Domingo, 25 de Abril de 2010

É sempre difícil traçar cenários futuristas sobre a evolução das doenças no Mundo, mas é possível encontrar soluções realistas de combate a algumas delas, que constituem verdadeiros flagelos para a humanidade.

Hoje, as doenças esquecidas não suficientemente combatidas, tais como a malária, a tuberculose, a Sida, a doença do sono, a leishmaniose, a biliarziose...matam todos os anos milhões de pessoas no mundo. Se acrescentarmos a esta verdadeira hecatombe a morbilidade provocada por essas doenças assim como por outras, também elas esquecidas, como a oncocercose (“cegueira dos rios”), as diversas e graves avitaminoses tipo beribéri, o dengue... estaremos, no concreto, a levar esses povos a um subdesenvolvimento sem retorno. Tudo o resto é retórica oca e demagogia assassina! Está em curso um autêntico genocídio perante a indiferença global!

É escandalosa a indiferença com que brindamos quotidianamente as mortes dos milhões de pessoas que em África, na Ásia e na América latina morrem todos os anos de malária.

 

A esses milhões de mortes silenciosas, que nos convém que assim sejam, e por isso assim as mantemos, só sabemos fazer-lhes face com slogans chocantes, porque ocos, hipócritas e bacocos, do tipo: ”Saúde para todos no ano 2000” ou “Redução de 50% da pobreza em África nos próximos 13 anos”. E porque não nos próximos 130 ou mesmo 1300 anos?!?

A comunidade internacional estabeleceu a meta de, em 2010, fazer chegar um tratamento efectivo e com custos acessíveis a todas as pessoas com a doença ou em risco de a contraírem.

Senhores do Mundo, por favor não me façam rir pois do que tenho vontade é de chorar. Tanta hipocrisia, tanta ignorância, tanta desfaçatez, tanta indiferença dói e choca quem mantenha ainda o mínimo de sentido crítico. Saberão os “Donos do Mundo” que o que se investe realmente na luta contra a malária (que todos os anos mata cerca de 1 milhão de pessoas) é menos do que o custo de um qualquer avião sofisticado, de preferência de guerra? Saberão que o que se investe realmente na luta contra a fome (que anualmente mata 3 a 4 milhões de seres humanos) não ultrapassa por ano o custo de um submarino atómico ultra-sofisticado, com o seu poderosíssimo armamento?

 

A verdade é que a chacina-genocídio da malária corresponde, por ano, em vidas humanas, à queda de uns vinte mil aviões sofisticados, e a chacina-genocídio da fome, ao afundamento de uns trinta a quarenta mil submarinos!

Em nome de todos aqueles que, tantas vezes impotente e revoltado, vi e vejo há décadas sofrer e morrer nos quatro cantos do mundo, acuso os manipuladores e os indiferentes, e acho-me no legítimo direito de mais uma vez gritar com todas as minhas forças: Os seres humanos são todos iguais e, por isso, merecedores de igual modo das nossas melhores atenções!

 

Não à indiferença, não à intolerância, tão patentes e tão mortais nos nossos dias. Se amolecermos nesta nossa recusa, estaremos a hipotecar o futuro da Humanidade. Apelo pois a que os insensíveis ao humanismo, reajam pelo menos em nome da inteligência!

A maioria, estou certo, compreenderá. Os outros, permito-me desde já acusá-los, em nome dos milhões de seres humanos, de serem cúmplices do silencioso massacre.

 

 



publicado por Fernando Nobre às 16:17
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25 comentários:
De Pedro Maximino a 2 de Maio de 2010 às 16:53
“O próximo carnaval”

O Nobre já anunciou
O Alegre a caminho vai
O Cavaco ainda é tabu
O PC não se descai

Presidentes à mão cheia
P’ra este nosso Portugal
Qu’o povo desta aldeia
Está farto de se dar mal

Com escolha assim vasta
Triste sina em bom agoiro
Que p’ra desgraça já basta

Esta maldita crise mundial
Por ela nos levam o coiro
Mas deixem-nos o carnaval.


De Pedro Maximino a 2 de Maio de 2010 às 01:18
“Frases”

“Crise que afecta Portugal não é um problema do país, mas sim um problema global”, a propósito deste branqueamento no meu tempo dizia-se OMO lava mais branco, é claro que interessa colar esta mensagem à realidade actual, alguém acreditará que os anjos sejamos nós e os outros os diabos? mas a ser verdade então só nos resta esperar que os diabos se convertam.

“A vida política portuguesa não pode ser crispada, não interessam as culpas, o que interessa é que estamos sob fogo”, é verdade nós somos um país de brandos costumes, muito tolerante e nada melhor que uma boa fogueira para espiar os nossos pecados e limpar as nossas almas, terão sido portanto os diabos externos que atearam a fogueira com o objectivo de limpar as nossas culpas.

“Nenhum movimento especulativo fará o governo mudar o seu plano”, mas é claro rente e para diante, porque haveríamos de vender a alma ao diabo e desviarmo-nos da nossa rota, a menos que seja ele o possuidor dos recursos que nos faltam para concretizar o plano e aí não nos convém vender-lhe a alma por três dinheiros apenas para satisfazer alguns caprichos.

“Sabemos que há uma crise internacional, mas nós pusemo-nos a jeito”, pusemo-nos a jeito e se calhar também houve alguma falta de jeito, costuma dizer-se que foi assim que a Alemanha perdeu a guerra, e se não quiser perder esta também, no limite vai ter que deixar-nos arder a todos no inferno das nossas tentações.

“O pais sofreu um ataque severo e o senhor chegou aqui a dizer que não vai mudar nada”, percebo bem é a tradicional resistência à mudança, mas quando as chamas baixarem de intensidade e for preciso renascer das cinzas, qual fénix, seguramente tudo será diferente, ou não pois parece que a memória dos homens se tornou tão volátil que este perdeu a capacidade de aprender com os próprios erros.

Vamos pois acreditar que os diabos à solta se irão converter, que o fogo limpará de facto as nossas culpas e que iremos renascer das cinzas com a capacidade de aprender com os erros renovada, para que ao olhar para o passado possamos dizer como os Xutos, e o que foi não volta a ser, mesmo que muito se queira, e querer muito é poder, e o que foi não volta a ser.


De elmanofilo a 1 de Maio de 2010 às 08:36
Que grito de alma mais saudável e pertinente. Quanto do que se esbanja em banquetes , foguetórios e palermices idiotas, patrocinadas por gente que se serve de certas datas e eventos como feira de vaidades, poderia ser usado noutros fins mais edificantes.

Ainda recordo aquela atitude generosa dos médicos do hospital Pedro Hispano que abdicaram dos carros de serviço para adquirirem equipamento médico.

Gesto simbólico mas cheio de significado!

Quem lhes seguiu o exemplo?

Ninguém. Os poderes políticos são egoístas, egocêntricos, não toleram atitudes de generosidade que caem como facadas no seu viver faustoso e opulento.

O país está de rastos por causa disso.

As excepções confirmam a regra. Apenas e tão só.
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Que grito de alma mais saudável e pertinente. Quanto do que se esbanja em banquetes , foguetórios e palermices idiotas, patrocinadas por gente que se serve de certas datas e eventos como feira de vaidades, poderia ser usado noutros fins mais edificantes. <BR><BR>Ainda recordo aquela atitude generosa dos médicos do hospital Pedro Hispano que abdicaram dos carros de serviço para adquirirem equipamento médico. <BR><BR>Gesto simbólico mas cheio de significado! <BR><BR>Quem lhes seguiu o exemplo? <BR><BR>Ninguém. Os poderes políticos são egoístas, egocêntricos, não toleram atitudes de generosidade que caem como facadas no seu viver faustoso e opulento. <BR><BR>O país está de rastos por causa disso. <BR><BR>As excepções confirmam a regra. Apenas e tão só. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Dr</A> Fernando Nobre: <BR><BR><BR>O senhor é também uma rara excepção. Um oásis de generosidade neste desértico país. Mas será que o povo tem estatura cívica para o alcançar? <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>www.rouxinoldebernardim.blogspot.com</A> <BR>J. Leite de sá <BR>


De Pedro Maximino a 29 de Abril de 2010 às 14:27
“Confiança”

Atrás de mim virá quem bom de mim fará, parece ser a regra do momento, juntamente com o tiro ao boneco, pois parece também que quanto mais depressa se mudar os bonecos melhor.

Veja-se o exemplo de ontem em que os dois principais líderes da nossa praça se reuniram para tentar restabelecer os níveis de confiança quando um deles, em entrevista publicada hoje no diário Espanhol ABC, veio à praça dos nossos dias, a comunicação social, dar umas facadinhas no outro.

Isto leva a uma total perda de confiança, se é que ainda existia alguma, nas pessoas que nos dirigem e por seu lado acredito que não lhes proporcionará a elas a calma suficiente para que possam tomar as melhores decisões.

Já das instituições falando e das suas conclusões e recomendações também que confiança pode haver se observarmos o rol de diferentes opiniões e conclusões, por vezes até em sentido contrário, cada um puxa a brasa à sua sardinha mais uma vez na praça dos nossos dias, a comunicação social.

Existem tanto exemplos domésticos como fora de portas, é a desconfiança de tudo e todos para com tudo e todos que parece ter vindo para ficar, este tipo de clima favorece seguramente a venda de notícias e parece favorecer também o quanto pior melhor, pois com este tipo de atitudes estamos a proporcionar uma descida de nível, degrau a degrau na escadinha que nos leva ao inferno.

Tal como na anedota da velha senhora que morreu e chega junto a duas portas e logo vêm recebê-la, então vem para o céu, sim claro, mas escuta um ruído de berbequim a perfurar e pergunta que ruído é aquele, então estão a furar a cabeça do último que chegou para colocar a auréola, e esse outro ruído, então estão a furar as costas para colocar as asas, então não, vou para ali, bom mas ali é o inferno, certo mas ao menos se quiserem pôr-me um rabo já tenho o furo feito.

E é assim mesmo, sem medos, vamos lá pois se for preciso já temos o furo feito.


De SOS DIREITOS HUMANOS a 28 de Abril de 2010 às 01:47

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA



"As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!" Otoniel Ajala Dourado



O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA


No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato "JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA", paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.



O CRIME DE LESA HUMANIDADE


O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.


A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS


Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos



A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO


A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.



RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5


A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;



A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA


A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.


QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA


A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do "GEOPARK ARARIPE" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?



A COMISSÃO DA VERDADE


A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e pede que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.


Paz e Solidariedade,



Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
www.sosdireitoshumanos.org.br
sosdireitoshumanos@ig.com.br
http://twitter.com/REVISTASOSDH


De Pedro Maximino a 27 de Abril de 2010 às 19:38
“Os binóculos”

O meu tio africano perguntou-me uma vez se eu sabia como caçar um elefante com os seguintes objectos, uma caixa de fósforos, uma pinça e uns binóculos, eu fiz uma cara de espanto, pensei alguns instantes e dei-lhe a resposta óbvia, não, pois é simples disse-me ele, com os binóculos procuras na savana um elefante, ao encontrá-lo vais-te aproximando cuidadosamente, quando já estiveres bem próximo abres a caixa de fósforos, viras os binóculos ao contrário, pegas no elefante com a pinça e coloca-lo dentro da caixa e já está, vês é simples.

Veio isto a propósito de quê, de quase tudo em geral e de nada em particular, como dizia o outro, mas ao ler que o governo está a estudar um determinado sector da actividade administrativa, porque descobriu que este tem administradores a mais, eu acabo por fazer a mesma cara de espanto que fiz quando o meu tio naquela época me ensinou a caçar elefantes.

Faço também uma imensa cara de espanto quando os nossos governantes e demais líderes afirmam, como há uns dias o ministro que disse não compreender o mecanismo que leva à formação dos preços de determinados bens.

Faço também uma imensa cara de espanto, quando em vez de se remunerar a pouca poupança do português, com os célebres certificados de aforro se opta por remunerar os especuladores ao emitir dívida pública para o mercado internacional e os certificados que demoraram quarenta ou mais anos a conquistar fama estejam agora a ser assassinados desta forma, não que eu seja um especialista na matéria, mas de tanto os ouvir falar.

Poderia dar muitos mais exemplos para justificar a cara de espanto que sou obrigado a fazer amiúde, o que eu não vejo é nenhum dos nossos responsáveis fazer uma cara de espanto, ao ver a ginástica que por aí se faz para conseguir ir vivendo com o custo de vida e os rendimentos disponíveis, como diz o outro, os especuladores voltaram ao mercado, embora eu ache que nunca de lá saíram e se não forem tomadas medidas drásticas não vamos ter um futuro brilhante.

Parece-me que temos sido governados por ilustres e brilhantes personalidades, ninguém lhes retirará o mérito, mas que na minha modesta opinião têm andado a olhar para as realidades com os binóculos virados ao contrário, será talvez chegada a hora, se é que ainda vamos a tempo, de voltar a virar os binóculos, para tentar perceber a verdadeira dimensão do problema e rapidamente encontrar a melhor forma de enfrentar o elefante.


De Ahmad Kavousian a 27 de Abril de 2010 às 12:14
dear Mr. Nobre,
I am a Canadian photographer recently moved to Portugal,
I have few images of you in April 25 demonstration, and want to share one of them with you here:
http://yoono.com/3oXL9Nz
Regards
Ahmad Kavousian


De Grupo Canelas a 27 de Abril de 2010 às 09:34
Caro Dr.Nobre,

Para o caso de não se lembrar de nós, estivemos presentes na apresentação do seu livro "Humanidade" na Fnac de Stª. Catarina no Porto. Falámos consigo pessoalmente no âmbito de o convidarmos a dar uma palestra na nossa escola. Foi com tristeza que recebemos a noticia da sua impossibilidade, já que o nosso projecto estará então comprometido, pois era a nossa intenção recebê-lo na nossa comunidade.
Reiteramos contudo a importância da sua presença na nossa escola, pelo que aguardamos uma resposta. Pedimos desculpa pela nossa insistência mas a conclusão do nosso projecto só será possível com a sua ilustre presença.

Cumprimentos,
Projecto Contra a Indiferença do 12ºB da Escola Básica e Secundária de Canelas, V.N.Gaia


De Fernando Nobre a 29 de Abril de 2010 às 10:06
Queridos amigos,

infelizmente, não poderei aceitar o vosso amável convite, pois a minha agenda não me permite.
Desejo muito sucesso para o vosso projecto e espero que possamos vir a reencontrar-nos.

Abraço e obrigado.


De Pedro Maximino a 26 de Abril de 2010 às 23:49
“Hoje não”

Hoje não estou com vontade de me dedicar a assuntos sérios e ainda bem pois dei-me conta de uma curiosidade que é a seguinte, agora para além da pressão dos média para que haja acontecimentos fora do comum, existe também a pressão da indústria de jogos electrónicos para que tais acontecimentos ocorram para de seguida aproveitarem a deixa e lançar logo no mercado os respectivos jogos.

E é a isso que eu tenho estado a dedicar-me hoje, a um novo jogo on-line que descobri, tem a ver com esta crise global e já integra também a crise provocada pelo vulcão, é bastante complicado de princípio mas depois de algumas horas em frente ao PC e de entender umas quantas regras básicas até não me estou a sair nada mal.

Queiram então saber que comecei por investir um dinheirito que herdei de uma tia rica, em Wall street, é quase sempre assim as histórias de sucesso começam sempre por um golpe de sorte, dei-me bem e ganhei uma massas valentes, mas melhor que isso como joguei na principal praça tive também a sorte de me fazer notado e conhecer uns tipos influentes, é claro tive que investir um pouco de início, mas agora tenho-os na mão.

Numa jantarada, diga-se que me custou bastante cara, no Manhattan Chase Hilton convenci os tipos a vir para a imprensa especializada dizer que Portugal e a Grécia estavam de pantanas e tal, o resto já vocês sabem, foi o último investimento que tive que realizar, a partir daí tem sido só facturar, já vos conto.

Com a massa que ganhei investi forte e feio na dívida pública destes países, é claro que depois das declarações dos meus amigos na imprensa os meus títulos valorizaram uns milhões, vendi deles uma parte substancial e realizei logo uma maquia que nem vos digo quanto para não vos baralhar, tantos eram os zeros.

Com parte deste dinheiro adquiri a Islândia que como sabem estava de pantanas, eles até me agradeceram e tratei logo de lançar em erupção os dois principais vulcões do país, neste momento os céus da Europa e dos EUA estão cobertos por uma nuvem que paralisou 85% da aviação no hemisfério norte, as cotações do barril de crude estão a cair fortemente, pois a aviação é um dos principais clientes das refinarias.

Dei ordens em bolsa para comprar tudo o que apareça de companhias petrolíferas, pois muitas estão em forte queda devido à minha nuvem e vai daí conto em breve tornar-me dono das principais empresas de refinação do planeta, depois é só fechar as válvulas de queima dos vulcões para que aviação volte aos céus e aí já serei eu a controlar quase na totalidade os preços dos combustíveis, aí sim vou ganhar como nem imaginam e já estou a pensar em especular na indústria extractiva de metais pesados, para de seguida vir a controlar a fatia da energia nuclear e em breve serei dono do mundo por via do controlo da energia…

…ai o PC desligou, faltou a energia, bolas e eu nem gravei esta treta, que maçada vou ter que começar tudo de novo, bom mas com a experiência de hoje tenho cá a impressão que amanhã ainda me vai correr melhor o dia, deixa-me cá ligar já aos meus amigos de Wall street.


De Pedro Maximino a 26 de Abril de 2010 às 23:48
“Lenine”

O nosso presidente descobriu hoje que na nossa sociedade persistem desigualdades sociais e existem casos imerecidos de riqueza que chocam e tudo o mais que ele sabe e que ele sabe que nós sabemos e não disse, um outro ilustre parlamentar citou Lenine dizendo que “uma organização morre quando os de baixo não querem e os de cima já não podem” e no final acabam todos a elogiar-se mutuamente, até parecem saídos do mesmo saco.

Todas estas descobertas e acontecimentos recentes remetem-me para os anos sessenta quando ouvíamos dizer que estávamos atrasados cinquenta anos em relação aos EUA, nós tinhamos a rádio eles tinham a TV a preto e branco, nós tinhamos a TV a preto e branco, eles tinham a TV a cores, os nossos automóveis eram económicos e pequeninos os deles eram grandes bombas e gastavam até mais não, isto tudo relativamente aos aspectos tecnológicos.

E ouvíamos simultaneamente dizer que a terra do tio Sam era terra de oportunidades, mas só quem tinha dinheiro tinha protecção social, os demais que se amanhassem e que nós aqui tinhamos a sorte de ter um estado social muito evoluído, aqui por sua vez os salários de todos em geral eram baixos, não existindo grandes desigualdades, enquanto lá já havia gestores muito bem pagos, mas quem trabalhava também era bem remunerado, embora o leque salarial fosse mais alargado.

Nos dias de hoje com a velocidade a que a informação flui e os bens de consumo são escoados as diferenças tecnológicas esbateram-se por completo, quanto às outras diferenças se antes caminhávamos em contra ciclo, a coisa agora parece manter-se mas eles na curva ascendente e nós na descendente.

Enquanto por lá parecem ter tomado uma maior consciência social e querem alargar o espectro desta protecção, também a nível salarial parecem querer conter mais as desigualdades pois quem trabalha aufere bons salários e os de topo não estão tão afastados, já nos automóveis buscam cada vez mais a economia enquanto antes isso nem sequer constituía uma preocupação.

Por cá parece andarmos a querer reduzir o nível das prestações sociais e o seu espectro de aplicação, relativamente aos salários dos de cima e dos de baixo nem é bom fazer comparações e já nos fazemos transportar em grandes bombas, sinais dos tempos, será talvez por que pensamos caminhar para a vida eterna organizacional, isto à luz da citação de Lenine, pois os de cima podem tudo, é a falta de vergonha completa e os de baixo já não podem mais.


De elmanofilo a 5 de Maio de 2010 às 18:44
Fernando Nobre a Belém
A Pátria apela, gregária,
Não queremos lá alguém
Com «coleira» partidária...

www.rouxinoldebernardim.blogspot.com
elmanofilo

Vila do Conde, 2010-05-05


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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LIVROS QUE PUBLIQUEI

- "Viagens Contra a Indiferença",
Temas & Debates

- "Gritos Contra a Indiferença",
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- "Histórias que contei aos meus filhos",
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- "Mais Histórias que Contei aos Meus Filhos", Oficina do Livro

- "Humanidade - Despertar para a Cidadania Global Solidária", Temas e Debates/Círculo de Leitores

- "Um conto de Natal", Oficina do Livro
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