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Contra a Indiferença

A visão de um cidadão activo e inconformado com certos aspectos e da sociedade.

A visão de um cidadão activo e inconformado com certos aspectos e da sociedade.

Contra a Indiferença

13
Abr11

Declaração

Fernando Nobre

 

Aceitei o convite que me foi dirigido pelo Dr. Pedro Passos Coelho para ser candidato a deputado, com o estatuto de independente, para cabeça de lista por Lisboa e ainda para a minha indigitação como candidato a Presidente da Assembleia da República.

Foi uma decisão muito difícil. Fi-lo depois de prolongada reflexão e ponderando com profundidade e seriedade todos os interesses atendíveis.

Depois da minha candidatura Presidencial e da caminhada que comigo fizeram milhares de portugueses, muitos desiludidos com a política e sequiosos de encontrar uma alternativa de Cidadania, não foi simples nem óbvio para mim encontrar a resposta justa e assertiva ao desejo que o Dr. Pedro Passos Coelho me colocou.

O País vive uma situação dramática, os tempos que nos aguardam são espinhosos e duros, estamos carecidos de rumo e é preciso encontrar plataformas de entendimento que nos permitam abrir os caminhos do futuro.

Não há mais tempo a perder. Não há mais tempo para esperar que os problemas se resolvam por si.

Eu acredito, e disso dei conta aos portugueses, que todos temos o dever de participar. O facto de termos o direito de sermos independentes não nos livra da responsabilidade de contribuir para o futuro colectivo.

Não era meu propósito ser deputado, e disso de resto dei público conhecimento em recente entrevista a um Semanário. Não era essa a via pela qual acreditava poder continuar a missão que me propusera.

Mas o projecto que me foi apresentado pelo Dr. Pedro Passos Coelho é bem mais amplo, para além de que preserva a minha autonomia e independência.

Pela primeira vez na história da Democracia Portuguesa, um Cidadão independente, sem vinculo partidário, poderá contribuir, com a sua intervenção, na gestão da politica, num lugar de tão grande relevância como é a Presidência do Parlamento.

Isso terá óbvias consequências no entendimento e credibilização da acção politica, bem como será, espero, um estímulo para uma participação mais activa dos cidadãos na vida política do País.

Tentarei com empenhamento total contribuir para a reconciliação dos cidadãos com a prática politica, para que diminua a abstenção, e para que os cidadãos voltem a acreditar que existe esperança, porque são possíveis práticas politicas alternativas.    

Acredito nas intenções do Dr. Passos Coelho e revejo-me em muitos dos argumentos que me apresentou e no modelo que, em conjunto,idealizámos como uma via para ajudar a desbloquear o nosso sistema político que hoje está desfasado do País e da vida dos Portugueses.

Sei que poderei ser alvo de muitas incompreensões, de outras tantas críticas e até do desprezo de muitos, mas o que me determinou foi a convicção de que poderei servir o meu País e ser útil a Portugal. Sou antes de mais um homem de acção e um patriota.

Serei um Presidente da Assembleia da República escrupulosamente respeitador das instituições e do Estado mas não renegarei nunca as minhas convicções, a minha vocação de humanista, e os valores e desígnios da Cidadania.

Acredito que, com trabalho e diálogo permanente com os grupos parlamentares, é possível reforçar a confiança dos portugueses no seu parlamento e estabelecer novas formas de relação com a sociedade civil.

Estou já a preparar um programa que submeterei aos futuros líderes parlamentares para gerar mais consensos, para reforçar o regime e a democracia, para abrir novas oportunidades de auscultação e diálogo com os cidadãos.

Terei uma intervenção activa, transparente e mobilizadora. Tudo farei para que o exemplo restitua a esperança e a esperança constitua um factor de unidade em torno da reconstrução de Portugal.

Não há nenhum compromisso que valha o papel em que foi escrito se esquecer o povo como principal protagonista do esforço de desenvolvimento de Portugal.

Acredito que, mesmo quando os tempos parecem adversos e o caminho sem saída, os nossos problemas podem ser ultrapassados.

O que Portugal precisa é que se forme um sentimento de Justiça e Solidariedade para todos, independentemente das suas crenças e opções.

O que realmente necessitamos é que pessoas com opiniões diferentes se juntem, com respeito mútuo, para cooperar nas soluções dos nossos problemas.

Portugal e a Democracia não têm tempo a perder. Por isso aceitei este desafio. Mais uma vez com espírito de missão e de consciência tranquila, porque sinto que é hoje e não amanhã que devo servir o meu País.

Conto com todos os que comigo se têm genuinamente batido pela defesa dos direitos civis e sociais e por uma cidadania activa que apresente soluções concretas para os problemas urgentes da nossa sociedade.

Esta não é a hora de estar calado e acomodado.

Nunca Portugal necessitou tanto que todos os cidadãos assumam as suas responsabilidades e façam ouvir a sua voz.

Se todos nascemos livres e iguais em dignidade e direitos, não há tempo melhor que este para exercermos com determinação e responsabilidade os nossos deveres.

Foi a pensar nos que não têm voz e no futuro das novas gerações que tomei esta decisão.

 

 

Lisboa  10 de Abril 2011

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