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Contra a Indiferença

A visão de um cidadão activo e inconformado com certos aspectos e da sociedade.

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Contra a Indiferença

29
Mar09

A crise sistémica: algumas das minhas certezas...

Fernando Nobre

Posso desde já afirmar algumas certezas, pese embora as dúvidas e inquietações que me assolam, sobre o que nos está a acontecer e sobre o que poderá advir, em Portugal e no Mundo, se não soubermos reagir…

 

Algumas certezas:


- Sem o restabelecimento da insubstituível CONFIANÇA entre os cidadãos, os governantes, os empresários e o sistema financeiro, vulgo banca, será de todo impossível sair-se da presente espiral negativa criada pela ganância e a irresponsabilidade de uma certa “liderança” enferma de egocentrismo e indiferença.


A desconfiança hoje profundamente enraizada em todos os quadrantes da sociedade é o factor decisivo que condiciona negativamente tudo o resto.


Sem se tomarem as decisões imprescindíveis e urgentes na política e na justiça (regulamentações diversas, julgamento rápido dos prevaricadores e imediata confiscação de todos os seus bens, estejam onde eles estiverem, em seus nomes ou não…), decisões que devem ser vistas como essenciais par a salubridade ética e moral de uma sociedade e de um sistema financeiro completamente pervertidos porque engendrados por mentes enfermas de ganância, sem o mínimo bom senso, e desconectadas da realidade, a CONFIANÇA não regressará e então nada será possível. Nem em 2009, 2010, 2011, ou 2012…


- A derrocada em curso já provocou pelo menos o surgimento de mais duas centenas de milhões de pobres no Mundo: nos países mais pobres mas também no seio dos países até agora definidos como ricos ou desenvolvidos. A esse respeito a procissão só agora chegou ao adro e mais centenas de milhões de pobres e de miseráveis surgirão até que se consiga estancar a hemorragia do desemprego e da desesperança.


– Sem uma MUDANÇA RADICAL DO PARADIGMA sobre o qual se alicerçou a Sociedade Humana vigente, há décadas ou mesmo há séculos, não há saída sustentável para a actual crise sistémica. Se essa MUDANÇA PROFUNDA DE COMPORTAMENTOS não ocorrer, e quanto mais depressa melhor, podemos estar certos que a instabilidade financeira, económica, social e política irá agravar-se e desembocará numa crise de regime profunda em todo o Mundo que gerará conflitos globais, sociais e militares, tremendos.


Não é por acaso, meus amigos, que se assiste desde já a manifestações da fome e que todas as grandes potências têm em curso aumentos orçamentais brutais e acelerados para o reforço e a modernização dos seus arsenais bélicos: algo de extremamente grave está em gestação.


Os “líderes actuais” responsáveis da “Ideologia Económica do Desastre”, por convicção ideológica ultraliberal, por subserviência ou demissão perante o desregulado poder financeiro ou por mera ganância ou incompetência, não pensem que bastará apenas fazer uma superficial cirurgia estética (para povo ver e ser ludibriado), para continuarem, ficando tudo na mesma, a actuar como fizeram até hoje!


Tal não será exequível, pois não só é anunciadora de desastres ainda mais profundos mas também porque os povos já não querem mais esse sistema gerador de profundas desigualdades e de indizível sofrimento. Repito: vai ser necessária uma MUDANÇA RADICAL DE PARADIGMA DAS MENTALIDADES, DAS POLÍTICAS E DOS GOVERNANTES A TODOS OS NIVEIS. UMA NOVA SOCIEDADE ESTÁ EM MARCHA E É IMPARÁVEL. QUEM AINDA NÃO ENTENDEU ISSO NÃO PERCEBEU NADA, NÃO OLHA PARA O FUTURO E ESTÁ A QUERER MERGULHAR-NOS NO ABISMO.
CABE DESDE JÁ, OU CABERÁ MUITO EM BREVE, À SOCIEDADE CÍVIL MUNDIAL SOLIDÁRIA ERGUER A MURALHA CONTRA A DESGRAÇA.


- Os mercados terão que ser muito mais regulados, as Off Shores (paraísos das fraudes e outras evasões fiscais) terão que ser banidas, os Estados vão ter que controlar os pilares mestres do seu sistema bancário, segurador, energético e hídrico (e não abrir mão evidentemente dos seus sistemas de segurança interna e externa assim como das suas relações exteriores…), e será necessário regulamentar com um mínimo de ética e bom senso as obscenas disparidades actuais nos salários (e outros bónus) e nas reformas!


- É urgentíssima a estabilização do Mercado e o fim dos cortejos de despedimentos, dos layoff e dos trabalhos precários, causas, senão mesmo sinónimos, de maior pobreza e miséria. É agora porque em 2010, 2011 ou 2012 já será tarde demais porque com o rebentamento das Bombas Sociais o equilíbrio societário será rompido com consequências imprevisíveis!


O expoente máximo dessa miséria humana reflecte-se nas situações, verdadeiramente dramáticas, vividas pelos sem-abrigo. A AMI sabe alguma coisa a esse respeito pelo acompanhamento que faz dessa problemática (com os seus 9 Centros Porta Amiga e os seus 2 Abrigos para os sem-abrigo), há já 15 anos no nosso País!


É pois urgentíssimo o combate estruturado e sem tréguas à pobreza. Há anos que falo e escrevo sobre essa matéria. Temos de fazer do combate à nossa pobreza, a nossa grande vergonha colectiva, uma verdadeira CAUSA NACIONAL (e GLOBAL!). Afirmei-o ainda recentemente perante o Senhor Presidente da República, Professor Cavaco Silva, o qual, na sua conferência de imprensa, no final da honrosa visita que fez às instalações da AMI na cidade do Porto, por ocasião do seu 5º Roteiro para a Inclusão, também salientou a necessidade desta Causa Nacional.

 
Meus Amigos, estas são algumas das minhas certezas, ou das minhas “verdades”, que convosco quis partilhar.

 

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