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Contra a Indiferença

A visão de um cidadão activo e inconformado com certos aspectos e da sociedade.

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Contra a Indiferença

24
Mar09

A actualidade em 2059

Fernando Nobre

Hoje, para ser diferente, publico um texto que escrevi para o Rádio Clube Português (e que foi debatido ontem das 16h às 17h) sobre a actualidade em 2059. É um texto, obviamente, futurista. Mas é o resultado de um desafio lançado por aquela rádio e que me deu algum prazer integrar. Porque considero que, muitas vezes, o que falta aos dirigentes é uma visão de longo prazo, o ir mais além e projectar as decisões de hoje, numa realidade do amanhã.

 

Aproveito para vos dizer, meus amigos, que irei ao Senegal na próxima semana, pelo que estarei, outra vez, um pouco ausente... e que no dia 6 de Abril, pelas 18h30, apresentarei, no Teatro São Luiz, juntamente com a Dra. Ana Gomes, o próximo livro do Doutor Mário Soares, amigo que muito estimo, "Um Mundo em Mudança" - Uma nova era de mudança está a começar.

 

 

É muito difícil, quase impossível, tendo em conta o número de variáveis que podem influenciar a História e a aceleração brutal da revolução global em curso (que atinge todos os paramentos da condição humana), prever a actualidade em 2059. Nessa altura já cá não estarei para poder ser confrontado com os meus vaticínios…
Em 2059, ultrapassado e vencido um longo período tenebroso da História da Humanidade, prevejo que se perspective já uma nova Aurora para todos os seres humanos do nosso planeta, a Terra.
Durante o período das trevas (1980 a 2040), iniciado por um desnorte intenso do paradigma civilizacional surgido nas duas últimas décadas do século XX, os seres humanos na sua globalidade assistiram, pagando um elevadíssimo preço em sofrimentos, isolamento, miséria e morte, ao cavalgar frenético dos novos cavaleiros do apocalipse: Indiferença, Intolerância, Ganância e Irresponsabilidade.
Foram esses cavaleiros que durante cerca de 60 anos conduziram a Humanidade para o desnorte e o quase apocalipse total. Tal só não se concretizou devido ao surgimento, fortalecimento e acção de uma Cidadania Global Solidária apostada em implementar e alastrar a solidariedade, liberdade e ética a todo o planeta.
O encadeamento dos acontecimentos durante esse período negro foi assustador e resultou em inúmeras crises, guerras, genocídios. As causas foram: desregulamento total do mercado; ultra liberalismo selvagem; submissão e subserviência das políticas governativas e seus governantes às poderosíssimas e descontroladas forças financeiras; produção e consumo energéticos predominantemente, quase exclusivamente, dependentes de matérias fósseis muito poluentes do Ambiente; continuada corrida aos armamentos e aos confrontos bélicos.
Durante esse período negro, durante o qual morrerei, as forças positivas da Cidadania Global Solidária foram-se consolidando e consciencializando mas só por volta de 2040 se tornaram decisivas impondo a nova fase em que a Humanidade se encontra hoje em 2059. Enfim começa-se a vislumbrar para breve, o alcance das sonhadas metas de desenvolvimento sustentável propostas há tantas décadas. Os oito objectivos do milénio, definidos e aprovados numa cimeira do longínquo ano de 2000, serão uma realidade em 2055. As energias renováveis limpas já representam 80% do total das energias produzidas e representarão 100% em 2060, o que vai permitir impedir o agravar do desgaste ambiental sofrido durante os últimos 150 anos e garantir a salvação do nosso planeta para os próximos séculos.
O sistema financeiro, enfim regulado e eficientemente fiscalizado, está ao serviço e ao dispor do bem comum estando as offshore e a especulação sobre matérias essenciais proibidas.
O arsenal atómico foi destruído e instalou-se uma moratória para o fabrico de armamento convencional para os próximos 50 anos. O sistema Jurídico Internacional foi reordenado com novas organizações globais verdadeiramente democráticas, que substituíram os caducos NU, FMI, BM, OMC, OCDE …, ao serviço da Paz, dos Direitos Humanos, do Ambiente e do Desenvolvimento Global.

Em resumo: Por volta de 2040 estaremos a sair do período das trevas, onde já estamos e que se irá agravar nas próximas três décadas com tremendas crises que abalarão as Democracias (crises financeiras, sociais, políticas, militares…), para em 2059 começarmos a entrar num novo ciclo de Paz e Harmonia: a nova Aurora tão desejada pela esmagadora maioria dos povos do nosso planeta.


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