastidores, mas antes assumir a minha missão em nome de Portugal.

Só quem não age, é que não é criticado. E eu ajo e agirei sempre que a minha consciência me ditar.

Sei que muita gente considera que “desperdicei” os quase 600 000 votos que tive em Janeiro. Não concordo. Eu apresentei um conjunto de ideias e elas “valeram” o voto de confiança de quase 600 000 pessoas. As eleições são isso mesmo: apresentação de projectos e sua submissão ao eleitorado. Mas não me considerei, desde então, a voz dessas pessoas. Sempre afirmei que só era dono do meu voto.

Se alguns daqueles que confiaram no meu projecto para a Presidência da República o acham incompatível com o desafio que decidi agora abraçar, eu afirmo que não é. A intenção foi, é e continuará a ser melhorar Portugal. O objectivo foi, é e continuará a ser poder fazer, poder concretizar. Os tempos que vivemos são duros. São difíceis e conturbados. Pouco haverá a fazer para minimizar o impacto que os próximos anos terão na vida dos Portugueses. Mas ainda há espaço de manobra. E eu decidi, em consciência, estar presente e contribuir com as minhas ideias, os meus ideais e valores, para, naquilo que puder, tentar minimizar esse impacto. Quem critica tem que estar disponível para deitar mãos à obra. Criticar é disponibilizarmo-nos para participar na mudança.

Eu critiquei. Não podia assim, quando alguém (que sabe o que penso, o que defendo e quem sou) me desafia a deitar mãos à obra, dizer não. Ou melhor, podia, mas estaria a ser cobarde e, aí sim, incoerente comigo próprio. Se critico é porque acho que é possível fazer melhor. Achar que é possível fazer melhor e ficar sentado é cobardia. É desonestidade. É desinteresse. É incoerência.

Quem me lançou este desafio sabe que sou independente. E aceitou respeitar essa independência. E eu aceitei estar ao seu lado, nos tempos mais próximos. E ajudar a que este país seja mais justo e socialmente mais equilibrado. O Dr. Passos Coelho decidiu dar uma continuidade àquele que tem vindo a ser um sinal do eleitorado: vontade de ver cidadãos independentes com poder para agir. Corajosa, esta opção. A sua prossecução é difícil, mas exequível. O debate político não se esgota nos rótulos de direita ou de esquerda. O exercício da política é mais: é principalmente honestidade, abnegação, exemplaridade, rigor, transparência e sentido de Estado. Sempre o disse.

Gostaria que aqueles que hoje se sentem zangados, tristes, desiludidos e até traídos, se dessem ao trabalho de me ver agir. Não estou a pedir votos. Estou a afirmar que, se tiver oportunidade, farei a diferença e que, disso, ninguém duvide! Mas tal, só o tempo poderá demonstrar…

Duas notas apenas:

1 – Este blog nunca publicou e nunca publicará comentários com vocabulário desapropriado. Muitos têm sido os posts aqui publicados que geraram controvérsia. E sempre todos os comentários foram publicados, desde que argumentados e educados. Nunca insultei ninguém. Liberdade de expressão não é poder insultar. É poder exprimir opiniões.

2 – Lamento que a AMI esteja a ser alvo de uma campanha suja, para denegrir a sua imagem. A quantidade de pessoas que esta instituição ajuda, diariamente, é merecedora de um pouco mais de respeito, assim como a equipa de mais de 200 pessoas e muitas centenas de voluntários que trabalham, afincadamente, para o bem comum. Um puro acto de egoísmo este o de alguém que prefere, para atingir os seus fins, não olhar à quantidade de pessoas que pode estar a prejudicar… Intolerável e inaceitável!

 

 



publicado por Fernando Nobre às 20:15
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Aqui fica o último texto que escrevi para editorial da AMInotícias, distribuída na passada semana. Da Cidade do México, onde estou para a reunião anual do Departamento de Informação Pública das Nações Unidas com a Sociedade Civil, na qual faço questão de participar sempre (que este ano, com toda a pertinência, versa sobre o desarmamento - pela paz e pelo desenvolvimento), deixo uma nota pessoal: aceitei integrar a Comissão de Honra da recandidatura de António d'Orey Capucho à Autarquia de Cascais, uma vez que sou munícipe deste Concelho há 15 anos e me sinto, naturalmente, envolvido no futuro do Município. Mais uma vez, a minha decisão tem como única origem a minha consciência e única causa o que penso ser o meu dever de cidadão independente e livre.

 

O meu envolvimento em iniciativas relacionadas com eleições nacionais (legislativas ou autárquicas) fica, garantidamente, reduzido a esta opção, que, repito, é estritamente pessoal.

 

 

Só a partir de Galileu, pese embora a ortodoxia das cúpulas da Igreja Católica que insistiam na tese de Copérnico em ver não só o nosso Planeta como ponto central do nosso Sistema Solar, mas até de todo o Universo, a Humanidade começou a entender, progressivamente, que o nosso Planeta mais não era do que um dos corpos em movimento à volta da estrela Sol, como esta não era mais do que um dos centenas de milhar de pontos luminosos da nossa Galáxia Via Láctea e que esta mais não era do que uma das mais pequenas galáxias das centenas de milhar, ou milhões, de galáxias em perpétuo valsar no infinito Universo, em expansão (para onde… se ele já é infinito?) ou em contracção o que simplesmente ultrapassa o meu fraco entendimento de ser finito.
Agora uma coisa é certa: desde o Renascimento, em poucos míseros séculos à escala temporal universal, passámos, com o nosso Planeta, da centralidade do Universo para mais não sermos do que uma poeira insignificante e invisível que, qual neutrão, rodopia numa imensidão que nos ultrapassa.
Depois chegou-nos o conhecimento da esmagadora velocidade a que a luz se propaga (300.000 km/s) e os muitos milhares de anos-luz que separam a nossa estrela, o Sol, da mais próxima estrela, outro “Sol”, e do seu provável sistema planetário…
Com a teoria da Relatividade de Einstein e a sua celebérrima fórmula E= MC2 ficámos atarantados. Que energia será essa, onde estará ela, que permitirá impulsionar uma massa, por exemplo uma nave espacial, à velocidade da luz no espaço inter-estelar, inter-galáctico ou intersideral mesmo privado de gravidade, e mesmo assim levando milhares de anos até ao mais próximo sistema planetário eventual…. Evidentemente só à velocidade do pensamento poderíamos lá chegar…
Para já, com os nossos foguetões a atingirem uns míseros 30000 km/h… E tal impossibilidade de atingirmos outros sistemas solares, muito provavelmente perdurará para as próximas centenas, ou milhares, de anos, pese embora a evolução tecnológica fabulosa que se perspectiva. É verdade que muitas vezes, como não me canso de repetir, a realidade ultrapassa a ficção…
Foi então que os nossos cientistas se puseram a estudar com afinco o nosso próprio sistema solar, uma vez descartadas as míticas aventuras dos marcianos e outros venusianos, para ver onde, ainda que com múltiplas adaptações (Gravidade, O2, Água, Temperatura, Luz…), as nossas espécies vivas, incluindo a humana, poderiam instalar-se e sobreviver caso a vida se tornasse impossível no nosso Planeta.
Entretanto nós, portugueses, tínhamos iniciado, com as descobertas e os achamentos, a grande aventura da globalização do Planeta que, com a evolução tecnológica, hoje é um facto irreversível: nos anos 60 do século XX foi lançado o conceito de “Aldeia Global”…
Com a sedentarização, a melhoria da alimentação, das normas de higiene e os progressos da medicina preventiva e curativa, a explosão demográfica aconteceu. Se em 1900, desde o início da humanidade com as cidades sumérias e mesopotâmicas há uns 10 mil anos, só éramos 1000 milhões de habitantes no planeta, em 1921, quando a minha Mãe nasceu, já éramos uns 2000 milhões e em 1951, quando eu nasci, passámos a ser 3000 milhões. Hoje, já ultrapassámos os 6000 milhões a consumir cada vez mais e a esgotar os recursos do planeta (fontes minerais, energéticas, mares, solos…) e a poluir o ar (atmosfera), os rios e oceanos (hidrosfera) a explorar a terra (fontes minerais, energéticas, solos…) e a arruinar a nossa biodiversidade.
Estes números querem dizer apenas isto: desde o ano em que a minha querida Mãe nasceu a população do Planeta mais do que triplicou e desde que eu nasci mais do que duplicou, com o consumo a disparar tanto na vertente alimentar - mais carne (o que consome muito mais energia para a sua produção: no mínimo 6 vezes mais do que os cereais para o mesmo número de calorias), mais carros, mais televisões, mais computadores, mais telemóveis, mais i-pods…
Tornou-se então necessário, indispensável, calcular a pegada das pessoas, empresas e nações (consumo e subsequente produção do nocivo CO2) para chegar à impossível conclusão, a presente quadratura do círculo: o Planeta não aguenta mais! Tanto mais que os povos dos países emergentes e os outros prosseguirão as suas ambições, estão no seu mais estrito direito, de quererem adoptar o nosso modo de vida e consumo…
Pese embora os vários alertas que os cientistas e os ambientalistas foram dando, sobretudo com o grande grito que foi a Cimeira do Rio, em 1992, e o subsequente Protocolo de Quioto, até à Cimeira de Bali, em 2008, os resultados práticos são manifestamente timoratos e por isso francamente insuficientes.
Perante isto, os grandes centros credíveis de investigação científica mundiais tal como o CNRS (Centre National de Recherche Scientifique) em França, cuja seriedade melhor conheço, devido à minha formação francófona, já estão a elaborar estudos concretos quanto à necessidade e possível viabilidade da evacuação dos habitantes do Planeta Terra, num período de 100 a 300 anos. Calcula-se que será possível evacuar um máximo de um milhão de pessoas (será difícil incluir um português a menos que entre disfarçado de norte-americano ou chinês…), para os únicos três lugares possíveis do nosso sistema planetário: a Lua, Marte e uma lua de Júpiter chamada Europa… E mesmo assim talvez antes se revele indispensável ir-se viver para o fundo dos Oceanos…
Pois bem, é perante esta situação bem real, que já não é de ficção, que têm surgido acções extremamente pertinentes e louváveis como o Projecto 350.org liderado por Bill McKibben, um movimento de cidadania global para alertar e combater o problema do aquecimento global e o movimento “Condomínio da Terra”, de que me orgulho ser um dos Embaixadores.
O movimento “Condomínio da Terra” www.condominiodaterra.org deu o seu verdadeiro pontapé de saída na cidade de Gaia, nome da deusa Terra, na mitologia grega, dia 4 e 5 de Julho de 2009 e contou com a participação de nacionais, nos quais me incluí, e estrangeiros, que se preocupam seriamente com o advir do nosso planeta.
Este projecto, coordenado pelo Dr. Paulo Magalhães, honra lhe seja feita pelo extraordinário mérito da iniciativa, conta com os patrocínios da Quercus, Comissão Nacional da UNESCO, Câmara Municipal de Gaia e outras entidades públicas e empresas cidadãs que felizmente entenderam a positiva mensagem e acção que esse movimento pretende concretizar: a nossa Terra como condomínio global que, à semelhança de qualquer imóvel, tem áreas comuns, de que todos são co-responsáveis pela conservação e preservação. No caso da Terra: a Atmosfera, a Hidrosfera e a Biodiversidade! Simples, não? Mas genial e com muito para fazer. Esta esperança só será concretizável, e é imperativo que o seja rapidamente, com a empenhada e inequívoca participação dos 3 pilares das Nações e Estados do Mundo! Vamos a isso: não há tempo para mais delongas… É de projectos inovadores e esperançosos como este que precisamos todos e por eles temos o dever de nos empolgar!
O Planeta Terra assim o exige.
 



publicado por Fernando Nobre às 11:10
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Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Pedem-me muitas vezes que mostre um caminho.

 

Não sou profeta, nem guru. Sem ter, sequer, a pretensão de ser guia seja para quem for, porque prezo ao máximo o sentido crítico e o livre exame de cada um, ousaria dizer que a melhor maneira de actuarmos, cada um à sua dimensão, é ousarmos assumir em pleno os deveres e os direitos que a nossa cidadania nos confere. Informemo-nos e eduquemo-nos lendo por exemplo o "Le Monde Diplomatique" (há em português) e outras revistas e livros com conteúdo (proporei dois por mês) que têm a coragem de nos interpelar... Manifestemos com dignidade a nossa indignação quando confrontados com acontecimentos que chocam as nossas consciências humanas. Ousemos exprimir as nossas opiniões mesmo, e sobretudo, se politicamente incorrectas mas humanamente correctas... Preservemos o nosso sentido crítico e não nos deixemos adormecer, anestesiar... É DIFÍCIL E HÁ UM CUSTO A PAGAR MAS VALE SEMPRE A PENA sobretudo se actuarmos em prol daqueles que, mais frágeis do que nós, precisam da nossa ajuda a fim de voltar a ter rosto e voz humanos! Não tenhamos medo e não enveredemos pelo nefasto caminho da autocensura, primeiro passo para a destruição da democracia e instauração da ditadura encapotada ou não... Enfim, é uma mudança de paradigma humano que, se soubermos fazê-lo germinar em nós e nos outros, sobretudo os mais jovens, poderá tornar possível o desenvolvimento de uma Cidadania Global Solidária talvez a única muralha contra o apocalipse anunciado. É apenas isso e só isso que pela minha acção e reflexão eu tento fazer: traçar e seguir um caminho que me permita contribuir, com a minha gotinha, para o surgimento de um outro Mundo, que é possível, menos inquietante, mais ético e mais fraterno. Em nome da Equidade e da Paz sem as quais não poderá haver Desenvolvimento Harmonioso e Sustentável para o máximo, senão para todos. Para alguns isso é utópico, lírico ou eté mesmo infantil! Não me preocupa mesmo nada: sustentado nos meus estudos, tenho todos os graus académicos que se pode almejar..., nas minhas viagens (mais de 150 países), nas minhas observações das tragédias humanas e nas minhas acções É ESSE O CAMINHO QUE DECIDI TRILHAR E NÃO HÁ FORÇA QUE ME POSSA IMPEDIR DE O SEGUIR PORQUE SE NECESSÁRIO FOR ESTOU DISPOSTO A DAR COMO CAUÇÃO A MINHA PRÓPRIA VIDA. É TÃO SIMPLES QUANTO ISSO. SER LIVRE! PARA QUEM ME CONHECE SABE QUE ISSO É INEGOCIÁVEL.



publicado por Fernando Nobre às 11:09
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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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LIVROS QUE PUBLIQUEI

- "Viagens Contra a Indiferença",
Temas & Debates

- "Gritos Contra a Indiferença",
Temas & Debates

- "Imagens Contra a Indiferença",
Círculo de Leitores / Temas & Debates


- "Histórias que contei aos meus filhos",
Oficina do Livro


- "Mais Histórias que Contei aos Meus Filhos", Oficina do Livro

- "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária", Temas e Debates/Círculo de Leitores

- "Um conto de Natal", Oficina do Livro
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