Sábado, 11 de Setembro de 2010

Este texto foi escrito no dia 17 de Setembro de 2001, seis dias após ter assistido ao total desmoronamento das duas torres do World Trade Center em Manhattan – Nova Iorque, na trágica terça-feira do dia 11 de Setembro.

 

O acto de terror do dia 11 de Setembro, com os seus milhares de vítimas inocentes, vítimas da loucura assassina nascida do ódio, ódio criado e alimentado pelas injustiças e pela falta de princípios éticos iguais e válidos para todos, marcou o início de uma nova época repleta de medos e incertezas.

 

Ao ver desmoronar-se, a poucas centenas de metros de mim, como simples castelos de areia, , aquelas duas enormes torres que conhecia por dentro, gritei como as milhares de pessoas que, como eu, na 5ª avenida assistiam aterradas, atónitas, aparvalhadas, incrédulas e impotentes ao impossível: Meu Deus! Inacreditável!

 

Tentei imaginar então os seres humanos, homens e mulheres, encurralados em pânico, no calor, na poeira e esmagados por toneladas de betão e ferro: nunca irei esquecer. Eles eram meus irmãos também! Não há justificação possível para tal horror. Passado, mas nunca aceite, esse intenso momento de dor, tristeza e de estupefacção, perguntei-me, tentando compreender o porquê de tal loucura assassina e suicida. A resposta, para mim, é só uma: Injustiça! Injustiça! Injustiça associada ao desprezo, à prepotência, à arrogância, à intolerância, à indiferença, à ganância!

 

Hoje há muitos povos (conto também com os nossos excluídos), que, vítimas de injustiças, estão cheios de ódio para com o outro, você, eu e o Ocidente rico, opulento, gastador, injusto, opressor e indiferente à miséria alheia. Os Estados Unidos infelizmente representam o vértice de todo esse sistema que tantos ódios tem criado e que está a levar indivíduos, e poderá levar povos inteiros, à loucura assassina e suicida. O apoio manifestado pelos EUA (e não só!) a muitos ditadores sanguinários, o seu apoio incondicional e cego a Israel, mesmo quando este último se comporta injustamente, brutalmente e à revelia das sucessivas decisões das Nações Unidas há décadas, a não ratificação de tratados internacionais tais como o de Quioto, o da não proliferação das minas pessoais e do Tribunal Penal Internacional (TPI), a política arrogante do quero posso e mando, desprezando, por vezes, toda a comunidade internacional e as próprias Nações Unidas, faz com que o ódio que certos povos lhe votam tenha atingido dimensões nunca imagináveis. Chegou o momento de todos (americanos, europeus asiáticos, africanos, judeus, muçulmanos, cristãos, hindus, budistas, ateus e animistas) pararmos para pensar e reflectir.

 

O que o Mundo precisa é de profunda reflexão que este acontecimento trágico deve proporcionar: é uma oportunidade única de interrogação que não deve ser desperdiçada.

O que o Mundo não precisa, nem nunca precisou, é dos espalha brasas que não sabem o que é ver morrer de perto e em massa. Calem-se, senhores espalha brasas: tenham vergonha e sejam púdicos, por favor! É tudo muito mais complicado do que as vossas mentes maniqueístas e primárias pensam: Não há só cowboys bons e índios maus...

O que precisamos todos é de pôr já um bálsamo nas nossas dores e chorarmos todos os nossos mortos, os mortos do World Trade Center, os mortos palestinianos, os mortos israelitas, os mortos iraquianos, os mortos cambodjanos, os mortos dingas do Sudão, os mortos angolanos, os mortos colombianos, os mortos russos e chechenos, os mortos hutus e tutsis, os mortos índios, somalis e afegãos...

 

Depois desse lamber de feridas, com a sua devida e honesta autocrítica, que permita exorcizar todos os nossos fantasmas, precisamos todos, em consciência, de nos empenhar completa e resolutamente em acabar com as causas de tanto ódio. Se não o fizermos já, entramos no caminho infernal e sem fim do ciclo do horror: atentado, retaliação, atentado, retaliação,...

Li certa vez na rua o seguinte grafitti: “ A lei de Talião - olho por olho torna o povo cego. É bem certo. O diagnóstico da doença do mundo actual é o ódio!

As manifestações dessa doença mortal são: revoltas, frustrações, desespero, atentados, loucura assassina. Só há um tratamento com hipótese de cura a médio – longo prazo: justiça social e ética nas relações entre os povos. A paz no Médio Oriente, nos Balcãs, em África é urgentíssima. Ponhamo-nos à mesa já. Como teremos paz e justiça, únicos antídotos do ódio mortal que se alastra, com, por exemplo, um TPI (Tribunal Penal Internacional) válido para julgar, nomeadamente, os criminosos contra a Humanidade sérvios mas nunca válido para julgar, eventualmente, pelas mesmas razões um criminoso contra a humanidade americano?

 

Peço aos meus amigos americanos, e são muitos, que pensem bem pois eles precisam do Mundo (como os outros povos) e o Mundo precisa deles (como dos outros povos): só com eles poderemos parar a espiral da violência. O Mundo não precisa de uma PAX AMERICANA arrogante! Por favor, compreendam isso.

 

Para sermos respeitados precisamos também de respeitar os outros. Um povo humilhado serão milhares de potenciais homens bombas lançados aos quatro ventos! Será que queremos vê-los saltar pelas nossas cidades à semelhança do que se passa em Israel?

 

O atentado do World Trade Center demonstrou que, daqui para o futuro, ninguém está imune de morrer inocente e estupidamente num massacre bombista e que nada, nem ninguém, é invulnerável. Entramos numa nova era: de horror ou de esperança, em função da seriedade com que se enfrentar esta tragédia. Não nos esqueçamos da enorme esperança, completamente desperdiçada, que tinha nascido há uma década com a queda do muro de Berlim que, dizia-se, ia dar nascimento a um mundo mais justo. Tal não aconteceu: é agora ou nunca!

 

Não nos esqueçamos que um homem decidido a vingar-se e a pagar com a sua vida foi, é e será sempre muito difícil de dissuadir na sua loucura. Ainda vamos a tempo de parar. Paremos pois já! Sejamos claros: Há que julgar e castigar os culpados do atentado ao World Trade Center, disso ninguém tem dúvida. Mas há que o fazer segundo as normas jurídicas internacionais. Estou convicto que ao responder ao terror pelo terror dificilmente sairemos do terror em curso. A única via para se conseguir uma paz duradoura é no combate sem quartel contra o ódio e a injustiça.

Ao ódio e à loucura assassina contraponha-se já justiça e ética. Se assim não for, não sei onde iremos parar: a caixa de pandora aberta, os cavaleiros do apocalipse estarão de rédea solta... E depois?

Não aceito tanta insensatez, tanta loucura.

 

 

Nada é tão nefasto como a perda ou a ausência de memória dos povos, que tende a fazer deles inevitavelmente sempre ou heróis ou mártires, e nunca culpados de nada. Esse comportamento leva à vitimização, à intolerância, à xenofobia e à discriminação. Quero só lembrar aos ingleses os campos de concentração na guerra dos boers na África do Sul e o genocídio dos aborígenes na Austrália (não ficou um na Tasmânia) e, aos americanos, quero só lembrar o genocídio dos índios e o famigerado Ku-Klux-Klan.  Poderia passar assim em revista a história de quase todos os povos unicamente para lhes dizer que as “democracias” tão badaladas têm manchas e que somos todos cinzentos.  Pensemos em consciência!

 

 

Quase uma década depois deste nefasto acontecimento, considero que há na política internacional uma nítida mudança positiva em curso desde a eleição do Presidente Barack Obama, que representa a mudança no paradigma de governação do primeiro império da actualidade, demonstrando solidariedade para com os mais desfavorecidos, vontade em terminar guerras que herdou (Iraque e Afeganistão) e em melhorar o conflito no Médio-Oriente entre Israel e a Palestina, interesse pelo que está a acontecer no continente africano, e tendo recolocado os EUA no multilateralismo, pois acredita, claramente, no diálogo.

 

Porém, Barack Obama só, não chega. Temos de multiplicar pelo mundo o seu genuíno interesse pelos outros e a sua visão de entendimento e paz mesmo se, por vezes, manietada por forças e circunstâncias nefastas.

 

Aliemos as nossas esperanças à ONU e às ONG’s de todo o mundo, cuja 63.ª conferência terminou no passado dia 8 de Setembro em Melbourne, deixando um apelo aos líderes mundiais para que reduzam as despesas em guerras e aumentem o apoio na ajuda ao desenvolvimento.

 

A declaração final da conferência alerta para o facto de, em todo o mundo, 2600 milhões de pessoas viverem sem acesso a cuidados de saúde, 8 em cada 10 pessoas das áreas rurais não terem água potável, 340 mil mulheres grávidas morrerem todos os anos de causas relacionadas com a gravidez e 9 milhões de crianças não chegarem a completar 5 anos.

 

Há que mudar certas lideranças em todos os continentes para darmos uma oportunidade à Humanidade.

Façamo-lo também em Portugal. Por isso me ergui: contra ninguém, mas com a determinação de uma mudança humanística também entre todos nós. Olhemos pelo outro, nosso irmão.

 

 

Quero acreditar que os nossos filhos e netos conhecerão um mundo diferente e melhor, mais fortalecido e mais justo.

 

 



publicado por Fernando Nobre às 00:41
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43 comentários:
De Pedro Maximino a 24 de Outubro de 2010 às 18:24
"Ao mar"

O nosso futuro é o mar
As galochas já comprei
Amêijoas fui apanhar
E de balde vazio voltei

Comprei depois uma lancha
Mar adentro aqui vou eu
Mas robalos só à la plancha
Os outros alguém os comeu

Mas que má sorte eu tenho
Por não saber interpretar
Sábias palavras de empenho

De quem cumpre governar
Vou ver s’em terra m’amanho
E só depois atirar-me ao mar.


De Pedro Maximino a 22 de Outubro de 2010 às 22:17
"Renovável"

Renováveis minha gente
É o nosso grande futuro
Acreditem qu’ele não mente
Só assim sairemos d’apuro

E mesmo que renovando
A economia enfraqueça
O discurso vai botando
Assim ninguém o esqueça

E mesmo que as renováveis
Não passem dum embuste
Apesar de dias admiráveis

Veremos, o dia será chegado
Por muito qu’isso nos custe
Em que ele será renovado.


De Pedro Maximino a 22 de Outubro de 2010 às 22:16
"O abandono"

O estado social terminou
Não é verdade não senhor
Não deves ficar com rancor
Só porque o abono voou

No primeiro de Novembro
O decreto entra em vigor
Dia de finados com rigor
Se o abono finou não lembro

Para salvaguardar o futuro
Sem esta parcela do estado
Ninguém nasça prematuro

Que nasçam já com vint’anos
Que à ciência nada é vedado
Poupa-se assim nos abonos.


De Pedro Maximino a 21 de Outubro de 2010 às 23:59
"Milagre negocial"

Vem santinho milagreiro
Consegue lá entendimento
Se entra o FMI primeiro
Acaba-nos com o sustento

Cedam lá no achocolatado
Nós cedemos na fiscalização
Ficando o povo conformado
Com a brilhante negociação

Muda-se tudo de repente
Para que tudo fique igual,
Ficamos limpos novamente

Para a alternância habitual,
Agradecem-nos eternamente
Por mais um milagre negocial.


De Pedro Maximino a 20 de Outubro de 2010 às 22:00
"Flexibilidade"

A produtividade melhora
Nesta pátria empobrecida
Dizem as vozes lá de fora
Com flexibilidade acrescida

Nisso acreditando piamente
Decretam nossos governantes
Estiquem-se frequentemente
E nada ficará como dantes

Esticámos primeiro o salário
Mais tarde também o imposto
E já estamos como o operário

Esticados sempre a batalhar
Flexíveis mais que o suposto
Só nos resta à borla trabalhar.


De Pedro Maximino a 20 de Outubro de 2010 às 01:00
"Renascer"

Os muros que já caíram
Serviam de corta fogo
Dos fogos que eclodiram
Nasça já um mundo novo

Dessas cinzas flamejantes
Uma nova fénix renasça
Não aos homens como dantes
Que renasçam doutra massa

Saibam conduzir o destino
Desse mundo agora nascido
Sem aquele instinto canino

Que os fazia a presa morder
Espumar pelo lucro apetecido
P’ra não voltarmos a arder.


De Pedro Maximino a 19 de Outubro de 2010 às 20:53
"Desfile de notáveis"

Aprovem o OE por favor
Alto e bom som apregoam
Não esperem o salvador
De tanto esperar enjoam

É só mais um sacrifício
E este a bem da nação
Será de todos o benefício
Evita-se assim o papão

Se ele vem isto dá zanga
O buraco ainda descobre
Ficamos todos de tanga

O país torna-se um circo
O povo de palhaço pobre
E nós de palhaço rico.


De Pedro Maximino a 18 de Outubro de 2010 às 20:23
“Lá no alto”

Lá no alto nos coloca o novo governador do nosso banco ao afirmar “Portugal é um avião com 4 motores e 2 vão desacelerar”, ainda que o diagnóstico sobre o tipo de aeronave estivesse correcto, coisa que eu duvido, ainda assim a forma como os motores se vão ou estão a comportar parece-me desde logo completamente errada.

Senão vejamos, os ditos motores foram identificados pelo governador, com costela de aviador, como sendo “consumo público, consumo privado, exportações e investimento”, e aqueles que iriam desacelerar como sendo “consumo público e o investimento”, ora acontece que o consumo público há muito que desacelerou, pois o dinheiro já só tem chegado para pagar juros do combustível anteriormente gasto para tentar manter o avião no ar.

Já quanto ao investimento, embora muita coisa de anuncie, não tem passado disso mesmo, de anúncios, pensamos viver numa bela aeronave, mas pouco ou nada se tem investido nela, pois o dinheiro já só chega para os projectos e mal, projectos megalómanos sem dúvida, mas não devemos recear pois disso mesmo não irão passar, já que ao avião não está a voar tão alto como se pensa e continua a perder sustentação.

Quanto aos outros dois motores, o consumo privado e as exportações, esses que ainda iam acelerando qualquer coisa, agora com as medidas aplicadas pelo orçamento irão desacelerar de vez, pois os privados e as empresas vão ter que entregar muito mais ao comandante para tentar evitar que o avião se despenhe e ficarão com muito menos para acelerar o que quer que seja.

Será que ainda estamos no ar, e se sim quem vai aos comandos da aeronave, responda quem souber, cá por mim nós somos é um bimotor a hélice, com uma fuselagem antiga e esburacada, sem dinheiro para os remendos e combustível, o comandante vai nu e a nossa sorte é que já estamos a voar muito baixinho, pois a esta altitude quando nos despenharmos, pela certa iremos sobreviver apenas com algumas escoriações.


De Pedro Maximino a 17 de Outubro de 2010 às 23:04
"Dia da erradicação da pobreza"

Dia da erradicação da pobreza
IVA a vinte e três por cento
Neste orçamento de magreza
Nem força teremos p´ro lamento

O vinho paga menos que leite
Legumes e fruta sobem logo dez
Subida meteórica tem o azeite
Não vale refilar levas c’os pés

O remédio terás que encontrá-lo
Fazendo das tripas teu coração
Bebe todos os tragos p’lo gargalo

Talvez acordes rico pois então
Após caíres bêbado com’um cacho
Farás assim parte da erradicação.



De Pedro Maximino a 17 de Outubro de 2010 às 18:26
“Governo precisa-se”

Muito se tem dito e redito sobre o orçamento, imensas personalidades no activo e muitas mais nas suas poltronas douradas, têm opinado sobre as contas, mas quer umas quer outras têm cota parte de responsabilidade no estado a que isto chegou e se é sabido que o aumento da receita com o novo OE não chega nem para cobrir metade dos juros com a dívida durante o próximo ano, isto significa que estamos mesmo mal governados e aconselhados.

Significa mesmo que a manter-se este estado de coisas, a cada ano que passa, uma parte cada vez maior dos rendimentos é para pagar juros e uma parte cada vez menor é para cobrir despesa corrente e para investir, isto não tendo em conta que as medidas deste orçamento vão deixar menos dinheiro disponível para a economia real e logo o crescimento previsto é uma miragem e o mais certo é uma estagnação ou mesmo recessão da economia.

Se a tudo isto juntarmos o constante financiamento externo com recurso a novos empréstimos estamos mesmo a ver que esta não é uma situação difícil, mas sim desastrosa e o desastre é tal que até o FMI respirou de alívio com a nova proposta de orçamento de estado, pois se tivesse que vir para cá nem eles saberiam que volta dar à situação, é por isso que eu gosto muito de os ouvir a todos falar e sempre que um deles fala dez minutos lá se foram trezentos e cinquenta milhões em juros, mais valia que estivessem calados.

E agora já não adianta ir à Deco, nem mesmo à bruxa, só nos resta um gesto patriótico de todos os presentes na assembleia da república que será votarem não o orçamento de estado porque isso já não nos levará a lado nenhum, pois o orçamento a seguir será bem pior e assim sucessivamente, só lhes resta portanto aprovar por unanimidade uma moção de mea culpa e que aprove em simultâneo a colocação de anúncio para um novo governo, mas não governo resultante de eleições porque nesse fado já nós andamos há tempo que baste com os resultados de todos conhecidos.

Terão mesmo que pensar em mandar publicar nos canais internacionais próprios um anúncio do tipo “Governo precisa-se”, cuja redacção será mais ou menos assim, “governo para governar pequeno país do sul da Europa com pouco mais de dez milhões de habitantes precisa-se, com provas dadas na gestão pública e com forte vocação para o estímulo à economia real por forma a promover o crescimento sustentado de um pequeno território e que não se assuste com indígenas de tanga, não se deixe amedrontar com situações pantanosas e sobretudo não tenha medo de monstros”.


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Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. (continuar a ler)
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