Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013

Convido-vos a ler aqui, caros amigos, uma nova crónica publicada na Visão Solidária.



publicado por Fernando Nobre às 10:47
link do post | comentar

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Vamos no 17º dia de conflito em Gaza e já com mais de 900 mortos e 4000 feridos.

 

A esse respeito quero apenas relembrar que, na altura do conflito da Sérvia com a sua região autónoma, o Kosovo, em 1999, acusavam-se as forças sérvias de terem morto cerca de 900 kosovares como retaliação de ataques sofridos por parte do UÇK. Essa situação levou à intervenção da NATO que acusava a Sérvia de "genocídio". Quando os bombardeamentos da NATO na Sérvia provocaram 900 a 1000 mortos sérvios, falou-se em "danos colaterais". O que eu hoje me pergunto é se em Gaza vamos falar de "genocídio" ou de "danos colaterais"...

 

APELO a um cessar-fogo imediato e ao diálogo.

 

Permito-me transcrever aqui um texto meu, publicado no Diário Económico de dia 9 do corrente:

 

Seria muito longo abordar, com a profundidade histórica, étnica, religiosa, geográfica e económica…necessárias, um assunto de sobremaneira complexo e intricado nos jogos políticos, económicos e militares das potências regionais e mundiais que intervêm no Médio Oriente.
Esta região não precisa mais de óleo sobre o arrasador incêndio, particularmente violento nos dias de hoje, que há décadas lá se vive. Precisa sim de bom senso e razão.
Ponha-se fim imediato ao massacre e instale-se um cessar-fogo com as seguintes premissas: reconhecimento a breve prazo de dois Estados, soberanos e viáveis, por todos os beligerantes; cessação imediata de apelidações de “terroristas” seja por quem for nessa região; desmantelamento dos colonatos judaicos na Cisjordânia; desmantelamento do muro da exclusão e humilhação; fim dos tiros sobre Israel e das retaliações sobre Gaza; reconhecimento do Hamas como partido político; interposição neutral de forças militares convincentes das Nações Unidas até que os dois povos semitas irmãos cooperem; investimentos financeiros massivos na Palestina para que o seu povo possa viver com dignidade e volte a ter esperança.
O estatuto de Jerusalém, que deve ser declarada Cidade Santa, fica para depois.
É urgente a Paz. Em nome dela são necessárias concessões bilaterais para que se criem pontes de diálogo e de entendimento. É este o meu apelo à razão. Basta de bestialidade e de irracionalidade!



publicado por Fernando Nobre às 18:02
link do post | comentar | ver comentários (16)

Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia. 

O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes (“terroristas”) do movimento Hamas.

 

Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas:

- Os jovens palestinianos, que são semitas ao mesmo título que os judeus esfaraditas (e não os askenazes que descendem dos kazares, povo do Cáucaso), que desesperados e humilhados actuam e reagem hoje em Gaza são os netos daqueles que fugiram espavoridos, do que é hoje Israel, quando o então movimento “terrorista” Irgoun, liderado pelo seu chefe Menahem Beguin, futuro primeiro ministro e prémio Nobel da Paz, chacinou à arma branca durante uma noite inteira todos os habitantes da aldeia palestiniana de Deir Hiassin: cerca de trezentas pessoas. Esse acto de verdadeiro terror, praticado fria e conscientemente, não pode ser apagado dos Arquivos Históricos da Humanidade (da mesma maneira que não podem ser apagados dos mesmos Arquivos os actos genocidários perpetrados pelos nazis no Gueto de Varsóvia e nos campos de extermínio), horrorizou o próprio Ben Gourion mas foi o acto hediondo que provocou a fuga em massa de dezenas e dezenas de milhares de palestinianos para Gaza e a Cisjordânia possibilitando, entre outros factores, a constituição do Estado de Israel..


- Alguns, ou muitos, desses massacrados de hoje descendem de judeus e cristãos que se islamisaram há séculos durante a ocupação milenar islâmica da Palestina. Não foram eles os responsáveis pelos massacres históricos e repetitivos dos judeus na Europa, que conheceram o seu apogeu com os nazis: fomos nós os europeus que o fizemos ou permitimos, por concordância, omissão ou cobardia! Mas são eles que há 60 anos pagam os nossos erros e nós, a concordante, omissa e cobarde Europa e os seus fracos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não têm nada a ver com essa tragédia, desenvolvendo até à náusea os mesmos discursos de sempre, de culpabilização exclusiva dos palestinianos e do Hamas “terrorista” que foi eleito democraticamente mas de imediato ostracizado por essa Europa sem princípios e anacéfala, porque sem memória, que tinha exigido as eleições democrática para depois as rejeitar por os resultados não lhe convirem. Mas que democracia é essa, defendida e apregoada por nós europeus?


- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.


- Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).


- Estranha guerra esta em que o “agressor”, os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os “agredidos”. Nunca antes visto nos anais militares!


- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos “heróis” que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!


- Como pode um povo que tanto sofreu, o judeu do qual temos todos pelo menos uma gota de sangue (eu tenho um antepassado Jeremias!), estar a fazer o mesmo a um outro povo semita seu irmão? O governo israelita, por conveniências políticas diversas (eleições em breve...), é hoje de facto o governo mais anti-semita à superfície da terra!


- Onde andam o Sr. Blair, o fantasma do Quarteto Mudo, o Comissário das Nações Unidas para o Diálogo Inter-religioso e os Prémios Nobel da Paz, nomeadamente Elie Wiesel e Shimon Perez? Gostaria de os ouvir! Ergam as vozes por favor! Porque ou é agora ou nunca!


- Honra aos milhares de israelitas que se manifestam na rua em Israel para que se ponha um fim ao massacre. Não estão só a dignificar o seu povo, mas estão a permitir que se mantenha uma janela aberta para o diálogo, imprescindível de retomar como único caminho capaz de construir o entendimento e levar à Paz!


- Honra aos milhares de jovens israelitas que preferem ir para as prisões do que servir num exército de ocupação e opressão. São eles, como os referidos no ponto anterior, que notabilizam a sabedoria e o humanismo do povo judeu e demonstram mais uma vez a coragem dos judeus zelotas de Massada e os resistentes judeus do Gueto de Varsóvia!

Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!

 

É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.

É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.
 



publicado por Fernando Nobre às 08:40
link do post | comentar | ver comentários (151)

Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

Meu Deus como ouso eu escrever-te esta carta quando de Ti tanto duvidei e ainda por vezes duvido embora não entenda o Universo sem Ti. É certo que de Ti, ou dos teus mensageiros (Abraão, Moisés, Boudha, Jesus, Maomé), retive o que norteou e norteia a minha vida: “Não matarás”, “Que aquele de entre vós que não cometeu pecado lhe lance a primeira pedra” e “...perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido...” e, sobretudo, que o Amor é a essência da vida!

E é por isso, Jahvé, que ouso escrever-Te. Faço-o porque, confesso, estou perplexo, revoltado e perdido. Se Tu és único, e por isso necessariamente o Pai de todas as criaturas, independentemente da crença que professam ou não, como entender que todos os apologistas do ódio, da guerra e da exclusão, independentemente da crença que professam ou não, ousem sem vergonha invocar permanentemente o Teu nome para justificarem os seus crimes, a sua ganância e o sofrimento que infligem aos seus irmãos? Dir-me-ás que sempre assim foi...mas será que teremos de continuar sempre nesta senda absurda, intolerante e mortífera? O “olho por olho, dente por dente” está-nos a deixar a todos cegos e desdentados...Recuso-me a aceitar-Te como qualquer “deus” menor, vingador, castigador e sectário...

Allah o que poderemos nós fazer, nós, simples poeiras efémeras, para que todos na Terra e no Universo entendam que só há um caminho para acabarmos com tanta loucura: o Amor, outro dos teus Nomes. Tu que és Luz, será que conseguirás acabar com todos os fundamentalismos e terrorismos? Será que a Tua centelha sagrada perfurará a muralha empedernida de estupidez e de indiferença assassina presente em tantas mentes tacanhas e cegas que ainda não sabem o que é humildade e sensibilidade? Se as próprias galáxias são poeiras no infinito Universo, que crias em permanência, será que esses inconscientes que são menos que átomos, assim como nós todos, se deixarão iluminar por Ti? Ainda haverá esperança? Quantos milhões de anos luz até que Tu, a Luz, os penetres e retires, e nos retires também!, das trevas?

Tu, O Inacessível, que tantas vezes procuro na dor das guerras, da fome, dos campos de refugiados...serás mesmo inacessível ou sou eu que não te sei encontrar porque emaranhado nas minhas contradições, nos meus medos? Será que só és O Invisível porque não Te queremos ver? Permanentemente mergulhados no horror ou nas névoas das nossas mentiras e ilusões estaremos condenados à cegueira e à desorientação perpétuas?

Tu, porque não te imagino de outro modo, que és Compaixão, Solidariedade e Ponte de Diálogo entre todos os teus filhos, nós todos, como é que te sentes há milénios perante tanta barbaridade? Será verdade que tudo isso é só teatro, ilusão e sonho? Será verdade que todos os terrores e atrocidades a que diariamente assistimos são indispensáveis ao nosso desenvolvimento espiritual colectivo da mesma maneira que só a escuridão dá sentido á luz? Será que um dia farás que acordemos e percebamos que todo esse não senso era só encenação? Será que a morte é o acordar, o renascer...? Andamos todos equivocados e daí a minha desorientação?

Tu, o Grande Arquitecto do Universo, como consegues manter o equilíbrio, a serenidade? Porque és o único verdadeiro sábio, conhecedor e fazedor do princípio e do fim, o alfa e o ómega da nossa caminhada aparentemente sem nexo. Sim porque só Tu, o Inalcançável, sabes donde viemos e para onde vamos. A nós restam-nos as suposições, as frustrações, os desejos, as crenças...

Só Tu, que és a única e verdadeira Força, o coreógrafo da valsa das galáxias, entendes o que a harmonia e a beleza encerram e pretendem. Para mim são necessariamente o objectivo último da Humanidade para o qual tanto gostaria de poder contribuir com a minha pincelada. Será? No Outono da minha vida, sem certeza nenhuma de alcançar o Inverno letárgico, ou revigorante, estou, meu Deus, cheio de dúvidas e de medos para o Mundo, para os meus, para mim...Mais do que nunca sinto-me uma inexistência...

Olho para a montanha que me reservaste para subir e receio já não ter forças para escalar o que me resta ainda vencer e ter assim uma possibilidade de chegar ao arbusto ardente, a Ti.

Se não conseguir garanto-Te que tentei e continuarei a tentar até ao último dos meus suspiros pois, como sempre me ensinaste, e acredito, “o que tem de ser tem muita força”. Tu tens que ser. Se assim não for já nada tem sentido para mim e terei vivido uma falácia. Não pode ser!

Desde aquele dia, na Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, em que não me senti merecedor de um sinal que me enviaste (assim hoje creio) e por isso, descrente, Te pedi confirmação (o que evidentemente não me concedeste), que me julgo indigno de Ti. Não estava preparado. Mais uma vez, pecador, nesse dia duvidei de Ti, da tua força, duvidei de mim e do meu merecimento.

Só espero que no fim dessa minha permanente andança pelo mundo, onde tento apenas ser um bombeiro que distribui umas gotas de água (a pressão na mangueira é quase nula), esteja um dia pronto para Te reconhecer se tiver a felicidade de Te encontrar.

Possa o arco em que me transformaste ter força suficiente para que as acções e as preces que tem lançado se tenham aproximado de Ti. Se assim não foi é porque errei. A minha única defesa será dizer: pelo menos tentei! Será?

Até esse momento derradeiro em que espero fundir-me em Ti, e impregnar-me de uma ínfima parcela da tua sabedoria, faz-me entender este mundo que tanto me machuca e me tritura. Para tal eis-me aqui pronto para beber a taça de fel que eventualmente me tenhas destinado. “Caminho plano não leva ao céu”... diz a sabedoria popular.

Dá-me então forças para continuar a subir a montanha e um dia ter a suprema felicidade de beber uma taça de mel e leite contigo.

Tenho pois que continuar a subir a montanha...
 


 



publicado por Fernando Nobre às 23:59
link do post | comentar | ver comentários (27)

Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

Ao ouvir as notícias dos últimos 3 dias (200 mortos em Gaza) só posso, mais uma vez , lamentar a escalada de violência na Terra Santa. 

Como é que é possível que, no lugar em que as três religiões do Livro veneram de igual modo os três patriarcas (Abraão, Isaac e Jacob), se assista, continuamente, a tamanha barbárie e que a política do "olho por olho, dente por dente" esteja a deixar-nos a todos cegos e desdentados? 

Esperemos que a próxima liderança norte-americana tenha capacidade para sentar à mesa de negociação os envolvidos e encontrar uma solução. 

Continua actual o texto que escrevi em 2002, como editorial da AMInotícias:

 

Tenho apenas uma pretensão: a de ser um espírito livre. Acredito que a consciência humana é o que há de mais belo porque, quando impoluta, é inquebrantável, indomável e não se vende, e dou como exemplo admirável o insigne Cônsul Aristides de Sousa Mendes, de ilustre memória para toda a Humanidade, na sua intransigente e justa defesa dos judeus durante a 2ª Guerra Mundial.


Dito isto, entendo que há momentos em que, como todo o ser humano, tenho o dever indeclinável de dar um grito de protesto, por imperativo de consciência: é o que tenho feito e espero poder continuar a fazer, enquanto tiver força e oportunidade, contra as injustiças, venham elas de onde vierem.


Hoje, não me posso calar perante o insuportável e intolerável drama do sacrificado e mártir povo palestino, e o cortejo atroz das suas inocentes vítimas israelitas.


O exacerbado drama humano em curso na Palestina e em Israel explica-se, como é evidente, por factores históricos mas, actualmente, sobretudo: 

 

1º- pela intolerância e arrogância do governo israelita tendo à cabeça um primeiro ministro com marcadas tendências neonazis que julga, com o álibi da “luta contra o terrorismo”, tudo lhe ser permitido para matar a Autoridade Palestina, que manifestamente abomina, sem que haja ninguém para o parar na sua louca e suicidária aventura que, manifestamente, já vai longa! Lembro-me do cerco de Beirute em 1982 (estive lá!) e das matanças nos campos de Sabra e Chatila.... E não me venham com o argumento de que “é democrático porque foi eleito”, porque, nesse caso, o famigerado, louco e assassino Hitler também era democrático porque também ele foi eleito em 1933 e, nesse caso, se o Le Pen um dia fosse eleito também se tornaria, ipso facto, democrático...! Como é possível que um povo, o judaico, que tem uma história milenar repleta de sofrimento e de vultos importantíssimos para a Humanidade aceite ser governado por tal carrasco? Interrogo-me, não compreendo. Seria importantíssimo relerem, entre outros, MILA 18, EXODUS, OH JERUSALEM... e repensarem nos Dez Mandamentos de Moisés e no suicídio colectivo em MASSADA durante a ocupação romana para entenderem que não têm o direito de fazerem aos outros o que injustamente lhes fizeram... Por isso sofri ao visitar os campos de extermínio de Auschwitz e de Dachau. Nunca entenderei a barbárie!

2º- pela incompetência e corrupção de uma certa elite política palestiniana e árabe completamente alheada dos verdadeiros interesses dos seus povos, que pouco ou nada fizeram para melhorar as suas tristes e miseráveis condições de vida, nomeadamente nos campos de refugiados, enquanto vultuosos financiamentos da União Europeia, do Japão, da Arábia Saudita, dos Emiratos Árabes e da importante diáspora palestiniana iam chegando... De salientar que o pouco que tinha sido feito está hoje reduzido a escombros pelo vandalismo arrasador das invasões das forças israelitas...

3º- pela indiferença, falta de coerência, inoperância, cobardia e parcialidade da comunidade internacional, em todo o seu espectro e esplendor, dos Estados Unidos da América à União Europeia, passando pelas Nações Unidas e outros ...


Nenhum espírito minimamente bem formado e informado, inclusivamente sobre o sumário da História dos últimos 3000 anos!, pode aceitar ou sequer alhear-se das acções e tendências em curso nem deixar de estar seriamente preocupado com o futuro da Democracia e, por isso, da Paz no Mundo.


Porque no fim de contas é “apenas” e “só” isto que está em causa: a Paz e a Democracia no Mundo. Com o “cair da máscara”, acção cinicamente legitimada com o trágico 11 de Setembro de 2001, instalou-se, sem a mínima vergonha, a política de dois pesos e duas medidas, do mais forte, da indiferença, da intolerância, do desprezo, da arrogância e do “quero, posso e mando” que em nada se coaduna com um Mundo harmonioso e sustentado, que legitimamente pretendemos para todos.

 

Um Requiem pela Humanidade, orquestrado e dirigido por maléficos maestros, está a ser tocado. Oxalá seja interrompido a tempo dando lugar, a nível global, a um novo sistema baseado em Princípios, Valores e Ética com os mesmos Deveres e Direitos para todos, sem excepção.

 

A utilização do vocábulo “terrorista” tem manifestamente, e sobretudo após o 11 de Setembro, intenções e estigmas que importa desmascarar. Não está em causa o profundo sentimento de dor que sentimos pelas vítimas, sejam elas israelitas ou palestinianas, martirizadas pela violência bárbara que a todo o momento as despedaça, (até que seja a nossa vez!), seja às mãos de um homem ou mulher bomba (amanhã, quem sabe?, uma criança), seja às mãos de um condutor de um buldozer que lhes desfaz a casa por cima das cabeças só porque não querem abandoná-las ou porque não as abandonam suficientemente depressa! O que está evidentemente em causa é a perversa manipulação na utilização da palavra “terrorista”. “Terroristas”, poderemos vir a ser considerados todos nós amanhã, você e eu, tal como foram sempre considerados todos os resistentes e, por isso, executados quando apanhados, como sucedeu, por exemplo, com muitos europeus (tais como os heróicos resistentes judeus do Gueto de Varsóvia) assassinados pelos nazis alemães durante a segunda guerra mundial. “Rebeldes” ou “Terroristas” já o foram, ou de tal seriam apelidados hoje!, todos os Resistentes, Libertadores ou Fundadores de Estados, alguns hoje quase endeusados pelos seus povos, tais como Dom Afonso Henriques, Simon Bolívar, José de San Martin, George Washington, General De Gaule, Ben Gourion, Agostinho Neto, Patrício Lumunba, Mao Tse Tung, Ho Chi Minh e milhares de outros que sentiram a necessidade de, em nome dos seus povos, resistir por todos os meios ao seu alcance, mesmo os mais cruéis, à opressão, à humilhação e ao desespero infligidos aos seus povos ou para os levar rapidamente à vitória... Todos eles comanditaram e ordenaram acções de terror contra os seus dominadores ou inimigos vitimando dezenas, centenas, milhares, centenas de milhares, ... de vítimas inocentes: trata-se de factos. Tudo o resto são interpretações históricas, políticas e morais ajuizadas em função da visão ou do interesse dos que tiveram a sorte de saírem vencedores!


Ai dos perdedores, porque para esses não há nem nunca houve perdão: muitos acabaram fuzilados, enforcados ou a apodrecer em masmorras! Assim teriam acabado todos os que citei, como aconteceu com o Patrício Lumunba, se tivessem perdido! Outros houve, porém, embora também terroristas, tais como Fouché, Estaline, Menahem Beguin, Pinochet... que foram adulados acabando as suas vidas feitos duques, presidentes, primeiros ministros e mesmo Prémio Nobel da Paz, pasme-se!


Assim nos querem vender hoje o Arafat e certos palestinos como “terroristas” mas não o fazem com os “terroristas” Ariel Sharon e alguns dos seus seguidores.
No entanto, ambas as partes têm folhas de serviço de puro terror, a primeira como entidade dominada, humilhada e resistente e a segunda como entidade dominadora e opressora ... embora sempre com as palavras Deus, Paz, Democracia e Povo nos lábios.

 

Ouso pois afirmar que para haver Paz na Palestina tem de haver absolutamente: Equidade, Equilíbrio, Respeito, Humanidade e Tolerância.
Quero com isso dizer:
- Dois Estados Independentes (e não um Independente, Israel, e o outro uma Colónia, um Bantustão ou um Protectorado desmilitarizado, sem controlo das suas fronteiras e sem direito a uma política externa autónoma...), o que obrigatoriamente impõe 
- o desmantelamento e o fim dos colonatos israelitas no futuro Estado da Palestina (que já só representa 22% da antiga palestina) e exige que 
- Jerusalém, Cidade Santa, seja reconhecida universalmente como Cidade de Paz, seja desmilitarizada (já que infelizmente, pelos vistos, não se pode desmilitarizar todo o Mundo!), e seja a Capital dos dois povos e dos dois Estados, que deverão ser Estados Irmãos, pois só assim sobreviverão.

 

Judeus e Palestinos deveriam ter sempre em mente que têm o mesmo Patriarca: Abraão, o Pai das três religiões monotéistas do Mundo: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo! É tempo, após desavenças milenares, de viverem como Irmãos em nome de Abraão, Ismael, Isaac e Jacob: a Paz no Mundo assim o exige!

 

É pois, simplesmente, em nome desse Ideal de Justiça e de Humanidade e por isso forçosamente de Respeito pelo Outro (Liberdade, Fraternidade e Igualdade... lembram-se?), que é, para mim, o único que poderia e deveria levar à Paz no nosso Mundo, que eu tenho gritado e continuarei a gritar: por imperativo de consciência! Pode-vos parecer uma Utopia mas... garanto-vos que continuo a achar que vale a pena lutar por utopias, mesmo quando “brindado” com “avisos-ameaças” como recentemente me aconteceu. Está a tornar-se perigoso dizer o que se pensa. Será? Se assim for, maior razão para gritar, por imperativo de consciência, o meu protesto de homem livre.



publicado por Fernando Nobre às 14:12
link do post | comentar | ver comentários (7)

Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Encontro-me na mítica Taprobana, cantada por Luís Vaz de Camões.
Actualmente Sri Lanka, após ter sido Ceilão. Fez ontem quatro anos que, com a AMI, aqui cheguei para prestar socorro após o trágico tsunami de 26 de Dezembro de 2004.
 

Desde então, a AMI desenvolveu nesta ilha inúmeros projectos, estando actualmente a decorrer três que importa salientar:

- Um em Batticaloa, na costa leste da ilha, por intermédio da Fundação Portugal-Sri Lanka, que a AMI aqui fundou e de que sou patrono. Está em fase adiantada de construção o Centro Social e Cultural Dom Lourenço de Almeida (3000m2), que dará apoio, essencialmente, aos luso-descendentes da ilha. Simultaneamente, com essa Fundação, estamos a financiar projectos de formação profissional e capacitação da sociedade civil.
- Segundo, no Orfanato D. Bosco, em Berwala, construímos um dormitório para 150 crianças, um centro social e, actualmente, financiámos o alargamento e modernização das infra-estruturas para a criação de porcos que permitirão a sustentabilidade financeira do orfanato.
- Terceiro, em Colombo, o Centro para a Sociedade e Religião, que foi inteiramente renovado graças ao nosso apoio. Trata-se de um centro vital, num país em guerra civil há 25 anos, guerra essa que já terá provocado para cima de 200 mil mortos e onde os atropelos aos direitos humanos, os atentados e as crianças soldado são sempre, infelizmente, notícia.


Mais uma vez, constato que o conflito divulgado como religioso (tamil/hinduísmo e cingaleses/budismo) é, de facto, um conflito pelo poder económico e político.


Até quando, no nosso mundo, continuaremos a assistir à manipulação da religião com fins outros que nada têm a ver nem com Deus, nem com a fé?


Com a AMI, continuarei a luta pela paz como tem sido para mim nos úlitmos 30 anos.

 



publicado por Fernando Nobre às 14:36
link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Dia 10 do corrente tive a felicidade de falar para mais de 100 jovens universitários e seus pais, no CUMN, em Coimbra. O tema era "Viagens com...". Falei de felicidade, pois foi o que senti ao dialogar com tantos jovens, com tamanho espírito ecuménico e de servir. É de notabilizar. Saí de lá mais crente e confiante no futuro. Senti nesses jovens o espírito dos primeiros missionários jesuítas, cujo paradigma é São Francisco Xavier, António Vieira, Manuel da Nóbrega.

Aproveito para afirmar a minha admiração e o meu profundo respeito pelos missionários (jesuítas, cambonianos, espiritanos, claritianos...) e as irmãs (S. José de Cluny...) cuja obra espalhada pelo Mundo - e com a qual me cruzo inúmeras vezes - é espantosa.

É essa a Igreja que importa valorizar! Não aquela outra, elitista, intolerante, indiferente, por vezes até política e financeira, que por aí anda há poucas décadas e que esfregou as mãos de contentamento com a liquidação da corrente da Teologia da Libertação, que verdadeiramente fazia sua a mensagem de Cristo.

 

Parabéns aos jovens.

 

Parabéns aos missionários actuantes com espírito tolerante, ecuménico e cristão, porque têm amor para todos.



publicado por Fernando Nobre às 19:54
link do post | comentar | ver comentários (8)


Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
FOTO DA SEMANA


LIVROS QUE PUBLIQUEI

- "Viagens Contra a Indiferença",
Temas & Debates

- "Gritos Contra a Indiferença",
Temas & Debates

- "Imagens Contra a Indiferença",
Círculo de Leitores / Temas & Debates


- "Histórias que contei aos meus filhos",
Oficina do Livro


- "Mais Histórias que Contei aos Meus Filhos", Oficina do Livro

- "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária", Temas e Debates/Círculo de Leitores

- "Um conto de Natal", Oficina do Livro
Pesquisa
 
Contador de Visitas